Desvendando Princesas - Vanessa Marques

A primeira coisa que chamou bastante minha atenção nesse título foi a capa maravilhosa, que só de olhar já despertou meu desejo. Assim que li a sinopse, fiquei encantada com o enredo que esse volume prometia trazer e logo o coloquei na minha lista de desejos. Agora, depois de ler essa obra deliciosa da brasileira Vanessa Marques, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Nesse título conhecemos a história de Isabela, uma jovem que saiu da sua cidade natal com apenas dezessete anos e jurou nunca mais voltar. Certo dia, porém, ela recebe um telefonema, no qual descobre que a sua irmã Luciana Haddad, que iria se casar com o príncipe Nicolas, foi sequestrada e ninguém tem ideia de quem foi o responsável ou do seu paradeiro, fazendo com que Isabela volte a sua cidade natal para ajudar na busca de sua irmã.
A trama se passa em São Vicente, um país que possui regime de monarquia no tempo atual. E, quando Isabela chega lá, precisa ajudar a guarda real a desvendar os mistérios, e com isso encarar seu passado, já que ela vai ter que trabalhar com Lucca, o atual major da Guarda e seu ex-namorado, quem ela abandonou no passado sem dar nenhuma explicação. Seu grande amor, o qual ela teve que abrir mão em nome de um bem maior.
Lucca é um homem forte e destemido, que mesmo tendo uma grande ferida causada pelo abandono de sua ex-namorada dez anos atrás, seguiu com a sua vida e seus planos. Estava tudo indo bem, até que ele se vê obrigado a trabalhar com a sua ex e ter toda aquela confusão de sentimentos voltando à tona.
Isabela é uma mulher forte e determinada que faria qualquer coisa pela sua irmã. Dona de um coração incrível, ela se coloca em segundo plano diversas vezes, pensando primeiro nos outros. Quando se vê obrigada a encarar o seu passado, sua vida muda completamente.
Com uma escrita cativante, esse volume conseguiu me conquistar em todos os momentos misturando romance, suspense e personagens maravilhosos e complexos. Tudo isso com uma narrativa leve, rápida e fluida, que faz com que a gente não consiga parar de ler até chegar ao final.


O Assassinato do Comendador Vol.1 - Haruki Murakami

Foi por pouco (um pouco mais de um mês) que meu último livro lido não foi do mesmo autor do primeiro livro lido no ano. Haruki Murakami ganhou minha atenção em janeiro, e agora mais uma vez provou em O Assassinato do Comendador Vol.1, publicado pela Alfaguara, ser um autor com uma narrativa fantástica única.
Um pintor retratista abandona Tókio após ser dispensado pela esposa, sem rumo ele anda com seu carro pelo Japão sem saber o que fazer até que se estabelece entre as montanhas em uma casa que era do pintor Tomohiko Amada. Dia após dia ele busca uma nova maneira de ser e pintar até que ele encontra um quadro de Amada perdido ao mesmo tempo em que um vizinho faz um pedido inusitado a ele. Uma jornada entre a realidade e o que parece um sonho começa, e este jovem pintor nunca mais será o mesmo!
Murakami tem um talento incrível de transformar aparente estórias sem potencial em boas narrativas. O livro começa com o protagonista narrando em primeira pessoa sua separação e os rumos que ela gerou, até este momento você não compreende a relevância e em que ponto o autor quer chegar, já que seu ritmo é lento e detalhado. Mas a medida que a estória se estabelece e começa a brincar com os sentidos compreendemos a importância de cada detalhe que o autor se demorou em narrar.
Pautada no realismo fantástico a cada cena nos perguntamos se o pintor está aos poucos perdendo a noção da realidade com o isolamento ou se os eventos sobrenaturais começam a de fato acontecer com ele. Estes eventos são tão pontuais e sutis que não geram em momento algum a dúvida no leitor. Minha única questão com o livro foi o autor pesar um pouco no excesso de páginas para contar sua estória, isso porque a Alfaguara ainda dividiu o livro em duas partes, ele na verdade passa das 600 páginas! Por conta desta divisão temos um fim repentino e sem sentido.
O protagonista, o pintor, tem como obsessão a irmã que morreu muito jovem do coração. Todas as suas escolhas sejam conscientes ou inconscientes são de coisas ou pessoas que lembram ela seja pela aparência ou pelo comportamento dos mesmos. Essa fixação acaba por prejudicar ele já que estabelece relações com esse pano de fundo, não vê as pessoas como são de fato.
Sua jornada pessoal é bem detalhada, ele quer deixar de ser retratista e passar a fazer quadros para si mesmo. Talvez no fim deste caminho ele veja que fazer retratos não seja algo que ele fez só por dinheiro, pelo menos este é o rumo que o livro deixou até o seu final. Suas relações amorosas também são bem detalhadas, desde a escolha de sua esposa até de suas amantes.
Seu vizinho, Wataru Menshiki, é um personagem enigmático, a impressão é que todo tempo ele escolhe partes da verdade para contar, e nunca toda a verdade. Não sei até agora se ele só tem boas intenções, mas ele é um homem culto e muito rico que passa a ser amigo do pintor, e até a compartilhar algumas coisas estranhas.
Alguns personagens surgem ao longo da trama, mas tirando o vizinho nenhum deles é constante. Temos o amigo filho do pintor Amada, as amantes, a ex-esposa, e até a irmã morta. Todas descritas e apresentadas com densidade, possibilitando riqueza na imaginação da estória.


