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A Vingança de Mara Dyer - Mara Dyer #03 - Michelle Hodkin

Nesta resenha praticamente não há spoilers de nenhum dos três livros, exceto por um pequeno parágrafo, o qual eu sinalizei antes que há um spoiler ali, então quem não quiser lê-lo, basta pular.
Depois de grandes acontecimentos na vida de Mara Dyer, pudemos ver que ela não é tão simples e normal, nem tão insana assim, como muitos insistem em acreditar. Tudo o que aconteceu com a garota até hoje tem um propósito e uma razão, ela só não sabe ainda quais são eles. Até agora.
Trancada num centro de pesquisas e usada como cobaia, Mara mal consegue manter um pouco de consciência entre os períodos em que está acordada. Até que uma ajuda da última pessoa que poderia esperar aparece, e ela terá que correr contra o tempo e tomar as decisões certas para poder escapar e ir em uma jornada em busca de respostas, de uma verdade sobre o Noah, já que seu fio de esperança ainda está intacto, e, mais ainda, de vingança. Nada vai atrapalhá-la ou ficar em seu caminho, porque quando Dyer tem um objetivo, ela vai até o fim para alcançá-lo.
"Já foi dito que deve existir um vilão para cada herói, um demônio para cada anjo, um monstro para cada deus. A despeito do que somos, não acredito nisso. Vi os vilões agirem heroicamente, e homens intitulados de heróis agirem com vilania. A habilidade de curar não torna ninguém bom, tampouco a habilidade de matar torna alguém mau. Cure as pessoas erradas, e você se transforma em vilão. Mate as pessoas certas, e você se transforma em herói. São nossas escolhas que nos definem, não nossas habilidades". 
Tem resenha dos volumes anteriores aqui no blog, "A Desconstrução de Mara Dyer" e "A Evolução de Mara Dyer", que vocês podem conferir clicando nos títulos. Nenhuma delas possui qualquer tipo de spoiler, então fiquem à vontade para entender um pouco mais da história e saber os motivos de eu ter amado tanto as leituras.
Quem já acompanha o blog há um tempo deve saber que eu realmente amei os dois primeiros volumes desta trilogia, então estava com as expectativas para seu desfecho lá na lua. Assim que soube de seu lançamento no Brasil, fiquei contando os dias para que ele chegasse à minha casa, o que acabou demorando bastante e eu fiquei louca em todo o processo de espera. Cada vez que os Correios chegavam minha ansiedade aumentava acreditando que seria aquela vez que eu poderia finalmente lê-lo, mas nunca era e eu não aguentava mais esperar, até que ele finalmente estava em minhas mãos e não pude fazer outra coisa se não começar a ler naquele momento.
Então, quando comecei esta leitura, não pude evitar esperar que meu coração batesse forte, minhas emoções ficassem à flor da pele com tantos acontecimentos que deixassem a gente aflita com o futuro das coisas. Só que acabou sendo um volume com menos ação e mais movimentação para alcançar um objetivo atrás de explicações, sem muitas ocasiões que me fizessem prender o fôlego, mas não posso negar que fiquei aturdida com diversas descobertas.
Ou seja, pensei que encontraria uma trama frenética, mas isso acabou não acontecendo. Inclusive acho que no começo do livro as coisas aconteceram de forma relativamente fácil demais, toda hora eu ficava esperando que algo muito ruim fosse acontecer para estragar com os planos dos amigos, mas eles conseguiram ir em frente sem grandes complicações e, mesmo as que aconteceram, tiveram resoluções rápidas.
Mas, apesar disso, foi uma finalização quase perfeita (eu daria 4.5 de nota) para a trilogia em minha opinião. Nós tivemos todas as respostas necessárias para entender tudo o que estava acontecendo, claro que certos detalhes sempre ficam de fora, mas considero que o final foi incrivelmente satisfatório. E, inclusive, gostei que uma parte de suma importância ficou em aberto porque tinha cinquenta por cento de chances de a autora escrever uma salvação para aquilo, mas eu estava com medo dos outros cinquenta por cento, que fizesse com que eu odiasse o final. Então eu prefiro imaginar que o futuro seria positivo do que ter que enfrentar uma realidade negativa.
