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Era uma vez... Eu!


A história de “Era uma vez... Eu!” é uma reflexão sobre uma coisa que está sempre presente em nossas vidas, não importa posição social, emprego, riqueza ou pobreza, raça, idade, etc.: o lixo.
Este livro é baseado em um projeto de Maurício Carneiro e Beo Silva, que em 2010 construíram uma performance teatral, que “abordava a trajetória de uma “criatura” nascida fora do mundo social, seu amigo, o “urubu”, e um viajante, o “homem”. Em 2012 a performance denominada Corpo – Lixo da Alma, foi apresentada em um festival teatral, e incluía versos de Paulo Lins, que se baseou na sinopse e nos personagens para criar um texto de efeito que refletisse tudo o que eles gostariam que fosse transmitido.

Maurício (uma curiosidade é que as ilustrações de figurinos da série de filmes Harry Potter foram feitas por ele) também é responsável pelo conceito visual e foi ele quem começou os esboços das ilustrações e finalizou texturas e cores no Photoshop. 


Seu intuito era que essas imagens traduzissem a dramaticidade da história e com certeza ele teve êxito, já que as ilustrações são o complemento necessário para dar o tom certo que o texto precisava. Mas foi Eduardo Lima quem conseguiu traduzir a ideia de Maurício para uma proposta visual elegante com o intuito de cativar o olhar do leitor.

Mesmo que pareça, não acho que esse livro deva ser lido por crianças pequenas, simplesmente pelo fato de que não entenderão os textos da obra, que foram feitos através de versos mais rebuscados, desenvolvidos para que um leitor mais experiente consiga lê-los e refletir sobre tudo o que foi dito ali, afinal é uma obra com um tema sério, narrado através de uma narrativa muito poética.

A leitura é muito rápida, você com certeza não vai passar mais do que alguns minutos lendo, pois os textos são curtos, não passa de três frases por folha, e o livro é bem fino, com apenas 64 páginas.

Antes da história em si começar, há um texto de Beo denominado “Impermanência e durabilidade no mundo de homens e coisas”, e antes do término do livro, mas depois de finalizada a história, há pequenos trechos sobre qual foi a parcela que cada um dos quatro envolvidos teve neste projeto, e ainda fala um pouco sobre suas carreiras.

Esta edição, que foi publicada pela Editora Planeta, está primorosa. A começar pela capa dura, e de ótima qualidade, passando pelas páginas em papel couché (aquele tipo folha de revista, só que grosso), a fonte utilizada, que casou muito bem com as ilustrações e com a proposta do livro, e as cores escolhidas, chegando ao formato, que com seus 28x21cm, faz com que a obra chame a atenção, se destacando facilmente em livrarias, por exemplo.

Essa é uma bela obra e tem uma proposta realmente muito interessante, mas não é exatamente o meu estilo preferido de leitura, então não consegui aproveitá-lo da maneira correta. Mas recomendo para aqueles que, após lerem a resenha, sentiram que vão curtir a leitura de uma forma melhor do que eu.