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O Balde Vazio – Wesley Rodrigues



Sou apaixonada por livros infantis porque sempre trazem alguma mensagem bonita e/ou importante e também porque são ilustrados, o que simplesmente amo! ❤️ Então, quando vi os novos lançamentos do selo Caveirinha, da Darkside, sabia que precisava ter todos na minha estante. Já estou fazendo meu acervo de livros infantis antes mesmo de planejar um filho. Hahaha

Nessa história, belamente ilustrada por sinal, vamos conhecer o Balde, que é um objeto solitário que sente alegria quando seu amigo vento passa para lhe fazer uma visita e o leva para outros lugares e, assim, poder conhecer mais da vida, tudo de bom que tem ao redor e o que o mundo tem para lhe mostrar.

É numa dessas viagens que ele vai parar numa casinha simples e conhece o casal de passarinhos Amnésia e Tristão, que logo o acolhem para construir um ninho para seus filhotes que estão quase nascendo. Até que uma coisa terrível acontece por consequência de algo ainda pior, e os filhotes são separados de seus pais. Mas se há uma coisa nesse casal de passarinhos é a esperança. E eles partem juntos numa jornada em busca de seus bebês e não vão desistir, não importa quão difícil seja o caminho.

A trama é fofa e faz o leitor pensar em diversas coisas, mesmo sendo bem curtinha. Fala sobre acreditar em algo e ir atrás sem desistir, não importa os contratempos ou quem diga para não seguirmos em frente, fala sobre esperança, empatia, em como a vida pode mudar para bom ou ruim, mas sempre devemos manter nossa cabeça erguida, entre outros.

O mais interessante é que consegue alcançar diversos tipos de público, já que tanto as crianças podem entender e apreciar a história, como os adolescente e adultos também vão gostar muito da leitura, já que cada público consegue captar diferentes nuances e entender o enredo de forma diferente.



Lady Killer 02 – Joëlle Jones e Michelle Madsen

Josie Schuller está de volta. Depois de ter enfrentado certos imprevistos quase mortais, ela se muda com a família para a ensolarada Flórida. Em meio a panelas, limpeza e cuidados com a casa e a família, ela continua com o mesmo trabalho de antes: mata pessoas a sangue frio. Porém, agora está trabalhando sem uma empresa, então tem que lidar com todo o processo sozinha, montar um disfarce, localizar a vítima, assassiná-la e limpar tudo sem deixar vestígios, o que acaba demandando mais tempo do que o necessário.
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Por conta disso, quando alguém de seu passado surge com a proposta de uma aliança benéfica para ambos os lados, ela não hesita em aceitar. Quando revelações sobre indivíduos próximos aparecem e novas pessoas surgem em seu caminho com intenção de recrutá-la, Josie acaba percebendo que há muito mais para descobrir do que ela imaginava. Quem será que fala a verdade? E o que pode acontecer se ela der um passo errado?
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Mesmo gostando bastante do volume inicial, curti ainda mais essa sequência. Encontramos uma Josie Schuller ainda mais sanguinária e também uma trama bem mais elaborada do que antes. A história ganhou mais movimentação e revelações. Também continua falando sobre o papel da mulher na sociedade, sobretudo na década de 1960 nos EUA.


Foi bem bacana ter o vislumbre da infância de Josie e conhecer o passado de uma personagem importante. E curti bastante ver a protagonista se desdobrando para lidar com sua vida dupla e todas as complicações que foram aparecendo em seu caminho. E olha que foram várias.
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A Graphic Novel acaba num cliffhanger de tirar o fôlego com uma cena reveladora que deixa margens para uma continuação. E o final desse volume também deixa algumas pontas soltas bem relevantes. Espero que a autora esteja escrevendo, porque preciso saber o que vai acontecer agora e o que vai mudar na vida e na profissão de Josie.

O melhor de tudo é que, por ser uma HQ, temos a mescla de história com ilustrações. E o trabalho de Joëlle Jones é simplesmente fantástico. Personagens e cenários muito bem desenhados, cheios de detalhes e com cores marcantes, trazendo o tom certo a narrativa e conquistando os leitores com facilidade.


O Mundo Invisível Entre Nós – Caitlín R. Kiernan


Apesar de ainda não ter lido nenhuma das obras dessa autora (a Darkside também publicou “A Menina Submersa), sempre escutei maravilhas de sua narrativa e sua forma de escrita única, que consegue conquistar a todos com o seu talento com as palavras. Sendo assim, resolvi começar por “O Mundo Invisível Entre Nós”, que é uma compilação de contos de Kiernan publicados entre 1993 e 2004, sendo os contos mais aclamados, textos raros, e sua primeira novela Sci-Fi.
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O livro é dividido em duas partes, a primeira chamada de Mundo I, traz os contos escritos no período de 1993 a 1999. E a segunda parte, denominada Mundo II, traz os contos escritos entre 2000-2004, fazendo com que facilmente sejamos capazes de ver como o seu estilo de escrita foi amadurecendo, assim como seus pensamentos e técnicas.
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Em todos os contos, temos uma mistura de horror com elementos fantásticos, fazendo com que a gente não consiga desgrudar os olhos das páginas. Os contos tratam de temas bem variados, alguns são mais fáceis de entender, outros encontrei um pouco de dificuldade. Talvez por não estar acostumada a ler obras do gênero, já que saí um pouco da minha zona de conforto com essa leitura – gosto muito quando tenho a oportunidade de fazer isso e curto a experiência.

