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O Efeito Rosie - O Projeto Rosie #02 - Graeme Simsion

Depois de decidir que estava na hora de ter uma esposa, definir um projeto para encontrar a mulher ideal, e mudar tudo quando o amor bateu à sua porta e ele se apaixonou por Rosie, alguém completamente diferente do que esperava, Don finalmente está mais feliz do que nunca.
Agora, com quarenta e um anos, e casado com a mulher mais perfeita do mundo de acordo com a sua visão, Don se muda para Nova York. Juntos, eles vão começar uma nova vida, mais leve, menos complexa e com muitas tentativas – várias delas sucedidas – de fazer as coisas de maneira mais espontânea, sem programar ou padronizá-las. É claro que este ainda é um caminho árduo para ele, mas Don não vai desistir, afinal também deseja manter Rosie feliz e amada.
Até que tudo muda completamente: Rosie lhe conta que eles têm “um motivo para comemorar”, que Don não consegue enxergar da mesma maneira que ela, afinal irá mudar todo o sistema de sua mente e também a vida a dois, que ele conhece tão bem e gosta do jeito que está.
É claro que ele, como já era de se esperar, corre atrás de informações e respostas para poder fazer tudo da melhor maneira possível, mas às vezes os protocolos tradicionais e conselhos de pessoas de fora podem acabam complicando tudo ainda mais. As mentiras começam a surgir, formando um emaranhado de farsas e fingimentos, que poderão afetar mais do que o esperado a vida de Don e também a de Rosie e de outras pessoas que eles conhecem. E o risco é alto, afinal ele pode ser deportado, perder sua credibilidade profissional, ser processado e, o pior de tudo, perder para sempre a pessoa mais importante de sua vida, Rosie.
Como Don vai sair desta rede de mentiras e se safar do pior? Será que o relacionamento do casal vai durar e ficar ainda mais forte do que nunca ou será que tudo o que viveram vai cair por água abaixo, restando apenas uma vaga lembrança?
O primeiro volume desta duologia, “O Projeto Rosie”, foi publicado em 2013 aqui no Brasil e, quando li, gostei bastante da história e, principalmente, do protagonista. Tem resenha do exemplar aqui no blog e vocês podem conferir minhas opiniões clicando no título. Então, quando vi que uma nova trama acompanhando este personagem carismático seria publicada, fiquei bastante empolgada e louca para lê-la. E foi o que fiz assim que a peguei em minhas mãos.
É uma leitura gostosa, leve, descontraída e divertida. Don é um protagonista maravilhoso e me peguei rindo em diversos momentos com ele. Adoro o seu jeito de ser, principalmente porque ele acaba tendo um lado mais inocente e adorável. Realmente gostaria de ter um amigo como Don em minha vida.
Mas tenho que confessar que achei a Rosie bem, mas bem chatinha mesmo neste volume. Em alguns momentos ela me irritava de uma forma que até me deixava com vontade de largar a leitura, mas continuei mesmo assim só porque o livro é narrado por Don, então, consequentemente, as partes dela eram menores do que as dele. Se fosse ela a protagonista eu provavelmente teria abandonado.
O que mais me incomodou nela foi que parecia uma criança mimada quando as coisas não saiam de seu jeito. Don não é como qualquer outro homem, ele é diferente de um jeito positivo, e vê o mundo de sua forma única. E ela sabia disso desde o princípio. Mas só agora, depois de mais de um ano de casada, é que ela começa a agir como se estivesse lhe conhecendo pela primeira vez, como se ele estivesse agindo de uma maneira diferente do que ela queria – nem apenas o que era esperado, ela desejada que ele fosse o que ela QUERIA, exatamente sem nenhuma coisa fora do lugar, com as respostas que gostaria de ouvir e agindo da forma que ela achava que seria a correta. Ou seja, ela buscava um boneco que pudesse controlar com o poder de sua mente, porque nem mesmo com palavras ela o confrontava, apenas esperava que ele agisse da forma que queria. E olha que Don tentou! Como ele tentou fazer de tudo para agradar a esposa, mesmo com dificuldade de entender o que ela queria e lhe dar rapidamente estas coisas, ele tentava, mas, ainda assim, ela se irritava. Não compreendi onde que sua personalidade ficou tão babaca, mas eu realmente não gosto mais de Rosie e não posso nem olhar para esta história de amor com os mesmos olhos. Até acho que Don merecia alguém melhor.
Um personagem do qual eu não consigo gostar é Gene. Sua personalidade não me agrada em nada, mas, em compensação, admiro o modo como trata Don, e acho que ele é realmente essencial na vida de nosso protagonista, já que o ajuda e o aconselha em muitos momentos, diversos deles cruciais. Por outro lado, neste volume tivemos algumas adições bem interessantes, sendo uma delas George, que gostei de conhecer, além de participações de alguns outros que já conhecíamos do volume antecessor, que fizeram bastante diferença aqui também.