Cada detalhe e cada acontecimento foram interligados em cada explicação que a autora nos deu e todas elas fazem muito sentido. Não encontrei furos e nem questões forçadas, eu entendi os motivos e aceitei o que levou cada pessoa a fazer tal coisa e agir de determinada maneira porque a autora consegue nos fazer compreendê-los muito bem. Ela amarrou todas as pontas e até as que não tínhamos pensado que faziam parte da mesma teia, na verdade fazem, e ela as ligou entre si.
Eu realmente adoro o Noah, ele é um dos meus personagens masculinos literários preferidos da vida. E a Mara também é uma das minhas protagonistas mais amadas. Conhecemos um lado mais sombrio e também perigoso dela neste volume, já que Dyer age de maneira obscura por vontade própria agora, o que antes acontecia sem que ela tivesse um controle real. E ao longo da trilogia pudemos acompanhar sua evolução de uma personagem assustada para uma assustadora, de não entender o que fazia para, depois de compreendido, aceitar seu poder, saber o quão perigosa é e não ter mais medo de usá-lo se necessário.
“Je t'aime. Aujourd'hui. Ce soir. Demain. Pour toujours. Si je vivais mille ans, je t'appartiendrais pour tous. Si je vivais mille vies, je te ferais mienne dans chacune d'elles.
Eu te amo. Hoje. Esta noite. Amanhã. Para sempre. Se vivesse mil anos, pertenceria a você por todos eles. Se vivesse mil vidas, ia querer fazê-la minha em cada uma.”

Só acho que faltaram mais participações da família de Mara, da qual eu gosto muito. O único que teve uma grande importância foi o Daniel, e fico feliz por isso, mas queria seus pais e seu irmão mais novo também.
Amo a escrita da Michelle e não vejo a hora de ela escrever mais livros para eu poder ler mais algumas de suas obras, já que, por enquanto, os três livros de Mara Dyer foram os únicos que ela escreveu, além de um conto em uma antologia.
As características que eu mais gosto desta trilogia, além de sua originalidade e as construções dos personagens, são as doses de sarcasmo e humor certeiras que a autora acrescenta na trama, já que elas são naturais e aliviam a tensão em alguns momentos, mesmo sem deixar as partes sérias e importantes de lado. Também não poderia deixar de comentar a respeito das referências presentes nas páginas, que me fazem sorrir todas as vezes.
A narrativa continua sendo em primeira pessoa por Mara, os flashbacks contando sobre a vida da avó ainda estão presentes neste volume e agora vamos entender exatamente a importância deles ao longo da história, mas desta vez também podemos acompanhar alguns capítulos narrados por Noah, que só me fizeram desejar por mais coisas sob seu ponto de vista.
ESTE PARÁGRAFO CONTÉM UM PEQUENO SPOILER, SE VOCÊ NÃO GOSTA, NÃO LEIA! Como o Noah não estava presente em grande parte deste volume, o romance acabou perdendo um pouco do foco que tinha nos demais, mas não foi algo que eu tenha considerado ruim, visto que a autora pôde trabalhar com outros personagens e interações melhor.
E eu continuo admirando Hodkin também pela sua capacidade de criar algo tão único, tão diferente de todas as outras coisas, principalmente livros para o público jovem adulto e, ainda assim, tão crível, como se realmente pudesse acontecer de verdade.
Este é um livro de respostas e revelações surpreendentes. Ele pode não ter me deixado aflita o tempo inteiro, mas me pegou de surpresa em muitas ocasiões. Considero este um desfecho realmente muito bom para a trilogia, apesar de eu ter esperado algo um pouco diferente e, por isso, este foi o livro que menos gostei dos três. Mas o nível de escrita, revelações e junção de pontas soltas é altíssimo.