Os enredos são bem rico de detalhes, tanto quanto de variedades de criaturas e mitos. Tem até uma releitura peculiar de A Pequena Sereia e outras referências. A escrita da autora é envolvente, descritiva e nos faz mergulhar nos cenários e situações de uma maneira bem vívida.



A edição da Darkside como sempre está impecável e lindíssima. Tem Capa Dura com acabamento em Soft Touch e insetos em detalhes na cor dourada, assim como o título, que só aparece na quarta capa. A folha de guarda é uma das mais bonitas que já vi e o miolo é todo trabalhado com ilustrações de insetos e suas anatomias que combinam com as ilustrações da capa, que por sinal está magnífica. Para fechar com chave de ouro, o corte das páginas também é dourado.





Lady Killer 01 – Joëlle Jones e Jamie S. Rich


Josie Schuller se veste para matar. Com seus vestidos acinturados, é esposa dedicada da Década de 60 nos EUA, quando as mulheres não tinham os direitos que têm hoje e se comportavam através de uma ideia padrão e ultrapassada. Ela cuida do lar, das filhas e do marido, limpa, arruma, faz comida... e mata pessoas entre uma tarefa e outra.
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Contratada de uma empresa de assassinos de aluguel, ela é uma das melhores do ramo. Então usa inúmeros disfarces para se infiltrar nas mais diversas situações e locais, onde tira vidas sem dó nem piedade, matando suas vítimas a sangue frio. E se um fio de cabelo sair do lugar ou uma mancha de sangue aparecer na roupa, tudo bem, afinal ela tem habilidades suficientes para lidar com qualquer tipo de contratempo.
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Quando Josie toma uma decisão diferente do esperado, precisa se virar para conseguir se livrar das consequências. E não vai ser fácil, afinal tem que lidar com cautela, manter tudo em segredo e arrumar aliados confiáveis. Mas, sendo uma mulher, não há algo que não possa fazer.



Adoro ler Graphic Novels, mas acredito que nunca tinha lido uma deste estilo e gostei bastante dessa experiência. Considero que este volume tenha sido um pouco mais simples do que a continuação e também mais introdutório. Então vamos conhecer a protagonista e descobrir um pouco das nuances de seu trabalho como assassina profissional enquanto precisa lidar com a rotina e tarefas do dia a dia em família.


Ao mesmo tempo em que vemos Josie em seu serviço secreto e cuidando da casa, também temos a chance de acompanhar alguns detalhes do cenário da época, tanto em termos visuais quanto sociais. O papel da mulher na sociedade é bem retratado, assim como vemos as mudanças que estão ocorrendo no período. Afinal foi quando aconteceu A Segunda Onda do Feminismo e muita gente estava batalhando pelos direitos das mulheres.
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O Médico e o Monstro e Outros Experimentos – Robert Louis Stevenson


Como fã de clássicos, sempre tento incluir um nas leituras mensais. Sendo assim, resolvi ler esse de mistério e horror, que se tornou uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial e apresenta a dualidade do humano, onde ninguém é 100% bom ou mal.
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Na história que empresta o título ao livro, conhecemos o Sr. Utterson, um advogado com poucas amizades, que vai atrás de Mr. Hyde, único herdeiro no testamento de um dos seus amigos, Dr. Jekyll, para tentar entender o motivo de um homem bom deixar sua herança para alguém tão detestável.
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Descobrimos que Dr. Jekyll, por meio de várias experiências científicas, tentou separar sua natureza boa da má. E fez experimento em si mesmo, e assim nasceu o pavoroso Edward Hyde, o lado ruim do médico. Sempre que essa personalidade surge, suas características conhecidas de boa pessoa e médico respeitável, somem.
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O tempo vai passando e com cada vez mais frequência esse seu outro lado desperta. Por esse motivo, vemos que o médico sabe que a sua cidade não vai ser um local seguro se seu outro lado ficar à solta, então resolve tomar algumas medidas.

Com uma boa dose de suspense e mistério, esse volume nos conquistar do início ao fim com uma leitura envolvente, rápida e cheia de críticas, que nos faz refletir um pouco mais sobre nós, humanos.


A escrita do autor é maravilhosa! Ele conseguiu analisar o ser humano, nos mostrando uma luta interna entre o bem e o mal, o que pode ser aplicado para todo mundo em inúmeros sentidos. Os personagens são ótimos, e, cada um com seu jeito de ser, despertam no leitor diversos tipos de sentimentos.






