
"Eu conheci alguém que mudou tudo. Matthias. O anjo da guarda da minha irmã autista. Honesto. Inspirador. Engraçado. Lindo. E imortal. Havia um problema.
O que eu poderia fazer? Eu fiz o que qualquer outra garota faria: me apaixonei por ele. A irmã de Zoe se atira nas frentes dos carros. Seu irmão é um viciado. Seus pais são tão sobrecarregados que não conseguem notar Zoe em sua vida perdida. E ela escapa da única maneira que sabe: caindo em todas as noitadas que conhece. Matthias, um guardião enviado do céu, toma conta de sua irmã autista.
Depois que Zoe se convence de que ele é legítimo, anjo e garota errante se unem em um amor que modifica o destino. Mas o Paraíso na Terra não pode durar para sempre."
A trilogia carrega o narrador-personagem como foco narrativo - na minha opinião, o jeito mais pessoal e intenso de se narrar uma história.
Minha curiosidade diante da série foi despertada desde o início, uma vez que a Jennifer Laurens afirmou na entrevista que fizemos com ela para o House, que Heavenly tinha um tom inteiramente pessoal e que as vozes dos livros foram carregadas de emoções pesadas e realidade, por tratar-se, de fato, de uma história real - sua própria história. Isso não só aguçou minha curiosidade como leitora como também chamou minha atenção para o modo como essa realidade profundamente íntima seria conduzida no papel. Foi o suficiente para eu iniciar a minha aventura pelo universo extensamente evolutivo de Zoe.
A Jennifer tem 6 filhos sendo que a maioria já passou da adolescência - ou está nela -, essa convivência com adolescentes faz com que ela tenha uma visão ampla do universo deles. Isso fica em bastante evidência nos livros; na maneira de falar, agir, escrever dos personagens.
Sob uma perspectiva real, Heavenly retrata o drama de uma família lutando para que, principalmente, o amor e a união sobreponham as dificuldades adquiridas em maior parte pela convivência com uma criança autista. Temos uma visão de como cada membro da família vem reagindo ao decorrer dos anos com esse quadro familiar: cada um reage de uma forma, cada um escapa como pode.
Com toda a certeza, superou minhas expectativas. Em alguns momentos temi em pensar que teria mais uma boa dose de 'anjo-humana-amor impossível-de repente possível' com acordes ocos irreversíveis que oscilariam entre a sede pelo tema exposto e o piloto-automático, como aconteceu com outros livros de Anjos que li.
Mas me enganei. Não foi assim. E é importante ressaltar a maravilha que é comprovar por si próprio que existe saída (esperança e consciência renovada de que o diferencial dentro do ordinário existe, SIM), mesmo quando vivemos nesse período febril onde autores de diferentes estilos resolvem agir por intermédio de outros, e seguem numa mesma linha como se essa fosse a única. Mesmo quando achamos que já vimos/ouvimos/lemos de tudo.
Quero esclarecer uma coisa: escrever é arte, filosofia, liberdade, benção e revolução. Por conta disso, e pelo fato incontestável de eu sentir essa aclamação ferir minha pele por sua simples veracidade, eu continuarei sem criticar a fundo o jeito único e especial que cada escritor possui ao desenvolver sua história mágica.
Porque, para mim, toda história é mágica.
Se eu decidisse avaliar com precisão absolutamente cada passo de um autor, então seria de se esperar que todos eles obtivessem um grande reconhecimento com notas máximas.
Assim, o que posso fazer é opinar sobre a obra e seu conteúdo; o desenrolar da trama, se a história funcionou ou não para mim, se os personagens se entrosaram, quais pontos expuseram determinadas sensações e conflitos em meu interior. Como são três livros, portanto três resenhas, eu vou comentando sobre os personagens bem aos pouquinhos.
E, expondo meramente a minha opinião, afirmo que, se vocês estão esperando uma protagonista ingênua e apática como a Bella de Crepúsculo ou insegura e pouquíssimo autossuficiente como, por exemplo, a Mia Thermopolis de O Diário da Princesa, podem ir parando por aí. Zoe não é a garota mais recatada, mais inibida nem a mais desajeitada. Menos ainda uma excluída socialmente. Pelo contrário.
Possui muitos amigos, muita popularidade e, é claro, muitos conflitos também. Ela percebe que está cada vez mais e mais despedaçada dentro da vida que leva, mas quando menos espera, o destino entra em cena e muda tudo...
Finalmente posso deslizar meus dedos pelo teclado para recomendar. E, sim, recomendo.
Tive uma leitura rápida, prazerosa e regada a entusiasmos e momentos de ansiedade. Sem mencionar aquele arrepio na espinha em uma parte em especial...
Calma, calma! Não vou dizer mais nada!
Enfim, recomendo para quem gosta de histórias de anjo e mais ainda pra quem se decepcionou com todas as outras - pois foi o único que conseguiu prender minha atenção.
E, a grande notícia é que a Novo Século comprou os direitos da série, então - apesar de não ter ainda uma data exata para seu lançamento - num futuro não muito distante, teremos Heavenly nas prateleiras nacionais!
Avaliação:


















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