"Esta é uma história de amor. Tortuosa e caótica. Cheia de falhas e ferrada. Mas é nossa. Somos nós. Não sei como vai terminar, mas sei como vai começar.”
Mara Dyer e Noah Shaw sempre vão ter um lugar especial no meu coração. Eu amei esta trilogia, como não amava nenhuma outra há um tempo relativamente grande, por isso não apenas recomendo-a para todos os leitores que curtem livros para jovens adultos bem desenvolvidos, repleto de mistérios e suspense, e com personagens carismáticos, eu peço com muito afinco: LEIAM!
Avaliação



A Evolução de Mara Dyer – Mara Dyer #02 – Michelle Hodkin

>> Apesar de esta resenha ser de uma continuação, vocês podem lê-la tranquilamente porque não há nenhum tipo de spoiler, nem deste e nem do primeiro volume.
Mara Dyer não é como as outras pessoas, mas isso também não quer dizer que ela é louca. Ela sabe disso, mesmo que quase ninguém mais acredite nela, exceto Noah. Só que as evidências estão em toda parte, desde ver alguém que deveria estar morto e que, supostamente, está, passando por alucinações que ela acredita ver, os sonhos vívidos que tem, o sonambulismo, e os poderes que ela possui, apesar de não conseguir saber exatamente como usá-los.
Mas, o pior de tudo é que ela se esquece de grande parte das coisas e, agora, ao olhar para o espelho, percebe que seu reflexo está mudando, ela não é mais quem costumava ser e não sabe como lidar com isso.
Seu passado está de volta, a aterrorizando, o mal está à espreita para machucar todos com quem Mara se importa, e ela precisa se manter calma e construir uma imagem sã, tranquila e equilibrada, enquanto tudo a sua volta está à beira da ruína, para evitar sua internação numa clínica psiquiátrica, que vai mantê-la longe de todos que ama, sua família e Noah, e mais longe ainda de descobrir a verdade.
Mas ela precisa descobrir a verdade mais do que nunca, e, com a ajuda de Noah, Mara vai buscar entender tudo o que acontece consigo e à sua volta, enquanto tenta aprender a usar seus poderes antes que seja tarde demais.
Desde o momento em que ainda estava lendo o primeiro volume desta trilogia, “A Desconstrução de Mara Dyer” (clique no título para ler a resenha), eu já estava ansiosa pela sequência. Quando cheguei ao fim do livro anterior, então, não sabia mais aguentar esperar para ler o que viria a acontecer com Mara Dyer, mas não pude porque o livro ainda não tinha sido publicado aqui no Brasil. Mas a espera finalmente acabou e a tão aguardada continuação finalmente foi lançada e eu li o quanto antes. Agora posso comentar com vocês o que achei de “A Evolução de Mara Dyer”, mas já vou adiantar que simplesmente AMEI!
Este volume começa logo depois do término do primeiro e Michelle soube relembrar fatos anteriores durante toda a leitura de uma forma natural, o que é bom para os leitores que leem com uma diferença grande de tempo. E foi ótimo poder perceber que a autora não teve problemas em escrever uma continuação e este livro foi tão bom quanto o primeiro, nos apresentando várias coisas novas que serão de grande relevância para o desfecho da história.
A narrativa de Hodkin é totalmente fantástica, ela consegue nos prender na trama de uma forma espetacular, onde ficamos tensos e agoniados do começo ao fim. Além disso, acho que a escritora soube como escrever as coisas para revelar partes, informações e novas descobertas nos momentos certos.
Gosto bastante de Mara Dyer, ela é uma das minhas protagonistas preferidas de todos os tempos, e acompanhar a história sob seu ponto de vista (a narrativa é em primeira pessoa) é maravilhoso, porque ela sabe dosar determinação, medo, força, dúvidas e romance, na medida certa para nos prender e ficar com dúvidas do que vai ser descoberto, ou como ela vai fazer para se ver livre de tudo aquilo, e também com vontade de saber mais, sem ficar chato ou cansativo, e, sim, instigante.
