Tudo começa
quando Mara, sua melhor amiga, Rachel, e Claire estão jogando Ouija e um tipo
de profecia é anunciada. Seis meses depois a única sobrevivente das três é
Mara, que acorda numa cama de hospital sem saber o motivo de estar ali e não se
lembra do que havia acontecido, mesmo depois de saber que estava no local no
momento em que suas amigas e seu namorado morreram.
Mas nada
daquilo faz sentido porque Mara não iria visitar aquele prédio abandonado,
então o que estava fazendo lá? De repente ela começa a fazer algumas coisas
estranhas e perigosas, sem nem mesmo ter noção de estar fazendo algo, e é
diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, com pesadelos e
alucinações visuais fazendo parte de sua vida, então foi recomendado que ela
fosse internada em uma instituição.
Foi quando
ela propôs para sua mãe que se mudassem de cidade, pois ajudaria a enfrentar o
trauma e a lidar com dor recente de perder pessoas tão próximas. Seus pais, bem
compreensivos, resolveram que esta seria a melhor solução e semanas depois se
mudaram para a Flórida para um novo começo. Todos querem apenas viver uma vida
normal e esquecer o passado, mas Mara não, ela quer e precisa se lembrar, cada
vez com mais intensidade, do que aconteceu naquele dia, pois continua tendo
visões (ou seriam premonições?) e quer entender um modo de acabar com elas.
Enquanto
tenta descobrir o que é realidade e o que não passa de alucinações, Mara tenta
viver normalmente, mas é com a ajuda de um garoto com fama de bad boy e com ar
meio misterioso que ela vai começar a encontrar fragmentos do quebra-cabeças
que é sua vida.
Já tinha me
interessado pela capa (Como não poderia?! Ela é linda e do jeito que eu mais
gosto, com foto de pessoas!), e logo fui ler a sinopse, fiquei bem instigada e
curiosa. Aí, li algumas resenhas, todas elogiando a obra, mas dizendo que era meio
assustador, com um toque de terror, inclusive há uma citação na capa que fala
sobre isso (da autora Rachel Hawkins), e eu não curto terror, então fiquei com
um pé atrás. Mas era tanta resenha e comentários positivos sobre o livro e
sobre o romance (sim, essa parte é importante para mim), que eu pensei que
deveria mesmo arriscar e ver o que eu achava. E fico imensamente feliz por ter
feito isso já que amei, ele ultrapassou minhas expectativas, e estou super
ansiosa para ler os próximos volumes e saber um pouco mais sobre Mara Dyer e
Noah Shaw.
Logo quando
começamos a leitura nos deparamos com um recado de Mara Dyer, falando
basicamente que este na verdade é um pseudônimo para não revelar a identidade
de uma adolescente de dezessete anos que foi a responsável por vários
assassinatos. E isso soa bem assustador, ao mesmo tempo em que ficamos indagando
o que há por trás dessa revelação e o que a levou (e como fez) a matar tantas
pessoas assim.
A construção
dos personagens feita por Hodkin é impressionante. Cada um deles tem suas
características pessoais bem definidas e bem diferentes, e nós só vamos descobrindo-as,
ou entendendo-as melhor conforme a leitura vai avançando. Todos são explorados,
claro que alguns com mais intensidade do que outros, mas quando terminamos de
ler, não ficamos com aquela sensação de que não conhecemos alguém direito, e
isso é ótimo.
Mara é uma
protagonista ótima, gostei de poder acompanhá-la, ficava intrigada junto com
ela nos momentos de dúvida sobre o que estava realmente acontecendo, sem saber
o que esperar e sem descobrir o que era verdade e o que não passava de
pensamentos. Ela é mais na dela, não gosta muito de revelar a verdade sobre si
mesma e o que acontece consigo, é confusa, mas também tem um bom coração e é
engraçada, faz piadinhas e é irônica, coisas que eu adoro em uma protagonista.
E posso
dizer que deu para sentir sua agonia saindo das páginas, por não estar
conseguindo entender o que estava ocorrendo, com sua dificuldade de acreditar
naquilo que estava de fato acontecendo. Ela não se cansa de buscar a verdade,
qualquer que seja ela, mesmo que esta não seja o que quer ou o que espera. Além
de eu achar sempre ótimo poder acompanhar um personagem descobrindo sobre ele,
e aprendendo junto com ele com o passar das páginas, e isso acontece ainda
melhor quando a narrativa é em primeira pessoa.
E o Noah.
Ah, o Noah! Eu adoro personagens mais fofos e ele definitivamente é um desses,
além da ótima aparência e do segredo que guarda, que o torna ainda mais
misterioso. Ele também tem aquele ar meio bad boy conquistador. Ele sempre a
apoiou e a fez se enxergar com outros (e melhores) olhos, e também a ajudou a
entender mais sobre si mesma. Ele é sensacional!
Gostei
demais da construção do relacionamento de Mara e Noah, ela foi acontecendo
gradativamente e essa é a melhor forma de me sentir conectada aos sentimentos
do casal. A aproximação dos dois teve um motivo especial, que só conhecemos
mais para o final do livro, totalmente plausível e que me deixou curiosa e
sedenta por mais informações.
