Uma Guerra
Nuclear dizimou a Terra séculos atrás e os únicos sobreviventes foram viver em
uma espaçonave a quilômetros de distância, onde vivem e aguardam até o planeta
estar em condições de habitar seres humanos novamente. Agora, por conta de
alguns problemas e uma busca por salvação, 100 jovens delinquentes que aguardam
seus rejulgamentos – nos quais provavelmente serão condenados à morte – são
escolhidos para serem enviados à Terra em uma missão perigosa: testar a
radiação e as condições do local para saber se há ou não perigo de voltar a ser
recolonizada por humanos. E esta é a última esperança da humanidade.
Desde o ano
passado, quando vi que uma série distópica iria estrear na CW (emissora de TV
americana), fui logo assistir o trailer da mesma e fiquei muito empolgada para
que ela começasse logo a ser exibida, porque parecia incrível e com um enredo
bem movimentado, como eu gosto. Aí, enfim, chegou a data de exibição e eu pude
acompanhá-la. Posso dizer que gostei do piloto (primeiro capítulo) e resolvi
continuar assistindo, mas aí vi o que livro iria ser lançado aqui no Brasil
pela Galera Record e preferi deixar para continuar a acompanhar após a leitura.
Então vi apenas até o terceiro capítulo, mas pretendo retomá-la em breve e
depois conto para vocês o que achei.
Foi por
conta da série que eu conheci a obra de Kass Morgan, que na verdade serviu de
inspiração para a produção exibida pela CW e, como livros são quase sempre
melhores, fiquei muito ansiosa para ler o quanto antes, e foi o que fiz assim
que tive a oportunidade.
O livro é
narrado em terceira pessoa e acompanha a vida de quatro personagens, sendo
intercalado em capítulos com o nome de quem iremos seguir naquele momento. São
eles: Clarke, Wells, Bellamy e Glass.
Clarke é a
primeira que vamos conhecer, ela está presa há alguns meses por traição,
enquanto aguarda um novo julgamento que provavelmente a condenará à morte. Ela
é de Phoenix e, em seu passado teve um relacionamento com Wells, de quem agora
só quer manter distância.
Em seguida
somos apresentados a Wells, que é o filho do Chanceler e também foi Condenado,
mas seus motivos são outros, já que só fez isso quando soube que Clarke ser
mandada para a Terra seria a única maneira de mantê-la viva e ele precisava
estar lá com ela para protegê-la, custe o que custar. Ele só deseja que ela
possa perdoá-lo um dia.
Depois
conhecemos Bellamy, o único dos protagonistas que não é de Phoenix e, sim, de
Walden. Ele não havia sido Confinado também, mas era o único na nave que tinha
uma irmã, Octavia, a quem ele ama incondicionalmente. Ela estava Confinada e
seria enviada ao planeta junto com os outros, então ele precisava entrar no módulo de
transporte para não perder a irmã para sempre, assim Bellamy conseguiu montar
um plano e invadiu o local nos últimos segundos.
Para
finalizar, há Glass, que será responsável pela nossa visão de dentro da nave.
Ela também estava Confinada e seria enviada à Terra, mas, nos últimos segundos,
graças à oportunidade vinda de Bellamy, ela foge e vai atrás do garoto que ama
em busca de perdão.
Quando a
gente assiste a série antes de ler o livro, já começamos com a ideia física e
da personalidade dos personagens na cabeça, associando-os com atores e suas
interpretações, falas e ações (pelo menos isso acontece comigo), e eu,
infelizmente, não senti tanta simpatia assim por quase nenhum personagem da
série, achei eles bem chatinhos e enjoadinhos em sua maioria (espero que isso
mude depois de assistir mais alguns capítulos). E isso acabou refletindo em
minha opinião sobre cada um deles no começo da leitura.
Só que, após
esta comparação inicial, percebi que os do livro são bem diferentes dos da
série, em suas essências, mantendo apenas algumas características superficiais,
e isso fez com que eu gostasse mais de todos eles! Ainda não sei quem é meu
preferido dos quatro protagonistas, mas achei suas personalidades interessantes
e algumas de suas ações bem admiráveis.
A narrativa
foca no presente dos personagens, pouco antes de serem enviados ao planeta, e quando
eles chegam aqui, onde se deparam com um cenário bem diferente do que imaginaram,
com muitas árvores e vida, e, aparentemente, não tóxico. Mas, vez ou outra, há
trechos importantes de seus passados, nos levando a conhecer o que aconteceu a
eles antes de ir para a Terra e os motivos principais de serem como são,
revelando seus segredos aos poucos.
