A primeira
coisa que me atraiu nesse livro, foi o título e a capa, atributos fundamentais
para me fazerem pegar um livro e lê-lo. Depois de ler a sinopse, então, eu
estava crente de que esse seria um típico romance sobre a descoberta das
palavras e o conhecimento da leitura.
Era de se
esperar: segundo a sinopse, o livro trata da história de Florence, uma garota
de 12 anos que mora numa mansão na Nova Inglaterra de 1891, sem nenhuma
presença familiar próxima, tendo como companhia apenas os criados da mansão e o
irmão mais novo, Giles. Sem nenhuma perspectiva de vida, ela acaba descobrindo
a biblioteca da casa, e se apaixona pelo local. Sem ninguém para ensiná-la a
ler, a menina aprende sozinha a desvendar as palavras, e essa será a porta de
uma grande aventura.
Não é bem
assim que a história se desenvolve; embora apareça sim o desenvolvimento do
amor de Florence pelos livros, a história passa superficialmente por cima disso
tudo, se focando mais nos mistérios da mansão em que ela mora, Blithie, e no
aparecimento de uma estranha personagem que significa tudo o que ela mais teme,
a Sra. Taylor, sua professora e, mais futuramente, aquela que quer levar seu
irmão embora.
A trama é
narrada pela própria Florence, o que nos dá uma dimensão grande do terror
passado pela garota. No momento em que a professora aparece, tudo o que
Florence mais quer é que ela deixe seu irmão em paz e suma, o que são
pensamentos considerados um pouco pesados para uma garotinha de apenas 12 anos.
Mas a história segue toda uma linha densa e sombria, contrariando a impressão
inicial de que esse é apenas um romance; do meio do livro até o final, ele se
transforma num eletrizante suspense com mesclas de terror que, com certeza,
agradarão bem os admiradores do gênero.
A narrativa
de John Harding começa de forma morna e desinteressante—durante diversos
momentos, tive vontade de abandonar o livro. Mas à medida que a história deixa
para trás o amor de Florence pelos livros e se foca na aterrorizadora
professora, o livro dá uma impressionante guinada, e o autor nos envolve em uma
narrativa mórbida e macabra, com detalhes aterrorizantes e desnecessários, além
de pouco apropriados para a faixa etária do livro. Em compensação, esse foi um
livro que não me decepcionou em seu final, mantendo, até mesmo nele, todo o
clima sombrio no qual a trama se desenrola.
Clima que
nada condiz com a idéia proposta na sinopse, o que definitivamente me irritou.
Eu esperava uma história e encontrei outra, e foi muito decepcionante não fazer
a menor idéia do que estava lendo. Pode ser só uma frescura de leitora minha,
mas eu acho que, se esse é um livro de terror, deveriam deixar isso bem claro desde o começo, principalmente
se tratando dos possíveis leitores. Se algumas passagens pareceram fortes para
mim, não quero nem imaginar como elas pareceriam para uma criança. Esse é um
ponto negativo do livro, mas o único significante que eu posso citar.
A Editora
Leya fez um bom trabalho com a diagramação, e não encontrei erros que
atrapalhassem a leitura. A capa, tal como a sinopse, não condiz muito com a
história, mas fazendo justiça, é muito bonita: simples e sem floreios, assim
como a história.
Para fãs de
suspense e terror, que gostam de descrições pesadas, narrativas cruas e
diretas, esse livro é uma boa pedida. Mas se quer um romance leve para se
distrair, não chegue nem perto. Algumas passagens podem ser demasiado
sufocantes, o que explica o porque de eu ter esse livro tão vivo em minha
memória.
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