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Sonhos com Deuses e Monstros – Feita de Fumaça e Osso #03 – Laini Taylor

Desde que comecei esta trilogia, venho acompanhando fielmente todos os volumes, e assim que possível sempre começo minha leitura, sabendo que ela vai ser bastante prazerosa. Quando tive a oportunidade de ter este terceiro e último livro em mãos, logo comecei a ler, furando a fila na frente de muitos outros, e agora venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões. Lembrando que, por este ser um volume mais avançado desta trilogia, ou seja, o que fecha a história, pode ocorrer de ter alguns spoilers durante esta resenha, porém vou tentar ao máximo evitá-los.
Em “Sonhos Com Deuses e Monstros” vemos que uma grande guerra está para acontecer e, por este motivo, esta obra começa retrocedendo alguns dias, e voltamos ao quartel general das forças dos quimeras na Terra, onde Karou e o lobo branco tentam recuperar a energia para obter vantagens na guerra. Eles também contam com a ajuda de Akiva e Liraz, que aparecem na casbá para juntarem forças e acabarem com Jael, que decidiu visitar a Terra em busca de armas de fogo e suprimentos para alimentar o seu combate maligno.
Vemos que vários segredos são revelados neste volume, e que temos uma trama cheia de reviravoltas e acontecimentos. Com muita união e ação, este livro nos apresenta a novos personagens que ajudam a desvendar todos os mistérios da trama construída por Laini Taylor. Achei bem legal como a autora conseguiu colocar tanta adrenalina em todas as páginas nos deixando tensas em alguns acontecimentos, e, mesmo assim, conseguindo nos deixar sempre surpreendidos com a sua criatividade. Apesar de achar que a escritora reduziu um pouco o romance deste volume, para dar mais enfoque em outros novos personagens, gostei bastante da trama.
A narrativa é bastante fluida, apesar de não ser tão rápida em alguns momentos, já que somos pegos em diversas descrições que diminuem o ritmo da leitura, deixando-a um pouco mais cansativa. Porém, isso não chegou a me atrapalhar de uma maneira geral, já que Laini soube fazer uma trama bem eletrizante e cheia de reviravoltas, que consegue prender a gente do início ao fim, e nos fazer querer chegar logo na parte de ação. Com certeza esta foi uma leitura prazerosa e tensa.
O livro é narrado em terceira pessoa, o que para mim é bem legal, já que assim eu consigo acompanhar um pouco do que se passa com todo mundo, de uma maneira mais ampla. Porém, em todo momento temos mais enfoque nos personagens Akiva e Karou, e novos personagens foram acrescentados na história.
O final foi bem legal, achei que a autora soube concluir bem a trilogia, e amarrar todas as pontas que estavam soltas, dando, assim, um ar de conclusão, que muitas vezes sinto falta em algumas leituras. E a autora se superou em termos de quantidade de conteúdo com este desfecho, já que em “Feita de Fumaça e Osso” e “Dias de Sangue e Estrelas” (clique nos títulos para conferir as resenhas), a história não passa de quatrocentas e cinquenta páginas, enquanto aqui são quinhentas e sessenta.
Para quem deseja acompanhar a trilogia, uma dica é também ler a novela “Noite de Bolo e Marionetes”, que foi publicada somente em versão digital, e a Intrínseca também fez a tradução deste e-book, que é considerado o exemplar #2.5 e complementa a história.
A capa, como a dos volumes anteriores, é bem linda e a edição impressa é maravilhosa, com efeitos metalizados nos detalhes e no título, chamando a atenção de longe. Outro fato de que gosto é que os três livros seguem um mesmo padrão, então é fácil reconhecê-los como sendo da mesma série. A diagramação interna também segue o estilo dos anteriores, com fonte e espaçamentos razoáveis para uma leitura agradável e uma ilustração de uma única pena no começo de cada parte. E ainda conta com folhas amarelas.
