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Levana - Crônicas Lunares #3.5 - Marissa Meyer

Quem lê a série “Crônicas Lunares” deve se perguntar como e o que fez Levana se tornar a rainha de Luna e agir da forma fria e calculista mostrada ao longo das obras. Agora temos a chance de conhecer sua história, desde quando ainda era uma criança indefesa sofrendo nas mãos de uma irmã má, passando pela morte dos pais e vendo a irmã mais velha assumindo o trono.
A vemos sendo desprezada, lutando para alcançar seu lugar enquanto esconde sua verdadeira aparência através de glamour e tentando conquistar o amor de um homem por quem sempre foi apaixonada. Sua obsessão pela beleza e sua busca desenfreada pelo poder, até encontrar alguém que está no seu caminho, ameaçando destruir tudo o que construiu ao longo de muitos anos e sacrifícios de diversas pessoas. Uma trágica história vista sob uma nova perspectiva.
Devo dizer que estava esperando gostar bastante dessa obra, principalmente porque traz um lado mais pessoal de uma vilã, aquela ideia de que vamos conhecê-la mais a fundo e entender o que a motiva a ser e agir como é nos demais volumes da série. Geralmente eu gosto dessas obras e acho que elas possuem um conteúdo que nos faz entender uma trama sob outra perspectiva e isso é muito bacana. Mas, sinceramente? Foi muito difícil terminar essa leitura, achei tudo bem chato e a protagonista completamente insuportável. Cada página virada foi um novo sacrifício para continuar em frente, mas fui forte porque o livro é curto e a fonte do texto é grande.
Não acho que tenha acrescentado tanto assim na minha vida conhecer o lado negro de Levana, porque ela não tem nada de tão especial assim para ser revelado. É uma pessoa invejosa, fria e calculista, que só faz tudo para benefício próprio, sem muito esforço, independente de com quem esteja lidando.
Mata todos que ficam no seu caminho, inclusive qualquer um por quem poderia nutrir sentimentos mais fortes, sem se importar com as consequências – afinal elas são praticamente inexistentes. Neste livro e também nos três primeiros da série, nada de tão ruim aconteceu com ela que não tivesse sido resultado de sua obra, exceto por um único momento muito triste e revoltante de sua infância. Mas, consequências pelos seus atos sanguinários não existiram em momento algum (não li o quarto volume, mas acredito que seu final tenha sido infeliz, só que apenas muito tempo depois de tudo o que aprontou antes).
Não sei se eu poderia classificar Levana como sociopata, visto que não conheço a fundo este transtorno de personalidade e nunca estudei psicologia ou algo semelhante para entender direito, mas com o que sei e com algumas informações que busquei, acredito que ela se encaixa perfeitamente nessa categoria. Afinal, Levana não é muito boa em contextos sociais, mas consegue manipular sentimentos e fingir que está tudo bem e ainda manipula os outros com isso, possui comportamento bem violento, tem falta de sentimento de culpa, desconsidera leis, normas sociais e direitos de outras pessoas. Fora que ela é muito egocêntrica e desconsidera sentimentos e opiniões alheias.
A escrita da autora flui muito bem e nos envolve de uma forma que mergulhamos na leitura, mesmo sem gostar do conteúdo da mesma ou da protagonista. A narrativa está em terceira pessoa, e acompanhamos Levana primeiramente alguns anos antes do início do primeiro livro da série, “Cinder”, passando por cenas de seu passado, e chegando a alguns anos depois, quase no começo do livro um.
A série “Crônicas Lunares” possui quatro volumes sequenciais, “Cinder”, “Scarlet”, “Cress” e “Winter”, todos já publicados no Brasil pelo selo Rocco Jovens Leitores, lidos e resenhados aqui no blog. Quem quiser conferir as respectivas resenhas, basta clicar nos títulos. Além de dois volumes extras, sendo que um é este, “Levana” (#3.5), e o outro, “Stars Above” (#4.5), traz quatro contos que antes tinham sido publicados somente em e-book e mais cinco inéditos, sendo o último deles um epílogo para a série. Esse exemplar ainda não teve publicação nacional, mas a Editora Rocco já disse que tem intenção de lançar por aqui, provavelmente em 2018.