Noah é simplesmente sensacional e eu preciso de mais ele na minha vida. A construção dele é tão boa quanto a de Mara e eu curto muito a sua personalidade. Podemos conhecer um lado dele bem real e frágil também neste volume, e eu gosto disso, porque ninguém precisa ficar no controle sempre, nem mesmo os homens (como muitos sempre acham que devem), e isso só o torna mais humano.
E é tão bonito ver o romance entre os dois, a forma como eles se completam e se ajudam e, mais importante, o quanto se amam. Sou apaixonada pela história dos dois juntos, cada vez mais. É bom saber que a Mara não está sozinha ali para enfrentar tudo aquilo e que Noah vai aonde tiver que ir para lhe ajudar. E uma das melhores partes disto é que não há triângulo amoroso e eu só consigo ficar com os pensamentos: “Aleluia! e Que felicidade!” quando isso acontece.
Além de podermos acompanhar a história através de Mara, em alguns capítulos há flashbacks que são vivenciados na Índia, com uma outra protagonista e em uma época não determinada com precisão, tirando o fato de sabermos que aconteceram no passado. As coisas relacionadas com isso que encontramos no livro dão a entender que pode ter uma relação com uma pessoa da família de Mara e que pode haver uma ligação também com a família de Noah, mas nada foi revelado com profundidade ainda.
Gosto muito da família Dyer, é uma das minhas preferidas do mundo literário, só acho que eles poderiam ter visto a filha/irmã com outros olhos e talvez acreditado nela, mesmo que nada parecesse real. Pelo menos um dos membros da família, como o Daniel (irmão mais velho), teria me deixado satisfeita.
Outro personagem que vale comentar é Jamie, de quem eu gosto muito e que, depois do que aconteceu com ele no livro passado, fiquei com dúvidas se o veria novamente. Mas fico contente de poder dizer que, além de estar presente neste volume, ele participa bastante e nós sabemos de uma revelação a respeito dele que pode e, com certeza, vai, mudar muita coisa.
Nós também acabamos descobrindo um pouco sobre o que são os poderes Mara Dyer, mas nada muito desenvolvido ou explicado, apenas sabemos de uma pequena informação que com certeza vai mudar tudo, mas só foi exposto aos leitores no final do livro, então ficamos, ainda, com muitos questionamentos e só teremos mais respostas no próximo, que será o último volume desta trilogia.
Esta é uma leitura bem desenvolvida e muito gostosa, além de viciante. Eu, por exemplo, não conseguia largar o livro porque precisava saber o que ia acontecer. Apesar disso, havia momentos que eu precisava parar (alguns minutos) para poder respirar e refletir sobre as coisas. O que eu mais gosto e acho mais original é que nunca sabemos o que é real e o que não passa de alucinações, justamente pelo fato de Mara também não saber.
Com certeza posso afirmar que Michelle Hodkin já entrou para a minha lista de autoras preferidas, mesmo que eu só tenha lido duas obras suas, porque ambas foram tão fantásticas e tão bem escritas, que tenho certeza de que ela tem um dom. E dons não são perdidos, eles só são aprimorados.
Este volume, assim como o primeiro, acaba com um cliffhanger (quando termina com uma revelação muito importante, mas da qual só saberemos mais no próximo livro) daqueles, mas neste caso foi ainda pior porque eu preciso MUITO saber o que vai acontecer e aquela informação maldita PRECISA ser mentira! Estou com o coração em pedaços, mas, por ser narrado por Mara e ela não ser uma narradora tão confiável assim, afinal só podemos saber o que acontece sob seu ponto de vista, então se ela não vê ou não sabe da verdade, nós também não sabemos. E ela disse que sente que aquilo não aconteceu realmente, então eu sinto como ela, porque eu tenho que acreditar que isso vai ser diferente. O pior é que o lançamento do terceiro volume “The Retribution of Mara Dyer” é só no dia quatro de novembro deste ano lá fora, ou seja, ainda falta muito para ser traduzido e publicado no Brasil. :(
Amo estas capas, que passam todo o clima do livro e ainda são lindas e seguem o padrão das outras da trilogia, criando uma identificação do leitor, que pode reconhecer que todas pertencem a uma mesma série, mesmo que não saiba disso a princípio. A diagramação está maravilhosa, com fonte e espaçamento em tamanhos super confortáveis para uma leitura por mais tempo sem cansar a vista, além de contar com páginas amarelas.
