Se fôssemos para
classificar as histórias dos livros em categorias distintas, teríamos várias
delas já definidas em nossa mente: livros de mistério, livros de aventura,
livros de suspense, livros de romance. Mas há sempre um ou outro livro que não
se encaixa em nenhuma dessas categorias, que é uma exceção entre as nossas
frescuras típicas de leitora e que chega direto ao nosso coração.
Esse é a Arte de
Correr Na Chuva.
Não foi a capa
que me encantou. Nem a sinopse. Na verdade, eu não dava nada para esse livro
quando o peguei para ler, e lê-lo foi uma surpresa tão agradável quanto
renovadora. Admito que me excedi em todos os meus chatos padrões nesse livro, e
gostei disso. É uma história simplesmente maravilhosa.
Enzo é um
cachorro muito ativo e esperto, que vive com o seu dono Denny, um piloto de
Fórmula 1, e aprendeu, desde pequeno, graças a convivência com o dono, a
entender o comportamento dos humanos e querer ser um deles. Por causa de um
documentário que viu na TV certo dia, sobre a Mongólia, onde eles acreditam que
os cachorros, após morrerem, se reencarnam em humanos, Enzo vive toda a sua
vida observando o comportamento deles e esperando a hora de ser um. E, logo
antes a sua morte, ele faz uma retrospectiva sobre todos os fatos que viveu com
Denny, sobre as dificuldades que passaram juntos e as alegrias também,
concluindo se está ou não apto a ser um humano após a sua morte.
É sobre a
retrospectiva de Enzo sobre a vida vivida com Denny que a história se
desenvolve. Narrada pelo ponto de vista do cachorro—uma das narrativas mais
originais, divertidas e maravilhosas na que tive o prazer de me aventurar—ele
conta, de um modo extremamente humano, mas sem perder a personalidade que
definitivamente lhe difere com um cão, todos os fatos de sua vida, pontuados por
comentários que nos fazem rir e que são definitivamente adoráveis. Enzo é um
cão maravilhoso, e a história seria simplesmente sem graça se não fosse narrada
por ele. É o seu ponto de vista que encorpa os fatos, o seu modo humanamente
canino de ver as coisas, as suas filosofias profundas.
A narrativa do
autor é deliciosamente agradável de ler, e flui leve e rápido, ao mesmo tempo
que nos prende. A história mantém um ritmo estável durante todo o livro; desde
o começo, a narrativa nos prende, levando a um meio envolvente que deságua num
final que eu só posso definir como lindo e fofo. O livro inteiro se baseia
nessas palavras. A história de Enzo toda é maravilhosamente fofa, linda, uma
espiral de emoções que mudam o tempo inteiro. Ao mesmo tempo em que estamos
rindo, queremos chorar, porque tudo muda rápido, e a consciência de Enzo sobre
isso é uma tremenda mensagem. Porque apesar de tudo, ele sempre pode ser
melhor, e sabe disso.
É algo em que
podemos nos espelhar, e essa é a principal mensagem da história.
Li esse livro
pela Reader’s Digest, e a diagramação está muito decente—crua, mas competente.
A capa é linda, e tem muito haver com o título e com a história, e eu gostei
muito, apesar de já ter dito que, nesse livro, ela não foi um fator
determinante para colocá-lo na minha lista de leitura.
Para aqueles que
querem um livro fofo, leve, apaixonante, que trata de mensagens reais e
maravilhosas, esse é a pedida certa. Um dos mais lindos que já li, e apesar de
não ter me feito derramar lágrimas, sempre terá um lugarzinho especial no meu
coração sensível e emocional de leitora.
Avaliação
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