Winter - Crônicas Lunares #04 - Marissa Meyer

Finalmente cheguei ao quarto e último livro desta série tão adorada por mim. Neste volume temos a história da Branca de Neve sendo recontada de forma distópica e se entrelaçando com as dos demais personagens que já conhecíamos: Cinder (Cinderela), Scarlet (Chapeuzinho Vermelho) e Cress (Rapunzel). E, como a narrativa da autora me encantou desde o primeiro volume com “Cinder”, não pude deixar de querer ler o desfecho de tudo o quanto antes. Agora venho compartilhar com vocês tudo o que achei a respeito de “Winter”, escrito por Marissa Meyer e publicado aqui no Brasil pela Editora Rocco, selo Rocco Jovens Leitores.
Como esse é o último volume da série, pode haver alguns spoilers dos anteriores para uma explicação mais elaborada. Por esse motivo, se você ainda não leu os antecessores, e não quer pequenos spoilers dos mesmos, não continue essa resenha.
Nesta obra, vemos que a princesa Winter, uma menina de coração bom que resolveu não usar o seu poder lunar, e, com isso, acabou ficando com a doença que a deixa um pouco doida, já que lhe dá visões e sensações irreais, vive subjugada por Levana, sua madrasta, que, como no conto original, sente inveja de sua beleza, fazendo com que a mesma seja o alvo constante de suas piadas. Levana também não aprova os sentimentos de nossa protagonista pelo seu amigo de infância, o guarda real Jacin, lançando vários olhares reprovadores para os dois.
No volume anterior, vimos que Scarlet foi levada para Luna e feita de prisioneira pela Rainha Levana. Lá, ela recebe a constante visita de Winter, e as duas acabam se tornando amigas. Claro que Scarlet tem um pouco de medo de confiar na garota, já que ela tem uma certa proximidade com a rainha, além e ser um pouco maluca. Mas a amizade que as duas criam é muito importante para a história, já que ambas podem ser mais do que realmente aparentam.
Enquanto isso, Cinder cria um plano com a ajuda de seus amigos para fazer uma rebelião contra a Rainha, para conseguir de volta o trono em Luna, que é seu por direito. Por isso, seu grupo resolve se separar, para não serem facilmente notados, colocando em prática o plano, o que gera bastante ação e adrenalina, até porque Levana não vai deixar barato, então esse volume acabou sendo recheado com bastante reviravoltas.
Cheio de romance, emoção e ação, que não deixam a trama ficar parada nem por um segundo, mesmo com suas quase setecentas páginas (sim, ele é bem mais extenso do que os anteriores), além de possuir uma pegada futurística e bastante empoderamento feminino, esse livro nos conquista do início ao fim com uma história revolucionária e uma guerra contra a opressão.
Winter é a personagem principal dessa vez, mas, assim como nos anteriores, temos a narração das outras personagens importantes da série, o que foi bem legal, já que assim conseguimos entender melhor tudo o que estava ocorrendo na história, nos trazendo vários pontos de vista.




Cress - Crônicas Lunares #03 - Marissa Meyer

Cinder, uma jovem ciborgue, ou seja, que tem partes mecânicas no corpo, vive em um mundo que já foi assolado por diversas guerras, agora é abalado por uma doença fatal denominada Letumose, e vive sob um grande perigo de ser comandado ou, pior, exterminado pela pior de todos, a rainha lunar, Levana.