Recomendo esta leitura para todo mundo que, assim como eu, gostou de acompanhar esta trilogia até aqui, e que gosta de uma narrativa fluida e bem tensa, com vários acontecimentos e personagens incríveis, que deixam a história ainda mais gostosa, e que, apesar de bem complexa, consegue ser transmitida com simplicidade e agradar a gente em vários momentos. Indico a trilogia como um todo e, caso você ainda não tenha começado a acompanhar esta criação de Laini Taylor, é uma ótima dica começá-la agora que todos os volumes já foram publicados no Brasil.
Avaliação



Dias de Sangue e Estrelas - Feita de Fumaça e Osso #02 - Laini Taylor

Essa resenha não possui nenhum tipo de spoiler, nem do primeiro volume, Feita de Fumaça e Osso (clique no título para ler a resenha), nem desse livro, que é o segundo da trilogia.
“Era uma vez um anjo e um demônio que se apaixonaram e ousaram imaginar um mundo sem massacres nem guerras.”
Karou, uma garota de cabelo azul e cheia de tatuagens, foi criada por um demônio sem saber sobre o seu passado, mas sempre buscando respostas sobre o que e quem é. Até que, finalmente, ela as consegue e descobre que não fez as melhores escolhas em sua vida anterior, o que acabou resultando em consequências ruins para seu povo, os quimeras.
Do lado oposto de uma guerra ancestral com os quimeras, onde só um lado pode ser vencedor, estão os anjos vingadores, entre eles Akiva, que foi muito importante na vida de Karou.
A batalha continua e se torna insuportável, e Karou precisará se aliar ao Lobo Branco, que foi responsável pela ruína dela há muito tempo atrás. Só que ações têm consequências e algumas delas poderão ser terríveis.
“Dias de Sangue e Estrelas” (o título tem tudo a ver com a história desse volume e eu adoro quando isso acontece) começa um tempo depois do término do anterior, e confesso que demorou muito, mas MUITO mesmo, para me sentir ligada à história desse livro. Primeiro porque li o primeiro há mais de um ano e não me lembro de muita coisa que aconteceu lá, claro, e pior é que a autora não nos ajuda nisso já que só cita uma parte ou outra, sem muito aprofundamento, o que só contribuiu a me deixar “boiando” no que estava lendo, tive que me esforçar para me lembrar das coisas mais importantes e, mesmo assim, não tenho certeza de estar 100% certa dessas lembranças. Pois é, minha memória não é boa. Haha
Segundo porque não estava sentindo tanta simpatia pelos personagens, exceto pelo casal Zuzana e Mik, que eram os responsáveis pelas melhores partes do livro. Karou se transformou bastante do volume anterior para este. Sei que ela passou por diversas coisas ruins e a pessoa sempre acaba mudando um pouco por conta disso, mas senti falta da “velha” Karou. Aqui ela se transformou em uma pessoa submissa e deprimida, que aceita as coisas como são, acha que tem que sofrer por antigas decisões, e lamenta muito o tempo inteiro. Outro personagem do qual gostei bastante, e só tive o prazer de conhecer melhor nesse volume, foi o Ziri, o último kirin, espécie original de Madrigal. Ele é bondoso, tem uma personalidade ótima e mostra que a aparência de fera não significa que os quimeras precisam agir como feras.
Diferentemente do primeiro livro que começou muito bem e depois, em minha opinião, foi se perdendo um pouco, já que eu comecei amando a leitura e pensando em dar cinco casinhas de avaliação e no final acabou caindo para três, nesse foi o contrário, começou tudo bem chatinho, sem muita coisa me deixasse intrigada, nada que me fizesse ficar presa à leitura e com vontade de ler mais rápido, o que me fez cogitar dar duas casinhas. Mas, quando estava caminhando para a finalização e se aproximando das últimas páginas, tudo começou a melhorar bastante, o ritmo ficou mais rápido, mais intenso e eu não conseguia deixar de querer saber o que viria a seguir, aumentando minha nota para três casinhas. O final foi surpreendente e ficou em aberto para o que vai acontecer no próximo volume.
