"O Rosto que precede o Sonho" conta sobre a história de Tomas Ventura, morador de um veleiro oceânico de 36
pés que flutua sobre o lago de Brasília, ancorado na Marina Norte. É um homem
solitário e procurava por isso. Depois da morte de seus pais, ele sempre se
culpou, pois tinha sinais de coisas que iam acontecendo, só não conseguia
entender, e foi ele que falou para seus pais irem à viagem que causaria seus
óbitos. Com o tempo isso foi melhorando, apesar de não deixar de ser algo
importante em sua vida.
Como é um
compositor de trilhas, seu violão, sua vitrola e seus discos sempre o
acompanham. Conheceu uma jovem chamada Aurora, com os olhos cor de mel que o
encantou muito. Ela era fotógrafa do National Geographic em Washington, e a
matéria que a levou à Brasília foi “Borboletas do Cerrado Brasileiro”, sugestão
dela já que seu pai morava lá. O encontro dos dois, a convivência, foi algo
mágico. Acho que muitas mulheres gostariam que fosse assim com elas, um
encontro de almas, afinidades, afins.
“Não passe a vida esperando por seu grande
amor. A hora sempre chega. Quando você menos imaginar, lá estará ele exatamente
dentro de seus próprios olhos.”
Quando
começo a ler um livro tento logo entrar na história, como se fizesse parte
dela, só assim entendo melhor e me coloco muitas vezes no lugar de um
personagem. Não precisei ir muito
longe com “O Rosto que precede o Sonho”, pois tudo foi se encaixando
perfeitamente no decorrer da leitura, e fiquei extasiada e feliz por participar,
mesmo que por fora, apenas com o papel de observadora, desse incrível romance.
Logo no
começo somos apresentados a um segredo, mas é só bem para o final que vamos
saber que segredo é esse, visto que ele guardou a caixa com papéis que o revelavam
e disse que não a abriria mais. Então vamos esquecer também, pois segredos são
segredos, quem não os tem?
Tudo se encaixa
muito bem e logo “descobrimos”, com as deixas que o autor solta com o passar
das páginas, como vai se desenrolar e terminar a história, mesmo deixando uma
dúvida em nossa cabeça. Mas teve um momento que eu não queria acreditar no que
lia, apesar de estar ali nas entrelinhas, bem explicado para um bom entendedor.
“– Acho que borboleta mesmo. Não importa
que não esteja no topo da cadeia alimentar. Olha só, no Japão elas significam
Espíritos Viajantes; no Vietnã, Longa Vida; pros egípcios antigos, a forma da
alma como a pessoa morria; e, nas culturas mexicanas antigas, a representação
do amor.”
Que história
sensacional e muito bem escrita! Adorei o protagonista, que é um homem
sensível, romântico, inteligente, vibrante, bem sucedido, e por causa dos
diálogos e das cenas vivenciadas por ele, me senti bem próxima. Também gostei
muito de Aurora, já que me identifiquei com ela, também a achei bem sensível e
carismática, e acho que ela formou um par perfeito com Tomas. Além dos dois
protagonistas, curti todos os outros personagens, mesmo que eles tenham
aparecido pouco, como Benjamin, seu melhor amigo, e outros amigos, que foram
bem importantes na trajetória do personagem principal.
O livro é
curto, tem apenas 174 páginas, a leitura é fluida e não cansa, a narrativa é
rápida, inclusive porque há muitos diálogos, o que eu achei bem legal porque
deixa o livro mais dinâmico, e ainda é bem envolvente.
Vários
trechos são letras de músicas e, como são em inglês, sempre vem com a tradução.
Acho isso muito importante porque tem leitor que não sabe a língua e muitos
livros de diversos autores não apresentam tradução.
Não sei se
mudaria o final, pois tudo se encaixou perfeitamente conforme o livro, mas eu esperava ter visto uma reviravolta,
inclusive porque o autor passou uma sensação de que isso aconteceria, e porque
eu, particularmente, prefiro finais mais felizes.
“Quero ser de forma completa esse em quem
me transformei. Ou no que me transformarei a cada novo instante. Porque não sou
mais o que era há alguns minutos antes de começar a escrever. Somos fruto das
nossas escolhas, e o que se apresenta é resultado de cada decisão que tomei ao
longo da minha trajetória.”
A capa,
mesmo simples, é bonita e passa a mensagem do livro, mas eu não gostei do rosto
da mulher atrás do cenário, acho que ficou poluído e teria ficado mais bonito
se fosse apenas a cena com o barco. O nome também tem bastante a ver com o
conteúdo.
A diagramação
está ótima, com fonte e espaçamento muito bons para a leitura fluir melhor. Em
cada capítulo, ou mesmo na passagem da história para outros diálogos ou
momentos, há uma nota musical, que achei fofa. E na última folha há uma
caricatura do rosto do autor, que adorei.
Uma frase
muito bonita de Gomyde, antes mesmo de começar a história deste livro que acho
legal citar para vocês: “Meus livros não são sobre minha vida. Minha vida, sim,
que é toda feita pelos meus livros.”
Essa é uma história
muito bonita, poderia até dizer, maravilhosa. Vida e morte, tudo entrelaçado,
em suas páginas, junto com um enredo marcante, uma narrativa emocionante e gostosa
de se acompanhar, com personagens ótimos e carismáticos. Tenho certeza que os
fãs de Nicholas Sparks vão se apaixonar por Mauricio Gomyde e sua deliciosa
escrita, e mesmo os que não são fãs, e gostam de um lindo romance, muito bom e
gostosinho de ler, recomendo essa leitura.
Avaliação
















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