Esse livro é
pós-apocalíptico, afinal acontece num futuro bem distante, após uma Guerra
Nuclear, e depois que a Terra tinha ficado séculos sem novos moradores, sendo
que uma parte da população fugiu e foi viver em naves. Só teve algumas
incoerências com a realidade a respeito da nova habitação da Terra por humanos
que nunca antes tinham saído da espaçonave e muito menos vivido sob o sol, por
exemplo.
E tem
indícios de distopia, que não é assim tão explorada, já que sabemos pouco sobre
a vida na espaçonave, pois eles são mandados para o planeta logo no começo da
leitura e, quando citam ou cenas do passado são relembradas, se focam mais nas tramas
pessoais dos personagens e não em como eles vivem em comunidade ali. Mesmo que
haja um controle por parte do Chanceler, do Conselho e de outros que têm o
poder.
Há uma divisão
dentro da espaçonave, a Colônia é dividida em três grupos, como bairros, por
exemplo. Sendo Phoenix, de onde vem três dos nossos protagonistas, o de pessoas
com melhores condições, Walden e Arcadia, onde a população sofre com muitos racionamentos
e condições de vida não muito boas.
Algumas das
coisas que dá para notarmos como a forma que eles escolheram para o
funcionamento da Colônia de forma mais harmoniosa (na visão dos mais ricos) e
para sobreviverem por mais tempo, são, por exemplo, as famílias não podem ter
mais de um filho e precisam registrar a quantidade de moradores nas casas, nos
grupos Walden e Arcadia as pessoas tem maiores dificuldades de sobrevivência,
ficam com os empregos mais difíceis e perigosos, e dos quais não tem muita
preferência sobre o que querem fazer, a comida e a água são racionadas, etc.
Em toda a
nave, maiores de 18 anos que cometem crimes são punidos com execução, os
menores de idade são confinados até completar a maioridade, quando são julgados
novamente, recebendo o perdão ou a pena de morte. Mas, desde alguns anos atrás
para cá, todos os que passam por julgamento acabam recebendo o pior destino e
também são condenados à morte.
Há o início de um triângulo amoroso entre Clarke, Wells e Bellamy e eu posso apostar que estou torcendo pelo pretendente errado. Só preferia que não existisse este triângulo porque não vi necessidade em sua criação e, confesso, não aguento mais!
Há o início de um triângulo amoroso entre Clarke, Wells e Bellamy e eu posso apostar que estou torcendo pelo pretendente errado. Só preferia que não existisse este triângulo porque não vi necessidade em sua criação e, confesso, não aguento mais!
Como comentei
anteriormente, assisti a série, então vou citar algumas coisas de diferente que
encontrei entre um e outro, sem spoilers, mas repetindo, só assisti os três
primeiros capítulos, então não dá para saber se há muitas outras coisas
parecidas. Glass não existe na série, Wells e Clarke foram melhores amigos lá, e
nas duas ele só quer protegê-la, colocando sua própria vida em risco por isso,
mas a verdade do seu passado no livro é diferente. Bellamy (quem não gosto
muito na série) e Octavia realmente são irmãos e ele faz a mesma coisa para
poder entrar no módulo de transporte. Há, na série, mais personagens importantes
e com destaque. E o pior, em minha opinião, teve uma morte de um personagem que
eu gostei muito na série, pelo menos fico contente que no livro ele está vivo e
espero que continue assim.
Este volume
termina em cliffhanger (aquele recurso em que o autor finaliza no ápice, sem
dar respostas do que vai acontecer em seguida, mas deixando o leitor super
curioso) e estou bem ansiosa para ler a continuação, “Day 21”! Só que,
infelizmente, ainda nem foi publicada lá fora (o lançamento será em setembro
deste ano), e ainda não há previsão aqui no Brasil.
Adoro esta
capa e a versão impressa está ainda mais bonita! O fundo da capa (a parte
branca) é envernizado e o título, subtítulo, nome da autora e logo da editora
estão em soft-touch, ou seja, com uma textura emborrachada. E achei isso
incrível, acho que é o primeiro livro que eu tenho que a parte emborrachada são
os detalhes e não o todo. Adoro que as letras e números do título possuem cenas
condizentes com o que se trata a história.
A
diagramação interna também está muito bem feita, com fonte e espaçamento
confortáveis para a leitura, sendo usada uma tipografia diferente de quando
acompanhamos o presente da de quando lemos sobre o passado, nos ajudando a
diferenciá-los. Além disso, as páginas são amarelas, o que agrada a maioria dos
leitores.
Se você
gosta de histórias de ficção científica com um cenário pós-apocalíptico,
personagens bem construídos, uma trama envolvente e que te deixa curioso para
descobrir mais sobre tudo o que aconteceu no passado e o que vai ser do futuro
deles, e uma narrativa bem gostosa de acompanhar, então recomendo bastante a
leitura de “The 100 – Os Escolhidos”.
Avaliação












{








