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Oksa Pollock e a Floresta dos Desgarrados - Oksa Pollock #02 - Anne Plichota e Cendrine Wolf

Não me canso de dizer quanto é bom e refrescante uma boa fantasia. A sensação de viagem no tempo e espaço que uma boa literatura fantástica possibilita é uma experiência única! E eu me admiro dos autores que conseguem fazer isso de maneira original.

O filhote fantástico da vez foi Oksa Pollock e a Floresta dos Desgarrados, segundo volume da série Oksa Pollock, escrito pela dupla Anne Plichota e Cendrine Wolf, publicado pela Suma das Letras.

Contém Spoilers.

Oksa depois de descobrir ser uma adolescente especialmente mágica, mais velha e experiente com seus novos poderes, se depara com um novo problema: seu melhor amigo Gus desapareceu na sua escola de forma silenciosa e misteriosa. Buscando resgatá-lo novos segredos de sua família vem a tona. Oksa se vê obrigada a deixar a segurança que acreditava ter em Londres para mergulhar em um mundo paralelo repleto de regras, medo e magia. Será que ela irá conseguir equilibrar tantas variáveis e salvar quem precisa?

Intenso, profundo e de tirar o fôlego, o segundo volume de Oksa não sofreu da tão conhecida maldição do segundo livro. O ritmo da narrativa da dupla de escritoras continua a todo vapor, nos brindando com muita ação, aventura e descobertas. Feita em terceira pessoa sob a perspectiva na maioria das vezes da protagonista Oksa, o livro se desenvolve repleto de detalhes que amarram muitos dados apresentados anteriormente.

Uma característica marcante da trama é que embora a ação seja frequente ela não demora a ter solução. O que foi muito útil durante boa parte do livro, em especial quando Oksa está presa nessa 'dimensão' paralela repleta de perigos. Boa parte do livro é dentro desse lugar, que transmite uma sensação claustrofóbica imensa!

Oksa está mais madura, ainda tem acessos de fúria, mas diante da responsabilidade de ser a próxima Preciosa começa a desenvolver ponderação e paciência. Mesmo assim ainda se abala com facilidade diante das descobertas sobre sua família, e da dupla de pretendentes Gus e Tugdual.

Gus, seu melhor amigo humano está uma mala sem alça e bem pesada. Vive lamentando o fato de ser um humano sem poderes, ao mesmo tempo em que algumas vezes consegue ter surtos de inteligência e auxiliar o grupo. Todas as vezes em que ele surgia já podíamos esperar por acessos de ciúmes e mimis sem fim!

Tugdual, é um salve-se-quem-puder que tem natureza dúbia, embora esteja no grupo de Oksa, ainda desperta desconfiança pela sua descendência e seu modo de ser. Desperta muitas emoções em Oksa, e embora sua verdadeira face ainda me seja nebulosa gosto bem  mais de sua arrogância e humor negro do que de Gus.

Os demais salve-se-quem-puder também aparecem, Baba Pollock, a avó de Oksa está um pouco apagada diante das pontadas que levou, esperava um pouco mais de atitude da parte dela, e ela foi um pouco apática. Pavel, pai de Oksa, sai do armário e assume sua natureza mágica, seu processo gradual é bem descrito na narrativa e é importante como apoio a Oksa.

Um show a parte são as criaturas de Edefia, Divinalha, uma galinha engraçada com um frio nada normal; Foldingodo, uma criaturinha ainda sem forma para mim de um coração e dedicação sem igual!; Insuficiente outra criatura sem forma (sem forma porque a descrição não me possibilitou fazer uma imagem rs!) que tem uma memória de peixe e consegue soar leve em meio ao caos e por fim Getórix que aparece de maneira breve mais alegre brigando com as demais criaturas.

O fim da trama é em meio a ação, uma batalha terminou, mas uma enorme guerra está por vir no próximo volume, já publicado pela Suma das Letras: Oksa Pollck e o Coração dos Dois Mundos. Ansiedade define minha espera para voltar ao universo de Edefia!