Cores Vivas – Patrice Lawrence


Quando recebi esse livro, não sabia muito bem o que esperar até ler a sinopse, que me encantou de uma maneira que eu precisava ler o quanto antes. Ainda bem que o fiz, pois foi uma leitura marcante e incrível. E, com isso, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
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Nessa obra conhecemos a história de Marlon, um jovem adolescente negro que gosta de ficar no seu quarto escutando as músicas dos discos que o seu pai deixou. Tranquilo e amante de ficção científica, ele vê toda a sua vida mudar quando é convidado para sair com Sonya, uma menina muito bonita de sua escola, para ir ao parque de diversões. E é quando ele termina suspeito de porte de drogas, transformando seu passeio em uma tragédia com morte.
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Acompanhamos a vida desse jovem que fica desesperado com tudo que está acontecendo em sua volta. Ele acaba se metendo em uma grande confusão sem saber como sair, e vemos o quanto a pele dele acaba influenciando o julgamento alheio, já que infelizmente as pessoas têm pensamentos absurdos e julgam o outro simplesmente pela cor da pele.
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Jogado nessa trama, ele se lembra do seu irmão Andre, que era líder de uma gangue e que se envolvia com drogas, e resolve entrar nesse mundo cruel e violento para tentar descobrir a verdade e proteger as pessoas que ama.



Esse livro com certeza foi uma das melhores leituras do ano para mim. É uma história triste e real, que mostra a realidade da sociedade em que vivemos e nos faz refletir sobre as atitudes das pessoas e o quanto elas afetam um indivíduo. Essa trama foi muito bem construída e fala de sobrevivência, amor e respeito, que desperta na gente diversos tipos de sentimentos.






O Diário de Nisha – Veera Hiranandani


Quando li a sinopse dessa história fiquei tocada com o conteúdo, então tinha certeza absoluta de que precisava ler esse título o quanto antes, pois sabia que ele iria conseguir tocar o meu coração e me ensinar muito com essa jovem protagonista.
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Conhecemos a história de Nisha, uma menina reservada que gosta de anotar tudo em seu diário, e que está vivendo um momento bem complicado que ela mesma não consegue entender muito. Isso porque a história se passa em 1947 e está ocorrendo a Partição da Índia, que após séculos de tensão religiosa e política, acaba resultando em dois estados independentes do governo britânico: a Índia (maioria hindu) e o Paquistão (maioria muçulmana).
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Essa divisão não foi pacífica e milhares de pessoas tiveram que abandonar seus lares, e diversas morreram tentando atravessar a fronteira. Nesse cenário de vários conflitos, o pai de Nisha decide que é perigoso demais continuarem onde estão, já que virou Paquistão, e decide embarcar no primeiro trem junto com sua família rumo a um novo lar. 



E nesse cenário acompanhamos a vida dessa doce menina, que junto do seu irmão Amil, Dadi, sua avó paterna e Sured, seu pai, enfrentam a árdua e perigosa jornada de abandonar tudo para conseguir um lugar com paz. Nessa trajetória ela acaba tendo que se despedir do velho Kazi, cozinheiro da família, pois como ele é muçulmano deve continuar em Milpur Khas.

A história narrada nesse volume é tocante, daquele tipo que consegue mexer com a nossa alma. E junto com nossa protagonista, que é apenas uma jovem menina, entendemos vários significados da vida de forma sutil e encantadora. As páginas são carregadas de emoção e, com uma linguagem de fácil entendimento e bastante fluida, ficamos com a mensagem de que independente de religião, raça, etc., o amor deve sempre ser mais forte.


Para Toda Eternidade - Caitlin Doughty

Até o começo do século passado o lugar da morte na sociedade era dentro das casas e em família, com o passar do tempo e com o avanço dos hospitais ela passou a ser vista como contagiosa e a ser isolada das pessoas que passaram a cada dia lidar menos com a mesma. A morte é a única certeza em nossas vidas, e mesmo assim desperta surpresa quando acontece. Para Toda Eternidade, da querida Caitlin Doughty, publicado pela Darkside Books, trabalha com este tema espinhoso e com uma visão de como ele é tratado ao redor do globo.

Depois de trabalhar por alguns anos em um crematório, Caitlin abriu sua própria agência funerária, com uma visão própria sobre o processo ela é vista como alguém não grato para os grandes negócios da indústria da morte. E com o objetivo de mudar a compreensão sobre a morte Doughty viajou para diversas partes do mundo para testemunhar como a morte é tratada em outras culturas. Não existe um modo  já determinado de fazer e entender a morte. O objetivo foi ainda através de seus relatos ajudar as pessoas a resgatar o significado e a tradição das comunidades.

Nos Estados Unidos uma vez que o indivíduo morra existe um roteiro a ser seguido, um caixão a ser comprado, uma funerária a ser contratada e poucas opções a ser escolhida: cremado ou enterrado, embalsamado ou não. Qualquer coisa como cremação em uma pira ou preparação do corpo pela família foge as regras, e é praticamente proibido e mal visto, isso porque muito dinheiro é ganho com todos estes detalhes, e essa indústria não quer abrir mão deles.

Caitlin nunca concordou com esse ponto de vista e através de seus estudos percebeu que este comportamento é da sociedade moderna e que não é uma regra pelo mundo. Ela não citou, mas sinto que o Brasil embora siga muitas das etapas americanas ainda deixa seus mortos muito mais próximos de suas famílias em seus velórios, por exemplo. Partindo para locais onde a relação com os mortos é oposto, ou diria radicalmente diferente da americana, a autora conseguiu transmitir com riqueza de detalhes quanto é importante que a família vivencie seu luto com a mão na massa, e que não terceirize todo o processo, já que não estar presente pode criar uma ilusão de que a morte não aconteceu. A morte não é uma vergonha e não é algo que deva ser escondido, é sim parte inevitável e certa do ciclo da vida, e quanto mais o ser humano lidar com ela, melhor suas chances de ter uma vida boa!

