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Artemis Fowl - Código Eterno - Artemis Fowl #03 - Eoin Colfer

Eu não costumo seguir lendo uma série longa por muito tempo, isso porque eu gosto de variar a temática, o estilo de narrativa e até mesmo o gênero, mas vez ou outra eu dou sorte de conseguir vários da mesma série e não enjoar dos livros e seguir lendo, com Artemis Fowl está sendo assim, e o terceiro volume da série Código Eterno escrito pelo autor Eoin Colfer segue despertando atenção. Atenção contém spoilers de livros anteriores.

Artemis Fowl está com seus dias de crime contados já que seu pai está na reta final de recuperação e está esperando mudanças do filho, como uma último plano ousado ele cria um supercomputador com a tecnologia roubada das fadas, e espera conseguir com ele chantagear um empresário com ligação com a máfia, mas o plano brilhante do garoto prodígio não sai como esperado, e ele terá que lidar com perigos maiores do que o esperado.

É muito grande a mudança que o jovem Fowl teve desde as primeiras páginas do primeiro livro até este, de jovem imprudente e sem sentimentos, ele passa a um pré-adolescente que quer vingar o pai e tentar entrar na linha, mais do que isso ele se vê em uma situação de vida ou morte que abala suas certezas e o deixa muito vulnerável. Gostei da transformação que vem acontecendo no jovem, que não passa a ser exatamente o mocinho ainda, mas também não ocupa o cargo de vilão.

A capitã Holly também está cada vez mais ligada ao menino, embora ainda não totalmente assumida já o considera como amigo e nutre carinho pelo mesmo, mas as tradições de seu povo a impede de ter uma amizade propriamente dita com o mesmo. Embora soltem faíscas juntos a dupla Fowl e Holly funciona muito bem junto, já que ambos são destemidos e muito inteligentes.

Butler, o guarda-costas de Fowl tem aparição curta na trama, e é sua irmã Juliet que tem mais espaço. Não gosto muito dela, já que ela é um impulsiva demais e comete muitos erros pelo seu comportamento. Já o anão Palha é admirador de Artemis e estabelece uma relação um tanto inesperada de cumplicidade mútua, embora de índole duvidosa, já que ele não resiste ao roubo e a acumular ouro. O anão é um personagem interessante e engraçado que têm talentos peculiares e que muito ajudam na missão principal do livro.

O empresário americano acaba sendo um inimigo a altura de Fowl, e isso o faz ficar frente a um sentimento que não costuma ter ou lidar que é a falha e a frustração. Isso também acrescenta camadas na transformação do jovem que fica cada vez menos ambicioso.


Artemis Fowl - Uma Aventura no Ártico - Artemis Fowl #02 - Eoin Colfer

Embora boa parte do que leio sejam livros de séries raramente consigo ler os próximos volumes, seja porque eu não tenho a continuação, seja porque ela não foi lançada. E verdade seja dita eu gosto também de transitar entre mundos, e não ficar muito tempo presa em lugar nenhum. Mas quando surgiu a oportunidade de já ler o segundo volume da série Artemis Fowl, Uma Aventura no Ártico, do autor Eoin Colfer, publicado pela editora Record, eu não me fiz de rogada e parti para a leitura.
Embora continue conseguindo dinheiro Artemis ainda não conseguiu encontrar seu pai. Obcecado pela busca ele está investindo seu tempo e dinheiro para encontrá-lo. Pronto para ir a Rússia atrás de uma pista, ele acaba sendo convocado pelo seres feéricos para ajudá-los em uma missão, e acaba também encontrando ajuda em sua busca. Em uma jornada de tramas políticas e poder, Holly, Artemis, Butler e Comandante Raiz viajam pelas entranhas da terra para descobrir quem está por trás de uma rebelião de goblins, e ao mesmo tempo resgatar o pai do menino.
Neste volume conhecemos com mais detalhes os goblins, criaturas mais rústicas e ignorantes, conhecidas por serem burras e incapazes de criar um plano sozinhas. Elas são usadas pela mente criminosa como massa de manobra, mas sua falta de inteligência acaba sendo sua falência.
Em comparação com o livro anterior Fowl está bem mais introvertido e calado, podemos atribuir isso a dois fatores, primeiro ele está ficando mais velho e ganhando um pouco de conhecimento. Segundo como a aventura envolve seu pai isso o deixa mais vulnerável emocionalmente, afinal por mais que ele seja um gênio ainda é um jovem de treze anos que não sabe se o pai está vivo.
A interação do grupo, Holly e Comandante Raiz com Artemis e seu guarda-costas Butler é bastante interessante, já que existe um equilíbrio entre os personagens, o que possibilita agirem bem juntos. Os duendes acabam por ver o lado mais humano de Fowl que era tido por eles antes como alguém terrível e sem coração. Já o menino começa a respeitar mais o mundo das fadas, já que começa respeitar e admirar seus integrantes.
O livro se demora para revelar todos os lados da trama, a narrativa é feita em terceira pessoa por uma testemunha ocular, que narra sob diversos ângulos os acontecimentos, as vezes até mais de uma vez o mesmo trecho da estória para que possamos ter uma ampla visão de tudo. Embora detalhada em seu desenrolar achei o desfecho um pouco simplista, especialmente no trecho que se refere ao pai de Artemis.


Artemis Fowl - O Menino Prodígio do Crime - Artemis Fowl #01- Eoin Colfer

Desde que me tornei leitora assídua de livros, em especial de fantasias, eu quero ler a série Artemis Fowl, mas desde então ela nunca teve um valor acessível. Até que o kindle tornou esse livro acessível, e Artemis Fowl - O Menino Prodígio do Crime, escrito por Eoin Colfer e publicado pela Record foi finalmente lido!

Artemis Fowl tem apenas doze anos, e não é como nenhum outro menino de sua idade, dono de uma inteligência única acaba desenvolvendo uma mentalidade genial para o crime, tradição de sua família. Seu pai desapareceu, e o dinheiro da família não é mais o mesmo, depois de algumas pesquisas ele desenvolve um plano para reaver um pouco de dinheiro para fortuna da família, ele pretende sequestrar uma fada, e conseguir o famoso pote de ouro do fim do arco-íris, mas nem tudo será tão fácil como parece!

Este livro foi lançado em 2001, e depois de quase dezoito anos ele poderia facilmente não soar original com tantas publicações depois. Mas tanto tempo depois ele é ainda criativo e muito envolvente. A narrativa é feita em terceira pessoa através do olhar de um individuo do mundo das fadas que teve acesso a todo caso. Este ser é objetivo, com toques de humor negro e até faz alguns comentários sobre a estória ao longo da mesma.

O mundo das fadas abordado por Eoin tem muitas informações da mitologia clássica desses seres, mas aliada a um tecnologia de ponta desenvolvida pelos mesmos. Tem um toque de magia, mas é pequena, o foco mesmo é na tecnologia que trás a trama toda uma atmosfera de ação e clima de agentes secretos.

Juntar seres tão antigos quanto gnomos e fadas com tecnologia é inusitado, e pode parecer não ser um boa combinação, mas o autor foi capaz de criar uma boa harmonia entre as partes quando ao mesmo tempo que temos um centauro Potrus que é responsável por todo controle tecnológico, e também existe um livro que regula as leis e tradições deste povo quanto aos seus comportamentos e crenças, assim temos um equilíbrio entre as partes.

