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Enfim, a felicidade – Eduardo França


Em “Enfim, a felicidade” acompanhamos a vida de Beth, uma jovem senhora enfermeira, que vive em função de ajudar o próximo, principalmente sua família. Ela era uma mulher bem casada (pelo menos acreditava que sim) há mais de vinte anos, tinha dois filhos e os amava incondicionalmente. Sendo assim, ela se sentia feliz com sua família “perfeita”.
Até que alguns fatos ocorrem, fazendo com que ela se veja sozinha, sem saber como agir, procurando apoio dessa mesma família que ela sempre amou e ajudou. Mas seu marido a tinha traído e seus filhos se afastaram dela, cada um com seu problema, e sua mãe era bem egoísta com Beth, deixando-a sem amparos, tendo que buscar apoio com sua prima mediúnica.
Com a ajuda de sua prima, Beth acaba percebendo que tudo o que lhe foi tirado era o que trazia a sua infelicidade, portanto a felicidade passa a ser vista e aceita de outra maneira, provando que nosso espírito está em eterno progresso. Se estamos aqui devemos ter calma, pois nada nos é dado em vão e sim para nossa evolução espiritual.
Toda trama se passa em volta de determinadas situações (não posso explicar exatamente quais são elas, pois seria spoiler, mas quem ler vai saber) relacionadas ao seu casamento e seus sentimentos, e seu envolvimento com as outras pessoas, que só terão um melhor desfecho quase que no final do livro. Me incomodei um pouco com essa demora, porque parece que Beth vivia mais a vida dos outros do que a sua própria, e senti falta disso, inclusive eu queria que tivesse mais romance  girando em torno dela.
Gostei da protagonista Beth, por ser uma pessoa de bem com a vida e ter um bom caráter, porém ao mesmo tempo a achei um pouco ingênua e as pessoas muitas vezes aproveitam dessa sua ingenuidade para usá-la em determinadas situações. Mas o que não gostei mesmo é que ela nunca dá muita importância a sua felicidade, sempre pensa nos outros antes mesmo de pensar em si e isso faz com que se afaste dos seus próprios problemas, o que acho que acabou a prejudicando demais. Aprendi uma vez com um professor que podemos amar o nosso próximo, mas devemos nos amar em primeiro lugar para podermos seguir em frente sem atrapalharmos nossos ideais, e acho que foi exatamente isso que faltou em Beth.
Só no capítulo 29, sendo que o livro acaba no 32, é que vamos entender as vidas que são entrelaçadas no passado e é quando a parte espiritual surge para explicar o porquê dessas ligações, ficando mais evidente os encontros de vidas passadas entre os familiares, amigos e inimigos.
Um ponto negativo é que a trama em si não cria uma conexão muito forte com o leitor, é uma história simples com uma narrativa não muito complexa e o envolvimento espiritual não é tão intenso como se espera em um livro espírita. Acredito que tenha faltado mais profundidade nesse aspecto.
A parte gráfica está muito bem feita. A capa é linda e apesar de não ter muito a ver com a história do livro, e me chamou bastante atenção, e há verniz localizado no sapato. As páginas são brancas o que incomoda muita gente, mas não ligo. A fonte é bem grande e o espaçamento deixa a leitura bem confortável. Cada começo de capítulo tem a imagem de um batom, e o título tem tudo a ver com a trama, mas você só vai entendê-lo quase no final da leitura.
Gostei muita da história de “Enfim a felicidade”, mas se tivesse que indicar uma leitura para conhecer o trabalho do autor, diria para começar com “A escolha”, que é um livro lindo que me encantou muito e já teve resenha no blog, se quiser conferir é só clicar no título.
E, apesar de esse não ser o melhor livro do autor que li, gostei dessa obra e indico a leitura para quem gosta de romances com um toque de espiritualidade.
Avaliação



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