Um plano maléfico encontra-se em ação e tudo parece sair como a Rainha Lunar planejou, mas Cinder não pode deixar isso acontecer e vai fazer de tudo para mudar os rumos desta história. Depois de muitas reviravoltas, acontecimentos inesperados, e grandes revelações, Cinder é foragida. Agora, ela e seu primeiro companheiro de viagem, Carswell Thorne, vivem na nave Rampion e seguem nesta jornada, com a ajuda de Scarlet e Lobo, para bolar um plano para derrubar a Rainha Levana e encontrar uma saída para a atual situação do universo, uma cura para a fatal Letumose, e a salvação de toda a população da Terra.
No meio do caminho, eles acabam encontrando mais uma aliada, Cress, uma hacker que vive isolada e aprisionada num satélite desde que era apenas uma menina. O grupo decide resgatá-la para que ela os ajude a seguir com o que precisam. Mas os planos nem sempre saem como planejado e o grupo se separa. Enquanto lutam contra o perigo, pela busca da sobrevivência e para se manterem livres, algumas mortes aparecem pelo caminho e muitas outras dificuldades também, tornando tudo ainda mais difícil e a luz no fim do túnel parece estar ainda mais distante, se isso era possível. Resta saber se com um bom trabalho de equipe, mesmo que esta esteja desfalcada, e a ajuda das pessoas certas vão levá-los para o caminho certo ou esta direção simplesmente não existe.
Apesar de esta resenha ser do terceiro volume da série “Crônicas Lunares”, vocês podem lê-la tranquilamente, pois não há qualquer tipo de spoiler, nem deste nem das obras antecessoras. E tem resenha de “Cinder” e “Scarlet” aqui no blog, cliquem nos títulos para conferi-las respectivamente.
Confesso que o primeiro exemplar não me agradou tanto assim, mas o segundo me deixou vidrada e adorando cada página. Não posso dizer que este terceiro teve o mesmo efeito do anterior para mim, apesar de ter curtido mais do que o primeiro, mas não posso negar que a autora evoluiu em sua forma de narrativa e a trama encontra-se bastante eletrizante.
O enredo é bem desenvolvido, cheio de momentos de tensão e outros mais amenos, com muitas explicações e detalhes bem trabalhados. Meyer consegue manter nossa atenção ao mesmo tempo em que nos insere naquele universo que criou, de uma forma tão bem feita que realmente parece que tudo aquilo é de verdade, isso porque cenários, personagens e ações, são amarrados e condizentes com o que foi criado.
Além do mais, acontecem diversas reviravoltas e muitas ocasiões com grande importância vão sendo apresentadas, pois, mesmo que inicialmente não pareçam ser relevantes, acabam sendo mais para frente. Inclusive alguns detalhes que já começaram a serem mostrados nos volumes anteriores ganharam mais força aqui, como a aparição de Cress, que se tornou uma das personagens principais, e algumas outras particularidades foram citadas aqui para serem utilizadas nos demais exemplares.
A minha protagonista preferida continua sendo a Scarlet, de longe, e o Lobo o meu personagem masculino favorito também. Apesar da importância de ambos neste volume, eles acabaram ganhando um pouco menos de destaque do que os demais. Iko é incrível e eu a adoro profundamente, além do mais, ela sempre me diverte. Cinder é ótima, Cress é adorável, e Thorne, o mais divertido. Só acho o Kai meio enjoadinho e, em diversas ocasiões, quando chegava no capítulo protagonizado por ele, eu acabava ficando meio de saco cheio, com vontade de pular, apesar de não ter feito isso.
Até posso afirmar que Marissa é uma escritora excelente, e tem tudo para ir muito longe (mais ainda do que já foi – e olha que ela já alcançou bastante!) e que com certeza vai, o que vem se provando a cada novo livro desta série, tão querida por muitos leitores. Eu, inclusive, ficava maravilhada em todo momento sobre o que estava lendo, pois tudo se encaixa perfeitamente, ocorre e é revelado na hora certa, nos mantendo interessadas no assunto e no que vai vir a acontecer em seguida.