Fowl é um menino que não parece nada novo, o fato de logo cedo se ver sem o pai e com a mãe doente fez com que ele usasse sua inteligência de forma fria e calculista para alcançar seus objetivos. Ele demonstra sentimentos e afetos pela família, mas não permite que os mesmos impeçam que ele alcance seus objetivos. É muito focado e estudioso, pensando sempre em todos os aspectos de seu plano, e não sabendo lidar com seus raros fracassos.

A Capitã Holly Short, é uma fada que acaba presa a Fowl. É teimosa, e por seu ímpeto em fazer as coisas do seu jeito que acaba presa neste plano. Ao mesmo tempo em que quer sobreviver também mostra um lado muito humano e empático. O Comandante Julius Raiz é quem tenta arrumar toda a bagunça que esse sequestro gera, muito rabugento, ele é o mais sério do mundo subterrâneo.

Buttler é o mordomo de Artemis, é seguidor fiel do patrão mesmo quando não compreende os planos do garoto. É a força bruta que o jovem ainda não tem. E a irmã do mordomo, Juliet é seu ponto fraco.

As diversas criaturas que surgem do mundo das fadas são muito interessantes e repletas de personalidades únicas e envolventes. A pluralidade de seres e características ligadas a elas trás todo um colorido interessante a estória.



Quando Eu Parti - Gayle Forman

Quando li a sinopse deste volume, achei bastante interessante a história. Além disso, eu já havia lido outros livros dessa mesma autora, e me apaixonado pelo seu tipo de narrativa, que consegue nos prender em todos os momentos. Por este motivo, quando vi que a Record iria lançar um novo exemplar de Gayle, não pude de deixar de colocar na minha lista de leituras que precisava realizar. E, logo que me foi possível, comecei este título. Agora, venho compartilhar tudo o que achei desta obra.
Em "Quando Eu Parti" conhecemos a história de Maribeth Klein, uma mulher de quarenta e quatro anos que tem uma vida bastante sobrecarregada, isso tudo porque ela concilia seu trabalho atarefadíssimo, junto com o marido e dois filhos gêmeos superativos. Então ela mal percebe que está tendo um ataque cardíaco quando isso acontece.
Depois de uma complicação inesperada no procedimento cirúrgico, nossa protagonista começa a refletir sobre a sua vida, revendo seu casamento, família e trabalho. E quando ela percebe que está sendo considerada um fardo dentro de casa pelos seus filhos e marido, por estar se recuperando e com algumas restrições, resolve tomar uma atitude para mudar toda a sua vida.
Maribeth, então, sai de casa sem falar de seu paradeiro para ninguém de sua família, mudando de cidade, e alterando, inclusive, seu nome e endereço, para se recuperar e tentar se reencontrar. Nessa nova cidade, ela acaba vivendo uma nova vida, tem um novo relacionamento, etc.
O livro é bem interessante, apesar de não conseguir entender muito as motivações da protagonista para decisões tão radicais, e do motivo de ela ter criado uma nova vida esquecendo-se dos filhos. Esquecer-se do marido até dá para entender e tal, mas dos filhos? Isso me incomodou bastante durante a leitura. Acho que esse fato acabou sendo bem decepcionante para mim, fazendo com que eu não conseguisse criar nenhum laço de simpatia com a personagem, o que, consequentemente, fez com que eu não curtisse tanto assim a leitura.
Narrado em terceira pessoa com o ponto de vista de nossa protagonista, temos a descrição dos seus sentimentos e ações de forma mais ampla, nos mostrando tudo o que estava acontecendo ao seu redor. O livro tem uma narrativa rápida e fluida, e consegue nos conquistar com os personagens secundários, que dão um show à parte, e, para mim, foram a melhor parte do livro. Maribeth não me conquistou, e eu realmente achei que ela não parecia uma mulher madura, nem que tinha quarenta e quatro anos.


Becky Bloom ao Resgate - Becky Bloom #08 - Sophie Kinsella

Para mim é muito difícil falar sobre Becky Bloom sem dizer o quanto amo essa série. Acompanho-a desde o início, e, em cada livro, devoro as palavras de Sophie como se fossem as últimas, já que não consigo largar. Quem me conhece sabe que seus títulos são alguns dos meus livros preferidos de todo o mundo. E, por este motivo, fico contando os dias para seus lançamentos (e esperar é uma tortura para mim).  Então, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito deste novo exemplar da série de sua protagonista mais famosa.
Esse volume foi diferente dos demais, já que, geralmente, todos os livros dessa série tiveram um final, exceto pelo sétimo. Claro que são do tipo que deixam a possibilidade de continuação, mas nenhuma história acabou no meio, como o do volume anterior fez. Então, fiquei ainda mais louca para saber o que iria acontecer, e no que o seu pai tinha se metido.
Para quem não leu o volume anterior, Becky foi para Los Angeles, já que Luke foi trabalhar com uma importante atriz de cinema, e vimos que nessa grande cidade ela se meteu em várias confusões e acabou até mesmo virando uma celebridade. Sua vida virou de cabeça para baixo e ela acabou se esquecendo de visitar um velho amigo de seu pai, como o mesmo havia pedido, e, quando ela o fez, ele havia acabado de ser despejado do trailer onde morava.
Quando ela avisou ao seu pai que o amigo havia sido despejado, o mesmo foi para os EUA a fim de resolver uma grande injustiça. Então, ao chegar à casa da Becky, ele sai em uma viagem com Tarquin e Bryce (professor do Golden Peace) para resolver as coisas do passado. Acontece que todos ficam desesperados por não saberem de nada, e, aí, entramos nesse novo volume.
Becky está nervosa, pois suas últimas atitudes foram um pouco egoístas e agora seu pai está desaparecido, tendo deixado apenas um bilhete. Como Suze estava desesperada, já que Tarquin foi com o pai de Becky sem deixar pistas, e por acreditar que Bryce estava fazendo uma lavagem cerebral nele para arrancar o seu dinheiro, ela também ficou agoniada e criou uma nova amizade com ninguém menos do que Alicia, a vaca pernalta. Agora, todo mundo está em uma road trip até Las Vegas para tentar desvendar os mistérios do porquê de eles entraram em uma grande aventura para resolver questões do passado, sem contar nada para ninguém, e que questões são essas.
Com poucas pistas, vemos que nossa protagonista não desanima na busca de seu pai, e fica com medo de ter perdido o seu posto de melhor amiga para Alicia, já que Suze não parece querer a companhia da mesma. Porém, nessa viagem vemos muitas aventuras e diversão do tipo que sempre encontramos ao ler os volumes dessa série. Janice, que é amiga de Jane (mãe de Rebeca), também veio da Inglaterra para ajudar, e nesse volume foi bem participava na história, nos proporcionando boas risadas.
Além do mais, aqui também temos bastante mistério, já que queremos descobrir qual injustiça o Graham queria corrigir, além de querermos saber o motivo para que todos as filhas dos amigos de seu pai, que fizeram a viagem com ele quando ele era novo pelos EUA, colocaram o nome de suas filhas de Rebeca.