Ainda que aberta para o que estava por vir, e conhecendo superficialmente a tradição, conhecer em detalhes a tradição da Indonésia, em Tana Toranja durante o ma'nene' é uma leitura impactante. Nunca se está preparado para ler que famílias inteiras desenterram seus mortos para passar seu tempo com eles, sim, eles a cada tempo escolhem seus familiares que cuidadosamente trocam de roupa, e chegam até a tirar fotos com eles. Como se isso não fosse estranho o suficiente existe o relato de um homem que passou anos de sua infância dividindo a cama com o avô morto. Isso que é lidar bem com a morte!

Já na Carolina do Norte uma universidade tem algo que podemos chamar de fazenda de ossos. Para estudos forenses eles deixam cadáveres 'jogados' pelas matas para que eles se decomponham de diversas formas que depois são investigadas, no mesmo local também estão sendo feitos testes de enterros naturais que visam que até os ossos se decomponham em curto período sendo assimilados totalmente pela terra. É um projeto muito interessante já que tanto enterros quanto cremações deixam resíduos tóxicos no ambiente.

No México o dia dos mortos já é bem conhecido pela proximidade que as famílias têm nos cemitérios onde seus parentes estão enterrados. Já na Espanha é permitido que as famílias passem dias inteiros com seus mortos desde que eles estejam locais como 'estuque de vidro', é muito similar aos velórios brasileiros, mas sem que ninguém toque no morto.

O Japão têm uma ritualística mais  profunda com a morte, na cremação, por exemplo, ao contrário do que acontece na América, o corpo não é queimado até restar quase nada, lá os ossos são deixados e depois separados pelas famílias. é um ritual que as mesmas realizam e ajudam na assimilação da morte. O país é o que mais crema seus mortos, e têm diversas inovações quanto ao modo de guardar o que resta deles, assim como de fazer velórios em locais que parecem hotéis.

Por fim, outra cultura que chamou atenção foi na Bolívia com suas ñanitas, que são cabeças sejam apenas no osso sejam cabeças mumificadas que alguns moradores têm e que podem realizar pedidos. Em novembro é realizada a fiesta de las Ñanitas, onde os donos podem exibir suas cabeças e até pedir benção de padres.

Caitlin tem uma maneira peculiar de ver a morte, quase tudo é normal e aceitável desde que tenha significado, mas ao mesmo tempo que ela parece aberta a tudo ela têm momentos engraçados quando é convidada a tirar fotos com um morto na Indonésia, afinal o limite de bizarrice existe. Não conheço alguém que ao mesmo tempo que respeite leve a morte com tanta naturalidade no seu manejo. Ela é engraçada e leve, é envolvida nos processos e quer transformar não só a indústria, mas o modo com as pessoas lidam com a morte.



O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas #01 - Aaron Mahnke

No instante em que eu vi a capa do livro O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas, do autor Aaron Mahnke, mesmo antes de ler sua sinopse, eu desejei ele na minha estante. O trabalho gráfico da Darkside Books foi de encontro ao meu gosto e despertou o desejo imediato!

A partir do premiado podcast Lore, onde episódios se inspiram nos mais diversos eventos estranhos ao redor do mundo e tempo, Mahnke explora neste volume criaturas das mais distintas origens que assustaram e geraram lendas que perduraram até hoje, algumas verdadeiras, outras tão antigas que se perderam no tempo!

Cada capítulo escolhe uma criatura para ser explorada, a primeira, por exemplo, são os vampiros, desde a sua provável origem, passando pelos principais casos registrados na história. Alguns são explicados pela ciência de hoje, outros ainda geram mais perguntas que respostas, o autor narra de forma breve e objetiva as características atribuídas a estes seres. Depois algumas histórias sinistras sobre zumbis são lembradas, e eu sempre fico aflita ao me lembrar que alguns locais ainda hoje desfilam com pessoas mortas pelas ruas como se elas ainda fossem vivas, mas elas já morreram faz tempo!

Entre cada caso, lenda e situação o autor joga a verdade ora fazendo o leitor acreditar que tudo que é relatado é verdadeiro, ora atribuindo explicações muitas vezes sob a ótica psicológica do comportamento humano, tanto para acreditar nestes seres quanto para interpretar certos acontecimentos. No final ele sempre deixa as respostas em aberto para serem interpretadas, sem acreditar ou desacreditar do que narra.

Os relatos se focam muito nos Estados Unidos, mas diversos países são citados, que é o caso do capítulo seguinte que se foca em criaturas pequenas, como os elfos na Islândia, ou os duendes da Irlanda. Em sua grande maioria os nomes específicos atribuídos a essas criaturas são citados, e nomes genéricos não são usados. Neste capítulo em específico, onde criaturas do meu maior interesse são trabalhadas, alguns relatos me eram conhecidos, mas alguns foram novos.

Na sequência são citados seres que parecem animais, mas que não tem comportamento e aparência comum, aqui alguns relatos lembram lobisomens ou híbridos de homens e animais. Criaturas marinhas também aparecem, e talvez sejam entre todas a menos questionadas, já que nas profundezas de rios e mares o desconhecido impera.

