No primeiro
livro da série distópica juvenil escrita por James Patterson em parceria com Gabrielle
Charbonnet, “Bruxos e Bruxas”, conhecemos os irmãos Whit e Wisty Allgood, que
não sabiam que tinham alguma ligação com bruxaria, mas que foram presos por
esse motivo, que é um crime conta a Nova Ordem. No momento da prisão, no
entanto, os jovens foram pegos em sua casa de surpresa durante a madrugada, e
ficaram sem entender o que estava acontecendo, achando que havia um engano
naquela prisão repentina.
Quando são
levados, eles são informados de que podem ter um objeto pessoal cada um, e seus
pais lhe entregam uma baqueta de bateria e um livro em branco (por isso o kit
lindo que a Novo Conceito preparou veio com esses dois objetos), que eles não
entendem por acharem, aparentemente, que são inúteis. Até que, mais para frente
na história, acabamos descobrindo para que servem.
Enquanto
isso, milhares de outros jovens também estão sendo acusados e sequestrados,
alguns são presos e outros ficam desaparecidos. Tudo está acontecendo porque
agora há um novo governo opressor, o regime da Nova Ordem, sob o comando de O
Único Que É O Único, que acredita que todos os jovens com menos de dezoito anos
não são confiáveis e, portanto, suspeitos de conspiração. Ele também não
poupará esforços para extinguir qualquer forma de liberdade, além de acabar com
os livros, a música, a arte e, principalmente, a magia.
Mas os
irmãos Allgood não vão se conformar tão facilmente e vão lutar por aquilo que
acreditam, buscando o direito de serem livres, reconquistarem a paz e a liberdade
de expressão. Resta saber se eles vão conseguir o que desejam.
Como fã de
distopia e sobrenatural, logo fiquei super curiosa para conhecer a trama de
“Bruxos e Bruxas”, que reúne essas duas coisas em uma, tipo de leitura (essa
mistura) inédita para mim até o momento. Também queria ler algo do autor de mil
facetas, por ser escritor de diversos estilos diferentes, James Patterson, já
que nunca havia lido nada dele e todo mundo fala muito bem de sua escrita. Além
do mais, a Editora Novo Conceito fez uma ação de Marketing sensacional para o
lançamento desse livro, com direito a invasão por parte dos personagens nas
redes sociais da editora, os parceiros também receberam carta e CD em suas
casas, nos deixando cheios de expectativas para conhecer logo a história, e
comigo não foi diferente. Assim que o livro chegou, logo o passei na frente da
minha fila de leituras e o devorei rapidamente.
Porém,
admito que estava esperando por algo mais intenso e sombrio, e não é nada disso
que encontramos aqui. Apesar disso, gostei bastante dessa distopia, que é bem
diferente de todas que eu li anteriormente, pelo seu teor leve e cômico, sendo,
assim, indicada para leitores de todas as idades.
A narrativa
é em primeira pessoa, minha preferida, e os capítulos são intercalados entre os
dois protagonistas, os irmãos Whit (menino) e Wisty (menina), o que eu gosto
bastante porque conseguimos acompanhar ações e pensamentos em momentos
diferentes e de maneiras distintas. Mas, admito que sempre me confundia com
esses apelidos dos personagens, que são bem parecidos e não tão fáceis de
distinguir masculino de feminino, demorei um tempo para me acostumar com eles.
Além disso, o estilo de narrativa dos capítulos e as personalidades, mesmo
sendo um menino e uma menina de idades diferente, são parecidos, apesar de
apresentarem algumas características individuais, diferentes um do outro, o que
também contribuiu para minha confusão de quem era o protagonista da vez.
Esse é um livro
introdutório, então conforme a leitura avança é que vamos descobrindo, junto
com os protagonistas, sobre tudo que está acontecendo, sobre o que é esse novo
governo, os “crimes” que eles cometeram, os locais que conhecem e aqueles que
antes eram desconhecidos por eles, seus poderes e do que são capazes de fazer.
Sobre os
irmãos Allgood, gostei de suas personalidades, só acho que a linguagem
utilizada fez com que parecessem muito infantis, e não condiz com as idades
deles. Me convenceriam mais se dissessem que tinham no máximo quatorze anos, e
não quinze e dezessete.