Mas infelizmente não posso dizer que amei a leitura, porque acabou sendo bem arrastada para mim e eu demorei mais dias do que o normal para finalizar. Não porque tenha sido ruim, só acho que às vezes as cenas acabaram sendo mais longas do que o necessário e se algumas tivessem sido cortadas teriam o mesmo efeito, só que com uma fluidez mais notável. E admito que esse fator deve me incomodar mais do que outras pessoas, visto que eu não gosto de demorar tanto tempo lendo algo, porque parece que minha vontade de continuar vai se esvaindo e eu fico com necessidade de começar algo novo, principalmente porque eu tenho tantas outras opções na estante me esperando.
Em meio a muita ação, planejamentos e estratégias, descobrimos novas revelações importantíssimas, aprendemos mais sobre o passado de algumas pessoas, nos despedimos de personagens, damos boas-vindas a outros, e ficamos envolvidas por uma trama complexa e toda interligada, com pano de fundo político, tecnológico e com pitadas de fantasia.
Essa série na verdade é composta por seis volumes, quatro deles contam com mocinhas boas dos contos de fadas como protagonistas, Cinder (Cinderela) no primeiro, ela em companhia com Scarlet (Chapeuzinho Vermelho) no segundo, as duas junto com Cress (Rapunzel) no terceiro, e todas, incluindo Winter (Branca de Neve), no último. Porém, ainda há dois exemplares que completam a série, o #3.5, "Fairest", que na verdade conta o lado e a história da Rainha Levana (Rainha Má), que eu considero essencial, e ainda um livro extra, “Stars Above”, que na verdade traz diversos contos (nove), sendo que alguns antes só tinham sido publicados em e-books e outros são inéditos, que servem de complementos para a série, mas que não são necessários para o entendimento da mesma.
No Brasil, os três primeiros livros já foram publicados (os títulos originais foram mantidos, sendo eles os nomes ou apelidos das protagonistas), e a previsão é que pelo menos mais dois cheguem ainda em 2016, "Fairest" e “Winter”. Não encontrei informações sobre o último, “Stars Above” por aqui, que inclusive também é inédito ainda no exterior, visto que seu lançamento está previsto para o início de fevereiro. Mas acredito que não deva demorar tanto assim para seu lançamento aqui também.
A diagramação segue o padrão do resto da série, e eu gosto da fonte e dos espaçamentos do texto, que são muito confortáveis para uma leitura agradável. A capa é bem bonita, o título na edição impressa está em prateado, e as páginas são amarelas.
Para aqueles que buscam obras com personagens jovens adultos bem construídas, com um enredo bastante interessante e muito bem desenvolvido, personagens carismáticos e uma bela adaptação dos contos de fadas, com os vilões e mocinhos tão conhecidos e amados por nós, só que apresentados de uma forma diferente em um mundo distinto, a série “Crônicas Lunares” é a pedida certa para você! Cress mantém o ritmo e desenvolvimento dos demais volumes, prendendo nossa atenção e nos deixando ávidos por mais.
Avaliação



Scarlet – Crônicas Lunares #02 – Marissa Meyer

Apesar de esta resenha ser de uma continuação, não escrevi nenhum spoiler deste, nem de “Cinder”, primeiro volume das “Crônicas Lunares” (clique no título para conferir a resenha).
Depois das grandes revelações que Cinder acaba descobrindo no final do primeiro exemplar, e também das consequências pelos seus atos, ela agora precisa encontrar um jeito de fugir de onde está para se livrar de um futuro muito pior, e também para ir atrás de mais respostas e do que deve fazer com as novas informações que possui. No caminho ela conhece Thorne, um “capitão” que vai apoiar e ajudá-la em sua jornada.
Enquanto isso, conhecemos e acompanhamos a jovem Scarlet, que vive e trabalha com sua avó em uma fazenda em Rieux, no interior da França, na qual produzem e distribuem alimentos. A senhora Michelle Benoit, ex-militar, mas agora uma senhorinha muito boa e dona de uma personalidade forte, desapareceu sem deixar rastros, abandonando seu chip de identificação e seu tablet para trás.