O Ar Que Ele Respira - Elementos #01 - Brittainy C. Cherry

Elizabeth viveu um ano terrível depois de perder seu marido em um acidente, e precisa encontrar forças todos os dias para continuar vivendo. A sorte dela é que existe sua pequena Emma, a amada filha, que a mantém sã e a faz seguir com a vida, já que precisa fazer tudo parecer normal e deixá-la feliz. Durante este período de luto, elas viveram na casa de seus pais, mas já está na hora de voltar para seu lar, onde vivia feliz com o marido antes daquele fatídico acontecimento.
Quando retorna à pequena Meadows Creek, percebe que tudo continua igual, a não ser por ela mesma, que mudou muito neste ano, e por seu novo vizinho, Tristan Cole. Dono de uma personalidade difícil, grosso, mal-educado e solitário, Tristan é o alguém de quem todos querem manter uma grande distância. Mas Lizzie consegue ter vislumbres do que há por trás de toda aquela fachada agressiva. Ele é triste e sente uma dor semelhante à sua.
Desesperados para encontrar uma saída para tudo o que sentem, Lizzie e Tristan começam a se envolver, a princípio da maneira errada, só para se livrarem da dor e daqueles sentimentos obscuros. Um usando o outro da pior maneira possível. Até que algo muda. Eles não veem mais os fantasmas de seus ex, mas, sim, a própria Lizzie e o próprio Tristan. Mas será que isso é o suficiente para fazer com que ambos saiam da obscuridade e possam ser felizes de novo? Será que encontrarão forças para lutar por isso, contra tudo e todos, os julgamentos, o que mais possa aparecer em seus caminhos e, o mais importante, vão conseguir vencer a luta interna contra eles mesmos?
Não é segredo para quem me conhece ou acompanha o blog que meus gêneros literários preferidos do momento são o new adult e o romance de época. Então, quando uma obra de um destes dois estilos é publicada eu automaticamente sinto vontade de lê-la. E só por isso eu já queria “O Ar Que Ele Respira”, primeiro volume da nova série da autora Brittainy C. Cherry. Mas é claro que alguns fatores fizeram com que minha expectativa só aumentasse: a sinopse misteriosa e intrigante, a capa belíssima, e o fato de que eu queria ler algo desta tão querida autora, coisa que eu ainda não tinha feito. Por conta de tudo isso, eu obviamente comecei a leitura logo que tive meu exemplar em mãos. E posso dizer que adorei, mas não amei o que encontrei aqui.
Acho que o único ponto que realmente me incomodou foi que eu não senti tanta a conexão entre os personagens principais no começo da história. Eles estavam ali, sofrendo por conta de suas próprias perdas e, de repente, sem nem se conhecerem direito, já estavam juntos. Senti como se eu tivesse piscado e perdido um momento precioso onde tudo mudou, onde os sentimentos que ambos começaram a nutrir passaram a ser algo maior, tivessem ganhado força suficiente para que eles resolvessem começar a se envolver.
Depois, com o passar das páginas, quando eu já fui me acostumando com o relacionamento, quando eu consegui apreciar o que eles estavam sentindo, foi que comecei a gostar mais. Mas isso é algo pessoal meu, eu sempre prefiro ver os sentimentos nascendo e se desenvolvendo aos poucos, de um jeito que eu possa sentir tudo aquilo.
Mais para o final, quando tudo já foi melhor explorado e mais desenvolvido, me vi completamente sugada por este romance arrebatador e torcendo para que Tristan e Elizabeth finalmente pudessem ser felizes, largando suas amarras psicológicas, e aproveitassem o momento e tudo o que nutriam pelo outro.
A narrativa é em primeira pessoa sob os pontos de vista de ambos os protagonistas e, como comentei antes, é a minha forma preferida de ler um livro, porque podemos saber todos os sentimentos dos dois lados, entender o que os motiva, o que os faz agir de determinada maneira, etc.
A escrita da autora é total e completamente envolvente, e posso até mesmo dizer viciante. Ela consegue nos inserir naquele contexto, naquele tempo e espaço de uma maneira tão gostosa e crível que parece que fazemos parte das páginas dos livros junto com os personagens, ou pelo menos que eles fazem parte da vida real como nós mesmos, e, ainda mais, fossem pessoas com quem temos um relacionamento próximo.
Apesar de ter amado o Tristan, o achei perfeito demais (eu sei que é uma redundância falar assim, mas vocês entendem). Ele é fofo, romântico, gosta das melhores coisas, possui as tatuagens mais bacanas, sabe o que dizer, o que sentir, tudo para nos fazer suspirar completamente – o que ele sempre consegue fazer com facilidade. Mas eu gosto de imperfeições, acho que elas tornam as pessoas mais especiais, por isso senti um pouco de falta de algo assim nele.
Algo que achei maravilhoso é que a autora nos faz pensar com sua história, acrescentando pontos reflexivos sobre como julgamos o próximo muitas vezes até mesmo sem percebermos, mas que devemos ter a mente aberta para qualquer tipo de situação, afinal a vida da pessoa pertence apenas a ela mesma e cabe a cada um de nós julgar o que devemos fazer, como agir e o que sentir, independentemente do que os outros pensam ou como acham que deveríamos agir. Se algo nos faz feliz, devemos aproveitar isso sem medo de julgamentos.