As situações não param apenas nessas criaturas vivas, um caso de um boneco possuído também é narrado detalhadamente, assim como da famosa Annabelle. Seguem-se casos que ficam entre criaturas desconhecidas e fantasmas. Até culminarem nos espíritos, que têm diversos relatos com diversos enfoques, alguns de origem de pessoas mortas, outras com aspectos demoníacos.

O livro possui uma vasta bibliografia, que é muito interessante para aprofundar os temas. E como comecei dizendo tem um trabalho gráfico incrível! Repleto de ilustrações que trazem um ar único ao livro, são extremamente fofas e macabrinhas. O volume é todo nas cores preta, branca e vermelha, além de contar com o corte em vermelho. É um livro tão lindo que eu me pegava apenas admirando cada detalhe e não o lendo.


A Noiva Fantasma - Yangsze Choo

Eu fico bastante satisfeita em ver como a Darkside Books tem uma mão boa para escolher livros diferenciados, nem todos entram para os meus favoritos, mas ainda não li nenhum livro ruim da editora, e não foi diferente com A Noiva Fantasma, da autora Yangsze Choo.
Li Lan é uma jovem malaia que mora com seu pai, ela já está com dezessete anos e a pressão do casamento já é grande. Seu pai a informa que ela foi pedida em casamento, mas não por um vivo e sim por um jovem que morreu recentemente. Abalada pela proposta ela busca saber mais sobre a família Lim, e após uma visita a casa desta família ela passa a ter estranhos sonhos com este morto, e sua vida nunca mais será a mesma depois de tocar a morte!
Eu não sei se vocês compartilham da mesma impressão que eu, mas tudo que é livro, filme ou série que se passa no oriente ou tem alguma mitologia deste povo é mil vezes mais macabra do que a mesma estória no ocidente. Acho que eles têm estórias e costumes muito peculiares com a morte, por exemplo, e com isso uma atmosfera única e mórbida acaba se colocando facilmente em um livro que se passa por lá, no caso a Malásia.
A narrativa em primeira pessoa de Choo é através da protagonista Li Lan, uma jovem muito simples e inteligente que acabou criada por seu pai e sua Amah, com isso embora erudita na criação sofreu com a falta de alguns dotes femininos. É uma menina muito inocente e tímida que soa como uma colegial e não consegue conceber a maldade nas pessoas. Quando acaba envolvida nesta trama de morte com este jovem falecido ela toma atitudes drásticas para se livrar do espírito, e a reviravolta que o livro dá foi bem inesperada.
Este volume pode ser encarado sob diversos prismas, primeiro do ponto de vista cultural, a estória se passa em uma região que teve a imigração maciça de chineses, o que fez com que a cultura chinesa, Malaca, fosse também a deste local. A autora inclusive nas páginas finais explica alguns destes dados e sua origem de inspiração, e é muito claro a vasta pesquisa que ela fez, já que tudo é bem detalhado e explicado sobre todos estes costumes, desde comidas e roupas até e principalmente as crenças espiritualistas.

Falando em espiritualidade esta é um ponto central na trama já que Lin tem uma jornada espiritual, mostrando em detalhes as crenças e atitudes que esta população têm com os mortos, como por exemplo criar réplicas de objetos em papel e queimá-los para os mortos, assim estes recebem estes objetos no mundo dos mortos. Ela também explora supertições quanto a atitudes que dão sorte ou azar.

Por fim ainda temos um ângulo investigativo já que a jovem se vê diante de um possível assassinato, e ela para salvar a própria pele e resolver seus sentimentos precisa saber a verdade quanto esta morte. Claro que ela acaba por descobrir não só a verdade quanto a isso, mas também quanto ao passado de sua própria família.

A narrativa é envolvente, mas soa triste e opressiva, e pode deixar o leitor para baixo já que todo tempo trata da morte e da vida após a morte. Gostaria que a autora tivesse se demorado em algumas criaturas que ela diz existir no astral, ela apenas foca nos espíritos humanos, e acabei muito curiosa quanto aos demais, apenas Er Lang é um deste seres que não são humanos e que por sinal gostei muito dele!



Ed & Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais - Gerald Brittle


Foram muitos meses desejando comprar Ed & Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais, do autor Gerald Brittle, publicado pela Darkside Books, infelizmente ainda não consegui minha cópia física, mas consegui uma cópia para o kindle para matar minha curiosidade. Ainda quero ele na minha estante, porque ter ele virtual é como não ter, embora o espaço para novos livros aqui seja inexistente rs!

Brittle tem como objetivo em seu livro narrar a estória de vida do casal Warren ao mesmo tempo em que explora o universo de casas mal-assombradas e a rotina de um demonologista em casos variados. Assim utiliza uma linha do tempo quanto a história de vida dos Warren, e a cada capítulo vai prosseguindo com as explicações quanto ao trabalho dos mesmos, desde casos de casas habitadas por espíritos sem índole ruim, passando por espíritos travessos até casos de entidades não humanas que causaram grandes estragos.