A leitura deste volume é muito rápida e fluida, assim como a do primeiro livro, mesmo com suas mais de quatrocentas páginas. O que é ainda melhor é que eu adoro capítulos curtos e neste livro eles são assim.
Com uma grande dose de realismo misturado com sobrenatural, um clima sombrio e muito suspense, a história de Mara Dyer vai te prender e conquistar tão fortemente que vai ser impossível não desejar por mais: mais respostas, mais verdades, mais páginas, mais romance e até mais livros. Definitivamente vale a pena a leitura. Super recomendado!
Avaliação



A Desconstrução de Mara Dyer - Mara Dyer #01 - Michelle Hodkin

Tudo começa quando Mara, sua melhor amiga, Rachel, e Claire estão jogando Ouija e um tipo de profecia é anunciada. Seis meses depois a única sobrevivente das três é Mara, que acorda numa cama de hospital sem saber o motivo de estar ali e não se lembra do que havia acontecido, mesmo depois de saber que estava no local no momento em que suas amigas e seu namorado morreram.
Mas nada daquilo faz sentido porque Mara não iria visitar aquele prédio abandonado, então o que estava fazendo lá? De repente ela começa a fazer algumas coisas estranhas e perigosas, sem nem mesmo ter noção de estar fazendo algo, e é diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, com pesadelos e alucinações visuais fazendo parte de sua vida, então foi recomendado que ela fosse internada em uma instituição.
Foi quando ela propôs para sua mãe que se mudassem de cidade, pois ajudaria a enfrentar o trauma e a lidar com dor recente de perder pessoas tão próximas. Seus pais, bem compreensivos, resolveram que esta seria a melhor solução e semanas depois se mudaram para a Flórida para um novo começo. Todos querem apenas viver uma vida normal e esquecer o passado, mas Mara não, ela quer e precisa se lembrar, cada vez com mais intensidade, do que aconteceu naquele dia, pois continua tendo visões (ou seriam premonições?) e quer entender um modo de acabar com elas.
Enquanto tenta descobrir o que é realidade e o que não passa de alucinações, Mara tenta viver normalmente, mas é com a ajuda de um garoto com fama de bad boy e com ar meio misterioso que ela vai começar a encontrar fragmentos do quebra-cabeças que é sua vida.
Já tinha me interessado pela capa (Como não poderia?! Ela é linda e do jeito que eu mais gosto, com foto de pessoas!), e logo fui ler a sinopse, fiquei bem instigada e curiosa. Aí, li algumas resenhas, todas elogiando a obra, mas dizendo que era meio assustador, com um toque de terror, inclusive há uma citação na capa que fala sobre isso (da autora Rachel Hawkins), e eu não curto terror, então fiquei com um pé atrás. Mas era tanta resenha e comentários positivos sobre o livro e sobre o romance (sim, essa parte é importante para mim), que eu pensei que deveria mesmo arriscar e ver o que eu achava. E fico imensamente feliz por ter feito isso já que amei, ele ultrapassou minhas expectativas, e estou super ansiosa para ler os próximos volumes e saber um pouco mais sobre Mara Dyer e Noah Shaw.
