Nem todo livro tem como objetivo
contar uma estória com começo, meio e fim. As vezes o mais importante é a
mensagem transmitida, a crítica suscitada e a reflexão. Entre Cabras e Ovelhas,
da autora Joanna Cannon, publicado no Brasil pela editora Morro Branco é um
destes livros.
No verão de 1976 na Inglaterra,
em uma pequena vila onde os vizinhos se conhecem bem de perto a Sra. Creasy
desaparece sem deixar vestígios. Alguns acham que trata-se de um crime por
saber demais sobre todos, outros acham que ela voltará. Grace e Tilly, duas
crianças acreditam que o caso vai além. E partem em busca de pistas, batendo de
casa em casa a procura de ninguém menos do que Deus, e também dos mistérios que
evolvem a Sra. Creasy. Segredos virão a tona, e as meninas começam a se
perguntar qual será a verdade sobre a vida afinal.
Temos uma estória central que é o
desaparecimento da Sra. Creasy, mas acreditem isso é um pano de fundo. O caso
em si não se desenvolve muito porque o enfoque da autora é na relação humana,
no caso nos relacionamentos dos vizinhos desta vila, e uma situação ocorrida no
passado deles. E essa é a riqueza da narrativa feita ora em terceira pessoa
focando cada vez em uma casa diferente, ora em primeira pessoa narrada pela
pequena Grace. Essa alternância também cria um contraste muito interessante já
que ora estamos sob a ótica adulta e a visão destes do desaparecimento, e do
evento passado, ora a visão simplista e infantil de Grace e sua interação com a
melhor amiga Tilly.
Grace tem apenas 10 anos mas é
muito perspicaz em entender o que não é dito, e ligar as pequenas falas dos adultos.
Percebe rapidamente que todos tem grandes segredos e que querem muito o
escondê-los. Embora seja apenas meses mais velha do que Tilly trata a amiga
como muito mais nova, e essa pequena disputa entre elas é muito engraçadinha.
Ela não se dá conta claro, mas seus diálogos são criticas as máscaras que os
adultos criam, e ela diz de forma muito direta o que pensa a todos eles.
Tilly, a melhor amiga de Grace é
inseparável, muito doente ela tem episódios de mal estar, mas embora tenha
limitações está sempre seguindo os passos da amiga. Dona de uma sensibilidade e
ingenuidade, Tilly é uma criança muito fofa, com ótimas frases e pensamentos!
São vários os vizinhos de Grace,
cada um deles tem suas estórias narradas e todos eles têm algum desvio de
comportamento advindo de traumas passados, um tem toque que é o caso de John
Creasy, marido da senhora desaparecida, ele precisa contar as coisas a sua
volta. Outra se esquece das coisas, Dorothy. Sheila é alcoólatra, entre outros.
As personalidades de cada um deles são bem exploradas, e enriquecem a estória.









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