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[Resenha] #PorQueEuLeio

Hoje a resenha é de um livro um pouco diferente, pois trata-se de um exemplar interativo para os apaixonados por literatura! Particularmente, adoro obras interativas, ainda mais quando junta com um tema que eu sou apaixonada, o que deixa a experiência ainda mais prazerosa. É por isso que fiquei encantada por este pequeno grande livro e tive que vir indicar a todos vocês que têm esse amor em comum comigo.
A edição é da Harper Collins Brasil e é MARAVILHOSA! Tem capa dura com verniz localizado na logo do título, elástico para prender a capa (tipo de agenda), as páginas são ilustradas, ainda contam com tipografias lindas para compor os textos e as páginas são bem grossas.
Com diversas atividades muito bacanas, a gente não consegue largar o exemplar até ter preenchido várias de uma só vez e sem nem ver o tempo passar. Ou seja, é divertido (tem coisas que nos faz rir de verdade!), relaxante, e muitas delas ainda nos fazem recordar de bons momentos com os livros.

Por exemplo, há páginas de Status de Leitura, para você preencher com o livro que está lendo, expectativas e opiniões, assim como o último lido e o que mais gostou dele ou o que espera do próximo. Há opções de construir sua própria história, desenhar capas de livros, fazer playlist para combinar com suas obras preferidas, escrever seus lugares favoritos para ler, relembrar quais títulos já abandonou, descrever um livro porcamente, emoldurar frases bonitas, criar seu próprio marca páginas, escolher signos para seus personagens favoritos e muito mais! Tem até Bingo de Clichês Literários (que por sinal preciso jogar para ontem! Hahaha) e uma página cheia de barquinhos para você batizá-los com os nomes dos seus Ships Literários (!!).

Além disso tudo, a obra conta com alguns quotes incríveis de autores sensacionais como Arthur Conan Doyle, Richelle Mead, Karin Slaughter, e vários outros, com temática literária, que deixam tudo melhor e mais bonito, e estão espalhados em diversos locais e em páginas com o fundo preto. Ou seja, tudo lindo!


10 anos com Mafalda – Quino

Eu gosto bastante de quadrinhos e Mafalda é uma personagem que me encantou desde que a conheci alguns anos atrás. Nunca antes havia lido tantas tirinhas dela de uma vez, mas curti bastante a experiência com este volume integral publicado pela WMF Martins Fontes, que une todas as tirinhas escritas e ilustradas por Quino durante todos os dez anos em que elas foram publicadas.
Este álbum é dividido em treze temas e acredito que os quadrinhos dentro de cada um são apresentados na ordem cronológica do tema, ou seja, as primeiras tiras do segundo capítulo não ocorreram necessariamente depois da última do primeiro capítulo, e assim sucessivamente. E mesmo que alguma tirinha apresente mais de um assunto, o mais importante ou que ganhe maior destaque dentre eles é que vai ser o tema do capítulo onde vamos encontrá-la.
E são eles, na ordem em que aparecem: A família, A rua, A escola, Assim vai o Mundo, Mafalda e a sopa, Férias, TV, Guile, Susanita, Felipe, Manolito, Miguelito e Liberdade. O interessante de ter sido separado desta maneira é que, quando há tiras sequenciais, elas ficam próximas umas das outras, trazendo bastante sentido já que lemos na ordem diretamente, mesmo que não tenham sido publicadas assim cronologicamente falando (uma história e sua continuação terem sido publicadas em datas sequenciais). E também, caso você queira procurar alguma específica, é muito mais fácil de encontrar assim.

Adorei poder ler este exemplar e me peguei rindo alto várias vezes! Mafalda, seus amigos e familiares são incríveis, bastante preocupados com o mundo e o bem estar social, e sempre apresentando temas pertinentes e reflexivos de uma forma leve e gostosa de ler e ainda divertidos no processo.
A leitura é muito fluida, principalmente levando em consideração que são pequenas histórias, então a gente acaba lendo muito rápido e, quando percebemos, já chegamos ao final com aquela sensação de que queríamos mais.

Além das tirinhas sobre questões mundiais e sociais, me identifiquei muito com seu protesto contra spoilers, que aparece em uma das primeiras historinhas do livro e provavelmente da existência da personagem. É bastante engraçada e me senti como a protagonista naquele momento.

Acredito que o sucesso de Mafalda e sua turma se deva a esta combinação da inocência dos personagens principais com as percepções e críticas pertinentes que eles fazem sobre o mundo e a sociedade. Isso se deve ao fato de que todos são crianças e ainda estão aprendendo mais sobre o mundo, como ele realmente funciona, e as questões sociais, e ainda apresentam pontos importantíssimos e de forma inteligente, já que realmente ficam indignados com o jeito como o ser humano age de maneira geral e as consequências destes atos para o planeta ou para o próximo.

Antes do começo dos quadrinhos em si, há uma entrevista de algumas páginas de Rodolfo Bracel com Quino, realizada em abril de 1987, vinte anos após sua primeira entrevista com o quadrinista, que havia sido feita em 1967, quatro anos depois da primeira aparição pública de Mafalda. Com as respostas de Quino depois de ter vivido em função da personagem por dez anos inteiros, e passado quatorze desde sua última publicação, pudemos conhecer como é sua relação com a protagonista e alguns dos outros personagens, e também entender o que mudou em sua visão de mundo. Achei realmente muito interessante podermos ter essa possibilidade de conhecer uma opinião tão franca de um criador sobre sua obra tanto tempo depois e perceber como as coisas realmente mudaram ao longo destes anos.