Os capítulos são bem curtos, o que é ótimo e faz com a leitura seja mais fluida, e a narrativa continua sendo em terceira pessoa, que não é a minha preferida. Dessa vez podemos acompanhar não apenas Karou e Akiva, mas também outros personagens, alguns novos e outros antigos, como Zuze. Só acho que os cortes que a autora fazia para mudar o foco do personagem nem sempre foram favoráveis, já que a mudança de cena e assunto tão diferentes faziam perder um pouco do ritmo, e me deixavam confusa, o que já acontecia em Feita de Fumaça e Osso.
Esse volume também é mais sombrio e mais sangrento que o anterior. A carga emocional dos personagens está bem palpável e quase podemos sentir em nós mesmos o sofrimento deles. As batalhas também estão mais intensas, admito que fiquei triste em muitas cenas, e com nojo em tantas outras. Quem não gosta de coisas no estilo pode acabar se incomodando.
Pretendo ler o último livro dessa trilogia porque eu realmente não gosto de abandonar leituras, mas confesso que não estou assim tão empolgada para o lançamento e o fechamento dessa história criada por Laini Taylor, apesar de o final ter melhorado significativamente.
Sobre a parte gráfica, eu adoro essa capa com suas partes metalizadas (máscara, título, nome da autora e logo da Intrínseca), tanto quanto a de Feita de Fumaça e Osso, mas acho esta ainda mais bonita. Elas têm o mesmo padrão, e as lombadas das duas ficam lindas na estante, uma ao lado da outra. A diagramação é simples, com fonte não muito grande, mas que não incomoda minha leitura, e um bom espaçamento. O livro é dividido em partes e nessas divisões há uma pena com uma frase, e no começo do livro logo encontramos um mapa em preto e branco. As páginas são amareladas, o que ajuda a ler por um período maior de tempo.
Sei que tem muita gente que amou esses livros, mas, infelizmente, eu não fui uma dessas pessoas. A trilogia Feita de Fumaça e Osso não conseguiu me conquistar nem no primeiro, nem no segundo volume, apesar de ser legal e bem original. Indico a leitura para quem gostou de tudo o que disse nas duas resenhas, mas se você tem um gosto parecido com o meu acredito que também não vai se apaixonar pela história, só que é uma boa escolha para passar um tempo despretensioso.
Avaliação


Feita de Fumaça e Osso – Laini Taylor

Quando vi a capa de “Feita de Fumaça e Osso” pela primeira vez, fiquei com vontade de conhecer a história, mas foi só quando recebi meu exemplar em mãos que percebi que tinha que ler logo. Isso, preciso admitir, ocorreu por causa da capa, que ao vivo é tão linda com diversos detalhes metalizados, então ele logo passou na frente da minha lista de leitura. Estão vendo como capa é muito importante (pelo menos para mim é! Haha)?
Nessa obra, conhecemos Karou, uma garota de cabelo azul e cheia de tatuagens que mora sozinha em Praga e estuda em uma escola de artes. Ela não tem pais – nem ao menos se lembra deles – e foi criada no covil de um demônio, que é o mais próximo de uma figura paterna que ela tem.
Karou sempre vai a diversos lugares do mundo em missões para conseguir dentes para ele, mas ela não sabe o motivo de ele precisar de tantos e nem o que ele faz com os dentes, só sabe que são importantes para seu trabalho. A grande questão na vida dela é descobrir a verdade sobre seu passado, coisa que não é tão fácil já que ninguém está disposto a lhe dar as respostas para as suas dúvidas.
Até que ela conhece Akiva, um anjo vingador e sem emoções, e passa a descobrir que toda a história tem dois lados e começa a se questionar sobre o qual lado é o certo e qual é o errado. Ou será que existe um meio termo para que todos possam viver em harmonia?