O Efeito Rosie - O Projeto Rosie #02 - Graeme Simsion

Depois de decidir que estava na hora de ter uma esposa, definir um projeto para encontrar a mulher ideal, e mudar tudo quando o amor bateu à sua porta e ele se apaixonou por Rosie, alguém completamente diferente do que esperava, Don finalmente está mais feliz do que nunca.
Agora, com quarenta e um anos, e casado com a mulher mais perfeita do mundo de acordo com a sua visão, Don se muda para Nova York. Juntos, eles vão começar uma nova vida, mais leve, menos complexa e com muitas tentativas – várias delas sucedidas – de fazer as coisas de maneira mais espontânea, sem programar ou padronizá-las. É claro que este ainda é um caminho árduo para ele, mas Don não vai desistir, afinal também deseja manter Rosie feliz e amada.
Até que tudo muda completamente: Rosie lhe conta que eles têm “um motivo para comemorar”, que Don não consegue enxergar da mesma maneira que ela, afinal irá mudar todo o sistema de sua mente e também a vida a dois, que ele conhece tão bem e gosta do jeito que está.
É claro que ele, como já era de se esperar, corre atrás de informações e respostas para poder fazer tudo da melhor maneira possível, mas às vezes os protocolos tradicionais e conselhos de pessoas de fora podem acabam complicando tudo ainda mais. As mentiras começam a surgir, formando um emaranhado de farsas e fingimentos, que poderão afetar mais do que o esperado a vida de Don e também a de Rosie e de outras pessoas que eles conhecem. E o risco é alto, afinal ele pode ser deportado, perder sua credibilidade profissional, ser processado e, o pior de tudo, perder para sempre a pessoa mais importante de sua vida, Rosie.
Como Don vai sair desta rede de mentiras e se safar do pior? Será que o relacionamento do casal vai durar e ficar ainda mais forte do que nunca ou será que tudo o que viveram vai cair por água abaixo, restando apenas uma vaga lembrança?
O primeiro volume desta duologia, “O Projeto Rosie”, foi publicado em 2013 aqui no Brasil e, quando li, gostei bastante da história e, principalmente, do protagonista. Tem resenha do exemplar aqui no blog e vocês podem conferir minhas opiniões clicando no título. Então, quando vi que uma nova trama acompanhando este personagem carismático seria publicada, fiquei bastante empolgada e louca para lê-la. E foi o que fiz assim que a peguei em minhas mãos.
É uma leitura gostosa, leve, descontraída e divertida. Don é um protagonista maravilhoso e me peguei rindo em diversos momentos com ele. Adoro o seu jeito de ser, principalmente porque ele acaba tendo um lado mais inocente e adorável. Realmente gostaria de ter um amigo como Don em minha vida.
Mas tenho que confessar que achei a Rosie bem, mas bem chatinha mesmo neste volume. Em alguns momentos ela me irritava de uma forma que até me deixava com vontade de largar a leitura, mas continuei mesmo assim só porque o livro é narrado por Don, então, consequentemente, as partes dela eram menores do que as dele. Se fosse ela a protagonista eu provavelmente teria abandonado.
O que mais me incomodou nela foi que parecia uma criança mimada quando as coisas não saiam de seu jeito. Don não é como qualquer outro homem, ele é diferente de um jeito positivo, e vê o mundo de sua forma única. E ela sabia disso desde o princípio. Mas só agora, depois de mais de um ano de casada, é que ela começa a agir como se estivesse lhe conhecendo pela primeira vez, como se ele estivesse agindo de uma maneira diferente do que ela queria – nem apenas o que era esperado, ela desejada que ele fosse o que ela QUERIA, exatamente sem nenhuma coisa fora do lugar, com as respostas que gostaria de ouvir e agindo da forma que ela achava que seria a correta. Ou seja, ela buscava um boneco que pudesse controlar com o poder de sua mente, porque nem mesmo com palavras ela o confrontava, apenas esperava que ele agisse da forma que queria. E olha que Don tentou! Como ele tentou fazer de tudo para agradar a esposa, mesmo com dificuldade de entender o que ela queria e lhe dar rapidamente estas coisas, ele tentava, mas, ainda assim, ela se irritava. Não compreendi onde que sua personalidade ficou tão babaca, mas eu realmente não gosto mais de Rosie e não posso nem olhar para esta história de amor com os mesmos olhos. Até acho que Don merecia alguém melhor.
Um personagem do qual eu não consigo gostar é Gene. Sua personalidade não me agrada em nada, mas, em compensação, admiro o modo como trata Don, e acho que ele é realmente essencial na vida de nosso protagonista, já que o ajuda e o aconselha em muitos momentos, diversos deles cruciais. Por outro lado, neste volume tivemos algumas adições bem interessantes, sendo uma delas George, que gostei de conhecer, além de participações de alguns outros que já conhecíamos do volume antecessor, que fizeram bastante diferença aqui também.


A Indomável Sofia – Georgette Heyer

Sofia Stanton-Lacy é uma moça à frente de seu tempo, que não teve uma educação formal como outras garotas de sua classe social ou com condições financeiras semelhantes, porque seu pai, Sir Horace, sempre viajou pelo mundo por conta de suas missões diplomáticas e a levava com ele desde pequena. Mas, depois da morte de sua governanta, o pai decide pedir para sua irmã, Lady Ombersley, hospedá-la em Berkeley Square, na sua casa, enquanto ele vai ao Brasil.
Mas ninguém poderia nem chegar perto de prever que Sophy era bem diferente do que esperavam. Com uma personalidade ousada, impulsiva, alegre e franca, a moça, que tem muitos conhecidos e admiradores, logo chama atenção por onde passa, causando bastante frisson pela alta sociedade.
Além de tudo, ela gosta de se meter na vida alheia quando acha necessário, claro que com o intuito de melhorar as coisas para todos os envolvidos – o que ela com certeza consegue fazer, mas não sem antes desenvolver diversos planos e mexer com a cabeça dos envolvidos das mais variadas formas.
E é justamente seu primo, Charles Rivenhall, que mais vai ficar incomodado (ou seria admirado?) com as atitudes de Sophy. Afinal, ela chegou mudando tudo ao seu redor e virando as vidas de todas aquelas pessoas de cabeça para baixo, inclusive a dele próprio, que precisava lidar com sua noiva insuportável Srta. Wraxton, e manter todos os familiares afastados das confusões da prima ao mesmo tempo. Mas será que por trás de todas aquelas discussõezinhas entre eles não existe uma faísca que vai conseguir alcançar o coração deste homem?
Quando vi este exemplar na lista de solicitações da Editora Record, fiquei bastante interessada pela capa (que é o que me chama atenção para ler), e resolvi procurar mais informações sobre a autora, que eu ainda não conhecia. E fiquei admirada, já que Georgette possui uma extensa lista de romances de época em seu currículo, o que me deixou ainda mais empolgada para conhecer um de seus livros, afinal, ela com certeza deveria entender do assunto.
Essa obra trata muito de relações interpessoais e também familiares, e Sofia tem uma grande participação em todas elas, modificando-as sempre para melhor, e isso é realmente sensacional. Tudo que tem algum problema, que ela percebe que é ruim ou que está afetando diretamente aqueles por quem nutre um carinho ou alguma consideração, Sophy busca uma forma de solucionar a questão para ajudar a pessoa que está diretamente ligada àquilo, ou então aos que receberão alguma parcela se for concretizado. E ela forma planos elaborados para chegar ao resultado desejado, algumas vezes sozinha e em outras utilizando alguns indivíduos, mas sem nunca se deixar abalar ou sentir medo. E tudo isso é realmente bem admirável, principalmente em uma mulher naquele tempo.
Sofia é uma personagem ardilosa e completamente divertida! Peguei-me rindo de todas as suas armações, e senti admiração por ela ser ela mesma, sem se deixar levar por comentários ou ser reprimida pelo comportamento considerado ideal no século XIX. A moça se comporta como lhe convém e não como acham que deve ser. E gostei muito de conhecer sua família, com quem ela ficou um período hospedada, com destaque para Charles Rivenhall, o primo com quem ela teve um relacionamento de altos e baixo, cheio de provocações, Cecilia, a prima com idade semelhante e com quem teve uma relação mais próxima, e a tia, Lady Ombersley, irmã de seu pai.
Outro personagem que merece um comentário, apesar de não ter tido muita participação, é justamente seu pai, Sir Horace. Claro que a personalidade de Sophy já tem uma inclinação para ser mais espevitada, mas com certeza foi a educação dele que lhe permitiu ser o que gostaria, por conta do modo como ele sempre a tratou e a deixou fazer o que queria e o que precisava, mesmo quando não era o esperado de uma moça.
O que eu mais gostei foi o clima leve e descontraído da trama, que me deixava com um sorriso bobo no rosto a cada virada de página e me fazia gargalhar em diversas situações, e também as críticas sutis à sociedade da época e todo o seu comportamento, principalmente com relação às mulheres.
Confesso que estava esperando uma narrativa mais lenta, do tipo que a gente gosta, mas que demanda mais tempo para avançarmos na leitura por conta da linguagem ou da forma de escrita, etc. Mas estava totalmente enganada! A escrita da autora é uma delícia, fácil, envolvente e fluida, fazendo com que as folhas sejam rapidamente terminadas.
Ainda sobre a narrativa, gostei muito dos diálogos que, em sua maioria, são perspicazes, e também porque em diversos deles podemos acompanhar a forma de pensamento de Sophy e suas intenções, mesmo que sutilmente ou quando ninguém mais as note, exceto os leitores. Mas também curti bastante os demais trechos, pois podemos adentrar com facilidade na sociedade da época, com seus costumes, cenários e visuais (roupas, acessórios, meios de transporte, etc.).
Achei que seria bacana comentar que a escrita de Heyer segue uma linha mais comportada, como os romances de época realmente escritos em séculos passados, e isso se difere bastante dos atuais, que geralmente possuem cenas mais quentes bem narradas. Pelo menos em comparação com todos os que li, que não foram muitos, mas um número considerável, visto que este está se tornando um dos meus gêneros preferidos. E também o romance não tem muito foco, nós sabemos que provavelmente o casal vai ficar junto num futuro, inclusive por conta da maneira que se tratam, mas não há essas declarações super apaixonadas e envolventes, é uma coisa mais corriqueira, sem tanto destaque, apesar de ter sido bem fofo.
A única parte que eu desejei de todo meu coração que fosse de certa forma diferente foi o final, mas não porque foi ruim, pelo contrário, como o resto do livro, foi maravilhoso. Porém, foi muito curto. Depois de tudo o que aconteceu, de todas as coisas que eu desejei que acontecessem, esperava algumas páginas a mais para desenvolver melhor certos detalhes, que me fizeram ficar bastante felizes. Porque, logo quando algo que desejamos muito finalmente acontece, a história é finalizada e não sabemos o que vem depois. Podia haver pelo menos um epílogo, já que não tem continuação (o que eu realmente gostaria que tivesse).
Fiquei total e simplesmente encantada por este livro e desesperada para ter as outras obras da autora na minha estante. No Brasil, além deste, recentemente foram publicados (ou relançados) os romances dela do Período Regencial: “Casamento de Conveniência” (2008), “Ovelha Negra” (2010), “A Boa Moça” (2011) e “Venetia e o Libertino” (2013). Porém, outros já haviam sido lançados anteriormente (as edições não devem existir mais ou são quase impossíveis de serem encontradas), como alguns dos já citados, inclusive “A Grande Sofia”, título quando foi publicado em 1950, "O Amor de Penelope" (1940), "A Viúva Indecisa" (1946) e "Fantasmas do Passado" (1995) – (Encontrei estas informações no Skoob, então pode ter outros livros que não foram cadastrados lá). Estou torcendo para que a editora publique novas edições destes ou títulos dela inéditos por aqui, que são vários.
Acho essa capa linda, inclusive por conta do jogo de cores utilizadas nela, as páginas são amarelas, e a diagramação interna está bem confortável para uma leitura mais fácil devido ao tamanho da fonte e aos espaçamentos.
Todas as pessoas que gostam de romances de época com certeza devem dar uma chance para esta obra de Georgette Heyer, pois tenham certeza de que não se arrependerão. Nascida no começo do século XX, a autora não fica devendo nada em comparação a escritoras do século XIX, como Jane Austen, nem a atuais, como Julia Quinn, duas das minhas preferidas. Estou apaixonada e desejo que vocês possam sentir o mesmo que eu.
Avaliação