Curiosidade- Algumas capas pelo mundo deste segundo volume:



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Oksa Pollock e o Mundo Invisível - Anne Plichota e Cendrine Wolf

Imagine plantas que falam e se estressam a ponto de desmaiar, seres rechonchudos que utilizam palavras eruditas nas suas falas chamados Foldingodos, um mundo diferente chamado Edefia e uma adolescente dramática com poderes, esse é o universo de Oksa Pollock e o Mundo Invisível, das autoras Anne Plichota e Cendrine Wolf, da editora Suma das Letras.

Oksa Pollock tem treze anos e acredita que é como qualquer outra adolescente, acaba de se mudar para Londres com seus pais e sua avó, além do melhor amigo Gus com sua família. Aflita com o início das aulas na nova escola e com sua adaptação a nova cidade, Oksa de repente se vê soltando bolas de fogo em seu quarto e acidentalmente colocando fogo em sua boneca, ao mesmo tempo em que surge em sua barriga uma marca.

Assustada Oksa procura por sua avó e descobre a herança que sua família têm: os Pollock são de Edefia um mundo invisível na Terra e ela é a Inesperada, a esperança que os exilados têm de voltarem a sua terra natal. Começa então a  história de Oksa em conhecer a si mesmo e seus novos poderes, além de sua família que não é mais só de humanos, e todo o universo de Edefia que trespassa o seu.

A 'mitologia' do livro é original, traz um gama de personagens humanos e não humanos muito interessante e peculiar. Devo confessar que durante a leitura me veio muitas vezes Harry Potter em mente, mas não por cópia e sim pela sensação de descolamento e encantamento que ambas as obras me causaram, viva a sublimação! O ritmo é muito bom, a cada capítulo novas descobertas são feitas, mas para quem gosta de ação alguns capítulos podem soar tediosos com as histórias de Edefia, o que não foi meu caso.

Oksa é uma personagem contagiante, é divertida, dramática, curiosa, corajosa e com uma pitada de loucura. Não hesita diante do perigo e é fiel ao amigo Gus. Já Gus é um amigo sincero e mesmo diante da insanidade de sua amiga sempre está ao seu lado. Dragomira, a avó de Oksa é uma personagem excêntrica, conhece tudo sobre plantas e pode curar quase tudo, é uma das minhas personagem favoritas.

Não vou citar personagem por personagem, mas a família de Oksa é muito interessante, seu tio-avó compositor, o amigo da família e guardião de Dragomira e etc. Todos com personalidades muito bem demarcadas e profundas, a ponto de despertar curiosidade sobre a história de cada um deles, embora estas sejam brevemente contadas. O vilão é cruel e não mede esforços para conseguir o que quer, desperta a raiva de quem lê nas primeiras linhas.

Como um pano de fundo existe uma pitada da cultura russa, pois depois da travessia para a terra os Pollock 'caíram' na Sibéria- Rússia, e essa pitada pra mim foi encantadora, um por exemplo desta cultura é a forma como a avó se refere a sua neta 'duchka' e a neta a avó 'baba', além da dramaticidade que a família têm que é conhecida como característica dos russos (em especial o pai de Oksa, Pavel) .

Narrado em terceira pessoa, a diagramação tem letras menorzinhas, o que fez com que o livro não fosse tão rápido como eu acreditava que seria. A capa é linda, mas senti falta de algum efeito no título, que fosse um relevo ou um verniz.

É muito difícil fazer a resenha de um livro cheio de detalhes e do qual você gosta muito, a sensação é a de que você soa superficial e não consegue transmitir o poder que a obra teve sobre você. Oksa Pollock foi companhia por diversos dias e agora a sensação é de saudades.

A série ainda conta com outros dois livros já publicados no Brasil: A Floresta dos Desgarrados e O Coração dos Dois Mundos - uma pena que diferente do primeiro os demais livros saíram no silêncio, mal foram divulgados! E na França já foram publicados mais três livros: Les Liens Maudits, Le Règne des Félons e La Dernière Etoile.

Se você gosta de fantasia bem feita, com um mundo totalmente diferente, com suas regras, lendas, histórias e personagens, Oksa é para você. Ou para você que gosta de um livro que te faça esquecer do tempo e do espaço!



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