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Fique Onde Está e Então Corra - John Boyne

Eu não sei como alguns autores conseguem manter a qualidade em todos os seus livros, conseguindo atrair até quando escrevem uma bula de remédio! Na leitura do meu sétimo livro do autor John Boyne, Fique Onde Está e Então Corra, publicado pelo selo Seguinte não foi diferente dos demais livros do autor, me arrebatou!

O aniversário de cinco anos de Alfie Summerfield ficou marcado para sempre em sua vida, enquanto ele fazia aniversário começava também a primeira guerra mundial, e poucas pessoas compareceram a sua festa. O maior choque se deu quando seu pai se alistou e partiu para batalha. E depois de alguns anos o garoto parou de receber as cartas do pai. Quando ele já acreditava que ele estava morto, Alfie descobre o paradeiro do pai e parte em uma missão secreta de resgate.

Eu ainda não sei como Boyne consegue através da sua narrativa de forma consecutiva narrar estórias tão densas, tristes e profundas com uma mão tão leve e realista, como é o caso desta obra que tem sua narrativa sob a ótica do pequeno Alfie. Com uma lente de esperança e inocência o autor consegue narrar em detalhes o dia a dia de quem viveu em Londres durante a guerra, como o papel das mulheres que ficaram e tiveram que trabalhar e mesmo assim não conseguiam comprar comida, dos homens que se negaram a lutar e foram hostilizados pela população, assim como dos soldados que voltaram, e que além de seus machucados físicos desenvolveram neuroses de guerra.

Alfie é apaixonado por livros, mesmo quando ele apenas tinha lido sucessivas vezes Robinson Crusoé. Muito inteligente e perspicaz, ele conseguia com muita facilidade entender aquilo que não era dito pelos adultos através da observação. E mesmo aquelas coisas que ele não compreendia ele era capaz de sentir com sua intuição. Com objetivos muito honestos e ingênuos, mesmo quando tinha ações perigosas, o jovem desperta uma enorme empatia no leitor diante do tamanho de sua coragem.

Nas primeiras páginas quando Alfie ainda tinha apenas cinco anos, Boyne conseguiu transmitir com riqueza de detalhes o pensamento de uma criança diante da realidade, como a falta de noção da passagem do tempo, achando que pessoas com vinte anos eram muito velhas.

"Georgie e Margie eram muito velhos quando se casaram - disso Alfie sabia. Seu pai tinha quase vinte e um e sua mãe era apenas um ano mais nova. Alfie achava difícil imaginar como seria ter vinte e um. Pensava que seria difícil escutar as coisas e que a vista ficaria um pouco enevoada" (Pág. 14)

Como complemento a realidade temos alguns vizinhos do jovem com características distintas que trazem outros dados a estória, como o melhor amigo do pai que não foi a guerra, um pai e uma filha (que é melhor amiga de Alfie) que são levados para as Ilhas Man por parecerem alemães, e as diversas mulheres que aguardavam diariamente que nenhum militar as procurasse com a notícia da morte de seus entes queridos.