O Último Reino - Crônicas Saxônicas #01 - Bernard Cornwell

Muitas pessoas me indicaram a leitura das Crônicas Saxônicas, e eu já tenho o box por aqui fazem alguns anos, com a virada do ano resolvi tomar vergonha na cara e ler o primeiro livro da série, O Último Reino, escrito pelo autor britânico Bernard Cornwell, e publicado pela editora Record.

Uhtred é da aristocracia de Nortúmbria, pela primeira vez ele sai com o pai para um conflito, mas tudo dá errado e aos dez anos de idade se vê sem o pai e nas mãos dos vikings que invadiram seu país. Mas o que pareceria ruim para muitos para ele foi uma infância felicidade e aprendizado, ele se tornou um deles, um dinamarquês, já que o Deus cristão não fazia sentido e o panteão pagão sim.

Já acostumado a sua nova família parte em batalhas sucessivas ao longo da Inglaterra para dominar cada canto desta, mas sua vida é atravessada por uma tragédia e pelo rei Alfredo de Wessex, do último reino inglês que não cedeu a invasão dos guerreiros do norte. Agora do lado inglês ele se vê todo tempo em dúvida de qual o lado que de fato deve estar, o lado que seu sangue origina ou aquele em que sua alma faz sentido. Enquanto Uhtred tenta compreender seu lugar no mundo a Inglaterra tenta resistir, será que Uhtred fará a diferença?

Cornwell faz sua narrativa em primeira pessoa a partir do protagonista Uhtred que conta sua história de algum ponto do futuro distante. É uma narrativa dinâmica que constantemente fornece ação e informação ao leitor. Ao mesmo tempo em que conta fatos históricos verídicos (o autor explica alguns deles ao final do livro) que se passaram na Inglaterra, ele trabalha a história de vida do personagem. Os anos se passam, e em momento algum o livro perde seu interesse, a leitura sempre chama por mais.

Uhtred é um guerreiro, inglês ou dinamarquês, o que ele descobre gostar de fazer é estar na linha de frente de uma batalha. E toda sua história seja de um lado ou outro leva a este rumo. Ele é muito prático, e se adapta bem as diversas mudanças que ocorrem na sua vida. Embora pareça que ele tenha se decidido ao final de qual lado ele iria ficar da guerra, ele vacila a todo momento devido ao cristianismo atravessar a vida dos ingleses, sua visão do mundo ser pagã.

É um personagem detalhado que cresce com o livro não só porque muda sua personalidade mas também porque começa o livro como uma criança e termina adulto. É leal a quem ama, e essa é uma das muitas descobertas que ele faz com a vida, que o amor acima de qualquer nação é sua maior lealdade.

Ragnar é o líder viking que adota Uhtred, embora seja letal em batalha trata o jovem como filho, e o ensina a ser um dinamarquês. É muito dedicado a família e aos filhos, e ao invadir novos territórios não quer apenas riquezas, mas terras férteis para viver, já que seus país de origem não possibilita isso. Ravn, o pai de Ragnar é cego, mas é sábio e bardo, e é quem ensina lições valiosas a Uhtred.

Brida, uma garota inglesa que se vê em meio a uma invasão em seu vilarejo se torna amiga de Uhtred, assim como nova integrante do grupo dinamarquês, onde se adapta muito bem. É companheira e ousada.

Do lado inglês temos o padre Beocca que é o padre que vivia na fortaleza da família de Uhtred, ele conhece o menino desde pequeno, devoto tenta em todos os encontros salvar a alma do protegido, e suas sucessivas tentativas acabam por atrapalhar e muito a vida de Uhtred, já que ele é o responsável pelo encontro de Uhtred com o Rei Alfredo, ou diria mala Alfredo? Imaginem uma figura que aprontou todas, e depois resolve se redimir com a religião e ainda por cima vive doente, eis o rei.

Diversos outros personagens aparecem ao longo da vida de Uhtred, são muitos ao longo dos anos, mas todos com personalidades marcantes. Cornwell sabe arquitetar bem as tramas políticas ao mesmo tempo que as envolve na vida do protagonista. As cenas de batalhas são vividas e nos fazem sentir dentro de uma parede de escudos!

