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As Violetas de Março – Sarah Jio

Vou começar a resenha descrevendo esse livro com a primeira expressão que me vem à cabeça todas as vezes que penso nele: esse é um livro de domingo à tarde. E isso, para mim, significa que esse é um livro leve, com um clima extremamente agradável, que nos dá certa nostalgia, mas que também nos faz sorrir, com certa tristeza.
Quando peguei Violetas De Março para ler, eu não tinha exatamente nenhuma expectativa. Eu nunca tinha ouvido falar do livro antes, e o nome da autora, Sarah Jio, não me era conhecido. Exatamente por não esperar nada do livro, foi uma grata surpresa quando o terminei e me descobri sinceramente tocada.
Emily Wilson é uma escritora que, uma vez, lançou um livro que se tornou um famosíssimo Best-seller, apresentando-a rapidamente para a fama e prestígio. Tudo deveria correr bem a partir dali, mas, depois de escrever esse livro, ela acaba sendo atacada por um enorme bloqueio criativo, que a impede de escrever qualquer coisa.
Alguns anos depois, apesar do bloqueio criativo, Emily estava casada e feliz, e seu casamento não tinha quaisquer problemas até que, de repente, seu marido a avisa que está apaixonado por outra mulher, e que quer terminar tudo. Sentindo que precisa arejar as ideias, Emily resolve passar um mês na casa da tia, na qual passava os verões quando era criança.
A ideia era se afastar de todos os problemas por um tempo. Mas, ao chegar à ilha de verão e descobrir um misterioso diário, Emily vai acabar descobrindo coisas que desconhecia sobre todos os habitantes da ilha, e, acima de tudo, sobre si mesma—coisas que podem significar o recomeço de sua vida e a descoberta de um novo amor.
Esse é um livro adorável. Primeiramente se apresentando como um simples romance e depois acrescentando algumas doses consideráveis de suspense, me envolveu completamente na jornada de Emily para descobrir o significado dos fatos relatados no diário, que tem uma ligação profunda com os habitantes da ilha. Os fatos se desenrolam sem pressa, não jogando nenhuma informação na sua cara—tudo é apresentado de forma gradual, tornando a história agradável.
A escrita de Sarah é maravilhosa e fácil, e ela intercalou bem os momentos de romance com momentos de drama que nos fazem querer chorar junto com os personagens. Por ser uma história realmente nostálgica, ela nos passa esse sentimento de saudade, e eu terminei o livro com um aperto no peito—o final foi razoável, mas não foi o que eu esperava, infelizmente. Todas as dúvidas foram respondidas, mas eu fiquei com a sensação de que poderia ter sido melhor.
Já a diagramação desse livro me fez querer abraçar a Novo Conceito, levar para casa e não soltar mais. A capa é linda, combinando perfeitamente com a história, e todas as páginas têm o detalhe de flores no rodapé, detalhe que também aparece nos inícios de capítulos. Livro lindo, um ponto positivo para a Editora Novo Conceito pelo capricho.

Enfim, esse é um livro para quem gosta de romance, um leve suspense (bem leve) e uma dose bem considerável de drama e nostalgia. Recomendadíssimo!





A Caçada – Clive Cussler

Existe uma regra que eu determinei para mim que diz que, se um livro não me prender na primeira parte da história, eu o abandono. Isso porque eu não consigo me forçar a ler uma história que me parece penosa, e admiro muito os esforços de quem consegue e se surpreende com ótimos finais.
Quando eu peguei A Caçada, para ler, eu estava cheia de expectativa, principalmente por causa do nome de Clive Cussler na capa—nunca tinha lido nenhum livro dele, mas já tinha visto ótimas resenhas sobre outros de seus livros e estava ansiosa. Talvez tenha sido essa mesma expectativa que atrapalhou minha leitura do livro, quase me fazendo abandoná-lo no início; insisti apenas por que realmente queria terminá-lo, e fico feliz por não tê-lo largado de lado: teria perdido uma ótima história.
Os acontecimentos se passam em 1920, quando uma série de assaltos a bancos começam a acontecer em diversas cidades do interior dos Estados Unidos. O assaltante é impecável em suas performances, e nunca deixa testemunhas, matando todas elas, desaparecendo como fumaça logo em seguida; sua frieza logo rende-lhe o apelido de Assaltante Açougueiro.
Para parar a onda de crimes, então, a respeitada Agência de Detetives Van Dorn destaca seu melhor agente, Isaac Beel, que tem a reputação de nunca ter falhado em nenhum caso, para pegá-lo. E assim começa uma perseguição de mentes inteligentes, o Assaltante em seus crimes, e Isaac em seu encalço—e logo os dois percebem que estão diante de um desafio que nunca enfrentaram antes, e que pode custar suas vidas para se resolver.
Como eu já disse lá em cima, eu não estava nada animada para ler esse livro quando comecei as primeiras cinqüenta páginas. Isso se deve ao fato do começo ser morno, apresentando-nos os personagens e as situações aos poucos—coisa com a qual eu não estava muito acostumada em romances de suspense. Depois da metade do livro, as situações desenrolam-se com uma velocidade meio sufocante, não te dando muito tempo para se recuperar a cada acontecimento: a cada vez que a caçada parece terminada, o jogo volta a rodar, nos deixando mais e mais apreensivos pelo momento final.
A escrita de Clive é fácil, e acaba te mergulhando completamente na história e nas descrições. O livro tem tudo o que um bom fã de livros policiais gosta: sangue, esquemas, perseguições, jogos mentais e confrontos de tirar o fôlego. Narrado em terceira pessoa, nos dá oportunidade de ver os dois lados da história, o de Bell e o do Assaltante. Isso nos dá conhecimento de como a mente dele funciona, de como ele pensa, o que, em minha opinião, dá um diferencial a mais para a história.
Como pontos negativos, temos o primeiro que citei: o fato da história se desenrolar de modo meio enrolado no começo, o que pode desanimar leitores preguiçosos como eu. Além do mais, a história se passa toda em 1920, mas temos um prólogo que acontece três décadas depois, e, a partir dos acontecimentos desse prólogo, é possível antecipar o final quando ele está se aproximando. Eu particularmente não vi muito problema nisso, mas esse “spoiler” pode incomodar alguns leitores. Tirando isso, é uma leitura maravilhosa e envolvente.
A Novo Conceito fez um ótimo trabalho com o livro—a capa é linda, fiquei cinco minutos só admirando a arte, as cores que combinam perfeitamente, tudo. A diagramação ficou impecável, não achei nenhum erro de português.

