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Alguém Para Amar – Westcott 01 – Mary Balogh

Quando o Conde de Riverdale morre, deixando uma fortuna para a família, as coisas poderiam seguir um rumo tranquilo. Porém, ele também deixou um segredo: Anna Snow, sua filha do primeiro casamento, a qual ninguém sabia da existência.

Anna vê sua vida mudar completamente, já que foi criada num orfanato e não tinha qualquer informação sobre sua família ou origens, nem mesmo possuía qualquer bem valioso. Quando é levada para a alta sociedade para receber um tratamento como lady Anastasia – seu verdadeiro nome e posição social, ela se vê num mundo novo, rico, onde as pessoas se importam com a opinião alheia mais do que deveriam e onde é rejeitada prontamente por várias pessoas, incluindo membros da própria família recém descoberta.

Avery Archer, o duque de Netherby sempre manteve todo mundo à distância e guardava seus próprios segredos. Quando conhece Anna, vê mais nela do que em qualquer pessoa e isso o atrai. E quanto mais tempo passam juntos, mais certo parece que algo seja feito a esse respeito.

Amei o enredo. Já li vááários Romances de Época, afinal é meu gênero favorito, e nunca tinha lido nada parecido. Curti as explicações e justificativas. Adoro como Mary trata o comportamento humano e traz revelações que as pessoas não deixam transparecer. Só achei que faltou emoção e cenas de perder o fôlego, então demorei lendo. Conhecemos os protagonistas dos próximos volumes da série e mal vejo a hora de ler as continuações.

Adorei que o protagonista masculino se libertou da ideia de que os homens devem ser fortes, grandes, etc. para poder exalar masculinidade. Gosto que Avery pode parecer mais frágil ou até com feições mais delicadas, e ainda tem respeito (conquistado) e é bem resolvido. Ele tem realmente um ar de Duque: arrogante, nariz em pé e extravagante, mas também é envolto em mistério e é dono de um autocontrole invejável.

Gostei do fato de ele ter feito artes marciais. Acho que combinou muito com o personagem, além de ser algo que não é muito explorado nos Romances de Época. Também achei importante que a autora tenha abordado o passado de Avery, a intimidação que sofreu, e como os garotos são tratados só porque precisam representar uma imagem de força e sem sentimentos.

Curti bastante Anna, conhecer seu caráter e seu modo de agir. E ver como ela lidou com maturidade com sua nova vida, ainda que tenha vivenciado um giro de 180°. Adorei sua visão, o modo como ela é segura e sempre diz que não é melhor nem pior que ninguém.

Eu gosto das obras escritas por Mary Balogh, acho que são bem construídas, e os personagens e suas próprias histórias são bem desenvolvidos. Porém, não consigo ver a química entre os protagonistas. Ainda que eu torça para eles como um casal, não sinto aquela paixão, aquele palpitar no coração, e falta um sorriso involuntário se formando nos meus lábios. Os relacionamentos são mais tranquilos e maduros, do tipo que eles decidem ficar juntos porque querem e porque é melhor (até há atração física), mas não porque sentem algo forte.