" A guerra é travada no mistério. A verdade pode levar dias para viajar. Adiante da verdade voa o boato e é sempre difícil saber o que realmente está acontecendo, e a arte é arrancar o osso limpo do fato da carne podre do medo e das mentiras"- (pág. 321)

O Último Reino, é uma viagem na história, para tempos que as rixas de sangue imperavam, a sobrevivência era a lei e a fé começava a traçar caminhos duvidosos. Pegue sua espada e seu escudo porque aqui a batalha é continua, não só pela terra mas pela sua fé!




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O Castelo Animado - Diana Wynne Jones


Já fazem alguns anos que eu vi a animação japonesa de Hayao Miyazaki para O Castelo Animado, eu simplesmente amei, e fiquei encantada quando soube que era a adaptação de um livro. Corri comprar, mas mesmo assim demorei a lê-lo, mais eis que resolvi o problema e li está obra de autoria de Diana Wynne Jones e publicado pela editora Record.

Sophie é a irmã mais velha de três irmãs, é conformada em ser a escolhida para não ter sorte e trabalha resignada na chapelaria da família. Um dia é surpreendida por uma cliente que é ninguém mais que a perversa Bruxa das Terras Desoladas, e que sem maiores explicações lança sobre Sophie um feitiço que a faz se tornar uma velha.

Com medo do que a madrasta faria com ela, Sophie começa vagar sem rumo e acaba se deparando com o famoso e misterioso Castelo Animado do terrível encantador de corações, o Mago Howl. Sem ter nada a perder ela resolve entrar no castelo e procurar por uma solução para seu problema, mas o que ela não sabe é que acabou se metendo em um problema maior ainda que seus anos de juventude perdidos!

Narrado em primeira pessoa, em sua grande maioria pela visão de Sophie, o livro tem uma narrativa única que trabalha aspectos conhecidos dentro da literatura fantástica/maravilhosa mas de forma autêntica. A mitologia criada pela autora embora use de magia e bruxaria é bastante diferenciada de todos os livros do mercado, ora soa infantil pela ingenuidade, ora soa perverso pelos conteúdos mais densos que trabalha.

Sophie é uma jovem muito resignada com seu papel na família, já que na sua cultura para a irmã mais velha não resta sorte e nem boas escolhas. Mesmo assim no fundo de sua alma algo lhe pede mais, e quando é transformada em velha acaba perdendo estas amarras que a impediam de crescer, e é através de um corpo velho que ela consegue encontrar em si mesma quem é e o que veio fazer no mundo. É muito determinada, protetora e bondosa, consegue enxergar as coisas mais sutis ao seu redor, mas demora a ver em si mesma.


Howl, o mago e dono do castelo, é um personagem bastante intrigante. Tem um contrato com um demônio que sustenta o castelo, mas pouco revela sobre este e a natureza de suas ações. Sophie sofre ao vê-lo agindo, sem compreender o porque de sua natureza aparentemente egoísta. A verdade é que ele não é apenas sedutor para as mulheres que encontrar, mas também para quem lê, fiquei encantada com sua personalidade maluca e perturbada.

Calcifer, a chama que alimenta não só o castelo mas que dá força a Howl é enigmático, e pouco fala sobre as verdades que esconde, já que não pode falar como foi seu contrato com o mago, embora peça a Sophie para dissolve-lo. Embora rabugento e de moral duvidosa é uma criatura leal aos habitantes do castelo. Michael aprendiz de Howl é dedicado ao mestre e bondoso. Tenta equilibrar suas necessidades e aprendizado sem colocar na frente das necessidades do mago.

Outros personagens secundários surgem brevemente, como as irmãs de Sophie, a própria Bruxa e etc. As criaturas que surgem também são bastante peculiares como um espantalho encantado e um cachorro enfeitiçado, tudo muito bizarro e mágico. Todas as pontas aparentemente soltas da trama são ligadas de maneira inteligente através dos personagens com suas ricas histórias que se cruzam.


A ideia do castelo, como ele é concebido e trabalha é muito original, pois usa do conceito de realidades paralelas que coexistem. Tudo é muito encantado, ao mesmo tempo em que tem um realismo ímpar na sua densidade. Talvez para quem veja a sinopse e até veja imagens da animação possa parecer que trata-se de uma obra infantil, mas nem o livro, nem o desenho tem esse apelo. Trata-se sim de uma obra atemporal e sem idade certa para aqueles que gostam de boas histórias repletas de entrelinhas.

O Castelo Animado é uma obra mágica como raramente se faz nos dias de hoje já que evoca conceitos que os antigos contos de fadas tocavam sem medo, mas de forma dinâmica. Fala sobre o coração que está escondido e com medo de amar e agir, daquilo que se esconde dentro de nós e da pureza da coisas de forma hilária, sincera e mágica, muito mágica!

CURIOSIDADES: A Autora Diana Wynne Jones foi aluna de ninguém menos do que J. R. R. Tolkien e C.S. Lewis em Oxford, está mais que explicado sua capacidade para escrita, afinal uma pessoa que conhece estes autores deve ter sido tocada de forma bem única não é?!

O Castelo Animado foi lançado em 1986, e faz parte de uma trilogia que conta ainda com mais dois livros lançados no Brasil:  O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos.

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Corra, Abby, Corra! - Jane Costello

Eu sempre fui fã de chick-lits, já que este gênero me faz dar boas risadas e sempre traz uma história leve e divertida que me conquista geralmente desde a sinopse. Então, quando li mais sobre este título, logo me interessei bastante pela história, colocando-o imediatamente na minha lista de leituras. Agora venho compartilhar tudo que achei sobre este livro escrito por Jane Costello aqui com vocês.
Em “Corra, Abby, Corra!” conhecemos Abigail Rogers, mais conhecida como Abby, uma jovem de apenas vinte e oito anos que fundou a sua própria empresa de web design e que, por isso, quase não tem tempo para nada, já que trabalha muito. Até porque ela quer que a sua empresa cresça cada vez mais. Com bons amigos e uma equipe que trabalha com ela, que a moça considera como fosse sua família, Abby vive uma rotina bem atarefada e nunca faz nenhum tipo de exercício físico, além de não dar nenhuma atenção para a sua vida amorosa.
Sua melhor amiga, Jess, vive incentivando-a a levar uma vida mais saudável e, para encorajá-la, a apresenta a um médico bonitão de nome Oliver, que faz parte da corrida em que participa, para que nossa protagonista então consiga acabar tendo mais contato com ele. Quando descobre que uma de suas funcionárias tem esclerose múltipla, uma doença grave, Abby se vê mais disposta ainda a correr para ajudar a arrecadar fundos para a pesquisa da doença, e quem sabe se aproximar cada vez mais do médico bonitão.
O livro gira em torno da vida de nossa protagonista, o que gostei bastante, pois Abby é uma mulher forte e determinada, que tenta conciliar mil coisas em sua rotina, e que passa por diversas situações que nos fazem ficar cada vez mais próximas a ela. Quando acaba atropelando um motoqueiro lindo, vi que ela ainda teria mais uma coisa para sua rotina, já que teria que lidar com o seu seguro para cobrir o prejuízo da moto. Mas o que muitas vezes parece uma situação bem ruim pode acabar gerando bons resultados.
O livro é leve, descontraído, e tem uma narrativa rápida e fluida, que consegue conquistar a gente do início ao fim. Jane Costello conseguiu trazer situações cotidianas de uma forma bem gostosa, utilizando de bom humor e sarcasmo para construir uma história incrível com personagens maravilhosos e uma protagonista divina, que nos proporciona ótimos momentos e boas risadas.
A capa segue um estilo das capas do gênero e é muito bonita, eu particularmente adoro este tipo de ilustração. A edição impressa conta com acabamento soft touch (aveludado) de boa qualidade e eu curti bastante. As letras do texto estão bem espaçadas e a fonte escolhida foi uma opção agradável para nossos olhos, e o fato de as páginas serem amarelas torna tudo ainda melhor.
Se você, assim como eu, é fã de chick-lits, daqueles que conseguem nos prender com uma narrativa leve, fluida, bem descontraída e cheia de humor, não pode deixar de ler esta história. Diferente de várias protagonistas do mesmo gênero, Abby não tem problemas de autoestima, e consegue nos divertir com várias pegadas engraçadas de coisas do cotidiano. Este é aquele tipo de livro que, apesar de demorar um pouco para engatar o romance, nos faz ficar torcendo pelo casal, e consegue nos agradar bastante. Super recomendo.
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Uma Pitada de Amor – Katie Fforde