A polícia não acredita que tenha ocorrido um crime, então desiste de fazer novas buscas, mas Scarlet sabe que sua avó não iria embora assim, sem mais nem menos, muito menos sem falar com ela antes. Então decide procurar por conta própria uma forma de saber de seu paradeiro para, enfim, encontrá-la. Em suas investigações, Scarlet acaba descobrindo que a avó não havia lhe contado todos os seus segredos e que ela também corre um grave perigo.
Neste meio tempo Scarlet conhece Lobo, um lutador de rua que pode ter informações sobre o paradeiro da senhora Benoit e, mesmo não confiando totalmente no cara, ele é sua única opção de descobrir o que houve com sua avó para, talvez, encontrá-la e, com sorte, com vida ainda. Por isso, com seu capuz e cabelos vermelhos, a jovem viaja com Lobo, por quem inexplicavelmente acaba se sentindo atraída (o que é recíproco), para uma jornada em busca de respostas para desvendar este mistério antes que seja tarde demais.
Tudo fica ainda mais estranho quando Cinder e Scarlet acabam se encontrando no caminho, achando muito mais verdades perigosas, e descobrindo que suas vidas estão interligadas de uma forma.
Eu não gostei tanto assim da leitura de Cinder, mas, na época em que li (julho de 2013), encontrei uma resenha de Scarlet muito boa, que me fez ficar empolgada para ler esta sequência, e foi ela, e não o fato de ter lido o primeiro livro da série, que fez com que minhas expectativas estivessem altas. E não é que desta vez deu tudo mais do que certo?
Meyer não sofreu da maldição do segundo volume, pelo contrário, ela soube desenvolver muito bem sua trama, acrescentando coisas novas e evoluindo o que antes havia sido proposto, como, por exemplo, conhecemos mais do passado de Cinder e coisas novas sobre os Lunares, e ainda nos deixou cheios de possibilidades para o que vem por aí.
O livro é dividido em quatro partes e na página em que cada uma se inicia, há um trecho de Chapeuzinho Vermelho. A narrativa é em terceira pessoa e intercalada em vários personagens, com foco maior em Scarlet e Cinder, que era a única protagonista no primeiro volume, mas também podemos acompanhar Kai, Lobo e Thorne, e até encontramos um capítulo com enfoque na rainha Levana.
Esse tipo de narrativa deixou tudo mais amplo e a autora soube trabalhar muito bem com diferentes pontos de vista, ou seja, nada ficou embolado e, sim, bem explicado e conectado. Admiro muito mais seu trabalho agora e não vejo a hora de ler as continuações das Crônicas Lunares.
Eu gostei muito mais deste volume do que do primeiro por conta da protagonista, Scarlet, e também de outro personagem muito importante, Lobo. Eles separados são demais, juntos são melhor ainda, e se tornaram meus personagens preferidos. Fiquei apaixonada pelo casal, e quero muito mais dos dois nos próximos livros da série.
Scarlet é daquele tipo badass, corajosa, dona de uma personalidade forte, cheia de atitude, segura de si e de suas decisões, determinada e também meio louca, afinal enfrentava o que viesse pela frente sem medo, mesmo tendo grandes possibilidades de sair morta daquilo, para salvar a pessoa que mais ama no mundo (o que também é extremamente admirável).
Lobo é um fofo e também um personagem misterioso, alguém que tem toda uma aparência de durão, mas apresenta um jeito inseguro, que tem seu lado negro e o lado bom, o tímido e o animalesco. Ele possui características bem opostas, mas que se completam, fazendo com que seja dono de uma personalidade marcante. E confesso que ficava dividida, assim como Scarlet, em confiar ou não nele, mas depois ele se mostrou alguém digno (o que já era de se esperar desde o começo).
Achei este casal muito mais interessante do que Cinder e Kai, que até agora não encheram meus olhos, inclusive acho que o imperador é muito sem sal e Cinder merecia alguém melhor, mais à altura dela.