Achei a trama toda muito original e com certeza o pano de fundo foi construído de uma forma incrível. A escrita de Laini é tão gostosa que eu ficava cada vez mais curiosa para saber o que ia acontecer e querendo desvendar o que estava por trás dos segredos que nem mesmo Karou sabia.
Não teve grandes momentos de ação nesse volume, já que ele tem mais um intuito de introduzir a história, mas acredito que isso vá mudar e já no próximo vamos poder encontrar alguma relação com a guerra entre anjos e demônios.
O interessante da história criada por Taylor é que a protagonista não é um anjo e nem humana, como geralmente encontramos em histórias do gênero, ela vem de uma “família” de demônios. Então podemos ter uma nova perspectiva das “espécies” retratadas no livro, que fogem do oficial, com demônios não tão ruins e anjos sanguinários e com sede de vingança.
Gostei bastante de Karou, ela possui uma personalidade forte e é destemida, tendo que enfrentar diversas situações, mesmo as que não gostava, porque eram de sua responsabilidade. Também curti bastante sua melhor amiga, Zuzana, que é uma ótima amiga e bem divertida. Já Akiva mudou bastante a sua personalidade após algumas descobertas serem reveladas, o que achei bem estranho e não me agradou.
“A esperança pode ser uma força poderosa. Talvez não haja magia real nela, mas,
 quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica.”
Não sei onde exatamente a história começou a me enjoar, mas eu definitivamente estava gostando mais dos acontecimentos do início do que do fim. Um detalhe que não me agradou é que quando estamos na iminência de descobrir os mistérios que foram introduzidos desde o começo do livro, os personagens ficam enrolando para contar a verdade. Me senti como assistindo aqueles programas de auditório em que o apresentador enrola o máximo que pode seus telespectadores para, assim, prender a audiência. O que acabou sendo irritante e, talvez, seja aí que a obra começou a me enjoar.
A narrativa é em terceira pessoa, e alguns capítulos são intercalados e podemos acompanhar a vida de Karou ou a vida de Akiva, como se cada um deles fosse o protagonista naquele momento, o que faz com que o leitor não fique preso a apenas uma visão. Mas a autora deixou alguns pontos bem confusos quando fez algumas transições na história, principalmente na hora de explicar os mistérios da trama.
Outro ponto negativo foi a repetição de frases e cenas no livro. Eu sei que algumas vezes isso é necessário, inclusive para podermos ver alguma situação com os olhos de outro personagem, mas nesse livro ficou exaustivo ter que acompanhar exatamente a mesma coisa duas vezes, acredito que se a autora tivesse modificado para soar apenas semelhante teria sido melhor aproveitado.
Sobre o romance, eu até gostei, mas não amei como acontece com alguns outros livros. Até um certo momento eu não estava entendendo muito bem o interesse mútuo deles, um pelo outro, e só com o passar das páginas é que acabamos descobrindo o motivo de isso ter acontecido tão repentinamente, e a partir desse momento eu passei a gostar mais do casal.
Claro que, por se tratar de uma série, muitas questões são deixadas no ar para que possamos descobrir nos outros volumes. Eu gosto bastante desse recurso e estou ansiosa para saber como a autora vai conduzir as sequências. Uma das últimas descobertas de Karou é o que me deixou mais curiosa, e torcendo para que não seja concretizada no que vem por aí.
Sobre a parte gráfica, como comentei no início dessa resenha, a capa está linda. Olhando no computador eu não tinha amado, mas a impressão fez toda a diferença nesse caso. O livro é dividido em partes e quando começa cada uma delas, podemos ler um trecho do que está por vir, acompanhado de uma pena. De resto, a diagramação da Intrínseca está muito bem feita, com o padrão da editora. Quando recebi esse título, ele veio com um kit de objetos relacionados a história e achei muito legal.
Recomendo a série para quem busca uma história original dentro do gênero, gosta de personagens destemidos e um pano de fundo interessante, mas só não crie altas expectativas para que não corra o risco de se decepcionar, principalmente com algumas explicações que ficaram confusas.
Avaliação







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