Um Acordo e Nada Mais - Clube dos Sobreviventes #02 - Mary Balogh

Vincent, o Visconde de Darleigh, é um jovem ex-soldado, que viveu o pior período de sua vida quando ficou cego e surdo na guerra por uma atitude que ele mesmo tomou. Depois disso, ele acabou ficando meio traumatizado e quase não teve um futuro, porém o Duque de Stanbrook lhe estendeu a mão e cuidou dele para que conseguisse superar seus traumas. Sua audição felizmente voltou, mas o mesmo não pode ser dito de sua visão. No entanto, agora Vincent vive uma vida normal, tem ótimos amigos, o Clube dos Sobreviventes, pessoas que vivenciaram coisas terríveis por conta da Guerra, uma família amorosa, um título novo e uma casa ainda melhor.
Sua família é bem unida e se preocupa com ele e seu futuro, então querem que ele arranje uma esposa. Por conta disso, arrumam uma pretendente nada bacana, o que faz com que Vincent decida fugir para não ficar preso num relacionamento horrível e ainda arrastar a moça consigo.  E é assim que ele se junta ao seu criado e foge para a casa de campo onde cresceu.
Nesse local, ele acaba ganhando bastante fama já que agora é um Visconde, então várias famílias de moças solteiras querem fazer com que ele se case com uma delas. Depois de sofrer uma nova emboscada e quase vivenciar uma situação “escandalosa” com uma delas, ele fica muito grato por ser salvo pela Srta. Sophia Fry, uma jovem desprezada e invisível, quase como um ratinho.
Por ter ajudado ele, Sophia acaba sendo expulsa da casa de seus tios com quem vivia por não ter pais, e se viu sem dinheiro, roupas, outros familiares ou um futuro. Ela não tem nada na vida e está bem desesperada, mas eis que surge Vincent com uma proposta tentadora: se casar com ele. Primeiramente, ela não quer aceitar, mas acaba sendo convencida de que essa é a melhor solução para o seu problema, enquanto ele vai se sentir aliviado porque foi indiretamente por sua culpa que ela acabou sem lar, e também porque pode tirar vantagens dessa união.
Com o passar do tempo, uma amizade vai surgindo e Sophia e Vincent acabam percebendo que pode haver mais sentimentos do que eles imaginariam. Mas será que vale a pena ter um relacionamento além do casamento ou eles devem seguir com seus sonhos pessoais de viverem felizes e sozinhos?
Mary Balogh vem sendo publicada há um tempo pela Editora Arqueiro. Até agora já foram lançados oito livros de sua autoria aqui no Brasil, sendo seis deles da sua série anterior (que já está completa), Os Bedwyns (tem resenha dos volumes aqui no blog, clique no título para ser redirecionado), e dois dessa nova, Clube dos Sobreviventes. Não li a primeira série da escritora, mas sempre ouvi tantas críticas positivas que queria conferir seu trabalho, afinal amo Romances de Época com todo o meu coração.
Então me aventurei nessas obras, nas quais cada história é protagonizada por um dos membros do “Clube dos Sobreviventes”, que se tornaram grandes amigos por terem sofrido muito com as consequências da guerra. Eles se reúnem quase todos os anos e possuem uma forte amizade, sendo que um sempre apoia o outro não importa o que aconteça. A premissa é bem bacana, mas até agora não fui conquistada por nenhuma das duas tramas. Mas acho que isso é algo bem pessoal meu, que gosto de histórias com um pouco mais do romance trabalhado, o que não aconteceu até o momento.
É química entre os protagonistas que você quer? Então aconselho que procure outro livro, porque infelizmente isso faltou aqui. O casal não tem nada de especial ou que tenha me feito suspirar, e nem combina. Pelo contrário, achei tudo tão morno que até demorei muito lendo o livro.
Acho que os dois têm personalidades muito semelhantes, o que poderia funcionar em alguns casos, mas aqui não funcionou para mim. Ambos eram muito calmos, muito contidos, não faziam o que queriam, não diziam o que pensavam, não tinham personalidades fortes ou ativas. Eles apenas estavam ali, apenas existiam e não se incomodavam com isso. Acho bacana quando há um personagem assim, mas acho que tanto um quanto o outro combinaria melhor com alguém complementar, alguém que o impulsionasse, que puxasse o melhor do outro e fizesse uma diferença significativa na outra vida. Fora que, por conta dessa apatia de ambos, rolava uma falta de diálogos relevantes entre os dois. Eles conversavam mais coisas banais do que assuntos interessantes, o que acabou sendo chato.
Por outro lado, a construção dos personagens é maravilhosa. A autora trabalhou muito bem com o passado dos protagonistas, com o que eles tiveram que lidar para chegarem aonde estão, o que fez com que eles sofressem tanto antes, que agora precisem lidar com os assombros e consequências do período anterior, etc.
Fora que tudo é bem realista em relação as personalidades deles. Eles sofrem e têm que lidar com sequelas emocionais resultantes de seus passados. Vincent tem ataques de pânico porque agora é cego, porque já viu a cor e as coisas com seus próprios olhos anteriormente, mas agora não tem mais oportunidade, ele sofre em alguns momentos quando percebe que tudo ao seu redor é preto e vai continuar sendo. Foi bem emocionante e também deu para sentir seu terror, suas emoções, quando ele vivenciava esses ataques e esses pensamentos aterrorizantes.
Enquanto Sophia (que até agora eu não tenho certeza se na verdade se chama Sophie, porque havia uma variação dos dois nomes o tempo inteiro) perdeu ambos os pais quando jovem, e foi morar com uma tia que a negligenciava, até que esta morreu e foi enviada para outra que fazia o mesmo e assim por diante. Ela nunca foi querida em lugar nenhum e sua primeira paixão também não foi nada bacana, já que o rapaz, que era seu familiar, fez com que ela se sentisse péssima, feia e sem graça, como se nunca pudesse ter a chance de alguém gostar dela. Então ela sofre com bullying e memórias do passado até hoje, fazendo com que sempre fique escondida e quase invisível.
A narrativa da autora é leve, mas também tem pontos dramáticos intensos e uma carga emocional bem trabalhada, como comentei acima. Porém, o pano de fundo do casamento e da aceitação de um Visconde, que a princípio nem mesmo queria se casar e depois escolheu uma garota aleatória sem paixão, amizade, família influente ou dinheiro para contrair matrimônio bem rapidamente, por seus amigos e familiares, foi sem sentido, meio fantasioso e apressado demais na minha opinião.