Por falar nela, até que eu achei Cinder melhor nesta sequência e achei ótimo ela estar bem longe de todo aquele drama e coisas ruins que aconteciam em sua vida. Está mais segura de si e também gostei de ver sua coragem, força, determinação e luta. Seu papel será grande daqui para frente, e senti mais a segurança de que ela vá conseguir fazer tudo o que precisa muito bem.
Thorne é um personagem engraçado e eu ri com algumas de suas tiradas. Ainda não sei exatamente qual será o seu papel com certeza, mas tenho fortes desconfianças. Gostei muito de conhecê-lo e mais ainda de que ele amenizava algumas situações, e espero mesmo que eu esteja certa e ele continue sendo bem utilizado nos próximos livros.
Um dos pontos mais legais é que aqui nenhum personagem é dependente de outro, todos eles lutam pelo que querem, indo atrás dos seus objetivos, mesmo que seja perigoso e que as consequências não sejam as mais otimistas (exceto por um personagem que preferiu acarretar a proposta/ameaça de terceiros). Acho isso ótimo, porque nos faz admirar cada um, e ainda nos faz torcer para que dê tudo certo e que consigam alcançar o que precisa ser resolvido. Além disso, nenhum deles fica fazendo dramas desnecessários, nem reclamando da vida, o que é ainda mais louvável.
Novamente a autora interliga toda a história muito bem, mas vai soltando algumas dicas durante as páginas que, se você prestar atenção, consegue ligar os pontos antes mesmo de Marissa revelá-los, o que é meio ruim porque é meio previsível e acaba com a chance de nos surpreendermos tanto assim. A escrita dela é ótima, muito envolvente e flui maravilhosamente bem. Você começa a ler e, quando se dá conta, já avançou bastante sem nem notar.
Meyer sabe dosar muito bem vários elementos diferentes em sua história, dando destaque a tudo no momento certo e de forma natural, como mistério, romance, ação, comédia, drama, amizade, entre outros. Também curto muito ver a criatividade da escritora e a forma como ela coloca suas ideias no papel, de modo que nos faz entender facilmente e visualizar cada parte muito bem.
Este volume fecha algumas pontas que foram propostas no começo dele, e ainda abre muitas possibilidades para o que vai vir a seguir, muitas delas que já tinham sido reveladas no primeiro livro, mas que ainda não tiveram uma conclusão. Gostei de como “Scarlet” foi finalizado, mesmo que tenha ficado bem triste com um fato que ocorreu um pouco antes, e de como as coisas ficaram resolvidas, como ponto de partida para o que vai acontecer nas sequências.
Esta série por enquanto tem cinco volumes (mais alguns contos), sendo que apenas os dois primeiros, “Cinder” e “Scarlet”, foram publicados aqui no Brasil. O terceiro, “Cress”, ainda não tem previsão de lançamento nacional, apesar de já ter sido publicado no começo de 2014 lá fora, nem as sequências, “Fairest”, que é um livro, mas considerado o volume #3.5, cujo lançamento será só no final de janeiro nos EUA, e “Winter”, quarto volume, que tem previsão de publicação para o final de NOVEMBRO DE 2015 no exterior (!!!). Nem mesmo algum dos contos tem previsão de chegarem ao país, e nem sei ainda se serão traduzidos para o português algum dia.
A diagramação segue o padrão do volume antecedente, com fonte e espaçamentos em tamanhos confortáveis para uma leitura duradoura sem incômodos. A capa é linda, eu gosto mais desta do que a anterior, e adoro que combina com o título e o enredo. A versão impressa está maravilhosa, com título e nome da série prateados e em alto-relevo, e verniz localizado na ilustração. Além disso, a edição conta com páginas amarelas e a parte de trás das capas está em preto.
Com uma incrível mistura de contos de fadas com ficção científica, Marissa Meyer construiu uma trama magnífica, cheia de pontos que se conectam perfeitamente numa rede de mistérios e perigos, com ação e romance na medida certa. Super recomendado!