Também curti
bastante a família de Mara, que mesmo com todos os seus problemas e aquelas situações
esquisitas ocorrendo ao seu redor, a apoiou totalmente, mudando de cidade e
fazendo com que cada membro deixasse sua vida e passado para trás. Isso soou
ainda mais bonito de ser ver em um livro americano porque geralmente vejo as
famílias de lá meio frias e não se importando tanto assim a ponto de se mudarem
para evitar mais problemas para a filha, acho que isso poderia ocorrer com mais
frequência aqui no Brasil, mas posso estar enganada também e isso pode ser
apenas a minha visão de acordo com tudo o que li e assisti.
Sua mãe é
superprotetora, e acredito que ela tenha tentado a todo momento entender e
ajudar a filha, mesmo que isso soe um pouco sufocante para Mara. O pai é um
advogado muito trabalhador e quase não tem tempo para ficar com a família, mas
também é uma boa pessoa. Daniel é seu irmão mais velho e também meu preferido
(além de Mara e Noah), ele é responsável, engraçado, inteligente, e amoroso e
faz de tudo para cuidar da irmã, se preocupa com seu bem estar e a quer ver
feliz, ajudando-a sempre. Joseph, seu irmão mais novo é bem fofo, nerd e compreensivo,
um amor.
Outro
personagem que merece destaque é o Jamie, primeiro amigo de Mara no novo
colégio, ele é divertido e também a ajuda em alguns momentos, e odiei do fundo
do meu coração uma coisa que aconteceu com ele, vou torcer para que ele esteja
no próximo volume e que sua situação melhore.
Essa é uma
história bem tensa, tem várias mortes, algumas bem descritas (com as partes
nojentas e tudo), e é recheado de adrenalina, sendo difícil largar o livro de
lado quando começamos a leitura. Eu nunca tinha lido algo que me fizesse ficar
tão ligada, apreensiva e com dúvidas sobre o que era real e o que não era. Talvez
isso se deva ao fato de que Dyer não é uma narradora confiável, mas não porque
ela está mentindo para o leitor, apenas porque se só podemos ver os
acontecimentos sob sua visão, nunca sabemos o que é verdade ou ilusão, e isso é
empolgante!
A narrativa
da autora é cativante e angustiante, e me agradou bastante, ela conseguiu fazer
uma história bem construída, mantendo o mistério através de uma linha tênue
entre o real e o imaginário, e fez um bom desenvolvimento do enredo, que
consegue mexer muito com nosso psicológico. Tem alguns clichês de livros para
jovem adulto, mas nenhum deles me incomodou, apesar de saber que alguns
leitores não gostaram.
Apesar do
clima ser sombrio e a narrativa apresentar vários acontecimentos ruins, não
considero realmente um terror. Mexe com nosso psicológico, nos deixa
apreensivos, temerosos, curiosos, aflitos? Sem dúvidas. Mas não é nada tão
pesado assim que vai fazer com que você fique com medo ou com dificuldades para
dormir.
Além disso, por conta do ritmo acelerado, dos
capítulos curtos, e da sensação de ilusão, distorção da realidade e busca
desenfreada por respostas, a leitura flui muito bem e quando vamos notar já
chegamos ao fim desse volume, que é o primeiro da trilogia. Por ser um livro
introdutório, as revelações serão mais bem explicadas e exploradas só nos
próximos volumes, não que isso tenha ficado ruim nesse, que teve o intuito de
nos apresentar como tudo começou a mudar na vida de Dyer.
E, por falar
em final, tipo, OMG! Como pode aquilo ter acontecido? E o que isso quer dizer?
Surpreendente. Eu adoro quando o final acaba desse jeito (com cliffhanger – o
último acontecimento do livro não tem uma conclusão, e alguma informação muito
importante foi jogada, mas só saberemos o que acontece nos próximos volumes),
porque faz com que o leitor fique cheio de curiosidade para saber o que vai
acontecer em seguida, mas também sei que isso é tortura porque as continuações
demoram a serem lançadas aqui no Brasil, então é mais tempo sem saber o que
aconteceu. E eu PRECISO saber o que vem depois desse final PARA ONTEM!
Eu amo essa
capa, ela tem esse ar meio sombrio, que é bem o clima do livro, e também é bem
linda. É uma dessas capas que eu olho na livraria e logo fico cheia de vontade
de ler o livro (antes mesmo de saber do que se trata a história!), só acho que
a impressão deixou um pouco a desejar, a foto não ficou tão perfeita assim
porque está meio escura e o título ficou apagadinho mesmo com o uso de verniz localizado
porque está em uma cor muito clarinha, não ganhando destaque. A diagramação é
simples, mas a fonte está em tamanho grande e as páginas são amarelas, fazendo
com que flua melhor.
E durante a
leitura algumas perguntas não saíram da minha cabeça, e tenho certeza de que da
de várias outras pessoas também. Como deve ser perder a memória e precisar
trazê-la de volta? E como deve ser descobrir que as coincidências podem ser
mais do que apenas isso? Essa habilidade de Mara pode ser considerada um dom?
Ou está mais para uma maldição? E, mais importante: Quem realmente é Mara Dyer?
Acho que essa é uma pergunta que todos que lerem o livro se fazem ao
terminá-lo.
Para quem
gosta de livros para o público jovem adulto com muito suspense, um enredo forte
e envolvente, uma mescla de realidade com alucinações e pesadelos, é
transportado para o passado e o presente com frequência e sem saber o que é
verdade, tudo isso daquela forma que tira o nosso fôlego sem nem mesmo notarmos,
então você precisa urgentemente ler esse título. Tenho certeza de que não vai
se arrepender.
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