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Lugares Escuros - Gillian Flynn

Depois de me aventurar em “Objetos Cortantes” e ter amado a narrativa de Gillian Flynn, resolvi que já estava mais do que na hora de ler os outros títulos da autora. Por esse motivo, mergulhei em “Lugares Escuros”, e agora venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões.
Nesse volume conhecemos a história de Libby Day, uma mulher que tinha apenas sete anos de idade quando testemunhou o terrível assassinato da mãe e das duas irmãs na fazenda de sua família. Seu irmão, Ben, acabou sendo o acusado do crime, pegando como pena a prisão perpétua graças ao seu testemunho. Desde então, nossa protagonista vive uma vida sem rumo, sem amigos, família ou trabalho. Agora, aos trinte e dois anos, ela tem uma vida de depressão, sendo uma mulher mentirosa, cleptomaníaca, que vive de auxílio desemprego e de um fundo de doações que recebeu quando o caso de sua família foi parar no jornal e chocou a cidade.   
Quando Libby é procurada por um grupo de pessoas que estão convencidos da inocência do seu irmão, vemos que nossa protagonista vê esse fato como uma oportunidade de conseguir dinheiro, já que seu fundo está quase no fim, fazendo com que ela tenha que começar a pensar na ideia de procurar um emprego.
Com isso, ela vai na reunião desse grupo, pois lhe ofereceram quinhentos dólares, e passa a vender para essas pessoas fotos, bilhetes e as memórias de sua família. Com essas novas pessoas em sua vida, nossa protagonista passa a se perguntar coisas que nunca se questionou e tenta desvendar se foi mesmo a voz do seu irmão que escutou no passado.
Com uma narrativa um pouco diferente, já que não é linear, vamos para o ano de 1985, onde encontramos um narrador onisciente contando o dia de Ben e de Patty Day para entendermos um pouco mais da história. E depois voltamos para a data atual da trama, com uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista de nossa personagem principal, Libby Day.


Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Eu já havia lido “Garota Exemplar”, de Gillian Flynn, e amado muito a escrita dessa autora, já que ela tem uma narrativa que te prende em todos os momentos e te deixa viciado de muitas maneiras. Assim que a tive a oportunidade de ler “Objetos Cortantes”, mergulhei novamente no universo de Gillian e, agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões sobre esse título que recentemente ganhou uma adaptação em formato de minissérie na HBO, estrelada por Amy Adams.
Nesse volume, conhecemos Camille Preaker, uma jornalista de um jornal sem prestígio em Chicago, que acaba de ser enviada para sua cidade natal, a pequena Wind Gap, que fica no Missouri, para que possa escrever uma matéria sobre o desaparecimento de uma menina e o assassinato de outra. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar uma tendência à automutilação, nossa protagonista é enviada sem recursos para sua antiga cidade, fazendo com que ela tenha que se hospedar na casa de sua família para conseguir realizar essa reportagem, uma vez que o jornal precisava de uma matéria que fosse muito boa para recuperar um pouco da decadência que estava enfrentando.
Logo no princípio, vemos que ela não tem interesse nenhum em voltar para a sua antiga cidade. Além de não ser próxima da sua mãe e ter uma meia-irmã praticamente desconhecida, ela se afastou desse local há oito anos e não pretendia ter que lidar com o seu passado agora. Porém, por conta da matéria do jornal, as coisas mudam e ela se vê de volta a sua antiga casa e tendo que enfrentar todo o seu passado.
A medida que vamos acompanhando nossa protagonista de volta a Wind Gap, vemos as suas investigações e seus reencontros com lugares e pessoas do passado. E vamos cada vez mais conhecendo a história de Camille, sua mãe neurótica e severa que com certeza é responsável por muitos dos problemas de nossa protagonista, sua meia-irmã perturbada e, ao mesmo tempo, uma completa desconhecida, que apesar de só ter treze anos já guarda muito rancor e ódio dentro de si, e várias outras pessoas importantes para o desenrolar da trama. Adentramos nesse universo criado por Gillian Flynn, que consegue nos prender em todos os momentos com várias reviravoltas e descobertas, e onde criamos muitas teorias para descobrir o que realmente aconteceu.


A narrativa desse livro é em primeira pessoa, o que foi bem legal, já que assim conseguimos entender um pouco mais a nossa protagonista, o que passa em sua cabeça, e os motivos para ela se automutilar, quando começou a fazer isso. Foi uma narrativa tensa, com uma linguagem envolvente que a gente não consegue largar nem por um minuto até descobrir quem é o verdadeiro assassino e finalizar essa história.