Existem diversos pontos interessantes que merecem destaque no livro, o primeiro deles é que ao invés do autor dizer o que o casal pensa ou viveu, ele dá início a narrativa e trás em primeira pessoa através de diálogos originais do casal o que viveram ou como é a teoria da disciplina. Depois ele cria uma linha evolutiva dos casos que possibilita a assimilação das informações aos poucos, entretanto em dado momento depois que o enfoque se fecha apenas em entidades demoníacas a repetição das informações é frequente, e isso acaba cansativo, e impede que a leitura flua bem.

Em terceiro, é o que mais gostei no livro por sinal, é a maneira trabalhada pelos Warren para explicarem todo o processo, embora eles sejam católicos, e inclusive o livro tem um prefácio de um religioso, eles tem uma narrativa muito direta, sem misticismo ou religiosidade, ou seja, nada de Deus e Jesus para todo lado, ou ainda discurso espírita, ao contrário, tudo soa até científico e prático. As vezes o excesso de misticismo brasileiro me cansa porque perde a objetividade além de criar rixas, e ler algo que fuja mas mesmo assim trabalhe a verdade é interessante!

Ao fim é possível tirar a seguinte conclusão que por mais que estas entidades e espíritos não estejam agindo de maneira ética, no fim são as pessoas que abrem suas portas a eles, sejam através de rituais, sejam através de suas atitudes não éticas também. Nada acontece sem permissão, mas infelizmente nem sempre essa permissão é consciente, então a vigia deve ser constante!

Li algumas resenhas no skoob que dizem que os casos não são verdadeiros, e não posso afirmar se são ou não, afinal não os conheço, mas posso dizer que quase nada soou absurdo, já que já li e ouvi relatos suficientes para embasar os fatos ocorridos. Fatos estes que são fortes e pesados, e podem impressionar aos não acostumados as trevas e suas maneiras de agir.

Eu particularmente gostaria que o livro se demorasse mais na parte de fantasmas, já que são poucos os livros do tema, com o enfoque da dupla, mas isso não se deu justamente porque Ed foi um dos poucos demonologistas que existiram. Não é um trabalho para qualquer um, requer dedicação e disponibilidade total, a ponto de largar a família para atender aos necessitados, e até muitas vezes colocar sua vida em risco.



Confissões do Crematório - Caitlin Doughty

Desde o primeiro instante que eu vi Confissões do Crematório, da autora Caitlin Doughty, publicado pela editora Darkside, eu o quis! A sinopse me interessou muito, porque seja através da Psicologia, seja através dos meus estudos espiritualistas, a morte é um tema recorrente e que desperta em mim um interesse que pode até soar macabro rs, mas é honesto!

Após terminar a faculdade de história com especialização em História Medieval, Caitlin desejava trabalhar com a morte, e com apenas 23 anos ela conseguiu um emprego em um crematório na Califórnia. O trabalho não se mostrou exatamente como ela esperava, barbear um morto ou fazer maquiagens são apenas alguns dos trabalhos que esta jovem teve que fazer para que estes depois fossem incinerados. Morto após morto, e história após história Doughty mudou sua visão sobre a morte e sobre a indústria da morte nos EUA. Um novo sonho nascia, espalhar entre as pessoas novos conceitos e uma relação mais saudável sobre a morte.

Doughty narra suas histórias em primeira pessoa com seu humor nada convencional, envolvendo a cada página quem lê com suas situações vividas durante este um ano como operadora de fornos do crematório. O primeiro ponto interessante é que ela é capaz de apontar com muita nitidez e maturidade o que a fez ir atrás deste trabalho e porque de sua fascinação pela morte. Não trata-se de uma mulher gótica, ou que flerte com o tema de modo fantasioso, ela simplesmente queria ver a morte como ela é na realidade, já que desde muito pequena ela percebeu que a mesma era escondida dos vivos. Assim ao mesmo tempo que diversos casos são contados, ela os intercala com relatos de sua própria história, como sua infância e faculdade.

O segundo ponto que faz deste livro algo mais valioso que um livro de memórias são os diversos fatos históricos, mitológicos e filosóficos que a autora trás, citando diversos autores, costumes e acontecimentos ao longo de nossa história. Alguns deste inclusive são familiares a mim através da leitura do livro de Elisabeth Kübler-Ross, Sobre a Morte e o Morrer (que eu indico!). Estes dados são evocados especialmente para defender o quanto nossa sociedade tem uma relação doente com a morte, o que antes era visto como natural e esperado, hoje é tido como sujo, errado e é escondido.

Antes os mortos eram velados em suas casas, preparados pelos integrantes de suas famílias, e as crianças eram desde cedo acostumadas a frequentar velórios e encarar a morte como algo que vai ocorrer a todos. Não eram embalsamados, não eram modificados, e tudo transcorria como a natureza mandava. Depois da guerra da sucessão americana e a quantidade expressiva de mortes o embalsamamento foi criado, e aos poucos influenciando a mudança destes costumes.  Claro a autora foca nos atuais costumes nos Estados Unidos, e em cada país esta relação se dá de formas diferentes.

No Japão, por exemplo, a queima do corpo é acompanhada pela família, e são eles mesmos que depois separam as cinzas e ossos após a cremação. Enquanto no ocidente o costume é raro, as cremações assistidas são poucas (na verdade me pergunto se existe isso aqui no Brasil).