Zoe Harper quer muito ter sua própria delicatéssen, pequena e muito especial com um ótimo atendimento ao cliente, então o prêmio em dinheiro da competição de culinária em um programa de TV viria bem a calhar na construção de seu sonho. Quando consegue uma das tão desejadas vagas no reality show, ela não vê a hora de poder testar suas habilidades e, talvez, ser a grande vencedora.
Mas nada vai ser tão fácil assim: Gideon Irving, um dos jurados, é um homem extremamente sexy que mexe com a moça de um jeito que ela não consegue evitar desejá-lo. E parece que ele sente algo por ela também, o que pode acabar atrapalhando-a, afinal ninguém pode saber dos sentimentos dos dois ou tudo pelo qual batalharam vai ser completamente afetado.
Além disso, Zoe precisa lidar com uma competidora terrível, que acaba sendo sua colega de quarto: Cher, que vai planejar, manipular e armar as mais diversas coisas só para conseguir ser a grande campeã. E nossa protagonista é um alvo fácil e acaba sendo o seu preferido.
Agora, ela precisa lidar com tudo o que acontece à sua volta, enquanto tem que preparar pratos incríveis para se manter na competição e ainda cisma de ajudar a muitas pessoas à sua volta, afinal todos parecem precisar de ajuda e ela não consegue deixar de socorrer ninguém.
Gosto bastante de reality shows de culinária apesar de não ter assistido nenhum recentemente. Mas, assim que vi este livro entre os lançamentos da Editora Record, não podia deixar de querê-lo, afinal, além de ser um chick-lit, ele mistura romance com competições de culinária e o nome da protagonista é Zoe (estou com saudades da série Hart of Dixie, então me deixem ficar apegada ao nome da personagem! Hahaha).
Só que fui com muita sede ao pote e a leitura acabou me decepcionando um pouco. Primeiro que, no meu ponto de vista, a autora acabou não dando tanto enfoque na parte do reality em relação à trama que ocorria por trás das câmeras, porque sempre que alguma prova ia acontecer, passava muito rápido ou a cena não era tão bem desenvolvida, o que acabou me decepcionando um pouco. Mas pelo menos as breves partes da competição foram bem narradas, então dá para nos fazer sentir assistindo a um programa na televisão de nossa casa, mesmo que por poucos minutos.
A narrativa é em terceira pessoa com foco em Zoe, então vamos conhecê-la muito bem ao mesmo tempo em que temos uma visão mais ampla dos acontecimentos. Ela é encantadora, boazinha e uma amiga muito leal (mesmo de quem conhece há pouco tempo). Mas ela me incomodou porque nunca tinha pulso firme ou se defendia, e sempre queria ajudar todo mundo, mais do que era necessário, ou seja, na verdade era bobinha demais. Cher, uma outra competidora – a pior de todas, sem escrúpulos e que fazia milhares de coisas para se dar bem –, o tempo inteiro aprontava com a moça, que sabia de tudo e, mesmo assim, não fazia nada quanto a isso. Dava vontade de sacudi-la o tempo inteiro e dizer: Como é, Zoe? Vai mesmo deixá-la te sacanear assim? Mostra sua garra, garota! Corra atrás dos seus objetivos! E aprender a dizer não algumas vezes não te faria mal algum também.
Outro ponto que acabou me incomodando foi o fato de não parecer que Zoe realmente queria ganhar aquela competição, mesmo que ela sempre comentasse sobre o que faria com o prêmio, afinal sempre se deixava ser prejudicada, não se esforçava tanto quanto alguns dos outros competidores, principalmente porque sempre queria ajudar coisas aleatórias que ocorriam por fora do programa, e que poderiam prejudicar totalmente sua participação. Mas ela nunca dizia não e sempre fazia tudo pelos outros, como uma escrava, porque trabalhava, limpava, cozinhava, servia, etc., sem nem receber por isso. A sorte dela é que era boa na cozinha e tinha um ótimo instinto para as receitas e coisas relacionadas.
Também acho que algumas resoluções foram fracas demais, como em um momento que Zoe acaba ficando sem uma receita porque aconteceu um “acidente” (não vou explicar melhor, pois seria spoiler) com seu computador. Por que raios não usou o celular? Ou o computador de alguém? Uma casa daquele tamanho e ninguém podia emprestar alguma coisa com internet por míseros minutos??
Além do mais, o programa estava muito amador para o meu gosto, visto que algumas provas não foram bem programadas, como, por exemplo, participantes ganhando vantagens ou desvantagens, o que sempre acontecia com Zoe, ou o fato de acabarem permitindo que coisas por fora dos objetivos do programa fossem feitas.
Gideon é um personagem interessante, mas infelizmente não foi tão bem explorado assim e acabamos a leitura sem realmente conhecermos muito sobre ele. Além disso, o romance foi meio morno, não me deixou suspirando e algumas das cenas foram mais forçadas do que deveriam para que eles tivessem alguns momentos a sós.
Apesar destes diversos pontos negativos, a leitura me cativou, gostei muito das cenas curtas do reality show, me diverti em várias partes e torci em outras. A narrativa da autora é gostosa e fluida, então mesmo que a trama não tenha me encantado muito, eu ficava com vontade de continuar virando as páginas para saber o que iria acontecer e quem ganharia.
Este é o segundo livro da autora publicado no Brasil, o anterior é “Amor nas Entrelinhas”, lançado aqui em 2014, mas o primeiro que li dela. Não vou dizer que desgostei totalmente desta obra, porque não foi o caso, só que esperava muito mais e não acho que Fforde soube trabalhá-la tão bem, porém isso não me impede de desejar ler outras de suas histórias.
No final a única conclusão que eu chego é que “Uma Pitada de Amor” é um livro mediano, não amei e nem odiei, fiquei muito satisfeita com algumas partes e totalmente incomodada com outras, mas não posso negar que há potencial e alguns amantes do gênero podem gostar mais do que eu. Só aconselho que não esperem tanto assim e estejam cientes dos pequenos furos encontrados pelo caminho. Estou torcendo para que sejam cativados pela bondade de Zoe, se divirtam com o reality show saindo das telinhas para as páginas, e mergulhem nas cenas por trás das câmeras desta competição.
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Você (Não) é o Homem da Minha Vida - Alexandra Potter

