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Cair das Trevas - Amada Imortal #02 - Cate Tiernan

Apesar de essa ser uma resenha de continuação, não há nenhum tipo de spoiler, nem desse nem do livro anterior.
Nastasya é uma imortal de mais de quatrocentos anos que até pouco tempo atrás vivia uma vida sem limites, curtindo com os amigos todas as noites, não se importando com ninguém mais além de si mesma. Até que um dia se cansou de viver assim e buscou refúgio em um lugar chamado River’s Edge, que é tipo um retiro espiritual para imortais que buscam equilíbrio e paz com seus passados nada agradáveis.
Dia após dia, Nas busca melhorar como pessoa, enquanto faz atividades domésticas e cuida de animais (como em uma fazenda), e tenta aprender um pouco mais sobre como usar sua magick para o bem. Até que o Ano Novo chega e, em um ritual junto com todos os outros moradores de River’s Edge, ela faz um pedido bem ambicioso.
É nesse momento que as coisas começam a mudar, e para pior, muitas tragédias ocorrem e tudo o que ela tenta fazer dá errado. Certa de que tudo de ruim que está acontecendo ao seu redor é por sua causa devido ao seu pedido e a seu passado de trevas (sua família vem de uma longa linhagem das trevas), ela resolve que precisará libertar os outros de sua maldição e faz o que sabe fazer melhor: foge.
O que ela não esperava é que o ruim pode ficar ainda pior e, de encontro com seu passado, ela logo se vê envolta em uma situação mais sombria e perigosa do que jamais esteve antes e não sabe como fazer para reverter essa situação.
Este livro é a sequência de Amada Imortal, que já foi resenhado aqui no blog (clique no título para ler a resenha), e faz parte de uma trilogia. O último livro, Eternally Yours, ainda não tem previsão de lançamento aqui no Brasil.
Não sei exatamente se gostei mais desse livro do que do primeiro porque ele é realmente superior, porque a quantidade de páginas é menor (então menos enrolação) ou porque meu momento para ler algo do estilo esteja melhor. Não importando o motivo real, eu já havia gostado de Amada Imortal, mas Cair das Trevas conseguiu me conquistar ainda mais. Espero que o último volume desta trilogia tenha o mesmo (ou um superior) efeito sobre mim.
Li Amada Imortal há um bom tempo (setembro do ano passado, ou seja, mais de um ano), e minha memória não é lá essas coisas para que eu consiga me lembrar de detalhes tão bem depois de tantos outros livros lidos nesse período. Sorte minha (e de todos os outros leitores que vão ler com uma grande diferença de tempo), é que a autora soube nos situar de uma maneira magnífica, sem deixar nada de lado e, o melhor, sem soar chato ou cansativo!
Aqui a narrativa continua do mesmo jeito do livro anterior, lenta, com os acontecimentos mais parados, porém bem envolventes. Mas nesse volume há uma maior exploração de coisas novas, cenas mais movimentadas e mais ação em comparação ao primeiro volume, o que eu achei ótimo.
Além disso, o livro anterior teve bastante foco nos dias novos e no passado bem distante de Nastasya, ela falava do melhor amigo de longa data, Incy, mas não tivemos a oportunidade de conhecê-lo mais a fundo. Nesse livro, porém, podemos realmente acompanhar sua personalidade, o modo como age e entender se a fuga da protagonista (do livro anterior) fez ou não sentido. Gostei disso porque é sempre bom poder conhecer todos os lados de uma história, já que alguém pode interpretar errado alguma situação e, como a narrativa é em primeira pessoa, só temos acesso ao que Nasty pensa e em como ela interpreta as coisas. Entender a verdade sobre Incy vendo como ele age foi essencial para o desenvolvimento da trama.
