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Doidas e santas - Martha Medeiros

   “Doidas e Santas” é um livro que reúne algumas das melhores crônicas da escritora brasileira Martha Medeiros. Famosa por suas colunas publicadas em jornais, essa gaúcha já publicou também livros de poesia. Um de seus maiores sucessos é o romance "Divã", que foi brilhantemente adaptado para o cinema e alcançou grande bilheteria.
   As crônicas selecionadas para compor “Doidas e Santas” possuem temas bastante atuais. Aos poucos, parte da rotina de Martha – e, de certo modo, o de toda mulher moderna – toma todas as páginas. Ela comenta livros, filmes, notícias e pequenos episódios cotidianos, com um senso de humor inabalável e muita sensibilidade.
   Uma característica de Martha é a metalinguagem, ou seja, muitas vezes ela escreve sobre o próprio processo de escrever, aproximando o leitor dos assuntos explorados. Ela também faz referência a inúmeros personagens, recomendando e instruindo o acesso a cultura de primeiríssima qualidade.
   Além da qualidade do livro, o trabalho feito pela equipe de diagramação é igualmente fantástico. A capa é muito pertinente, capaz de sintetizar de forma muito eficiente o conteúdo das crônicas. O papel tem textura agradável e é muito bonito, mantendo por longo período aquele aspecto de recém-comprado.
   A leitura de “Doidas e Santas” é muito divertida e interessante, recomendada para um tipo de público exigente e interessado em conhecer a crônica interpretada como um diferente e dinâmico gênero textual. Simples textos certamente poderiam preencher as 230 páginas do livro, mas Martha não se contenta e nos concede algumas lições sobre as maravilhas e problemas incluídos no singelo ato de viver.
Quote
"A população do planeta está em plena atividade, todos trabalhando, planejando, comemorando, matando, sobrevivendo, um mundo no gerúndio, sem interrupções, e a gente consumindo tudo isso, soterrados por tanta notícia, por tanto apelo, por tanta exigência de opinar, concordar, discordar. Você poderia estar ouvindo uma música agora, olhando pro céu. Você poderia estar regando suas plantas, poderia estar observando o barulho da chuva, poderia estar preparando um chá ou lendo um belo poema em vez desses meus lamentos. Não, não me abandone, mas deixo aqui uma perguntinha: você tem recebido notícias de si mesmo?"
(Trecho de “Notícias de tudo”, P. 144.)

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