O Último Golpe do Amor - Cris Barbosa

Janaína Albuquerque é uma jovem de ótima personalidade, que acaba tomando decisões ruins por conta de sua mãe. Isso acontece porque ela tem uma carência desde novinha por conta dos pais negligentes, o pai porque tinha outra família e nunca fez nada por ela – a não ser deixar dinheiro de herança quando morreu – e a mãe, que é uma interesseira que sempre quer buscar o melhor e mais caro para si. Então, para agradar e ser mais aceita pela mãe, Jana acaba ouvindo-a e tomando atitudes que não são boas e não lhe fazem bem.
Por conta disso, ela termina seu relacionamento com Matheus Vasconcelos e vai para o Rio de Janeiro começar uma nova vida com outro homem. Porém, nem tudo sai como o esperado e ela acaba passando por um grande golpe, fazendo com que tenha que voltar para sua cidade do interior e voltar a viver na casa de sua avó.
Numa cidade pequena e sem muitas oportunidades, Jana se vê com muita dificuldade de arranjar emprego ou um futuro. E é justamente seu ex, Matheus, que vai ser o único com capacidade e “disposição” a ajudá-la. Com muito esforço e dedicação, ele fez o bar da família crescer e ganhar sucesso, sendo um dos mais frequentados do local. E é lá que Jana vai começar a trabalhar.
Depois de ter sido abandonado pelo amor de sua vida, Matheus fechou completamente o seu coração e não consegue se envolver emocionalmente com nenhuma mulher, então tem muita dificuldade em aceitar a presença de Jana em sua vida novamente. Mas ela está disposta a fazer o que for necessário para mostrar que se arrepende e nada nem ninguém vai poder ficar entre os dois de novo. Resta saber se o amor que ele sentia ainda existe em seu peito e se esse sentimento é suficiente para fazer com que consiga perdoar Janaína, passar por cima das mágoas e ressentimentos que guarda dentro do seu coração e voltar a viver esse amor.
Algo que sempre gosto de fazer é prestigiar obras de autores nacionais para descobrir novos talentos do Brasil. O livro escolhido da vez foi “O Último Golpe do Amor”, de Cris Barbosa, publicado pela Editora Pandorga, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Como adoro romances, fiquei muito empolgada por essa leitura, principalmente depois de ter lido tantas críticas positivas por aí. E agora o que eu posso começar afirmando é que adorei essa primeira experiência com ela e mal vejo a hora de ler outras de suas obras (até o momento vi que ela tem mais um livro, “Uma Incontrolável Atração”, também publicado pela Pandorga. E já espero outros)!
A escrita da autora é muito gostosa. Daquele tipo que te prende nas páginas e faz com que você não tenha vontade de fazer outra coisa até acabar a leitura. E, se mesmo assim precisar parar (porque tem trabalho, aulas, etc.), fica pensando no livro e querendo voltar para ele. Além disso, a narrativa flui muito bem, fazendo com que a gente avance rapidamente na leitura e, quando percebemos, já chegamos ao final.
A trama faz com que a gente sinta um misto de sentimentos o tempo inteiro. Ora estamos felizes, ora indignados. Em algumas situações nosso coração está repleto de um calorzinho bom, em outras ficamos com raiva. E também há momentos em que a tristeza fala mais alto e depois é o amor quem vira protagonista. Uma das partes mais tocantes para mim foi poder conhecer a avó da Jana, já que eu perdi a minha no começo de 2018 e ela era uma das pessoas mais importantes da minha vida, então sinto muito a sua falta, ainda que sua personalidade não tenha sido parecida com a da vó Chica.
Gostei muito da Jana na maior parte do tempo, exceto por alguns detalhes e achei maravilhoso poder acompanhar a sua evolução e amadurecimento em toda a trama. Foi bonito e inspirador de se ver. Também curti muito a avó Chica, o Gil, amigo da protagonista. Porém, não posso dizer que senti o mesmo por Matheus. Acredito que ele tenha sido um babaca em alguns momentos e me irritei com muitas de suas atitudes.
Não sou uma nada fã de homens como ele, então por um gosto pessoal meu não consegui torcer tanto assim pelo casal, apesar de ter gostado muito de que o relacionamento entre eles não foi fácil, já que havia mágoa e ressentimentos, então soou real que tivesse que ser reconstruído aos pouquinhos. Teria sido simplesmente maravilhoso se não fossem essas atitudes do Matheus que mencionei acima.
A história foi narrada em primeira pessoa e temos a oportunidade de acompanhar as perspectivas de ambos os protagonistas. E dentro de cada capítulo o texto é separado ora pelo ponto de vista de Jana, ora pelo de Mah, com o nome do narrador principal em destaque. Gosto bastante deste tipo de narrativa, pois assim podemos conhecer mais a fundo cada um dos personagens, seus pensamentos, sentimentos e como agem, e também a trama de forma mais ampla, já que temos a chance de ver os dois lados de uma mesma situação.
“O Último Golpe do Amor” é um romance delicioso, leve e envolvente, que vai te conquistar com essa protagonista que vai em busca de redenção no amor, da reconquista e da confiança de seu amado por conta de um erro que cometeu no passado. Você vai sentir as mais diversas emoções e um quentinho no coração quando perceber que no final o amor sempre vence.
Avaliação





