Não existe
nada melhor do que ler um livro que lhe permite mergulhar em um universo
completamente diferente do seu, onde você se perde e esquece que existe uma
vida além daquela escrita no livro. São poucos os livros que nos permitem isso,
em geral todos os livros querem ficar aos arredores dos adolescentes e o
universo americano, uma pena por sinal.
Reflexões a
parte, a resenha de hoje é sobre um livro que me permitiu sublimar alegremente,
A Aprendiz, sequência de “O Clã dos Magos” (para ler a resenha, clique no
título) e segundo livro da Trilogia do Mago Negro, escrito pela autora Trudi
Canavan, pela editora Novo Conceito. Nele voltamos a acompanhar a história de
Sonea, uma adolescente que cresceu nas favelas e foi descoberta com potencial
para magia depois de um acidente inesperado.
Neste volume
da série acompanhamos o dia a dia na universidade dos magos de Sonea, e seus
problemas com os demais aprendizes. Será ela capaz de se proteger de um inimigo
tão poderoso e próximo? Lorde Dannyl, agora promovido a embaixador, é mandado
para Elyne, onde, entre suas tarefas como representante do clã, deve pesquisar
sobre o passado do Lorde Supremo.
Fui breve na
descrição do livro para evitar spoilers, espero ter conseguido não revelar
nenhum detalhe a cerca da trama, visto que tudo que se desenvolve neste livro é
resultado das descobertas do primeiro livro. As tramas políticas são fortes e
manipuladas pelo vilão, que está em toda parte e ouve tudo ao seu redor. Isso
traz uma agonia enorme, porque a todo momento acreditamos que ele sabe o que
Sone, Dannyl e Rothen fazem.
A ação não é
o forte do livro, mas mesmo assim os acontecimentos que se desenrolam e se
encaixam prendem a atenção. O azar que a pobre Sonea tem é sem fim, e a
novidade, além de seu rápido desenvolvimento mágico, é que seu coração é
despertado por alguém que surge como um bálsamo em sua vida, mas já aviso não
há foco nesta relação e nem nada romântico.
A narrativa
é feita em terceira pessoa, em boa parte sob o ponto de vista de Sonea. Existem
diversos trechos nos capítulos que são sob o ponto de vista de Dannyl em suas
buscas, e devo dizer é uma parte muito divertida, ao mesmo tempo em que
trabalha um assunto que ainda desperta preconceito (não posso dizer o que é,
seria spoiler =P).
Sonea
continua sendo uma garota forte que aceita calada tudo que é preciso para se
tornar uma maga e para proteger quem ama. Seu colega de sala Regin é
insuportavelmente cruel com ela, e mesmo assim ela segue firme tentando evitar
confrontos com o mesmo. Ela começa a perceber que não só tem poder, como parece
ter mais poder do que a maioria dos magos, mesmo assim ela não cresce em cima
disso, apenas tenta usar da melhor maneira sua força para se proteger.
Dannyl,
mesmo à distância, revela mais a cerca de si mesmo, como os problemas que teve
como aprendiz no clã. Essas revelações são bastante trabalhadas. As viagens que
ele faz para saber mais sobre as pesquisas do Lorde Supremo são detalhadas e
deliciosas, com diversos detalhes que nos permitem imaginar os lugares, pessoas
e cores por onde ele passa.
Ao longo da
trama existem assassinatos acontecendo que são apresentados através do
administrador do clã, Lorlen, e seu colega na polícia. É bem vinda e acertada
essa pitada de mistério entre os acontecimentos. O sofrimento de Rothen também
é dolorido e profundo, e devo dizer que senti a falta do personagem no livro.
O fim desse
volume, longe de conclusivo, é um gancho enorme para o que está por vir em
Lorde Supremo, próximo livro da trilogia, que já foi publicado pela Novo
Conceito. Devo lê-lo em breve, e venho aqui para contar para vocês o desfecho
dessa história de fantasia e magia.
Em um
universo diferente, com uma linguagem peculiar (até os animais são chamados de
maneira diferentes, mas existe um glossário no fim do livro para essas
palavras) e muita magia em suas páginas, A Aprendiz supera O Clã dos Magos e
nos trás uma aventura com gostinho de quero mais!













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