Recomendo esse livro para quem adora livros policiais que fazem você ficar roendo as unhas pelo desfecho, e ficar pensando nele por muitos dias, revivendo as situações na sua cabeça. Definitivamente, eu não me arrependo de ter insistido. Ótima leitura! 






A Fúria dos Reis – As Crônicas De Gelo e Fogo #02 – George R.R. Martin

Cabe a mim avisar que essa resenha tem spoilers do primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, a Guerra de Tronos (para ler a resenha desse volume, basta clicar no título). Cabe-me também avisar que, apesar de todas as expectativas minhas de encontrar um livro no nível do primeiro volume, este conseguiu ser exponencialmente melhor, o que é um pouco surpreendente.
Robert Baratheon está morto, e sua mão, Eddard Stark, também. Joffrey Lannister assumiu a coroa, mas as dúvidas sobre a veracidade de sua sucessão levaram ao surgimento de uma guerra civil em Westeros: de repente, existem quatro reis no continente, e, fora do conhecimento da maioria, uma quinta rainha além das fronteiras, Daenerys, com seus recém-nascidos três dragões. As ações desmedidas do novo rei, somadas com a ambição dos outros três pelo trono vão iniciar uma disputa sangrenta pela coroa dos Sete Reinos. E para deixar as coisas ainda piores, um exército de selvagens está marchando em direção à Muralha, querendo invadir o reino...
Certo. Quando comecei a ler o livro, eu esperava algo maravilhoso e envolvente, tal como no primeiro livro—George R.R Martin já tinha cavado seu lugarzinho no meu coração com a Guerra de Tronos e eu só podia esperar que a Fúria de Reis fosse tão bom quanto, mas não desconfiava que ele pudesse ser superior.
Pois é. Ele foi.
Ao contrário de seu antecessor, que foi mais centrado nos acontecimentos políticos por trás do início da guerra, este livro já é focado na própria guerra, tendo mais ação e sendo mais intenso que o anterior. Aqui temos batalhas, magia, estratégias, tudo o que se espera de um livro de fantasia medieval—finalmente, a história mostra a que veio. Somos levados para além da Muralha e para dentro das tropas de Stannis, para os planos de Robb e para as intrigas de Porto Real. Além dos personagens do livro anterior, somos apresentados a novas figuras, que rapidamente mostram sua importância no enorme e perigoso jogo que é a guerra de tronos.
A história a todo momento faz você prender a respiração com suas reviravoltas, pois não há muitos momentos de paz em a Fúria de Reis—novamente, ele faz você odiar os personagens e amá-los ao mesmo tempo, tentar desesperadamente entender suas intenções e torcer pela sua vida e morte. Este é um livro mais pesado e sangrento que o anterior, mas levando em conta o teor da história, isso era algo a ser esperado.
Nota-se que eu adorei o livro. Este é um pouco maior que o anterior, com uma diferença de aproximadamente cem páginas entre os dois, mas a narrativa de a Fúria de Reis é mais fluida, o que torna o livro mais rápido e fácil de ser livro do que seu predecessor—apesar de Martin continuar mantendo o sistema de capítulos narrados pelo ponto de vista de personagens em terceira pessoa (neste livro temos novamente nove personagens narradores). De novo, isso pode ser um defeito. Também notei que há uma diferença de qualidade nos capítulos narrados por certos personagens, o que pode incomodar. Novamente, temos certas passagens impróprias. Tirando isso, novamente Martin nos brinda com sua escrita impecável e sem muitos defeitos a serem apontados.
A diagramação do livro está competente—alguns erros de português que não comprometem a leitura. Novamente, temos os mapas e o apêndice de casas, um mimo adorável, mas as folhas da edição pocket de colecionador são muito finas e amassam a qualquer leve estímulo, um ponto negativo. Tive medo de levar o livro comigo para a escola, por exemplo, por medo de rasgar ou amassar as folhas na viagem. De resto, bem agradável.
Novamente, recomendo este livro para fãs de boa fantasia medieval, e se alguém que leu o primeiro e está na dúvida de ler o segundo, não fique. Novamente, são mil páginas que valem muito a pena serem lidas.
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A Guerra de Tronos – As Crônicas De Gelo e Fogo #01 – George R.R. Martin