Whit é o
mais velho, bom moço, loiro, atlético e lindo, que não tem noção de sua boa
aparência, já Wisty é uma baixinha ruivinha que não leva desaforo para casa,
responde logo, tem língua afiada, é teimosa, e adora uma encrenca. A relação
entre os dois soou bem real para mim, e gostosa de acompanhar. Também achei
ótimo a quantidade de ironia, piadinhas, e comentários cômicos que esses dois
soltavam o tempo inteiro, mesmo em situações de perigo ou tensas, já que deixou
o clima da leitura mais leve. Os pais Allgood não apareceram tanto, mas
deixaram a impressão de que escondem muitos segredos, e estou louca para
descobri-los.
Nossos protagonistas
passam por situações bem ruins enquanto vivem uma aventura em busca da
sobrevivência e liberdade, eles foram torturados, chicoteados, tiveram que
passar por perturbações psicológicas, habitar lugares sujos, ficar em uma prisão
de Segurança Máxima contra magia, fugir de pessoas, animais, e, ainda, de
personagens que parecem zumbis fantasmas. Para se livrarem de uma ordem de
execução contra eles, vão contar com a ajuda de diversos outros adolescentes
fugitivos e Celia, a namorada de Whit que foi capturada anteriormente pela Nova
Ordem.
Com uma
linguagem rápida, e capítulos curtos, a leitura flui com tanta facilidade que
dificilmente o leitor vai demorar muito para chegar ao fim do livro. O lado
distópico foi bem desenvolvido e explorado, só que de forma leve, deu para
conhecermos bastante desse governo opressor que inspira medo e trata mal os
jovens. O cenário também foi bem explicado, visitamos, inclusive, outras dimensões,
como a Terra das Sombras. A magia é bem explorada e os protagonistas descobrem
os poderes que têm, como pegar fogo, flutuação, etc., conforme as páginas são
avançadas.
Não gostei
do final simplesmente pelo fato de que ficamos sem a resposta para o modo como
o livro começou (prólogo) e isso é meio irritante porque fiquei com a
expectativa sobre isso o livro inteiro, então achei errado ter terminado sem
respostas. Com certeza se não existisse o prólogo, mas terminasse ali, nos
deixando curiosos sobre o que viria no próximo volume, teria gostado muito
mais.
Agora só
estou super ansiosa para ler o segundo volume, O Dom, lançamento de outubro da
Novo Conceito, que foi escrito por Patterson, mas dessa vez em parceria com Ned
Rust, e também quero ver como serão as diferenças de escrita e desenvolvimento.
Depois de
terminar a história em si, há o “Trechos da Propaganda da Nova Ordem”, falando sobre
livros, filmes, etc., baseados nos reais que já conhecemos (como Harry Potter,
A Invenção de Hugo Cabret, Jay-Z, Frida Kahlo, entre outros) e com comentários
hilários de O Único. E depois há algumas explicações sobre termos utilizados no
livro.
Sobre a
parte gráfica, acho essa capa linda, o B em alto-relevo com verniz localizado
na cor laranja está ganhando destaque com o fundo preto, e acho muito legal
essa silhueta dos jovens ali no meio do fogo, admito que não vi da primeira vez
que olhei a capa. O título e o nome de James Patterson também estão em
alto-relevo, só que na cor dourada. Até a logo da Novo Conceito e o QR Code
estão em chamas, para seguir o padrão do B. A capa é em soft-touch (aquele do
toque aveludado) e eu adoro. A diagramação está bem simples, exceto por um tipo
de mapa que é encontrado no meio do livro, com fonte grande e com ótimo
espaçamento entre palavras e parágrafos, auxiliando numa leitura mais rápida.
"Bem-vindo ao seu pior pesadelo, ou
talvez um que você não consegue nem imaginar. Um mundo onde tudo mudou. Sem
livros, sem filmes, sem música, sem liberdade de expressão. Todos com menos de
dezoito anos não são confiáveis. (...) Que mundo é este? Onde alguma coisa
desse tipo poderia ter acontecido? Essa é a questão. A questão é que realmente
aconteceu. Está acontecendo agora conosco e se você não parar e prestar
atenção, seu mundo poderá ser o próximo."
Apesar do
tema, essa é uma essa leitura descontraída e eu indico para todos que gostem
desse tipo de literatura, com cenas cômicas, que me fizeram rir bastante, situações
de tirar o fôlego, personagens peculiares, muitas cenas de ação (algumas delas
bem tensas), e uma ótima (e bem desenvolvida) distopia.
Avaliação