O Projeto Rosie – Graeme Simsion

Em “O Projeto Rosie” conhecemos o protagonista Don Tillman, um homem de 39 anos, alto, bonito, com um corpo admirável, é inteligente e um geneticista e professor associado, e recebe um salário acima da média, ou seja, no papel ele seria um perfeito candidato a atrair mulheres de uma forma bem sucedida. Mas não é o que acontece, já que Don tem um grande problema de inabilidade social e não consegue construir amizades, menos ainda relacionamentos amorosos.
Até que, por ironia do destino, ele acaba tendo uma ideia de montar o Projeto Esposa, que consiste em um formulário que ele vai usar para filtrar as mulheres através de suas diversas respostas bem específicas e, assim, escolher uma parceira perfeita para se casar.
Don possui apenas dois amigos, Gene e sua esposa Claudia, e com a ajuda deles para definir ou reformular algumas perguntas que quer fazer em seu questionário, ele coloca seu Projeto Esposa em vigor. Nada está saindo como ele esperava e todas as candidatas acabam sendo inadequadas. Até que Gene diz que vai lhe ajudar e manda à sua sala uma mulher de nome Rosie, bem atraente, para Don conhecer. A princípio ele imagina que ela é uma forte candidata, até que a conheceu um pouco mais e percebeu que ela era totalmente inadequada e não tinha apenas uma característica contrária ao que dizia no questionário, e sim muitas delas.

O que ele não poderia imaginar, muito menos acreditar, é que seus instintos iam começar a agir, e ele mesmo se comportaria de forma irracional e algo imprevisto aconteceria: suas emoções passariam a ser bem controladoras, mesmo que seu lado racional estivesse questionando tudo.
Uma das primeiras coisas que me veio à mente quando comecei a leitura é que Don possui características que me fazem lembrar de dois personagens bem conhecidos pelo público em geral, Sheldon da série de TV The Big Bang Theory, e Pat do livro de Matthew Quick, “O Lado bom da vida”, que também tem um filme homônimo. Ele não é igual a nenhum dos dois, pelo contrário, Don é um personagem único, como ele mesmo pensa sobre si, e eu não poderia discordar dele, mas algumas de suas peculiaridades podem ser encontradas (mesmo que apenas de forma semelhante) nesses outros dois personagens.

Eu poderia dizer que Don é um ser humano complexo, mas não acho. Ele pode ser estranho e excêntrico, mas é bem simples de ser entendido, afinal tudo o que ele diz é exatamente o que quer dizer, e ele é bem direto e sincero demais, o que pode ser bom ou ruim, já que às vezes ele magoa as pessoas e nem mesmo se dá conta disso porque tem um grande problema em ter qualquer tipo de sentimento em relação ao próximo.

Ele também é metódico, cheio de manias e programações, gosta de tudo certinho, sem atrasos, sem desperdícios, e, eu poderia dizer, é meio ingênuo, já que ele não interpreta bem metáforas ou ironias, porque só entende o que a pessoa diz ao pé da letra, como se aquelas palavras fossem realmente o que ela queria falar, sem precisar de interpretações.

“– Então, qual vai ser seu veneno? – perguntou Amghad.
 – Veneno?
– O que quer beber?
Claro. Mas por que, por que, por que as pessoas não dizem simplesmente o que querem dizer?”

Mesmo que Don não tenha a capacidade de sentir empatia pelas pessoas e por personagens de ficção, eu tenho, e acabei sentindo empatia por ele. Gostei muito do personagem, das situações vivenciadas por ele, que, digam-se de passagem, foram hilárias em diversos momentos, mas às vezes queria que ele pudesse entender o que estava passando ali, sem ter que olhar para aquilo com seu jeito tão racional, para parar de magoar as pessoas, afinal a emoção também faz parte do ser humano (se não ele, os outros), por mais que tente se evitar às vezes.
Dos personagens secundários, gostei bastante de Rosie, Daphne, que teve pouca participação, mas que foi de grande importância, e de Claudia, por quem torci para uma vida melhor, já não gostei nada de Gene, porque ele é um babaca que só pensa com a cabeça de baixo, e não se importa se isso magoa sua própria esposa.

A história é narrada em primeira pessoa por Don, e acho que isso que fez o livro ser ainda mais especial, não dava para passar tanta realidade e o leitor teria dificuldades de entender/apreciar o personagem se só pudesse acompanhá-lo com distância, através de uma narrativa em terceira pessoa.
Também achei interessantes as referências a filmes e músicas conhecidos, já que é bom reconhecer o que é citado na história, e achei ótimo como Don usou os filmes para modificar algumas coisas, achei divertido.
Não gostei tanto assim do final, não pelos acontecimentos em si, mas como eles nos foram apresentados. A história seguia todo um ritmo, e fiquei na expectativa para ver certas cenas se desenrolando, mas no final elas já aconteceram e ele apenas nos conta mais sobre isso, senti como se fosse um daqueles filmes que vão passando frases falando do futuro dos personagens, mas não nos mostra as cenas. Mesmo assim, eu gostei de como ele percebeu o destino e como tudo se encaixou perfeitamente para que ele chegasse aonde chegou.

Acho essa capa lindíssima! Ela pode ser simples, mas todos os detalhes tem alguma ligação com o conteúdo da história, as cores e a forma como ela foi planejada e impressa, deram todo um toque a mais para sua beleza. O título, a linha traçada e o nome do autor estão em alto relevo com verniz localizado, e todos os elementos ali representados também estão com verniz. A textura e a cor, que é clarinha e contrasta com a lombada em laranja, também ficaram ótimas. Já a diagramação de dentro não possui nada de diferente, apesar de estar muito bem feita, com fonte e espaçamento confortáveis para leitura, e as páginas são amareladas.
Com certeza indico essa leitura a todos que buscam uma comédia romântica deliciosa, envolvente, com um protagonista estranhamente engraçado e divertido, e o desenvolver de um sentimento tão bonito quanto o amor, mesmo em quem não tem a capacidade de sentir emoções.
Avaliação



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