Em uma das minhas resenhas mais antigas, eu disse que, se fôssemos classificar as histórias dos livros que lemos, já teríamos categorias específicas em nossa mente para qualificá-los: livros de mistério, de romance, de aventura, de suspense... Mas A Guerra de Tronos, de George R. R. Martin, não se classificaria em nenhuma dessas categorias. Se apresentando como um livro extremamente pretensioso—escrito por um cara considerado o Tolkien americano—o livro acaba se mostrando uma mistura de todas essas categorias, e seria necessário criar uma só para ele.
Comecei a ler o primeiro livro da série As Crônicas De Gelo e Fogo (atualmente com cinco livros publicados) com certa apreensão, justamente por essa pretensão. Ali estava um livro de mil páginas que poderia ser muito bom, ou poderia ser simplesmente aquilo o que alguns falam: uma cópia de O Senhor Dos Anéis. E certamente, nenhuma escolha foi mais certa do que ler a Guerra de Tronos. Isso é sério.
A série se passa num mundo fictício, num continente chamado Westeros, onde um dia já existiram sete reinos, cada um deles comandado por uma casa nobre diferente. Hoje, todos esses reinos estão sob o comando de uma única coroa, atualmente pertencente à Robert, da Casa Baratheon. Mas num mundo onde magia existe, onde senhores e senhoras cheios de ambição querem sempre atingir um patamar superior de status e riqueza, nenhum rei está seguro, e o Trono de Ferro, de onde o monarca comanda, se torna o objeto de uma disputa perigosa...
Senti um caráter extremamente introdutório neste livro, que apesar de já apresentar as intrigas sobre as quais a história se sustenta, tem mais a função de introduzir os personagens ao leitor. Neste livro conhecemos as casas principais dos reinos de Westeros, os personagens que terão maior importância no decorrer da série e também os acontecimentos que vão levar à história principal. Narrado em terceira pessoa, mostrando as perspectivas de oito personagens diferentes (os quais nomeiam os capítulos), o livro te dá os vários lados da história, e os personagens criados por George R.R Martin são tão humanos que é difícil não gostar deles; eles cometem erros, tomam decisões certas ou erradas, são tendenciosos e pagam pelas escolhas que fazem. A ambientação criada pelo autor é maravilhosa—é fácil mergulhar nas descrições, nos cenários criados e nas batalhas, contadas de modo preciso e objetivo.
E além de tudo isso, Martin não tem pena de seus personagens. O universo medieval criado por ele mostra o quanto o homem pode ser mesquinho, mercenário, feito de tolo e acabar cometendo erros ridículos—coisas que, no lugar deles, nós também faríamos. Às vezes, deu vontade de jogar o livro pela janela, de entrar no livro e matar um personagem por uma escolha feita, e Martin tem meu mérito por isso. Me fez mergulhar em mil páginas com a voracidade de um animal selvagem e me emocionar de uma maneira diferente em cada uma delas. Me fez amar o pequeno Bran, ficar apreensivo com sua irmã Arya, acompanhar o amadurecimento de Jon, sofrer junto com Eddard e Catelyn, odiar Sansa, quebrar a cabeça para descobrir quem é Tyrion e torcer por Daenaerys com todas as minhas forças.
O único problema do livro é que, por cobrir oito perspectivas diferentes, o desenvolvimento da história é lento e arrastado. A narrativa extremamente bem conduzida pode compensar esse fato, mas várias pessoas podem enxergar isso como um defeito, e com razão. Além do mais, as descrições são um pouco cruas, e há cenas impróprias.
Li esse livro pela edição especial de colecionador da Leya, onde os livros são menores que as edições normais e, consequentemente, tem mais páginas.  O Box é maravilhoso e mesmo a capa sendo simples comparada à original, é linda de se admirar. A Leya fez um bom trabalho com a diagramação—não encontrei erros de português, e os mapas que acompanham o livro, junto com o apêndice das casas de Westeros no final são um mimo bom de admirar.
Nem preciso falar que amei o livro. Recomendo para pessoas que gostam de histórias medievais, com disputas políticas, espadas, mistério, magia, suspense e aventura. E também recomendo para quem nunca leu do gênero... É uma ótima forma de começar.
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