Existem livros que entram para
lista de compras e nunca conseguem ser comprados, viram lembranças e a
esperança de tê-los se perde, afinal são tantos livros que a lista só cresce. A
Caminho da Sepultura foi lançado no Brasil em 2011, e desde então queria lê-lo,
foi só na Bienal de 2018 que fui conseguir comprar o livro, e finalmente ler a
autora Jeaniene Frost, que foi publicada aqui pela Novo Século.
Catherine Crawfield passa seus
dias atrás de vingança, fruto de um sexo não concedido, ela é uma criatura
única, com poderes que nenhum outro humano possui. Após tentar matar o vampiro
caçador de recompensas Bones, Catherine é presa e acaba envolvida em uma
parceria que sua mãe reprovaria. O que Crawfield não esperava era enxergar os
mortos vivos por outro lado, e acabar envolvida em uma grande trama política
com muitas mortes envolvidas. Agora esta dupla deverá trabalhar junta, ao mesmo
tempo em que eles aprendem sobre seus sentimentos.
É interessante como Frost criou
sua narrativa em primeira pessoa através da protagonista Catherine. Não tem
grandes destaques, nem ideias geniais ou originais, mas é o tipo de estória que
entretêm e agrada, onde você facilmente se vê envolvida e querendo acompanhar
cada página. Nem sempre um livro precisa ser cinco estrelas para agradar, as
vezes fazer o básico bem feito já é o suficiente, e é o caso desta autora.
Existem muitas cenas de ação,
temos cenas de paixão e sexo, algumas pitadas políticas e algumas criaturas
além de vampiros, como zumbis e fantasmas. Mas tudo dentro de um âmbito
realista e possível, nada muito absurdo ou forçado. E essa capacidade de
costurar realidade com fantasia é que torna o livro tão próximo na leitura.
Catherine é uma jovem solitária
que quer ser justiceira. Em sua mente só existe uma verdade ensinada pela mãe:
vampiros são monstros, e todos devem morrer. Mas depois de se aproximar de
Bones, conhecer toda sua estória de transformação, assim como até outros
vampiros, ela percebe que assim como acontece com os humanos existem os bons e
os maus. E mudar essa verdade dentro dela mesma é não só um caminho dolorido
como demorado.
Mesmo assim acima de tudo a jovem
quer fazer o certo, defender os seres humanos daqueles que tem mais força que
eles. Ao mesmo tempo ela quer descobrir mais sobre si mesma, sobre essa mistura
que até o momento ela é a única a ser, e que gera nela capacidades similares
aos dos vampiros.
Bones segue o padrão do vampiro
atraente, mas que flerta com o politicamente incorreto com muito sarcasmo e
humor negro. Ele não tem sede de sangue, mas gosta de ganhar dinheiro. Ele não
quer matar seres humanos, mas se necessário for ele o fará! Enfim ele é a
dualidade que um vampiro antigo costuma carregar, com aquele ar que parece ser
irresistível que essa raça costuma ter. Nesse sentido a autora não foi nada
original, mas como os vampiros agora se tornaram escassos, um bom vampiro não
soou ruim rs!
Gostei muito de como Frost usou
as outras criaturas para amarrar em sua trama principal, especialmente os
fantasmas, que como já citei em resenhas anteriores é muito clichê nos cinemas,
mas pouco explorados nas tramas em livros.










{








