“A Fera” não
é aquele conto de fadas bobo onde vemos tudo de maneira superficial. Na verdade
aqui podemos ver a evolução de Kyle de um sujeito babaca e frívolo – até porque
sua família o fez se tornar o que é – a uma pessoa digna de amar e ser amada,
uma pessoa que não se importa mais apenas com a aparência exterior dos demais,
e sim – isso pode se tornar clichê agora – com a interior, que no fundo é o que
realmente conta no final das coisas.
O livro é
super interessante pois no começo temos aquele garoto de aparência linda, rico
e consequentemente poderoso, que se importa apenas com beleza e dinheiro e
menospreza qualquer pessoa que não tenha os dois. E, portanto, tem em seu
interior uma fera, horrível e desprezível. Até que o alvo de uma brincadeira maldosa
de Kyle é uma bruxa, que não gostando de como ele agiu com ela e querendo lhe
dar uma lição que o transformasse em uma pessoa digna, o amaldiçoa, e seu
exterior transforma-se na imagem de seu interior. Kyle não é mais aquele garoto
lindo e que fascina a todos com sua beleza, ele foi transformado no que mais
desprezava em sua vida: a feiura. Agora ele é uma fera com pêlos, garras e
dentes afiados. E o pior, precisa fazer alguém se apaixonar por ele em no
máximo 2 anos para quebrar a maldição e voltar a ter sua aparência de antes.
Mas como poderia encontrar alguém que conseguisse se apaixonar por uma fera? É
aí que vemos que o amor verdadeiro não enxerga o exterior, que é o interior que
vai fazer a convivência ser maravilhosa e que vai transformar qualquer
sentimento em algo muito mais forte.
É a partir
daí que ele percebe que nem todo o dinheiro do mundo pode trazer sua felicidade
se ele não for bonito onde mais interessa: o interior. Ele passa a ver que cada
pessoa que o venerava não o fazia por gostar dele, e sim pelo que ele tinha a
oferecer, não que isso fosse um incômodo quando ele era realmente bonito e
poderoso, mas de nada adiantava agora que era uma fera. Uma fera que poderia
fazer qualquer um temer se saísse e fosse visto pelas ruas e, consequentemente,
uma fera que não tem mais vida – pelo menos não fora de casa.
Ai gente, A
Bela e a Fera sempre foi meu conto de fadas preferido! E o que eu posso dizer
sobre essa versão de Alex Flinn? Eu simplesmente amei! Sério, entrou para os
meus preferidos! Ela conseguiu pegar uma história antiga, popular, linda, e que
nos faz pensar, em algo atual e envolvente da primeira até a última página, sem
perder sua essência, que é nos fazer perceber o que realmente mais importa no
próximo.
Nessa versão
não encontramos castelos, carruagens, mordomos transformados em objetos [como
na versão Disney], e sim estudantes do mesmo colégio, problemas com os pais, um
tutor cego e uma empregada amável, ambos preocupando-se com o bem estar de
Kyle, coisa que seu pai nunca fez. Gostei demais do pano de fundo das histórias
dos personagens, pois fez o modo como tudo aconteceu parecer mais real.
Adorei que o
livro foi narrado por Kyle. Não existem muitos livros que são narrados por
homens e é sempre bom inovar um pouco. Adorei o personagem, sua evolução, suas
frases, seu sarcasmo, seus pensamentos que muitas vezes me faziam rir de
verdade, seu pior lado que me fazia odiá-lo, e depois seu melhor lado, que me
fez amá-lo.
Também
gostei muito da sala de bate-papo que a autora introduziu no livro, sempre
antes de cada parte – o livro foi dividido em seis partes –, onde pudemos
conhecer outros personagens amaldiçoados por bruxas, e consequentemente seus
dramas. Inclusive deu para reconhecer esses personagens de outras obras super
famosas. Achei essa uma ótima sacada para a trama, que me encantou ainda mais –
se isso ainda era possível.
Acho que
todos que acompanham o blog e minhas resenhas sabem mais ou menos o meu gosto
literário, e para quem não sabe preciso dizer que simplesmente adoro histórias
de adolescente e amor. Um casal pode me fazer apaixonar por uma história, mas
também pode me fazer odiá-la. E esse caso foi o de me apaixonar. Tanto Kyle
quanto Lindy são pessoas maravilhosas que me encantaram totalmente. Torci muito
para ficarem juntos a cada página virada.
E, mesmo
conhecendo o final do livro, foi maravilhoso ler nessa nova versão, pois foi
fofo e me fez ficar eufórica pela história mais uma vez.
Alex fez uma
pesquisa e tanto. No final do livro ela fala um pouco mais sobre várias versões
do clássico e me deixou cheia de vontade de ler todas elas, até porque eu só li
a versão Disney. #shameonme
A única
coisa de ruim do livro todo é que ele não tem continuação. Hahaha Eu sei que
não tem margem para nada além, que termina maravilhosamente bem e tudo mais,
mas sabe aquela sensação de saudade quando a gente acaba um livro que gostamos
tanto?! Pois é, é o que eu senti na última página, ao mesmo tempo que queria
chegar ao fim, não queria que acabasse.
Vi o filme
também, dessa vez até antes do livro porque realmente estava ansiosa para
vê-lo, e apesar de ter gostado bastante não entrou para minha lista de
favoritos, achei meio fraco, não condiz com o quão bom o livro realmente é.
Adorei que Kyle tenha sido interpretado por Alex lindo Pettyfer, acho
que o papel caiu como uma luva para ele, que interpretou exatamente como acho
que Kyle deveria ser, inclusive quando li só conseguia visualizá-lo na minha
cabeça. Já não posso dizer o mesmo de Vanessa Hudgens. Não consigo vê-la como
Linda, na verdade nunca consegui, ela não me convenceu no papel, não consigo
vê-la com essa imagem de boazinha e “pura” e nem nada do tipo, fora que nem
fisicamente ela tem algo a ver com Lindy. Enfim, se você viu o filme e não
gostou ou achou fraco, leia o livro porque é muito melhor, isso também vale
para quem amou o filme, vai amar ainda mais o livro.
Não precisava
nem dizer que mais do que recomendo “A Fera”, certo?! Mas mesmo assim quero
falar mais uma vez, pois esse livro realmente me encantou da primeira até a
última página e mais do que entrou para a lista de meus preferidos de todos os
tempos.
Avaliação












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