Essa resenha
não apresenta spoilers, nem do volume
anterior.
Em “Emmi e
Leo”, continuamos a acompanhar a história dos personagens que emprestam seus
nomes ao título. Emmi é uma mulher casada com um homem mais velho e mãe dos
filhos do seu marido, que não é muito feliz em sua vida, até que conhece,
através de um e-mail enviado para o destinatário incorreto, Leo Leike, um homem
solteiro e meio misterioso, que saiu de um relacionamento sério há não muito
tempo. Depois da troca inocente de e-mails por parte dos dois, uma amizade
começa a surgir e, a partir dela, alguns sentimentos mais fortes começam a se
desenvolver. Agora, eles estão muito próximos um do outro, mas ao mesmo tempo
estão bem distantes.
No primeiro
volume dessa duologia, “@mor”
(para conferir a resenha, basta clicar no título), vimos essa história dos dois
crescer até chegar a um ponto crítico: se eles se conhecerem pessoalmente, o
que poderia vir a acontecer? Qual o próximo nível que o relacionamento deles
vai alcançar? Ou vai acabar de repente, do mesmo jeito que começou?
Depois de terminar
o primeiro livro com um final daqueles, onde a história acaba justamente no
ápice, deixando o leitor super curioso para saber o que vem em seguida, esse
segundo volume começa como se fosse uma continuação da última cena do anterior,
mas só que depois de três semanas, e essa passagem de tempo é bem comum em toda
a história, tanto no primeiro, como nesse livro, já que entre um e-mail e outro
podem se passar apenas segundos, minutos, dias, meses, etc.
Já tinha
gostado do primeiro volume, mas gostei ainda mais do segundo. Ambos os
protagonistas estão na faixa dos 30 anos, e por isso esse romance é adulto, não
tem cenas fortes, só há insinuação de sexo. Mas a história dos dois é bem fofa,
em minha opinião. Apesar disso, a relação dos dois é bem madura e está mais
intensa e mais emocional nesse volume.
Acho que
esse livro passa muita realidade por suas páginas, porque acredito que esse
caminho que eles estão passando no momento da leitura, seja para onde os
sentimentos seguem normalmente, se isso acontecesse fora das páginas. Imagino
que os sentimentos sejam assim, a agonia de querer estar junto sem poder fazer
muita coisa para mudar isso, o medo de que você não consiga deixar sua relação
de carne e osso para trás para investir em algo que até o momento era virtual,
mesmo que tenha sentimentos envolvidos, o receio de que se ficarem juntos não
dê certo, aquela preocupação por não saber se o outro é exatamente o que diz
ser, e se tudo o que diz é verdadeiro ou não.
Essa é uma
leitura bem dinâmica e rápida, inclusive porque o relacionamento dos dois é
todo apresentado através de e-mails, então nós só podemos acompanhar o que eles
conversam entre si, seus sentimentos, anseios, etc., apenas o que um quer que o
outro saiba a seu respeito, nunca o que sentem fora daquele contato, ou seus
pensamentos sozinhos, aquele tipo de coisa que guardamos só para nós mesmos, ou
até aqueles que conversamos com alguma pessoa que tenha uma importância
diferente em nossa vida, como por exemplo algo que conversaríamos com nossos
amigos. O que sempre acaba dando para passar aquela dúvida se tudo o que um
fala para o outro é real.
Adoro a
narrativa de Daniel Glattauer, e mesmo que não possamos acompanhar a cena
exatamente quando ela ocorre, ele consegue dar um jeito de fazer com que o modo
que os personagens conversam sobre aquilo posteriormente nos leve de volta àqueles
momentos como se realmente pudéssemos assisti-los quando aconteceu, só que de
uma forma indireta. Além disso, por mais que falar por computador não traga
aquela sensação real de como a pessoa está falando, por exemplo, se está
sorrindo, ou chateado, etc., o autor soube colocar muito sentimento em suas
palavras, então é impossível não sentir junto com os personagens.
Os
protagonistas são bem cativantes. Adoro a Emmi e o Leo, mas ele é meu
preferido. Suas personalidades continuam iguais, com suas particularidades, tão
diferentes um do outro, mas há um amadurecimento de ambos, e também conhecemos
mais da intimidade deles. Coisas que eu acho necessário em uma história como
essa. E, mesmo que possa incomodar algumas pessoas o modo como eles agem nesse
volume, isso não aconteceu comigo, eu consegui entender seus comportamentos a
partir de seus sentimentos e anseios.
Há também
toda aquela questão da ansiedade, positiva, com a espera gostosa até
outro entrar em contato, ao mesmo tempo em que é agoniante, já que não dá para
saber se o outro vai sumir do nada, e não pode acompanhar a vida dele da forma
como realmente gostaria, se conhecendo pessoalmente e se tocando, por exemplo.
Só acho que
o livro acabou deixando um gostinho de quero muito mais, queria saber o que ia
acontecer em seguida, como que o relacionamento deles ficou após terminar a
última página. E, se o autor fosse escrever mais, eu iria ler com toda a
certeza.
Nas mãos,
esse livro parece maior do que o anterior, mas tem menos páginas, só 167 contra
184. Isso se deve ao ótimo trabalho de impressão da editora, com folhas
amareladas mais grossas, de um material muito bom. A diagramação é simples, mas
muito bem feita. A capa teve um novo projeto gráfico e está maravilhosa, além
de completar a anterior quando colocadas uma ao lado da outra, como visto no
final do post.
Indico a
leitura dessa duologia para aqueles que buscam uma deliciosa história de duas
pessoas que se conhecem de uma forma bem comum nos dias de hoje, a internet, e
passam a desenvolver sentimentos e, consequentemente, uma história de amor
deliciosa de ser acompanhada, leve, divertida, misteriosa e fofa.
Avaliação












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