Ana é uma
estudante de direito, estagiária num escritório de advocacia, que acaba de
começar um relacionamento amoroso com Artur, e leva uma vida normal para alguém
de sua idade, com estudos e saídas para se divertir nas noites. Até que, por
meio de uma forma bem inusitada, mas bem plausível para os dias atuais, Ana
descobre que na verdade é filha do rei da Krósvia, um pequeno país no sudeste
da Europa.
O rei Andrej
estava no Brasil quando descobriu sem querer essa notícia e entrou em contato
com a filha, conseguindo marcar um encontro com ela rapidamente. Não muito
tempo depois, Andrej a pediu para que o acompanhasse em uma viagem à Krósvia, mesmo
como uma experiência de pouco tempo, para que ela conhecesse seu país e o povo
para um dia, quem sabe, governá-lo também. Ana decide dar uma chance ao destino
e resolve passar alguns meses por lá na companhia do pai.
Ao chegar ao
país, e longe de seus familiares e amigos que ficaram no Brasil, Ana fica
hospedada no Palácio Sorvinski, com seu pai e os empregados do local. Se
sentindo meio sozinha, e antes mesmo de ser apresentada ao público, ela resolve
passear pelo lugar para conhecê-lo enquanto ainda pode, já que depois sua vida
vai deixar de ser tão calma e ela não poderá mais viver despercebida.
Como o rei Andrej
é muito ocupado com seus deveres reais e não pode lhe dar atenção o tempo todo (na
verdade quase tempo nenhum), o pai acaba aceitando o pedido de seu enteado,
Alex, permitindo que ele a acompanhe em seus passeios para que ela conheça as
belezas e os costumes do país. O problema dessa história toda é que o lindo
(maravilhoso, escultural, deus grego, dono de uma tatuagem intrigante que habita
os pensamentos de Ana) Alex não a suporta e a trata de forma bem grosseira e
cheia de ironias o tempo todo.
Será que,
com o passar dos dias em que passam juntos, Alex vai acabar cedendo e se permitindo
conhecer Ana um pouco mais para, enfim, entender que ela é diferente do que
havia pensado e passará a tratá-la de forma melhor? E será que ele pode decidir
logo como quer se comportar em sua presença (igual um playboyzinho arrogante,
ou um gentil e atencioso homem) para que ela possa desistir de desejá-lo e
sonhar com ele, ou para que decida fazer isso com muito mais frequência?
Adoro conto
de fadas, sejam eles modernos ou clássicos, releituras ou não. E também sou uma
fã incondicional de histórias de amor. No caso do inédito contemporâneo Simplesmente
Ana, assim que soube do lançamento, fiquei cheia de vontade de conhecê-lo e,
quando o recebi, não tive dúvidas de que ele seria uma das minhas próximas
leituras.
Apesar da
ideia – garota, quando já não é mais uma criança, conhece o pai, que é rei de um
país europeu e vai visitá-lo – já ter sido vista antes em “O Diário da
Princesa” [série de livros muito famosa de Meg Cabot que deu origem ao filme
homônimo com Anne Hathaway, que eu adooooro (livros e o primeiro filme)], e
desde o momento em que li a sinopse desse livro não consegui não pensar nela (até
a Ana cita essa outra história em um momento), acho que Marina Carvalho
conseguiu criar algo totalmente novo, com um desenvolvimento bem diferente do
proposto pela Meg, que deu muito certo e é muito bom também. Fico feliz de
saber que somente o ponto inicial é parecido e gostei demais da história vivida
por Ana.
Em diversos
momentos, Ana foi uma personagem encantadora e eu gostei de acompanhá-la na
maior parte do tempo. Entre eles, vale citar que achei muito legal ela não ter
ficado cheia de reclamações e dramas quando descobriu a verdade sobre seu
passado e seu pai verdadeiro, e como ela mesma diz, não tem mais idade para
essas coisas e não ficou revoltada, pelo contrário, foi legal e compreensiva
com sua mãe e as mentiras que ela lhe contou.