A crítica que Caitlin trás é muito válida e interessante, e precisa ser colocada a todos, afinal todos morreremos, e todos algum dia perderão alguém. E a questão é como agiremos, faremos da morte um circo que o morto se tivesse vivo iria abominar? Cremar, enterrar? Afinal a morte é surpresa para alguém que está vivo e tem apenas esta como a única certeza de sua vida?

Hoje Doughty tem um canal no youtube Ask a Mortician onde continua estas questões sobre a morte e seus desdobramentos sob diversos aspectos. Ela também gerencia uma agência funerária sem fins lucrativos, além de fundar a organização The Order of the Good Death, que defende o enterro natural e abraça a mortalidade humana. From Here to Eternity é seu segundo livro publicado que pretende ser uma jornada de imersão global para compreender como outras culturas cuidam de seus mortos.


O Menino que Desenhava Monstros - Keith Donohue

A mente do ser humano é um labirinto de mistérios, pouco a usamos, e quem a usa de maneira peculiar é tido como fora da regra. Siga o procedimento, estude, case-se e tenha filhos, e claro não se esqueça de ter amigos e ser uma pessoa legal. Qualquer coisa fora da cartilha 'gera' síndromes, patologias e comportamentos perturbadores. O autismo é um modo de existir que foge a essas regras, em seu modo mais severo é pouco compreendido pelo especialistas, em seu modo mais brando, conhecido como Síndrome de Aspenger é mais incômodo ainda porque é o individuo que socializa o suficiente para perturbar, já que ele é capaz de coisas que os ditos normais não são capazes de fazer sem muito esforço. É sobre alguém que trilhou outros caminhos que O Menino que Desenhava Monstros, do autor Keith Donohue, pela Darkside Books, trabalha.

Jack Peter é um menino de dez anos, ele mora com seus pais na casa dos sonhos a beira mar em um pequeno vilarejo na costa do Maine. No inverno o local fica mais isolado do que nunca, e quando este pequeno garoto começa falar e desenhar monstros, seus pais a principio não dão muita atenção, mas quando ruídos inexplicáveis e situações estranhas começam a se acumular começam a perceber que algo ameaçador está lá fora querendo entrar.

Donohue faz sua narrativa em terceira pessoa de maneira perturbadora, são 252 páginas de suspense e expectativa de que algo surja da noite e acabe com a calmaria da família. Muitas são as pistas deixadas ao longo do caminho, e foram muitas as teorias que criei para explicar o que estava acontecendo. No fim parte da conclusão não foi surpresa, existe um episódio do seriado Arquivo X com teoria similar, mas parte foi inesperada e não desvendada por quem vos escreve.

O clima do Maine é propício a boas estórias, Stephen King não a toa mora naquelas terras. E nosso autor em questão soube bem como explorar o isolamento e o frio crescente que o inverno trás consigo. Entretanto o desenrolar dos fatos e ações é um pouco demorado demais, e assim o leitor passa muito tempo em suspenso, na expectativa de que algo aconteça ou se explique.

Em muitos momentos eu fiquei em dúvida se era apenas JP que era o estranho, ou se seus pais também não estavam fora da casinha. As vezes eu achava que ele era o único que conhecia a realidade como era. As vezes atribuía os acontecimentos ao padre e sua governanta. O fato é que passamos páginas e mais páginas tentando compreender afinal quem é o são, e se não estamos enlouquecendo um pouquinho com cada um deles. O teor psicológico é carregado, JP não é só um garoto com Aspenger, é alguém com uma estória de quase morte no passado e desenvolveu como qualquer outra pessoa pode desenvolver, a agorafobia (medo de ficar sozinho em grandes espaços). Seus pais não são só pais de um menino diferente, mas um casal que abriu mão dos sonhos quando o filho precisou mais do que eles podiam dar.


The Kiss of Deception - Crônicas de Amor e Ódio #01 - Mary E. Pearson

Segundo leitura da Darkside, segunda paixão pela edição. Será que só eu paro de ler e fico admirando cada detalhe do livro? Sou apaixonada por esses hardcovers lindos, e não vejo a hora de ter mais e mais rs! O lindo da vez foi The Kiss of Deception, Crônicas de Amor e Ódio #01, da autora Mary E. Pearson, publicado claro pela Darkside Books.

No reino de Morrighan a tradição dita as leis e deveres, a primeira filha da casa real deve se casar com o príncipe de outro reino, Dalbreck, para selar a paz entre eles. Mas Lia tem outros planos, ela não acredita nos deuses, menos ainda na tradição, ela quer se casar por amor, e assim foge no dia de seu casamento.

Entretanto quando ela se retira da equação, as demais peças envolvidas neste jogo político também se movem no tabuleiro, seu ex-futuro marido quer encontrá-la a todo custo para conhecer quem é esta garota destemida que fez o que ele não foi capaz. Ao mesmo tempo um assassino de um reino inimigo, Venda, é mandado para aproveitar a desunião entre os reinos e expandir poder. Quem será o primeiro a encontrá-la? E será que eles serão capazes de lidar com aquilo que não procuram, mas mesmo assim encontram?