Avaliação



Cinder – Crônicas Lunares #01 – Marissa Meyer

Na série Crônicas Lunares podemos acompanhar protagonistas baseadas em personagens femininas dos contos de fadas que tanto conhecemos e amamos (tá, sei que nem todo mundo ama, mas enfim), só que em uma sociedade futurista. Cada volume será focado em um conto diferente, a começar por Cinder (Cinderela), seguido por Scarlet (Chapeuzinho Vermelho), depois vem Cress (Rapunzel), e para finalizar Winter (Branca de Neve). No primeiro livro só acompanhamos a vida de Cinder, mas nos próximos os capítulos são alternados com mais de uma protagonista.
Nesse primeiro volume, somos apresentados a uma sociedade onde humanos, ciborgues e androides convivem, mas não de uma maneira tão harmoniosa assim, já que os ciborgues são considerados aberrações. O mundo já passou por quatro Guerras Mundiais e agora apresenta uma divisão um pouco diferenciada, sendo que Cinder, nossa protagonista, vive em Nova Pequin, local que, junto com toda Comunidade Oriental é governado por um Rei. Além disso, a Lua também é habitada pelos chamados Lunares, que não são humanos e apresentam um tipo de poder mágico, e o dom da manipulação, e são governados pela terrível Rainha Levana.
O nosso planeta está vivendo em um período de frágil paz com o povo da Lua, mas os governantes estão cientes de que isso pode mudar facilmente, já que a Rainha Lunar poderia acabar com o mundo, se esse foi seu desejo real. Ao mesmo tempo em que há toda essa questão política rodeando o pano de fundo da história, há outra coisa ainda pior acontecendo com os seres humanos: uma doença denominada Letumose está atingindo a população, e pelo fato de ainda não haver uma cura, todos que a contraem, morrem em muito pouco tempo.
No meio disso tudo, conhecemos Lihn Cinder, uma órfã que foi adotada por um homem que morreu em seguida por Letumose, e passou a viver, então, com sua madrasta, Adri, e suas duas filhas, Pearl e Peony. Sua vida passa a ser um inferno, já que ela precisa trabalhar como uma condenada sendo mecânica, para sustentar a casa e a família. Para piorar, ela é uma ciborgue, ou seja, ela é humana, mas algumas partes do seu corpo são máquina, como, por exemplo, seu pé e sua mão. A única alegria de sua vida é a boa relação que ela possui com a meia-irmã mais nova, Peony, e com a sua fiel ajudante e amiga Iko, uma androide super fofa.
Nesse meio tempo, Cinder conhece Kai, o príncipe herdeiro, que a procura por sua fama de ótima mecânica para ajudá-lo a consertar sua androide, Nainsi, que parou de funcionar. O que ela não poderia imaginar era como sua vida iria mudar totalmente depois desse momento.
Minhas expectativas estavam super altas para essa leitura, inclusive porque estou numa onda de distopias, elas estão me agradando muito. Mas, infelizmente, elas não foram alcançadas e fiquei um pouco decepcionada, já que esperava mais da história.
Acho que a ideia da autora foi sensacional, inclusive acho que ela conseguiu misturar diversos elementos na história de uma forma muito bem feita, com tudo se encaixando perfeitamente nos lugares certos. Só que não consegui criar uma conexão com nenhum personagem, nem mesmo com a protagonista, Cinder, apesar de ter gostado de alguns deles, principalmente a Iko e a meia-irmã mais nova dela, Peony, e isso é um ponto crucial para eu gostar mais de algo que leio.
Uma outra característica que me incomodou, mas isso é um gosto pessoal que muita gente não compartilha, é que a Cinder só sofre, tudo de ruim que você pode imaginar aconteceu com ela, mesmo que de maneira indireta, porém que a afete diretamente. Eu gosto de ver dois lados da moeda, não gosto de ver pessoas felizes o tempo inteiro, mas também não curto ver só sofrimentos, coisas ruins rodeando alguém.