Só acho que
em certas ocasiões ela ficou chatinha, ou me incomodou com suas atitudes.
Primeiro, principalmente quando Alex a estava tratando mal, Ana cedia muito
fácil para o que ele falava para ela falar ou fazer. Mentalmente ela dizia que
não faria ou diria algo, mas ele só precisava insistir um tiquinho de nada e voilà, ela cedia.
Outra
atitude que ela teve que não considero legal, seja em pessoas ou personagens,
foi que em uma situação desfavorável a ela e a outra pessoa envolvida, ela
preferiu acreditar em terceiros a procurar a verdade. Isso é irritante no
mínimo, e infantil, batendo de frente com o outro comportamento dela, que tinha
achado maduro. Não que eu mesma não tenha meus momentos de infantilidade
(admito e gosto deles, oras, são quem eu sou!), mas não gosto deste em
específico, não pela história em si, mas por um gosto pessoal.
Tirando
essas duas coisas, Ana é uma protagonista ótima, divertida e inspiradora.
Adorei conhecê-la mais e acompanhar sua história.
Quanto ao
seu romance com Alex, isso não é um spoiler do livro, já que isso fica
subentendido (além de ser óbvio para livros do estilo) que eles vão se envolver
logo quando lemos a sinopse, eu gostei e achei fofo, mas esperava bem mais.
Talvez por essa ser minha parte preferida, acho que faltou um algo a mais no
relacionamento deles.
Também não
gostei muito do Alex num primeiro momento por causa da forma como ele agia e a
tratava. Depois ele vai mudando e passo a gostar mais dele, mas por causa do
começo do livro ele não me encantou totalmente e nem me fez suspirar.
Sobre os
outros personagens, adorei a sua melhor amiga, Estela (achei uma coisa no final
dela meio forçada, mas enfim), sua mãe, Olívia, sua avó, Nair, Irina, sua
assessora que virou amiga, sua família da Krósvia, e a cozinheira Karenina. O
pai é legal também, mas não o conheci tanto assim (nem Ana), então minha
opinião sobre ele é neutra.
Ah, só um
comentário bobo, mas que me incomodou. Lá, grande parte das pessoas fala
inglês, apesar de não ser a língua oficial, mas achei meio esquisito que o cabelereiro,
que trabalha com pessoas importantes não saiba a língua, mas as crianças bem
novinhas do orfanato que ela visita, soubessem perfeitamente.
Os cenários
foram muito bem descritos. Eu queria que realmente existisse uma Krósvia e
desejei poder visitá-la, de tão lindas que foram as descrições do local.
Achei o
final, antes do epílogo (no livro não é chamado assim, mas é uma passagem de
tempo de 2 anos) meio fraco e óbvio demais. Não estou dizendo que não curto
clichês, porque na verdade eu gosto bastante, mas senti falta de alguma coisa
um pouco mais emocionante ali. Já o final do livro mesmo eu curti mais, achei
bem fofo. Também gostei da “brincadeirinha” que a autora faz com o leitor nesse
momento.
Eu adoro
livros que fazem parte de séries (algumas pessoas querem me bater agora que eu
sei hahahah Mas, gosto é gosto! :P), e como gostei tanto dessa história,
queria, sim, uma continuação para ela.
Preciso
comentar sobre essa capa, que é simplesmente maravilhosa! A Editora Novo
Conceito se empenhou para fazer um trabalho lindo e, definitivamente,
conseguiu. A versão impressa tem verniz localizado no título e nome da autora.
Já a diagramação está simples, com fonte em tamanho normal e bom espaçamento.
Com uma
deliciosa história sobre uma princesa da modernidade, que traz lições de
amadurecimento e nos inspira na busca pelos sonhos, através de uma narrativa
leve e divertida, com personagens especiais, indico a leitura para amantes do
gênero.
Avaliação