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A Última Chance - Marcelo Cezar


“Esta história nos fala da saga de homossexuais em busca de sua identidade perdida” Luiz Gasparetto.
Porque começamos a narrar o que lemos através dessas palavras de Luiz Gasparetto? Você irá me perguntar isso. Eu vou tentar responder com o que li e senti nesse livro muito bonito, cheio de dúvidas, receios e descobertas...
Ele nos conta histórias em separado que serão interligadas no futuro. Muito bem escritas e desenvolvidas de forma suave, mas com sinceridade a respeito do que se passa na vida de homossexuais.
Sabemos que não é de hoje o preconceito que o ser humano tem perante as diversas coisas, e diversas pessoas. Muitas vezes não queremos acreditar que essas maneiras de ver a vida vêm de muito tempo atrás e até hoje ainda existam. Parece que vidas vão, vidas vêm, mas as parcelas dos seus preconceitos são eternas. Por isso temos a chance de retornarmos várias vezes, pois somos todos imperfeitos a procura da perfeição, mesmo não acreditando nisto existem laços de famílias, amigos que nunca são destruídos.
Vemos que um dos casos do livro gira em torno de um jovem rapaz de nome Roberto que, desde mais tenra idade, sofreu muito com o preconceito do pai Otavio. Quando nasceu foi um temporão, viera inesperadamente. Seu pai quis que sua mãe, Helena, o abortasse, mas como era muito religiosa não quis. Helena então encorajava Otavio, dizendo que poderia vir um menino que ele poderia levar ao futebol, etc.
Roberto (Beto) nasceu um bebê sadio, muito bonito. Logo Otávio se encantou pelo filho. Todos os cercavam de muito amor, até mesmo seus irmãos que o amavam muito. A vida seguia um curso normal.
Ao completar dois anos o menino começou a brincar com a boneca da irmã. O pai começou a achar esquisito, mesmo com todo amor que sentia, achou aquilo “o fim da picada”.
Daí em diante começa o sofrimento dessa criança. O amor pareceu se esgotar e o pai passa a maltratá-lo e a rejeitá-lo. Na adolescência, os colegas de escola batiam nele e o chamavam de viadinho. Está instalado o preconceito.A partir daí que vemos um do tantos preconceitos que a sociedade ainda enfrenta fortemente.
Uma outra história passa a se interlaçar à de Roberto, um outro jovem cuja a aparência de heterossexual, dava aula e não demonstrava sua homossexualidade na escola com medo de perder o seu emprego. Sergio (o nome dele) gostava de namorar firme outros rapazes, mas era difícil algo sério com quem só queria fazer sexo com ele e o abandonava depois. Viveu sempre se escondendo atrás da sua própria fachada. Ele tinha um grande amigo, Claudio, que também era homossexual, mas sua cabeça era bem centrada, realista, não gostava de ficar se relacionando à toa. Não estava à procura de um par perfeito.
Aos dezessete anos assumiu a sua sexualidade de forma triste e dolorosa. Ele foi criado em Maringá-Paraná e seus pais eram caseiros, gostavam de filmes. Certa vez, ao ver uma fita descobriu que apreciava homens, quando se sentia atraído pelos galãs dos filmes e não pelas atrizes.
O vizinho do sítio o olhava diferente, começou então a paquera e logo depois o sexo. Sérgio foi flagrado pelo pai, levou uma sura e foi expulso de casa. Sua mãe sempre desconfiou da tendência do filho, mas, penalizada, lhe deu dinheiro para o trem e a refeição e o endereço de uma prima. Vou parar por aqui nessa parte para você ler e dar continuidade à história.
Já estou contando o começo de duas vidas que também amam, sofrem. Vivem intensamente, passam por momentos muito difíceis como ocorre com a maioria dos homossexuais.
Principalmente naquele época, que muitos morreram devido à AIDS, a loucura que a vida impunha a eles.
É um livro muito forte, fiquei em muitos trechos chocada, mas pude entender com mais clareza que a vida sempre nos reserva o que é de melhor.
Preconceitos ainda existem em abundância, infelizmente, mas quantos sofrimentos o ser humano passa para chegar aonde quer, independente da escolha sexual, de ser gay ou não.
Sejamos confiantes, pois isso é chamado de vida. O legal desse livro é que alguns personagens, mesmo passando por muito sofrimento, conseguiram alguns alcançar seus objetivos. O livro é muito extenso e, como disse anteriormente, narra várias histórias que no final são unidas em um só destino.
Leiam, vale a pena. Recomendo bastante, e talvez vocês entendam, através dele, porque estamos aqui, por que viemos e por que vamos.
Avaliação