Apesar de
essa ser uma resenha de continuação, não
há nenhum tipo de spoiler, nem desse nem do livro anterior.
Nastasya é
uma imortal de mais de quatrocentos anos que até pouco tempo atrás vivia uma
vida sem limites, curtindo com os amigos todas as noites, não se importando com
ninguém mais além de si mesma. Até que um dia se cansou de viver assim e buscou
refúgio em um lugar chamado River’s Edge, que é tipo um retiro espiritual para
imortais que buscam equilíbrio e paz com seus passados nada agradáveis.
Dia após
dia, Nas busca melhorar como pessoa, enquanto faz atividades domésticas e cuida
de animais (como em uma fazenda), e tenta aprender um pouco mais sobre como
usar sua magick para o bem. Até que o Ano Novo chega e, em um ritual junto com
todos os outros moradores de River’s Edge, ela faz um pedido bem ambicioso.
É nesse
momento que as coisas começam a mudar, e para pior, muitas tragédias ocorrem e
tudo o que ela tenta fazer dá errado. Certa de que tudo de ruim que está
acontecendo ao seu redor é por sua causa devido ao seu pedido e a seu passado
de trevas (sua família vem de uma longa linhagem das trevas), ela resolve que
precisará libertar os outros de sua maldição e faz o que sabe fazer melhor:
foge.
O que ela
não esperava é que o ruim pode ficar ainda pior e, de encontro com seu passado,
ela logo se vê envolta em uma situação mais sombria e perigosa do que jamais
esteve antes e não sabe como fazer para reverter essa situação.
Este livro é
a sequência de Amada Imortal, que já foi resenhado aqui no blog (clique no
título para ler a resenha), e faz parte de uma trilogia. O último livro, Eternally
Yours, ainda não tem previsão de lançamento aqui no Brasil.
Não sei
exatamente se gostei mais desse livro do que do primeiro porque ele é realmente
superior, porque a quantidade de páginas é menor (então menos enrolação) ou
porque meu momento para ler algo do estilo esteja melhor. Não importando o
motivo real, eu já havia gostado de Amada Imortal, mas Cair das Trevas
conseguiu me conquistar ainda mais. Espero que o último volume desta trilogia
tenha o mesmo (ou um superior) efeito sobre mim.
Li Amada
Imortal há um bom tempo (setembro do ano passado, ou seja, mais de um ano), e
minha memória não é lá essas coisas para que eu consiga me lembrar de detalhes
tão bem depois de tantos outros livros lidos nesse período. Sorte minha (e de
todos os outros leitores que vão ler com uma grande diferença de tempo), é que
a autora soube nos situar de uma maneira magnífica, sem deixar nada de lado e,
o melhor, sem soar chato ou cansativo!
Aqui a
narrativa continua do mesmo jeito do livro anterior, lenta, com os
acontecimentos mais parados, porém bem envolventes. Mas nesse volume há uma
maior exploração de coisas novas, cenas mais movimentadas e mais ação em
comparação ao primeiro volume, o que eu achei ótimo.
Além disso,
o livro anterior teve bastante foco nos dias novos e no passado bem distante de
Nastasya, ela falava do melhor amigo de longa data, Incy, mas não tivemos a
oportunidade de conhecê-lo mais a fundo. Nesse livro, porém, podemos realmente
acompanhar sua personalidade, o modo como age e entender se a fuga da
protagonista (do livro anterior) fez ou não sentido. Gostei disso porque é
sempre bom poder conhecer todos os lados de uma história, já que alguém pode
interpretar errado alguma situação e, como a narrativa é em primeira pessoa, só
temos acesso ao que Nasty pensa e em como ela interpreta as coisas. Entender a
verdade sobre Incy vendo como ele age foi essencial para o desenvolvimento da
trama.