O romance foi mal desenvolvido, e os sentimentos aconteceram meio que do nada. Pelo menos não foi tão intenso quanto costuma ser em alguns livros, mas senti falta de uma exploração melhor nesse caso.
Apesar de não ter me ligado à protagonista, gostei da sua força de vontade, de sua luta para conseguir melhorar as coisas, da sua coragem e da sua independência, que foge bastante da história verdadeira da Cinderela. E guardo grandes expectativas para ela nos próximos volumes da série.
Apesar de ter achado interessante essa versão toda independente da Cinderela, admito que senti falta de algo mais parecido com o conto original, como a presença de uma fada madrinha, ou algo do tipo, já que essa é uma das características mais importantes do conto de fadas.
Esse livro é considerado uma distopia, mas não achei que ela foi explorada. É apenas uma sociedade no futuro, e mostra um pouco de como as pessoas sobreviveram à Quarta Guerra Mundial, e como os ciborgues estão introduzidos no mundo e na sociedade. Mas não fala muito de opressão, de privação, nem do controle da população, exceto pela parte da Rainha Levana, mas isso é por causa de sua raça e sua busca pessoal pelo poder, não da distopia em si.
Também acho que algumas coisas não foram tão bem explicadas assim, não posso dar mais detalhes nesse caso, pois seria spoiler, mas vou esperar pelos próximos volumes para ver como vai ser a adaptação da autora para trazer as respostas desse livro e dessa protagonista, já que serão várias protagonistas diferentes, e como tudo será apresentado ao leitor.
Falando nisso, essa ideia de misturar várias personagens conhecidas de uma maneira diferente é muito interessante e estou louca para ler os próximos para saber o que vou achar, só espero que não fique algo mal resolvido. Tenho vontade de continuar a acompanhar a série sim, principalmente porque haverão outras protagonistas e eu posso gostar mais delas e dos seus pontos de vista. Para aumentar mais o meu ânimo, li uma resenha de Scarlet que me deixou ansiosa para lê-lo, principalmente porque me fez acreditar que vou preferir a próxima protagonista a Cinder.
Sobre o final e as revelações que acabam sendo apresentadas ao leitor, nada me surpreendeu, tudo o que aconteceu eu já desconfiava (para não dizer que tinha certeza), há bastante tempo, porque a autora soltou dicas certeiras durante o desenrolar da história, é só prestar atenção que você já sabe de todas as respostas rapidamente.
A diagramação está muito bem feita e com páginas amareladas. Esse livro é dividido em quatro partes e no começo de cada uma há um trecho de Cinderela original, e a narrativa é em terceira pessoa, acompanhando Cinder na maior parte das vezes, mas em alguns capítulos Kai é o foco principal.
Adoro essa capa, ela passa bastante a ideia da história, apesar de ser um pouquinho diferente do que acontece com a Cinder, além de ser linda. Fico feliz que a Rocco tenha decidido mantê-la. A versão impressa está ainda mais bonita, com verniz localizado no sapatinho, no nome da autora, e na logo da editora, o título está em alto relevo e prateado, ganhando muito destaque. A lombada também está maravilhosa e fica divina na estante, com verniz localizado também no título, nome da autora, logo da editora e sapato.
A respeito das continuações tem notícia boa e algumas ruins para quem não gosta de esperar tanto tempo para saber o que acontece em seguida. Lá fora o segundo volume, Scarlet já foi lançado e não deve demorar tanto para chegar ao Brasil, mas os dois últimos livros, Cress e Winter, só tem previsão para 2014 e 2015, respectivamente. Ou seja, ainda falta uma eternidade para sabermos como vai acabar essa saga.
Indico a leitura para todos aqueles que adoram novas versões de clássicos infantis, mais modernizadas e com personagens mais independentes, cheia de ação e com uma mistura muito bem feita de elementos bem diferentes. Só espero que vocês possam gostar mais da protagonista e da história de amor que ela vive do que eu. Vou ficar torcendo para que Cinder consiga lutar contra tudo e que tenha uma vida melhor daqui para a frente.
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