Lucy Hemmingway viveu um grande amor quando tinha dezenove anos naquela atmosfera apaixonante de Veneza. Há uma lenda local que diz que se duas pessoas se beijam embaixo da Ponte dos Suspiros sob o pôr do sol no momento em que tocam os sinos da Igreja São Marcos, elas ficarão juntas para sempre. Com toda a magia dos sentimentos deles no ar, resolvem apostar nesta lenda com a esperança de que nunca mais se separassem.
Só que Nathaniel é americano enquanto Lucy é inglesa e, depois que o intercâmbio termina, o romance à distância acaba não dando certo e eles seguem rumos bem diferentes. Agora, passados dez anos daqueles deliciosos momentos, os dias de felicidade plena ainda estão enraizados na memória de nossa querida protagonista, que nunca mais conseguiu qualquer relacionamento tão bom quanto com o seu primeiro amor.
Quando Lucy se muda para Nova York para trabalhar em uma galeria de arte, não imaginou que iria de fato encontrar com o próprio Nate por lá. Mas aconteceu, e o reencontro foi incrível, então ela acha que tirou a sorte grande e eles poderão finalmente ficar juntos para sempre.
Porém, dez anos são capazes de mudar completamente uma pessoa e Lucy acaba descobrindo isso rapidamente, o que não é nada bom mesmo. Mas parece que o destino está com vontade de brincar com eles, que acabam querendo manter distância um do outro sem sucesso. Em meio a muitas coincidências, algumas delas estranhas demais para serem verdades (mas sendo ainda assim), Lucy percebe que pode estar encrencada, pois se livrar de sua alma gêmea nunca pareceu ser tão difícil assim. Até agora.
Eu sou uma pessoa que gosta de chick-lits, mas não os leio com tanta frequência quanto acontecia há uns sete anos. Considero que isto tenha acontecido porque hoje há muito mais espaço para livros dos meus gêneros preferidos da atualidade: new adults e jovens adultos mais maduros com toques dramáticos e finais felizes, ambos contemporâneos, que anos atrás não eram tão trabalhados no Brasil. Isso somado ao fato de que minha irmã adora chick-lits, então eles acabam ficando para trás na minha lista de prioridades (geralmente deixo que ela leia), exceto quando aparece algum que eu queira ler bastante. Foi isso o que aconteceu com “Você (Não) é o Homem da Minha Vida”. Primeiro eu olhei esta capa e fiquei absolutamente apaixonada! Adorei as cores e o padrão aquarelado e o título me deixou super intrigada. E sabe o que é melhor? Eu amei este livro!
Para começar, tenho que dizer que ultimamente tem sido muito difícil alguma obra literária conseguir arrancar risadas minhas, alguns risinhos aqui ou ali, mas com pouca frequência aparecem em diversas ocasiões, e, mesmo a maioria deles sendo divertido, não me causa reações físicas. Até começar esta leitura de Alexandra Potter, que é bastante hilária e me fez cair na gargalhada em diversas ocasiões. E, olha, a sensação é boa demais! Fico desejando encontrar mais histórias assim.
A narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista de Lucy, então podemos acompanhar de perto seus sentimentos e pensamentos. Ela é sonhadora e romântica, mas com pés no chão, e dona de uma personalidade incrível, daquele tipo de pessoa que a gente logo quer se tornar uma grande amiga.
Podemos acompanhar um prólogo passado em 1999, com o auge do romance entre Lucy e Nathaniel, que deixa as mais românticas suspirando. Quando a trama pula para o presente e eles finalmente se encontram, Nate é um verdadeiro chato, então acabei não gostando nada do personagem, mas não de um jeito que me fizesse desejar que ele não estivesse ali (inclusive porque se ele não fosse criado a história não existiria), só de uma maneira que me fizesse criar ainda mais empatia por Lucy e sua situação e, claro, ficando feliz porque eu não tive que enfrentar algo nem remotamente parecido.
Outros personagens que merecem destaque são Kate, Robyn, Magda e Adam. A primeira é a irmã de Lucy e seu completo oposto, super organizada e toda séria, a segunda é sua nova amiga com quem divide o apartamento, que também é diferente da protagonista porque ela é toda mística e acredita plenamente em almas gêmeas, magia e coisas assim. Magda é a chefe de Lucy na galeria e é uma mulher marcante devido a sua aparência e personalidade, enquanto Adam é alguém que vai mexer com as estruturas de Lucy. Todos eles foram bem trabalhados e deram um gás à trama, além de cenas realmente divertidas, com destaque para Kate e Robyn, que tiveram também suas histórias sendo desenvolvidas em segundo plano.
Há toda uma questão de expectativa versus realidade sendo apresentada, gerando questionamentos no leitor, afinal nem sempre o que esperamos acontecer sai como imaginado ou desejado, não que isso seja ruim. As situações pelas quais Lucy e Nate passam são ótimas, diversas são hilárias, e algumas delas bem absurdas, mas até as mais normais são bem apresentadas.
A autora brinca muito com a questão das almas gêmeas, e eu terminei o livro sem saber se ela realmente acredita nelas ou acha tudo uma grande porcaria inventada por alguém. E posso dizer que a história também tem um toque de magia, o que eu adorei.
O romance em si acabou ficando um pouco de lado. Foi fofo? Foi. Fiquei torcendo pelo casal certo? Fiquei. Mas acredito que poderia ter tido mais cenas entre eles, um desenvolvimento maior. Só que também compreendo que este não era exatamente o foco do livro, então entendo ele não ter sido o assunto principal explorado, inclusive porque acabou sendo diferente a abordagem desta obra em meio a tantos outros títulos tão parecidos do gênero.
Mesmo com suas mais de quatrocentas páginas numa edição do tamanho padrão maior brasileiro (16 cm x 23 cm), a gente não fica muito tempo lendo porque o enredo construído pela autora é intrigante, sua forma de escrita é bem gostosa e a leitura flui maravilhosamente bem. A gente deseja um final feliz e fica na dúvida de como a protagonista vai conseguir finalmente se safar daquela situação bizarra que está vivenciando.
E curti bastante o fim que a autora escolheu para a história de Lucy, ela conseguiu nos dar uma resolução feliz e aceitável, condizente com tudo o que ocorreu até então, e ainda com um toque bem fofo que nos deixa com um sorriso no rosto.
A única coisa que achei meio desnecessário foi a extensão da obra, acho que a autora poderia ter finalizado páginas antes do desfecho real e não teria tido nenhum problema ou falta de conteúdo. Não que eu não tenha gostado de todas as que li, mas não me importaria que fosse menor.
Eu amo a capa deste livro, ela é linda e ainda tem tudo a ver com enredo, já que Lucy é uma artista (mesmo que não exerça a profissão) e trabalha em uma galeria de arte. A opção escolhida para a edição nacional se destaca porque é diferente dos demais títulos do gênero publicados aqui e isso é incrível. O texto interno é bem diagramado com bons espaçamentos e a fonte escolhida tem um tamanho confortável para os olhos.
Este definitivamente entrou para o hall de chick-lits queridinhos que vou reler um dia. Divertido, engraçado, com personagens espirituosos, uma trama bem desenvolvida e com um toque inesperado, “Você (Não) é o Homem da Minha Vida” deveria entrar na lista de leitura de todos os amantes do gênero!
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