Kiss of Deception virou queridinho de muitos leitores, alguns meses atrás era apenas ele quem aparecia em todos os blogs e canais. Mas não entendi porque tanto barulho, a narrativa de Pearson é muito gostosa, se desenvolve com desenvoltura e é cativante, todavia não é um livro genial, menos ainda que mereça favoritar. A narrativa é feita em primeira pessoa  em grande parte por Lia, mas também com capítulos narrados pelo príncipe e o assassino, além de um único com sua amiga, Pauline. O fato de termos a oportunidade de ter a real visão dos sentimentos e objetivos destes personagens permite que saibamos o que eles de fato querem com a Lia, mesmo que seus objetivos em relação aos seus reinos já tenha se delineado.

Lia é a realeza, e todos esperam que ela aja como uma princesa, mas quem espera isso da protagonista se frustra porque ela é uma jovem decidida que não tem medo de sujar as mãos, trabalhar e viver com recursos limitados ou desconforto desde que esteja lutando por sua liberdade e sonho. Falta um pouco de maturidade em suas ações, mas que é compatível com seus apenas dezessete anos, e que acaba também por cobrar seu preço a ela. E devo confessar que muitas vezes fiquei surpresa com a capacidade de adaptação desta menina diante de tudo que aconteceu, ela consegue ter empatia com as pessoas que fizeram mal a ela, e isso é muito nobre!

Rafe e Kaden são o príncipe e o assassino, não necessariamente nesta ordem, porque um dos grandes trunfos do livro é que de repente não sabemos nas narrativas quem é quem, e aos poucos devemos descobrir quem corresponde a cada perfil. Devo dizer que falhei, tinha certeza de quem era o príncipe, mas quando cada um se revelou e errei, foi uma surpresa agradável, mas que não sei se acontecerá com todos leitores.

Quanto a personalidade de ambos podemos dizer que o príncipe assim como Lia não é muito adepto a regras, embora as siga de forma um pouco marginal. Também não queria casar mas faltou coragem para tomar alguma atitude, coragem essa que depois que conhece Lia acaba criando de sobra. O assassino é frio, passa boa parte do seu tempo acreditando que sabe o que tem que ser feito, mas as verdades que construiu para si acabam muito abaladas pela personalidade nada ortodoxa de Lia. Lia tem uma capacidade única de tocar quem a conhece, ela promove muitas mudanças com quem cruza com ela!



Em Algum Lugar nas Estrelas - Clare Vanderpoll


Não é novidade para nenhum leitor que os livros da Darkside Books são obras de arte do ponto de vista gráfico não é? Eu estou começando minha coleção destes lindos hardcover de forma tímida, mas com o objetivo de ter quase todos eles na minha estante. Ainda bem as livrarias virtuais têm contribuído para isso, e minha recente compra deles foi Em Algum Lugar nas Estrelas, da autora Clare Vanderpoll.

Neste volume que está entre as capas mais lindas da minha estante conhecemos a estória do jovem Jack que acabou de perder sua mãe de forma repentina, e é mandado pelo pai do Kansas para o Maine para estudar em um colégio interno para meninos. Tentando compreender os eventos que avassalaram sua rotina, Jack conhece um estranho garoto que não frequenta aulas, Early, que embora seja diferente é muito inteligente e repleto de rotinas peculiares. Juntos eles partem na semana de férias em uma busca pela estória de Pi, ou do urso Apalache, que mais do que um animal grande e perigoso, vai representar o troféu depois de uma jornada interna.

Minha dica para quem deseja ler este livro é não busque compreender esse livro com a razão, ele é um convite a subjetividade e ao coração. Não siga as lógicas conhecidas de uma narrativa feita em primeira pessoa sob o ponto de vista de Jack, quee segue os estágios de dois garotos inocentes que tentam compreender porque a vida tirou deles aquilo que muito de seus colegas têm, suas famílias.

Eu me peguei buscando adjetivos que expressassem o que este livro trabalha, achei tudo muito superficial, nada trás a dimensão do que ele se propõe de maneira tão simples e única. A autora é delicada ao falar de temas tão doloridos como a morte da mãe de Jack que ele ainda não compreendeu e se sente culpado por não poder ter podido evitar; a relação de Jack com seu distante pai militar que assim como ele não soube o que fazer com a morte da esposa; a condição especial de Early de enxergar a vida com sua lente que alguns chamam de autista, e por fim sua busca determinada pelo irmão que todos acreditam ter morrido na guerra na Europa.

Jack cresceu muito próximo de sua mãe já que o pai nos últimos anos estava a serviço distante, assim toda sua referência é sua mãe e suas frases metafóricas que são constantemente usadas como consulta do menino. Quando ele parte com Early ele acredita que está apenas evitando estar sozinho na escola, mas aos poucos ele percebe depois de muito se perguntar que ele também está em uma busca.

Early é dono de uma mente muito poderosa, compreende a matemática de forma diferenciada através de cores e estórias, e vê no Pi uma estória de vida bonita ao mesmo tempo em que faz cálculos extraordinários de cabeça. Mas quando a questão é a vida real sua interpretação do que acontece nem sempre está correta. A inocência é sua marca mais forte, e não abre mão do que acredita muito fácil, aliás é muito difícil alguém convencê-lo do contrário do que pensa. É difícil determinar quando ele está na vida real e quando está perdido na estória de Pi.