Uma coisa
que pode incomodar algumas pessoas, mas não a mim, é que Nasty, apesar de já
ter quase quinhentos anos, age muito como uma adolescente de dezessete anos,
como se todo esse tempo e experiências de vida não a fizessem evoluir, pensar e
nem enxergar as coisas de outra maneira. Ela inclusive comenta sobre isso em
diversos momentos, e é bem dramática e pessimista. Mas a proposta do livro é
essa mesma, a idade dela de verdade acaba sendo irrelevante, é como se a
aparência dos imortais controlasse o modo deles de pensar, e não o tempo em que
estão vivos.
Podemos
perceber a mudança e o amadurecimento de Nas de um volume para o outro. Ela não
é mais aquela irresponsável que só pensa em aproveitar a vida, passando por
cima dos outros e não se importando com ninguém mais. E isso fica cada vez mais
evidente, principalmente quando ela tem um encontro com seu passado. Gosto
muito da protagonista e de poder acompanhar seus pensamentos e ações de perto,
também adoro os comentários engraçados de Nastasya, ela é uma ótima, sarcástica
e carismática protagonista. Seus conflitos, medos e aflições também foram muito
bem explorados.
O romance
teve seus altos e baixos, mas fiquei torcendo para que ficassem juntos o tempo
inteiro. Reyn está mais direto com relação aos seus sentimentos e não tem medo
de dizer que a quer. Admito que isso fez com que ele ganhasse pontos comigo, pois
prefiro os que falam o que sentem do que os que enrolam.
Nas tenta (e
até consegue) ser forte em relação a Reyn e o que sente por ele, fazendo de
tudo para agir racionalmente, mas, como podemos acompanhar seus pensamentos,
vemos que tudo aquilo não passa de uma fachada e os comentários que faz quando
fica se torturando para resistir e quando está com ciúmes dele são hilários.
Acho que
antes eu acabava vendo Reyn com os mesmos olhos de Nasty, mas depois acabei
percebendo que o que ele era foi fruto de como foi criado. Muitas pessoas agem
conforme aprenderam (mesmo isso não sendo a coisa mais correta), e só depois
acabam percebendo que aquilo está errado e tentam mudar. Com ele foi assim, não
acho que ele possa ser julgado por algo que ele deixou para trás há tanto tempo
se ele realmente quer mudar, esquecer aquilo e fazer com que fique em seu
passado vergonhoso, inclusive porque Nastasya busca a mesma coisa.
Novos
personagens foram introduzidos na trama, mas nenhum deles foi bem explorado, só
os conhecemos superficialmente. A autora, vira e mexe, relembra o passado da
protagonista por meio de lembranças ou sonhos, e acho isso muito importante
para nos ajudar a entendê-la um pouco mais no presente.
Quando o
livro vai chegando ao fim, nos deixa grudados nas páginas para saber o que e
como tudo vai acontecer (Sério, eu precisava dormir e não conseguia largar o
livro de jeito nenhum. Resultado: zumbi!). Em alguns momentos torci para que as
resoluções fossem diferentes (e melhores), porque a situação estava bem tensa. Algumas
conclusões ainda não foram dadas (mas é claro, ainda falta o terceiro volume da
trilogia), mas a principal questão desse volume já foi finalizada, o que é algo
bem positivo, e as que foram deixadas para depois só nos deixam mais ansiosos
para ler o último livro.
Sobre a
parte gráfica, a capa está linda e seguindo o padrão do anterior, o que eu acho
ótimo, e é bem diferente da maioria das capas do estilo. A versão impressa está
com verniz localizado nas flores, com o jogo de cores roxo (a do anterior era
vermelho) e branco, o título está em alto-relevo e o resto da capa em
soft-touch (textura aveludada), as páginas são amarelas. A diagramação é
simples, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura.
Recomendo
muito essa trilogia para quem busca uma narrativa que foi feita para nos
envolver de uma maneira que não queremos largar o livro de jeito nenhum,
enquanto nos diverte com uma protagonista carismática, e nos deixa apreensivos
com momentos de tensão. Estou contando os dias para poder ler como a história
de Nasty (e Reyn, claro!) vai ser finalizada.
Avaliação
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