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O Pessegueiro – Sarah Addison Allen

Nessa deliciosa história escrita por Sarah Addison Allen podemos acompanhar alguns personagens que tem em média trinta anos de idade na bela cidadezinha Walls of Water. Entre eles há Willa Jackson, uma mulher que atualmente é proprietária de uma loja de artigos esportistas com um café, e que de volta à época do colégio era conhecida por aprontar diversos trotes anonimamente, até resolver fazer um épico para mostrar que era ela a responsável por todas aquelas brincadeiras. Ela havia saído de Walls of Water para fazer faculdade, mas depois acabou retornando à cidade em busca de uma vida mais sossegada, que era o desejo de seu pai. Sua família foi a responsável pela construção da mansão Blue Ridge Madam, mas quando eles foram à falência, também perderam a casa. A avó de Willa continuou morando no local por muitos anos ainda, mas como empregada da nova família proprietária.
Do outro lado conhecemos Paxton Osgood, que sempre teva a fama de certinha, que faz tudo de maneira impecável e tem uma vida perfeita - pelo menos é essa a aparência que ela passa aos outros, mas ela ainda mora com os pais e atualmente é apaixonada por seu melhor amigo e confidente, o relacionamento deles poderia mudar de status, a não ser pelo fato de ele ser gay. A família dela foi quem comprou a mansão Blue Ridge Madam, que agora vai ser reformada graças à Paxton, que pretende fazer um baile para comemorar os 75 anos do Clube Social Feminino, do qual ela atualmente é presidente, e que foi fundado por sua avó, a de Willa e mais duas meninas, quando elas eram bem jovens.
Além dessas duas protagonistas, há um grande destaque para outros dois personagens que estudaram no mesmo colégio que ambas e depois saíram da cidade: Colin Osgood e Sebastian Rogers. Colin é o irmão de Pax e virou arquiteto paisagista e, por conta de sua profissão, vive viajando, detalhe que desperta certa inveja e muita saudade em Pax. Ele sempre admirou Willa e sua fama de piadista, e agora, já que está de passagem pela cidade para ajudar no paisagismo da mansão a pedido de sua irmã, ele resolve tentar fazer Willa sair de sua quietude para voltar a curtir a vida como fazia quando era mais nova. Já Sebastian é um dentista que retornou para a cidade para ficar com o consultório de outro dentista que estava se aposentando. Quando mais novo ele passou diversas dificuldades naquele lugar e nunca se sentiu tão bem lá. Ele logo se aproxima de Pax, que o vê como seu porto seguro, seu conforto e é por ele que ela tem sentimentos conflitantes, já que gosta dele, mas não sabe se é recíproco, porque o viu beijar um garoto na adolescência.
Com o baile chegando, Pax convida Willa para que possa fazer uma homenagem à sua avó durante a comemoração. É por causa dessa reforma que as vidas de todos os personagens acabam se interligando de uma forma que nenhum deles poderia prever.
Já queria ler algo dessa autora há algum tempo, inclusive tenho na minha estante o livro “A Garota que Perseguiu a Lua” (para ler a resenha escrita pela Bruna, colunista aqui no blog, clique no título), mas ainda não tinha tido a oportunidade de ler. Quando soube que a Editora Planeta iria lançar “O Pessegueiro”, decidi que iria conhecer o trabalho de Sarah através desse livro. Estava com altas expectativas e posso afirmar que, além de alcançadas, elas foram superadas. Eu amei sua narrativa, sua forma de conduzir a história, seus personagens super cativantes, o cenário, e todo aquele clima de algo sobrenatural por trás de uma história com uma trama bem próxima da realidade. Com certeza quero ler todos os outros livros dela.
Como puderam perceber anteriormente, essa história apresenta a história de amor de dois casais ao mesmo tempo, paralelamente, cujas relações foram desenvolvidas gradativamente, Willa e Colin e Pax e Sebastian, que são bem diferentes entre si. Como uma boa adoradora de romances, claro que gostei de ambos e me apaixonei por eles e por suas lindas histórias juntos, que me fizeram suspirar do começo ao fim, mas nutri um carinho mais especial por Willa e Colin, achei eles tão fofos juntos, e também curti mais suas personalidades.
Gostei muito das construções dos personagens e de como a autora os apresentou na trama, devagar, mas com riqueza e sem soar chato. Além disso, todos passam aquele ar de realidade, mostram que não são perfeitos, têm problemas, são inseguros, guardam segredos, mas vivem um dia após o outro, buscando a felicidade. O crescimento de todos eles também é bem evidente, e podemos dizer que o ponto inicial para isso ocorrer foi a interação entre eles, principalmente ao que diz respeito os casais.
Além dos principais, podemos conhecer outros personagens secundários que têm grande importância na trama, com destaque para as avós Georgie e Agatha, que trazem em seus passados segredos muito importantes para o presente dos protagonistas, Rachel, a amiga que trabalha na cafeteria da loja de Willa e que tem uma personalidade incrível e divertida, e os Osgood, pais de Pax e Colin, que são exigentes em relação à filha.
Com capítulos curtos, o livro é narrado em terceira pessoa, mudando o foco do personagem o tempo todo, mesmo durante o capítulo. Mas não achem que isso torna o livro difícil de entender ou embolado, pelo contrário, serve apenas para nos apresentar as histórias se entrelaçando de uma maneira espetacular e muito bem construída.
A narrativa ocorre sem pressa e tudo acontece no tempo certo, mas não é nada lenta, é bem fluída e gostosa de ser acompanhada, você pode ler vários capítulos sem se cansar e sem perceber, tão boa é a forma de escrita da autora, que nos envolve e cativa mais a cada virada de página.  O cenário também foi bem apresentado e me peguei desejando que a cidade Walls of Water não fosse apenas fictícia para que eu pudesse visitá-la um dia.
Sobre o toque de magia, ele é sutil e ligado ao passado, e é bem diferente do que eu poderia imaginar antes de começar a leitura, mas gostei. Falando sobre o passado, me surpreendi porque pudemos realmente conhecer o que aconteceu naquela época, o que eu achei que seria deixado só para a imaginação do leitor, então muitos pontos positivos para a autora.
A capa original foi mantida, o que eu achei ótimo, já que ela é maravilhosa! Esse título, por ser tão simples, é intrigante e tem tudo a ver com o conteúdo, gostei demais. A versão impressa está linda, com título e nome da autora em dourado, dando um toque a mais de beleza. A diagramação está muito bem feita, com fonte em ótimo tamanho e espaçamento, além de em todo início de capítulo ter uma ilustração em preto e branco de flores de pessegueiro, e uma diagramação diferente, com as frases dando impressão de movimentação. As páginas são amareladas, facilitando a leitura por mais tempo.
Para aquelas pessoas que não aguentam mais séries, um ponto positivo, já que essa história não tem continuação, é um livro único.

Com uma história encantadora e cativante, repleta de sensibilidade, recheada de segredos que acabam vindo à tona, com amizade, companheirismo e romance na medida certa para fazer qualquer leitor se apaixonar, um toque de mistério e magia, e uma jornada em busca de autoconhecimento e felicidade, Sarah Addison Allen está de parabéns e definitivamente entrou para a minha lista de escritoras queridas.
Avaliação



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