Em “Cora do
Meu Coração” vamos conhecer a protagonista Cora, uma menina com origem indígena
por parte de mãe e italiana por parte de pai, que foi criada nos costumes
indígenas por sua avó materna, que a amava muito. Viveu alguns anos no convívio
de uma tribo, desde que sua mãe sumiu pelo mundo para poder protegê-la. Até que
seu pai mais tarde acaba descobrindo que tem uma filha e vai à procura dela na
aldeia e a leva para a cidade, onde, a partir daquele ponto, ela passa a viver
com sua família italiana.
Mais uma
vez, Cora é criada pela avó, só que desta vez por parte paterna, que é
italiana, e também a ama muito e cuida dela com carinho, já que seu pai vive em
viagens constantes, abastecendo o mercado de sua família do qual a avó dela
toma conta. Seu avô e seu tio também iam com ele nestas viagens. Neste novo
lar, vivencia muitas coisas diferentes e passa com frequência a ver um espírito
de menina que começa a sempre estar com ela e a aconselhar. Seria essa sua
amiga no plano espiritual. Nestes encontros, descobre seu dom de ver e conversar
com espíritos.
Sua avó
acredita nela, apesar de ter ficado meio confusa no começo, mas passa a
observar e crer neste dom maravilhoso que a menina tem, coisa que poucas
pessoas têm, e, sim, são privilegiadas. Não que eu gostaria de ser uma delas,
mas admiro quem tem esse dom. Naquela época eram poucos os que acreditavam,
porém hoje em dia ainda falta muito para isso aumentar, mas como Deus é supremo,
quase todos nós um dia veremos que essas pessoas privilegiadas como espíritos
de luz só vêm para ajudar outras em seus conflitos.
Meu
interesse por esse livro foi aguçado, como sempre, por minha curiosidade, já
que se trata de um espírito desencarnado de luz contando sua própria história
na sua última encarnação. E é simplesmente maravilhoso! Não tinha lido nada da Editora
EME anteriormente, mas já me encantei totalmente. Vou ler mais livros
publicados por ela, pois é de suma importância para o meu aprendizado.
No começo,
Cora se sentia confusa, pois, como mestiça, achava que não pertencia a lugar
nenhum. Com o tempo, viu que aquelas pessoas, aqueles italianos, eram alegres e
de bem com a vida, e estavam sempre tentando se harmonizar com todos, salvo por
um ou outro, que extrapolavam suas revolvas e seus sentimentos, como todos que
têm cargas boas e ruins e que escolhem o caminho negativo. Foi o caso de sua
madrasta, Regina, que sempre a rejeitou. E, ao longo desta jornada, tudo fez
para infernizá-la e chamá-la de bugre. Como a lei de Deus é divina, nem todos
são o que aparentam ser, e cedo ou tarde a máscara acaba caindo.
Cora nunca
reclamou de nada, ficava muitas vezes indagando o espírito da menina que lhe
dava conselhos e passava a ver as coisas com mais compreensão e fé. Nesse
processo, sua avó italiana (nona) também cooperou muito com nossa protagonista,
levando-a a trilhar caminhos do bem e do amor. Sua vida foi de puro
aprendizado, e quando Cora vem a falecer mais tarde, continua a ser aquela
mulher com amor imenso no coração, e aí podemos ver que sua vida continua em
outra morada, com as pessoas que amava no corpo terreno. E ela sempre foi muito
bem assistida pelo plano espiritual até no seu desencarne, onde aguardou seu
amado, até que voltasse a encontrá-lo.
Eu gostei
muito desta obra e, por ter sido narrada pela própria Cora (mesmo que através da
escritora Mônica Aguieiras Cortat), que vivenciou tudo aquilo, faz com que eu
me sinta ainda mais próxima da trama, por saber que é verídica. A narrativa da
autora é bem gostosa, leve e envolvente, fazendo com que a gente mergulhe nas
páginas sem nem sentir as horas passarem.










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