Logo quando começamos a leitura nos deparamos com um recado de Mara Dyer, falando basicamente que este na verdade é um pseudônimo para não revelar a identidade de uma adolescente de dezessete anos que foi a responsável por vários assassinatos. E isso soa bem assustador, ao mesmo tempo em que ficamos indagando o que há por trás dessa revelação e o que a levou (e como fez) a matar tantas pessoas assim.
A construção dos personagens feita por Hodkin é impressionante. Cada um deles tem suas características pessoais bem definidas e bem diferentes, e nós só vamos descobrindo-as, ou entendendo-as melhor conforme a leitura vai avançando. Todos são explorados, claro que alguns com mais intensidade do que outros, mas quando terminamos de ler, não ficamos com aquela sensação de que não conhecemos alguém direito, e isso é ótimo.
Mara é uma protagonista ótima, gostei de poder acompanhá-la, ficava intrigada junto com ela nos momentos de dúvida sobre o que estava realmente acontecendo, sem saber o que esperar e sem descobrir o que era verdade e o que não passava de pensamentos. Ela é mais na dela, não gosta muito de revelar a verdade sobre si mesma e o que acontece consigo, é confusa, mas também tem um bom coração e é engraçada, faz piadinhas e é irônica, coisas que eu adoro em uma protagonista.
E posso dizer que deu para sentir sua agonia saindo das páginas, por não estar conseguindo entender o que estava ocorrendo, com sua dificuldade de acreditar naquilo que estava de fato acontecendo. Ela não se cansa de buscar a verdade, qualquer que seja ela, mesmo que esta não seja o que quer ou o que espera. Além de eu achar sempre ótimo poder acompanhar um personagem descobrindo sobre ele, e aprendendo junto com ele com o passar das páginas, e isso acontece ainda melhor quando a narrativa é em primeira pessoa.
E o Noah. Ah, o Noah! Eu adoro personagens mais fofos e ele definitivamente é um desses, além da ótima aparência e do segredo que guarda, que o torna ainda mais misterioso. Ele também tem aquele ar meio bad boy conquistador. Ele sempre a apoiou e a fez se enxergar com outros (e melhores) olhos, e também a ajudou a entender mais sobre si mesma. Ele é sensacional!
Gostei demais da construção do relacionamento de Mara e Noah, ela foi acontecendo gradativamente e essa é a melhor forma de me sentir conectada aos sentimentos do casal. A aproximação dos dois teve um motivo especial, que só conhecemos mais para o final do livro, totalmente plausível e que me deixou curiosa e sedenta por mais informações.
Também curti bastante a família de Mara, que mesmo com todos os seus problemas e aquelas situações esquisitas ocorrendo ao seu redor, a apoiou totalmente, mudando de cidade e fazendo com que cada membro deixasse sua vida e passado para trás. Isso soou ainda mais bonito de ser ver em um livro americano porque geralmente vejo as famílias de lá meio frias e não se importando tanto assim a ponto de se mudarem para evitar mais problemas para a filha, acho que isso poderia ocorrer com mais frequência aqui no Brasil, mas posso estar enganada também e isso pode ser apenas a minha visão de acordo com tudo o que li e assisti.
Sua mãe é superprotetora, e acredito que ela tenha tentado a todo momento entender e ajudar a filha, mesmo que isso soe um pouco sufocante para Mara. O pai é um advogado muito trabalhador e quase não tem tempo para ficar com a família, mas também é uma boa pessoa. Daniel é seu irmão mais velho e também meu preferido (além de Mara e Noah), ele é responsável, engraçado, inteligente, e amoroso e faz de tudo para cuidar da irmã, se preocupa com seu bem estar e a quer ver feliz, ajudando-a sempre. Joseph, seu irmão mais novo é bem fofo, nerd e compreensivo, um amor.
Outro personagem que merece destaque é o Jamie, primeiro amigo de Mara no novo colégio, ele é divertido e também a ajuda em alguns momentos, e odiei do fundo do meu coração uma coisa que aconteceu com ele, vou torcer para que ele esteja no próximo volume e que sua situação melhore.