Uma coisa que pode incomodar algumas pessoas, mas não a mim, é que Nasty, apesar de já ter quase quinhentos anos, age muito como uma adolescente de dezessete anos, como se todo esse tempo e experiências de vida não a fizessem evoluir, pensar e nem enxergar as coisas de outra maneira. Ela inclusive comenta sobre isso em diversos momentos, e é bem dramática e pessimista. Mas a proposta do livro é essa mesma, a idade dela de verdade acaba sendo irrelevante, é como se a aparência dos imortais controlasse o modo deles de pensar, e não o tempo em que estão vivos.
Podemos perceber a mudança e o amadurecimento de Nas de um volume para o outro. Ela não é mais aquela irresponsável que só pensa em aproveitar a vida, passando por cima dos outros e não se importando com ninguém mais. E isso fica cada vez mais evidente, principalmente quando ela tem um encontro com seu passado. Gosto muito da protagonista e de poder acompanhar seus pensamentos e ações de perto, também adoro os comentários engraçados de Nastasya, ela é uma ótima, sarcástica e carismática protagonista. Seus conflitos, medos e aflições também foram muito bem explorados.
O romance teve seus altos e baixos, mas fiquei torcendo para que ficassem juntos o tempo inteiro. Reyn está mais direto com relação aos seus sentimentos e não tem medo de dizer que a quer. Admito que isso fez com que ele ganhasse pontos comigo, pois prefiro os que falam o que sentem do que os que enrolam.
Nas tenta (e até consegue) ser forte em relação a Reyn e o que sente por ele, fazendo de tudo para agir racionalmente, mas, como podemos acompanhar seus pensamentos, vemos que tudo aquilo não passa de uma fachada e os comentários que faz quando fica se torturando para resistir e quando está com ciúmes dele são hilários.
Acho que antes eu acabava vendo Reyn com os mesmos olhos de Nasty, mas depois acabei percebendo que o que ele era foi fruto de como foi criado. Muitas pessoas agem conforme aprenderam (mesmo isso não sendo a coisa mais correta), e só depois acabam percebendo que aquilo está errado e tentam mudar. Com ele foi assim, não acho que ele possa ser julgado por algo que ele deixou para trás há tanto tempo se ele realmente quer mudar, esquecer aquilo e fazer com que fique em seu passado vergonhoso, inclusive porque Nastasya busca a mesma coisa.
Novos personagens foram introduzidos na trama, mas nenhum deles foi bem explorado, só os conhecemos superficialmente. A autora, vira e mexe, relembra o passado da protagonista por meio de lembranças ou sonhos, e acho isso muito importante para nos ajudar a entendê-la um pouco mais no presente.
Quando o livro vai chegando ao fim, nos deixa grudados nas páginas para saber o que e como tudo vai acontecer (Sério, eu precisava dormir e não conseguia largar o livro de jeito nenhum. Resultado: zumbi!). Em alguns momentos torci para que as resoluções fossem diferentes (e melhores), porque a situação estava bem tensa. Algumas conclusões ainda não foram dadas (mas é claro, ainda falta o terceiro volume da trilogia), mas a principal questão desse volume já foi finalizada, o que é algo bem positivo, e as que foram deixadas para depois só nos deixam mais ansiosos para ler o último livro.
Sobre a parte gráfica, a capa está linda e seguindo o padrão do anterior, o que eu acho ótimo, e é bem diferente da maioria das capas do estilo. A versão impressa está com verniz localizado nas flores, com o jogo de cores roxo (a do anterior era vermelho) e branco, o título está em alto-relevo e o resto da capa em soft-touch (textura aveludada), as páginas são amarelas. A diagramação é simples, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura.

Recomendo muito essa trilogia para quem busca uma narrativa que foi feita para nos envolver de uma maneira que não queremos largar o livro de jeito nenhum, enquanto nos diverte com uma protagonista carismática, e nos deixa apreensivos com momentos de tensão. Estou contando os dias para poder ler como a história de Nasty (e Reyn, claro!) vai ser finalizada.
Avaliação



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