Em “Dearly,
Departed”, conhecemos um país pós-apocalíptico, Nova Vitória, no ano de 2187,
em meio a divisão da sociedade entre neovitorianos e punks por meio de combates
e muitas perdas, onde tecnologia e costumes vitorianos andam de mãos dadas.
Por fora das
ações divulgadas à população, existem alguns seres humanos (tanto neovitorianos
quanto punks) que foram infectados por um vírus que leva as pessoas à morte e
logo em seguida trás à vida novamente, eles são os denominados zumbis. Nem
todos os zumbis são pessoas que conseguem raciocinar e viver uma nova
existência normalmente, batalhando para o vírus não ser espalhado em outras
pessoas, alguns apodrecem mais rápido, não tem um grande poder de raciocínio
(ou nenhum) e só querem saber de atacar outros humanos para se alimentarem.
Nora Dearly
é uma destemida garota neovitoriana, que vive em uma escola para meninas,
aprendendo a agir como uma dama, apesar de não concordar com tudo o que é
imposto a ela, já que pensa igual a seu falecido pai, a quem ela sempre
admirou. Bram Griswold é um jovem zumbi e soldado punk, um completo cavalheiro,
que aceita sua nova experiência de viver como tem que ser, com prazo para
terminar. Por causa de algo muito maior do que ela possa imaginar, eles se
encontram, ela é sequestrada e tem que começar a viver entre os mortos-vivos. A
relação entre os dois começa a ser desenvolvida de forma natural e ela encontra
nele seu porto seguro, alguém em quem confiar, já que ele é disposto a tudo
para protegê-la.
Admito que
não sou uma grande fã de zumbis (digo grande fã, mas antes desse título eu não
era fã de maneira nenhuma! Hahaha – Nada contra, apenas não fazia meu estilo),
e também não tinha assim tanto interesse em ler esse livro justamente por causa
desse detalhe. Mas a capa é tão linda, mas tão linda, que eu acabei não
resistindo e indo procurar resenhas dele (a Aninha do True Insights também tem culpa no
cartório! Hahaha) para saber se eu poderia gostar de seu conteúdo. O que eu li
acabou me convencendo, e resolvi começar a leitura. E fico muito grata por essa
decisão, já que a narrativa de Lia Habel é incrível e esse título, com certeza,
entrou para o meu hall de favoritos.
Quem
acompanha minhas resenhas sabe que eu adoro quando o livro é narrado em
primeira pessoa, e por mais de um personagem. O primeiro porque gosto de estar
na mente dos protagonistas para entender exatamente o que eles pensam, e o
motivo que os fazem agir como agem durante a história, e o segundo é porque eu
gosto de ter mais de um ponto de vista, saber como cada um vai reagir em cada
situação, e isso nos aproxima ainda mais da trama. E “Dearly, Departed” une
essas minhas duas preferências já que existem diversos personagens narrando os
capítulos, e eu simplesmente adorei o modo como isso foi utilizado.
Entre os
narradores, temos Nora Dearly (a maior protagonista), Bram Griswold (o melhor
zumbi do livro), Pamela Roe(a melhor amiga de Nora), Wolfe e Victor (esses
últimos dois não vou dizer quem são para não soltar algum spoiler) e a passagem
de um narrador para outro ocorre de forma natural, já que o começo de um
capítulo tem alguma ligação com o final do anterior (pode ser uma continuação,
ou então alguma situação relacionada ao que acabou de acontecer).
A escrita de
Habel me conquistou completamente, ela soube desenvolver um ótimo pano de
fundo, num futuro distante, num mundo pós-apocalíptico, e fez isso com
maestria. Gostei imensamente do encontro entre tecnologia e elementos da era
vitoriana, como carruagens e roupas da época, que é uma característica do Steampunk,
o gênero que está dando o que falar no mundo literário atual.
Todos os personagens
foram bem caracterizados, desde os protagonistas até os coadjuvantes que
apareceram poucas vezes, e tudo de uma forma sutil, mas relevante, o que eu achei
incrível e respeitável, não tinha uma trama que eu não gostasse de acompanhar,
eu só queria mais e mais dessa história. Gostei de como os zumbis foram
apresentados, como eles se relacionam uns com os outros e com as pessoas vivas,
e a dinâmica de suas mortes vidas.
O país é
dividido entre os neovitorianos (que por sua vez são separados por classes
sociais) e os punks, esses últimos rejeitaram a aristocracia que surgiu com o
país se reerguendo e a dependência dos homens em relação às máquinas e,
portanto, acabam sempre criando conflitos. Dá para perceber que a autora sabe muito
de História, e gosta bastante do assunto, para criar diversas particularidades
de forma tão bem feita que até parecem reais.
Apesar de
ser bem extenso, 477 páginas com letras pequenas, a história não é nada
cansativa e os personagens nos envolvem bastante, fazendo com que o leitor
acabe torcendo para que tudo acabe bem (ou não, dependendo de quem está lendo e
o que espera de uma história com zumbis).
A obra toda
é desenvolvida em um período curto de tempo, em alguns casos isso soa meio
ruim, porque parece que as situações, principalmente de romance, são forçadas.
Mas esse não é o caso de “Dearly, Departed”, já que a autora soube conduzir a
história de uma forma bastante satisfatória, que faz com que a gente entenda o
que se passa com os personagens e a passagem de tempo acaba se encaixando
perfeitamente.
Sobre a
parte gráfica do livro, as letras são pequeninas e em cada início de capítulo
há uma caixa com o nome do personagem que está narrando o capítulo em questão.
A arte da capa é linda demais, como eu comentei no início da resenha, mas a iD
não utilizou nenhum recurso diferenciado nessa impressão.
A única
coisa que me incomodou profundamente foi que a edição da editora iD está
repleta de erros gramaticais, o que é muito chato. Não costumo me incomodar
quando um ou outro erro aparece nas leituras, até porque errar é humano e às
vezes alguma coisa passa despercebida, mas nesse caso não tinha como não notar,
devido a grande quantidade de coisas erradas. O negócio é que a editora iD não
costuma apresentar tantos erros em seus livros, então foi uma decepção ver que
não tiveram o cuidado de manter sua qualidade nesse título do qual gostei
tanto, mas vamos torcer para que as próximas edições sejam consertadas.
Recomendo
demais esse título, e acho que ele pode conquistar tanto as meninas quanto os
meninos (e por que não, mulheres e homens?), já que possui elementos para
vários gostos: steampunk, distopia, jovem adulto, zumbis, mundo pós-apocalíptico,
além de mesclar romance e cenas mais tensas na medida certa. Se você busca uma história
bem desenvolvida, que flui maravilhosamente bem, e com inovação na área, então
você acaba de encontrar o que estava procurando.











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