Essa é uma história bem tensa, tem várias mortes, algumas bem descritas (com as partes nojentas e tudo), e é recheado de adrenalina, sendo difícil largar o livro de lado quando começamos a leitura. Eu nunca tinha lido algo que me fizesse ficar tão ligada, apreensiva e com dúvidas sobre o que era real e o que não era. Talvez isso se deva ao fato de que Dyer não é uma narradora confiável, mas não porque ela está mentindo para o leitor, apenas porque se só podemos ver os acontecimentos sob sua visão, nunca sabemos o que é verdade ou ilusão, e isso é empolgante!
A narrativa da autora é cativante e angustiante, e me agradou bastante, ela conseguiu fazer uma história bem construída, mantendo o mistério através de uma linha tênue entre o real e o imaginário, e fez um bom desenvolvimento do enredo, que consegue mexer muito com nosso psicológico. Tem alguns clichês de livros para jovem adulto, mas nenhum deles me incomodou, apesar de saber que alguns leitores não gostaram.
Apesar do clima ser sombrio e a narrativa apresentar vários acontecimentos ruins, não considero realmente um terror. Mexe com nosso psicológico, nos deixa apreensivos, temerosos, curiosos, aflitos? Sem dúvidas. Mas não é nada tão pesado assim que vai fazer com que você fique com medo ou com dificuldades para dormir.
 Além disso, por conta do ritmo acelerado, dos capítulos curtos, e da sensação de ilusão, distorção da realidade e busca desenfreada por respostas, a leitura flui muito bem e quando vamos notar já chegamos ao fim desse volume, que é o primeiro da trilogia. Por ser um livro introdutório, as revelações serão mais bem explicadas e exploradas só nos próximos volumes, não que isso tenha ficado ruim nesse, que teve o intuito de nos apresentar como tudo começou a mudar na vida de Dyer.
E, por falar em final, tipo, OMG! Como pode aquilo ter acontecido? E o que isso quer dizer? Surpreendente. Eu adoro quando o final acaba desse jeito (com cliffhanger – o último acontecimento do livro não tem uma conclusão, e alguma informação muito importante foi jogada, mas só saberemos o que acontece nos próximos volumes), porque faz com que o leitor fique cheio de curiosidade para saber o que vai acontecer em seguida, mas também sei que isso é tortura porque as continuações demoram a serem lançadas aqui no Brasil, então é mais tempo sem saber o que aconteceu. E eu PRECISO saber o que vem depois desse final PARA ONTEM!
Eu amo essa capa, ela tem esse ar meio sombrio, que é bem o clima do livro, e também é bem linda. É uma dessas capas que eu olho na livraria e logo fico cheia de vontade de ler o livro (antes mesmo de saber do que se trata a história!), só acho que a impressão deixou um pouco a desejar, a foto não ficou tão perfeita assim porque está meio escura e o título ficou apagadinho mesmo com o uso de verniz localizado porque está em uma cor muito clarinha, não ganhando destaque. A diagramação é simples, mas a fonte está em tamanho grande e as páginas são amarelas, fazendo com que flua melhor.
E durante a leitura algumas perguntas não saíram da minha cabeça, e tenho certeza de que da de várias outras pessoas também. Como deve ser perder a memória e precisar trazê-la de volta? E como deve ser descobrir que as coincidências podem ser mais do que apenas isso? Essa habilidade de Mara pode ser considerada um dom? Ou está mais para uma maldição? E, mais importante: Quem realmente é Mara Dyer? Acho que essa é uma pergunta que todos que lerem o livro se fazem ao terminá-lo.

Para quem gosta de livros para o público jovem adulto com muito suspense, um enredo forte e envolvente, uma mescla de realidade com alucinações e pesadelos, é transportado para o passado e o presente com frequência e sem saber o que é verdade, tudo isso daquela forma que tira o nosso fôlego sem nem mesmo notarmos, então você precisa urgentemente ler esse título. Tenho certeza de que não vai se arrepender.
Avaliação



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