Existe uma
regra que eu determinei para mim que diz que, se um livro não me prender na
primeira parte da história, eu o abandono. Isso porque eu não consigo me forçar
a ler uma história que me parece penosa, e admiro muito os esforços de quem
consegue e se surpreende com ótimos finais.
Quando eu
peguei A Caçada, para ler, eu estava cheia de expectativa, principalmente por
causa do nome de Clive Cussler na capa—nunca tinha lido nenhum livro dele, mas
já tinha visto ótimas resenhas sobre outros de seus livros e estava ansiosa.
Talvez tenha sido essa mesma expectativa que atrapalhou minha leitura do livro,
quase me fazendo abandoná-lo no início; insisti apenas por que realmente queria
terminá-lo, e fico feliz por não tê-lo largado de lado: teria perdido uma ótima
história.
Os
acontecimentos se passam em 1920, quando uma série de assaltos a bancos começam
a acontecer em diversas cidades do interior dos Estados Unidos. O assaltante é
impecável em suas performances, e nunca deixa testemunhas, matando todas elas,
desaparecendo como fumaça logo em seguida; sua frieza logo rende-lhe o apelido
de Assaltante Açougueiro.
Para parar a
onda de crimes, então, a respeitada Agência de Detetives Van Dorn destaca seu
melhor agente, Isaac Beel, que tem a reputação de nunca ter falhado em nenhum
caso, para pegá-lo. E assim começa uma perseguição de mentes inteligentes, o
Assaltante em seus crimes, e Isaac em seu encalço—e logo os dois percebem que
estão diante de um desafio que nunca enfrentaram antes, e que pode custar suas
vidas para se resolver.
Como eu já
disse lá em cima, eu não estava nada animada para ler esse livro quando comecei
as primeiras cinqüenta páginas. Isso se deve ao fato do começo ser morno,
apresentando-nos os personagens e as situações aos poucos—coisa com a qual eu
não estava muito acostumada em romances de suspense. Depois da metade do livro,
as situações desenrolam-se com uma velocidade meio sufocante, não te dando
muito tempo para se recuperar a cada acontecimento: a cada vez que a caçada
parece terminada, o jogo volta a rodar, nos deixando mais e mais apreensivos
pelo momento final.
A escrita de
Clive é fácil, e acaba te mergulhando completamente na história e nas
descrições. O livro tem tudo o que um bom fã de livros policiais gosta: sangue,
esquemas, perseguições, jogos mentais e confrontos de tirar o fôlego. Narrado
em terceira pessoa, nos dá oportunidade de ver os dois lados da história, o de
Bell e o do Assaltante. Isso nos dá conhecimento de como a mente dele funciona,
de como ele pensa, o que, em minha opinião, dá um diferencial a mais para a
história.
Como pontos
negativos, temos o primeiro que citei: o fato da história se desenrolar de modo
meio enrolado no começo, o que pode desanimar leitores preguiçosos como eu.
Além do mais, a história se passa toda em 1920, mas temos um prólogo que
acontece três décadas depois, e, a partir dos acontecimentos desse prólogo, é
possível antecipar o final quando ele está se aproximando. Eu particularmente
não vi muito problema nisso, mas esse “spoiler” pode incomodar alguns leitores.
Tirando isso, é uma leitura maravilhosa e envolvente.
A Novo
Conceito fez um ótimo trabalho com o livro—a capa é linda, fiquei cinco minutos
só admirando a arte, as cores que combinam perfeitamente, tudo. A diagramação
ficou impecável, não achei nenhum erro de português.
Recomendo
esse livro para quem adora livros policiais que fazem você ficar roendo as
unhas pelo desfecho, e ficar pensando nele por muitos dias, revivendo as
situações na sua cabeça. Definitivamente, eu não me arrependo de ter insistido.
Ótima leitura!













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