Black Hammer #01: Origens Secretas - Jeff Lemire, Dean Ormston & Dave Stewart

Quando um grupo de Super-Heróis salvou a metrópole Spiral City, não imaginava que iriam ficar presos numa fazenda em uma remota cidade-prisão suspensa no tempo. Mas foi isso o que aconteceu com a Menina de Ouro, Barbalien, Abraham Slam, Coronel Weird e Madame Libélula, que não sabem como ou porquê foram parar ali, nem como fazem para finalmente terem sua liberdade de volta.
Através de flashbacks sobre seus passados, as origens de seus poderes e suas histórias antes do acontecimento que fez com que ficassem presos ali por dez anos, vamos conhecer melhor cada um dos protagonistas enquanto eles tentam sobreviver na vida pacata que levam e tentam descobrir uma forma de escapar da realidade em que vivem – ou apenas se adaptam a ela.
Confesso que estava esperando um pouco mais dessa leitura, que tem um teor mais introdutório, apenas nos apresentando aos personagens de maneira não muito aprofundada, ainda que nos faça entender o que é necessário para seguirmos em frente com a história. Mas, de um modo geral gostei bastante do resultado final.
Algo que curti muito foi que o autor resolveu focar nos personagens e não nos acontecimentos em si, fazendo com que o leitor tenha a possibilidade de criar um vínculo maior com cada um e entender mais a fundo a maneira de ser deles individualmente e também o que enfrentam com sua realidade, como gostariam que as coisas fossem diferentes, como agem diante do cenário permanente em que vivem, suas reações, angústias, etc. Tudo isso faz com que a gente entenda-os para depois começarmos a ver como as coisas vão finalmente se modificar nas continuações, as quais estão ansiosa para conferir.
Sobre os acontecimentos, assim como com os protagonistas, não temos muitas informações ainda a respeito de como foram parar ali e como finalmente vão conseguir escapar do local e dessa situação, mas já temos a chance de ver alguma coisa podendo acontecer e estou bem curiosa para saber o que vem por aí.
Como eles estão presos nessa situação e também no local, sem entender como chegaram e se um dia vão conseguir sair, conseguimos sentir a angústia geral deles, assim como isso afeta mais umas pessoas do que outras, que acabaram se adaptando ao meio em que estão vivendo com uma facilidade maior. E, por conta disso, e de suas reflexões e busca por respostas, há um tom mais melancólico na trama.
Alguns personagens com certeza chamaram mais a minha atenção do que outros, porém todos eles me instigaram na mesma proporção. Há um clima sombrio por trás de algumas histórias e também permeando a realidade dessas pessoas que nos deixa aflitos e entusiasmados para saber mais.
As ilustrações ficaram por conta de Dean Ormston, que sofreu uma hemorragia cerebral (derrame) depois de finalizados os primeiros números dessas HQs, e felizmente conseguiu dar a volta por cima, fazendo fisioterapia e se empenhando bravamente em sua recuperação, conseguindo uma melhora significativa, ficando quase totalmente recuperado e podendo, assim, voltar ao projeto. Só por saber disso já senti minha admiração por esse artista crescer ainda mais e fico feliz em saber que ele conseguiu tudo isso.


