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Na Companhia das Estrelas – Peter Heller

Em um mundo devastado pela doença, Hig conseguiu escapar à gripe que matou todo mundo que ele conhecia. Sua esposa e seus amigos estão mortos, e ele sobrevive no hangar de um pequeno aeroporto abandonado. Como se não bastasse a gripe, algumas pessoas que se recuperaram sofrem agora de uma doença sanguínea que as deixa fracas. Ninguém sabe como essa doença é transmitida, então as pessoas que não a têm evitam o contato direto com quem tem.
Por isso Hig conta com a ajuda de seu vizinho Bangley – um cara que adora armas e tem um ódio por quase tudo – para vigiar o perímetro dos dois e garantir que nenhuma dessas pessoas doentes chegue perto demais deles, para furtar suas coisas ou criar um pequeno caos. A parte de Hig nessa vigilância é a que ele faz com seu avião, ele sobrevoa o perímetro na companhia de seu cachorro Jasper, que é seu maior companheiro durante todo o tempo, para se certificar de que nenhum dos doentes se aproxime e também tentar fazer contato com outros sobreviventes. Enquanto sobrevoa a cidade ele sonha com a vida que poderia ter vivido não fosse pela fatalidade que dizimou todos que amava. Hig é um guerreiro sonhador e tem uma imensa vontade de gente, apesar da desilusão que se abateu sobre ele.
Hig é um sonhador que deixou de sonhar, abatido pela tristeza e parcial solidão de sua vida, que vive em busca de um novo motivo pra sentir que sua vida vale a pena, um contato com outras pessoas, uma luz no fim do túnel. É essa esperança que vemos em Hig enquanto ele nos narra sua vida nesse mundo pós-apocalíptico. É fácil perceber que ele é um homem de muito bom coração, seja por sua bonita relação com seu cachorro ou pelas visitas "à distância" que ele faz a um grupo de pessoas que têm a doença, mesmo sabendo que se seu vizinho durão soubesse disso certamente iria querer matá-lo.
Se precisasse descrever esse livro com apenas uma palavra seria: poético. A escrita de Peter Heller tem esse quê de poesia, melancolia e um certo desamparo do personagem principal.
"E o aeroporto parecia ter sido um sonho, então Jasper era um sonho por trás do sonho, e antes do antes havia um sonho por trás disso. Dentro da parte de dentro. Sonhando."
O saudosismo de Hig é bem perceptível, e ele tem uma relação com o passado como a maioria das pessoas, algumas coisas ele conta e reconta, outras apenas cita, como se fosse um assunto no qual ele prefira não tocar. É possível ver que ele se lembra de sua família e amigos de uma forma muito bonita e também muito dolorida.
O principal problema nesse tipo de escrita poética é que é sempre um pouco complicado saber se está sendo narrada uma situação atual do personagem ou se estamos apenas em meio as lembranças dele, e o autor não usa um sistema certo para diálogos, não existe travessão ou aspas para indicar fala e, por isso, é fácil se perder quando existe mais de uma pessoa na conversa e isso me irritou um pouco. Também existem palavras "jogadas", que aparecem isoladas por pontos, como um final ou começo aberto para outras frases ou apenas uma ideia expressa em uma única palavra. Sei que isso pode incomodar algumas pessoas, eu até fiquei um pouco incomodada com isso em alguns momentos, mas acabei me adaptando a isso.

Em alguns momentos a leitura é maçante, complicada de se entender de verdade, repetitiva. Em outros é muito boa de se acompanhar, simples e doce, melancólica. Creio que a leitura desse livro depende de tudo, do tipo de coisa que você costuma ler, dos gêneros que gosta, do tipo de poesia que curte e do momento em que você está. Eu tive minhas situações de "amor e ódio" com o livro. É uma leitura lenta e com uma construção diferente, por isso consigo ver pessoas gostando muito, outras odiando ou ficando no meio termo. Se ficou interessado pela sinopse ou pelas coisas que leu sobre o livro, recomendo que leia, quem sabe você não se apaixona pelo livro.
Avaliação