
Na cidade inglesa litorânea de
Brighton três mulheres com diferentes estórias se mudaram para o mesmo
apartamento elegante. Nenhuma delas se conhece, mas todas estão no mesmo
processo de recomeçar, seja por relacionamentos perdidos, seja por um emprego
do namorado ou por um luto. Todas elas estão perdidas quanto seus lugares no
mundo, mas quando suas jornadas convergem seus lugares ao sol começam a ser
trilhados.
Rosa já é bem sucedida em Londres
e estava em um relacionamento que a satisfazia até esbarrar em um segredo que a
faz mudar não só de cidade como de carreira. Seu segredo no entanto embora
demore a ser dito com todas as letras logo fica claro para quem lê, e sua
mudança de carreira foi o modo como ela conseguiu se sentir útil ao mundo e
sublimar o que aconteceu. Seus trechos no restaurante são terríveis já que ela
possui um péssimo chefe, e senti falta de maior descrição dos alimentos que
rondam a personagem. Normalmente quando um protagonista se envolve com comida a
fome é despertada, não foi esse o caso.
Georgie é uma jovem que mora com
o namorado até que ele resolve passar seis meses no Sul para um projeto de
arquitetura. Meio que sem convite ela segue junto com o namorado, e se vê sem
emprego ou dinheiro em um lugar que não conhece ninguém. Um pouco impulsiva ela
parte em busca de um trabalho que sonhava em ter, escrever para uma revista, e
para tanto acaba sendo desleal com quem ama. Não me entrou na cabeça como ela
teve tantas falhas com o namorado! Eu só pensava: "não fala com ele, isso
vai terminar mal!".
Por fim conhecemos Charlotte que
marcada por um tragédia tenta recomeçar. Seus capítulos são os mais tristes,
mas ao mesmo tempo alguns dos trechos mais legais por conta de sua vizinha
idosa Margoth que com um espírito aventureiro e despojado guia Charlotte para
caminhos que jamais imaginou.
A narrativa em terceira pessoa
alterna capítulos focados em cada uma das personagens, até o ponto em que elas
se conhecem e passam a aparecer nos capítulos uma das outras. A estória se
desenrola de forma rápida, mas muito previsível, não tem surpresa em momento
algum. A autora não tem um jeito envolvente de escrever, embora até diga como
um lugar é, não o faz de forma a envolver e nos fazer querer conhecer o lugar.
Quando um personagem surge fica
logo evidente seu papel e como ele termina na trama. Isso foi um pouco
frustrante, e acabou com qualquer possibilidade de densidade. Isso porque o
livro tem uma atmosfera marcante de chick-lit mesmo com temas mais densos, e
estes temas nunca se aprofundam o suficiente para serem dramas, ou ainda trazerem
algum mistério para prender. Tudo é como esperado.
A amizade das três mulheres é
pouco explorada, e tudo se torna flores muito rápido. Elas demoram a se
conhecer, e quando o fazem tudo está caindo, mas de repente tudo se resolve, e
todo mundo se adora. Isso soou um pouco forçado, e fez falta um pouco de
desenvolvimento. Uma amizade se constrói aos poucos, e poderia ter começado
logo nas primeiras páginas do livro.
A Casa dos Novos Começos é sobre
novos começos, mas para quem já é leitora assíduo pode soar como casa dos
clichês, onde todos terminam felizes para sempre após as dificuldades da vida.
Avaliação


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