Vox - Christina Dalcher

Quando eu a li a sinopse desse volume pela primeira vez, me encantei com a premissa da história e logo quis colocá-lo na minha pilha de leituras para conferir essa distopia, que fala sobre empoderamento e luta feminina. Esse é um tema pelo qual me interesso bastante, já que acho que nossa voz deve ser ouvida e gosto muito de histórias que abordam mulheres fortes. Com isso, comecei essa leitura e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Em Vox, conhecemos uma sociedade totalmente diferente da nossa atual, onde após as eleições de um governante muito extremista e bastante conservador, as mulheres e todos aqueles indivíduos que fogem do padrão dos “puros”, perderam totalmente as suas liberdades. E, com isso, as mulheres foram sentenciadas a viver com uma cota de palavras, na qual somente podem utilizar cem palavras por dia. Para ter esse controle, o governo utilizou um marcador no pulso de cada mulher e quando a mesma passa do limite das cem palavras no dia, é penalizada através de choques. Vemos também que as escolas são divididas entre meninas e meninos, e que as meninas aprendem atividades consideradas de mulheres, como costuras e afazeres domésticos, ao invés de uma educação normal como nos dias atuais.
E é nesse cenário que conhecemos a neurolinguista Dra. Jean McClellan, uma mulher que atualmente vive somente para cuidar do lar. Ela não pode mais ler nenhum livro, os computadores da casa ficam trancados, e até mesmo uma leitura simples como a bula de um remédio está proibida. Ela vive uma vida horrível com o seu marido e seus quatro filhos.
Tentando sempre ensinar tudo que sabe para Sonia, sua única filha mulher, ela tem bastante cuidado para não passar do limite das palavras e ver a sua filha sofrer ainda mais. Seus outros filhos, por serem homens, levam uma vida “normal”, na qual podem trabalhar, ir para a escola, etc. E é o seu filho mais velho que nos deixa mais revoltadas com as suas atitudes. Além de tratar a mãe como uma empregada, ele considera as atitudes do governo corretas, achando que os homens são melhores que as mulheres e que elas foram criadas por Deus apenas para servir aos homens.
Certo dia, um representante do governo bate na porta de Jean, falando que ela foi convidada a trabalhar em um caso para desenvolver um soro para ajudar o irmão do presidente a se recuperar de um dano cerebral que afetou a sua fala. E nossa protagonista, apesar de não querer ajudar o “governo”, sabe que se não o fizer, sua vida vai se tornar ainda pior.
Acompanhamos, então, a vida de Jean McClellan e as suas reflexões. Com uma narrativa em primeira pessoa, conseguimos entender melhor os seus sentimentos, angustias e motivações. E nesse cenário, temos a chance de ver como uma voz pode, sim, fazer a diferença.
O desfecho foi bem corrido e me decepcionou bastante em vários sentidos. Queria uma revolução, mas não da forma que foi feita. Não dá para ficar explicando muito, pois esse é o final do livro e seria um spoiler. Mas o que posso dizer é que esse volume em muitas vezes parece demais com a realidade de algumas/muitas mulheres, nas quais elas têm que se calar e se diminuir por conta de algum homem, que se acha superior e impõe o seu jeito violento. É um livro bem reflexivo, que nos leva a pensar na sociedade de uma forma geral, inclusive a nossa atual.
Nós, mulheres sempre devemos ser unidas. Ninguém solta a mão de ninguém e vamos lutar sempre por um mundo melhor, com mais igualdade. Nossa voz importa e precisamos ser ouvidas. Acho que esse é o ponto alto do livro.
Devo confessar que realmente detesto essa capa. É feia, genérica e não acho que passa a ideia do livro e nem mesmo desperta o interesse na leitura. Se eu não soubesse do que se trata, acreditaria que era algum livro chato de não ficção, o que eu acho uma pena, já que a obra deveria ser lida e chamar a atenção de todos.
Recomendo esse volume para todo mundo que se interesse por uma história um pouco mais pesada e reflexiva, que faz a gente pensar na sociedade de uma forma mais ampla e até mais cruel, que traz uma trama forte e envolvente, com personagens incríveis e bem reais. Apesar de esperar um pouco mais da protagonista e das suas motivações, esse livro com certeza me agradou e indico bastante a leitura.
Avaliação