“ – Acho que vamos parar no espaço.
- Porque explodiremos em estilhaços ou porque voaremos em foguetes?
- Porque voaremos em foguetes. Eu era muito pessimista. Agora acredito que a inteligência humana saberá sobrepor-se a todos os perigos.”

A parte gráfica está bem bonita, com uma ilustração da Mafalda fofa e colorida na capa, mas o miolo é inteiramente em preto e branco, acho que teria ficado mais bacana se fosse colorido também. A fonte do texto está bem confortável para a leitura, as folhas são bem grossas, amarelas, e de um material de alta qualidade, a impressão está muito boa, no início de cada capítulo há o título e uma ilustração do tema central bem grande, ocupando a página inteira, e cada folha dentro do capítulo apresenta quatro tiras. E na parte da entrevista, no começo do livro, há algumas fotos do autor, também em preto e branco.

Este exemplar de 192 páginas é de um tamanho maior que o padrão de livros nacionais, e tem 27,50 cm x 20,00 cm, mas, infelizmente não tem orelhas, o que é ruim porque acaba amassando as pontinhas da capa com facilidade, que é mole e eu teria curtindo ainda mais se fosse capa dura.

Quino é realmente genial e consegue trazer toda sua engenhosidade para o papel, com personagens bem construídos, de personalidades definidas e socialmente responsáveis, que transmitem reflexões, questionamentos e concordâncias nos leitores com facilidade, principalmente por tratar de questões importantes com muito humor, ironia, leveza, seriedade e ainda toda a inocência que as crianças têm. Fabuloso e mais do que recomendado para pessoas de todas as idades!
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Primavera – Oskar Luts

Quando eu vi a capa deste livro pela primeira vez, logo me encantei com a ilustração, já que gosto bastante de livros com a capa ilustrada. Li a sinopse e logo me vi apaixonada por esta história, principalmente por ser passada na Estônia, país que não conheço muito. Então, assim que tive a oportunidade, comecei a minha leitura. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito desta obra de Oskar Luts publicada aqui no Brasil pela Editora Biruta.
Em “Primavera” conhecemos a história de um grupo de crianças que estudam na escola paroquial da zona rural da Estônia e que, apesar de diferentes personalidades, elas sabem se divertir cada uma de sua maneira, aprontando várias coisas e fazendo muita bagunça, mesmo com a escola sendo dirigida por um sacristão exigente e muito chato. Vemos, como é característico da idade, que eles estão em uma fase de novidades, de descobertas e aprendizado, principalmente sobre o certo e o errado.

Acompanhamos a vida dessas crianças, principalmente dos protagonistas: Arno, Teele e Toots, e aprendemos um pouco também sobre a cultura estoniana, principalmente a da área rural. Os personagens são ótimos e muito bem construídos, cada um com sua personalidade. Arno é o menino de bom coração, e mesmo sendo um pouco ingênuo, ele é bem inteligente. Teele é a menina é fofa e carinhosa, ela é a típica menina da época, que espera por um pretendente. Já o Toots é aquele garoto esperto e sagaz, que vive se metendo em várias confusões.

Adorei conhecer um pouco mais sobre eles e ver que, apesar da pouca idade, já têm um pouco de amor de criança na história, e que mesmo com um sacristão exigente, eles conseguem se divertir e nos proporcionar boas risadas, apesar de várias vezes eu me pegar achando estranho alguns fatos, pela minha cultura ser totalmente diferente, como o fato de eles beberem vodka.

A capa, como já falei lá no início da resenha, é uma fofura e representa bem a história. Este exemplar contém várias ilustrações da artista gráfica Sandra Jávera também no miolo, com o mesmo traço da capa (só que em preto e branco), o que achei bem legal, já que complementam o que a gente está lendo e dão um charme bem adorável à história. O resto da diagramação interna também está muito bem feito, com fonte e espaçamento em tamanhos confortáveis e grandes margem em cada página, além disso, as folhas são amarelas, facilitando a leitura.

Este livro apresenta uma narrativa rápida e que flui bem, que consegue nos capturar desde o começo com uma história leve e descontraída, de uma cultura diferente da nossa, em um período bem distinto do nosso atual. A forma de narrativa do autor pode não agradar todo mundo, mas eu curti bastante acompanhar esta história.

Apesar de não ser muito conhecido no Brasil, Oskar Luts foi um escritor estoniano muito famoso em seu país e deixou um grande legado de obras, de romances e contos a folhetins ou peças de teatros, entre outros. “Primavera” foi o primeiro livro escrito por ele e também o mais popular, que foi traduzido para vários países e também adaptado para muitas versões, tanto na literatura, quanto performances, filmes, pesquisas, eventos, etc.

Recomendo este título para todo mundo que procura uma leitura agradável, com uma trama bem leve e muito bem contada, que narra sobre a vida de jovens que estudam em uma escola paroquial, mas que conseguem se divertir e aprontar várias coisas, nos proporcionando ótimas risadas. Também é ótimo para quem busca conhecer outras culturas e comportamentos, saindo da nossa zona de conforto para explorar o mundo. Eu adorei a experiência!

Avaliação