Quando
comecei a ouvir sobre o livro “Canções para Paula”, minha curiosidade ficou
aguçada, afinal esse título começou sendo divulgado na internet e depois de
muito sucesso nas redes sociais espanholas, a versão impressa foi produzida,
vendendo mais de 500 mil cópias! A editora liberou alguns capítulos para irmos
conhecendo a história um pouco antes do lançamento oficial e isso só aumentou
minhas expectativas, porque gostei muito do que li.
Em “Canções
para Paula” conhecemos a vida de diversos personagens que acabam interligadas
de alguma maneira. Primeiramente temos Paula, uma garota de 16 (quase 17) anos,
que marca um encontro com Ángel, um cara um pouco mais velho que ela, de 22
anos, após conhecê-lo na internet, sem que vejam fotos um do outro.
Enquanto o espera
chegar, já que ele está bem atrasado, Paula acaba conhecendo Álex, um jovem que
tem um sorriso espetacular e a faz suspirar, mesmo que por alguns minutos, já
que ele vai embora um pouco depois, não sem antes deixar um meio de contato com
ela.
Após esse
encontro rápido, Ángel finalmente aparece e ela fica encantada por ele, com quem
tem trocado mensagens online por 2 meses. Ele explica o motivo do atraso: como
jornalista, precisou entrevistar a cantora famosa do momento, Kátia – por quem
se interessou de imediato (e foi recíproco), mas é claro que essa parte fica de
fora da explicação.
A partir
daí, conhecemos a trajetória da vida desses jovens, em meio a encontros e
desencontros, paixões arrebatadoras e amizades incríveis.
Dentre os
personagens mais importantes da história, também conhecemos as Sugus, como são conhecidas Paula e suas
três melhores amigas, também conhecemos os pais da protagonista e Mario, um
amigo de infância de Paula que também é irmão de Miriam, uma das Sugus, e que
sempre foi perdidamente apaixonado por ela. Ou seja, Paula vive num tremendo
quadrado (?) amoroso!
De um modo
geral, eu curti a leitura, apesar de achar que com tantas páginas a narrativa
ficou mais lenta, até porque a história inteira se passa em apenas alguns dias,
e isso acabou ficando cansativo, mas o autor soube introduzir pontos que
despertam curiosidade no leitor para saber o que vinha a seguir em diversos
momentos.
Achei a
narrativa, que foi escrita em terceira pessoa, diferente da que estou
acostumada já que o autor sempre começa com uma frase do estilo “Nessa mesma
tarde de março, em outro lugar da cidade” e algumas situações são, diversas
vezes, desenroladas com personagens diferentes no mesmo tempo de outra que lemos
em outro momento. Por exemplo, Paula liga para Ángel e ele não atende. Ela fica
preocupada, mas vai dormir. Em uma outra parte fala sobre o que Ángel estava
fazendo naquele momento em que a Paula fez a ligação. Achei isso bem legal
porque parece aquelas cenas de filmes ou de séries, em que o espectador sabe o
que está acontecendo com todos os personagens, não ficando preso a apenas uma
visão e os pensamentos só daquela pessoa.
Outro ponto
super positivo é que o autor utilizou diversas referências internacionais em
suas páginas, que vão desde livros, filmes e, principalmente, músicas, até
locais frequentados pelos personagens. Inclusive, ele usa referências
brasileiras como, por exemplo, Ivete Sangalo.
Achei bem
interessante ver como o autor, sendo homem, soube conduzir as partes femininas
da história através de meninas de 16 anos. Pareceu bem real, já que ele soube
utilizar seus comportamentos de maneira natural. Aliás, todos os personagens
apresentam características condizentes com suas idades, que chegam bem próximas
da realidade, com suas dúvidas e certezas, problemas amorosos, amizades,
comportamento, drama com pequenas coisas, etc.
O que
realmente me incomodou foram os sentimentos das pessoas que, logo depois de um
simples – e rápido – encontro, já estavam perdidamente apaixonados. Eu sei que
dizer “Eu te amo” hoje em dia está mais fácil do que dizer “Bom dia”, mas isso
ainda me incomoda, não acredito na verdade por trás dessa rapidez e, para mim,
amor é algo que acontece com o tempo e não de um dia para o outro
(literalmente). E não foi só com um personagem que isso aconteceu, foi com
vários!
Sobre o final,
o que eu poderia dizer? Não gostei nada! De repente algumas coisas aconteceram e
todas elas ficaram em aberto, e sem ter deixado aquele ar de “Preciso ler o
próximo urgentemente!” É como se o autor, depois de tantas páginas, quisesse
terminar o livro porque já estava muito extenso e parou ali, sem mais nem
menos, e colocou um epílogo (que eu também não curti) para imaginarmos mais ou
menos como continuou a história.
Depois de
terminar leitura, descobri que o livro faz parte de uma trilogia. Confesso que
me surpreendi, já que ele é bem extenso (tem 496 páginas) e no geral foi bem
desenvolvido. Tudo bem que o final não foi agradável para mim, mas mesmo assim
não imaginei que tivesse continuações. Pelo menos fico mais tranquila, pois vou
saber o que vai acontecer depois com todos os personagens, já que nada foi
fechado nesse volume, e eu não tinha gostado disso. Claro que tenho curiosidade
para saber como vão ser os próximos, e assim saber se vão melhorar depois do
epílogo, se vão trazer as respostas, ou se a maioria das questões vai ser
ignorada para novos acontecimentos surgirem a partir daí, porque parece que foi
dada meio que uma introdução para algo totalmente novo.
Gostei
bastante do título, que tem significado na história, inclusive vai um pouco
além do que eu imaginei, e a capa, apesar de simples, é linda e tem tudo a ver.
Gostei que a Rai manteve a original.
A
diagramação do livro está simples e os capítulos não tem um espaçamento de pelo
menos uma folha, um acaba e o outro começa exatamente na mesma página, mas
sempre com o número do capítulo e uns corações enfeitando-a.
Se você está
procurando um livro bem legal, com muitas referências de coisas que conhece,
divertido e bem escrito sobre jovens vivendo uma ótima fase de sua vida, com
uma narrativa leve, porém um pouco lenta e não tem problemas com livros
extensos, então indico “Canções para Paula”.










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