Uma Proposta e Nada Mais - Clube dos Sobreviventes #01 - Mary Balogh

Lady Muir, Gwendoline, se tornou viúva bem cedo e, por ter tido um casamento não muito agradável, decidiu seguir com sua vida tranquila sem ter vontade de se casar novamente. No entanto, agora se sente solitária e decide arranjar um marido agradável, calmo e inteligente.  Em um passeio solitário quando estava viajando para confortar uma conhecida que ficou viúva recentemente, ela acaba se machucando e, por conta de sua perna que já era manca, fica sem ter como agir. Até que conhece Hugo Emes, o lorde Trentham, que ganhou o título por conta de uma missão suicida que liderou, da qual saiu vivo na guerra. Ele lhe ajuda e eles começam a ficar mais próximos.
Hugo também quer um casamento porque seu pai faleceu deixando-o com uma grande riqueza e muitas responsabilidades, incluindo cuidar de sua irmã mais nova e de sua madrasta. Como ele é fechado e carrancudo, não sabe como agir e decide encontrar uma esposa boa para lhe ajudar a enfrentar determinadas obrigações. Porém, ele tem um pouco de preconceito com pessoas da aristocracia e, mesmo antes de conhecer Gwendoline muito bem, a julga superficial e mimada.
Mas como nem tudo acontece da maneira ideal que planejamos para nós mesmos, um acaba se sentindo cada vez mais atraído pelo outro, tanto física como psicologicamente, e agora eles precisarão decidir se isso basta para um casamento satisfatório, agradável e duradouro.
A autora, Mary Balogh, já havia sido publicada anteriormente no Brasil, também pela Editora Arqueiro, só que com a série de seis livros “Os Bedwyns”, que inclusive já teve diversos volumes resenhados aqui no blog (clique no título para conferir nossas opiniões). E dessa vez a editora escolheu uma de suas séries mais recentes, “Clube dos Sobreviventes”, cuja obra inicial é esta, “Uma Proposta e Nada Mais”. Como Romance de Época é meu gênero favorito, e eu ainda não tinha lido nada escrito por Mary e queria conhecer sua narrativa, resolvi me aventurar nela.
Com tantas opiniões muito positivas a respeito da autora e de sua escrita, eu estava esperando uma história maravilhosa de fazer suspirar. Então minhas expectativas estavam realmente bem altas. Mas confesso que não curti tanto assim. Achei o casal protagonista bem sem graça. Eles não tinham química e nem senti qualquer tipo de ligação, muito menos uma tão profunda que resultasse em amor. Não consegui senti-los se apaixonando e nem nenhuma emoção vinda de qualquer um dos dois e isso foi realmente a parte mais frustrante da leitura. Não é um livro ruim, porém também não foi empolgante ou que fez meu coração se animar ou se apaixonar. Só me senti normal lendo, nem odiando nem adorando qualquer coisa.
Por outro lado, gostei da escrita da autora, que é interessante e bem desenvolvida. Uma das minhas partes preferidas é que ela construiu muito bem a personalidade e o pano de fundo da vida de cada um dos protagonistas, trazendo profundidade e realidade à trama. Ou seja, nós temos a oportunidade de conhecer a fundo os personagens, seus passados, suas motivações e pensamentos.
E também pudemos conhecer o lado ruim de cada um, seus traumas, sequelas emocionais e dificuldades em superar determinadas questões. Afinal, o ser humano é complexo e sempre tem que trabalhar questões dentro de si, e ver que a autora soube transmitir isso tão bem em palavras, fazendo com que nos aproximássemos dos personagens, foi realmente muito gratificante.
Porém, algo que me incomodou também é que os protagonistas quase nunca conversavam! Praticamente em quase nenhum encontro eles tinham uma conversa mais duradoura. Geralmente um ficava ao lado do outro sem querer falar alguma coisa ou sem saber o que dizer, então só ficavam quietos. Inúmeras vezes a autora usava esses argumentos, fazendo com que eu sentisse muita falta de interação entre os dois. E até agora não sei quando o amor começou.
Quero dizer, nós, leitores, pudemos conhecer ambos muito bem. Inclusive porque eles não estavam falando um com o outro, mas estavam pensando bastante. Então tivemos a oportunidade de ouvir aquilo que eles não tinham coragem de dizer em voz alta. Claro que em determinados momentos um falava um discurso enorme para o outro, revelando algo de seu coração ou de sua vida, ou até contando algo de seu passado. Mas, quando algo assim acontecia, na maioria das vezes o outro só ficava ali ouvindo, sem comentar ou acrescentar nada na conversa, quase como se o outro estivesse fazendo apenas um monólogo, e depois mudava de assunto ou eles se separavam.
A obra tem um ritmo constante, mas é repleta de sentimentos, emoções afloradas (com relação aos personagens em si e seus passados) e muita sensibilidade. Com certeza consegue tocar o leitor em diversos momentos. Além disso, o texto é bem descritivo, fazendo com que tenhamos facilidade em mergulhar no enredo e também na época em que a trama se passa, como se realmente estivéssemos fazendo parte daquele cenário e naquele período e isso é muito agradável.


Ligeiramente Pecaminosos - Os Bedwyns #05 - Mary Balogh

Esse livro faz parte da série “Os Bedwyns”, sendo o quinto volume publicado, fazendo uma sequência direta a seu antecessor, “Ligeiramente Perigosos”, e mostra o personagem Alleyne Bedwyn indo em direção a uma batalha em Waterloo, levando uma correspondência por conta de seu trabalho na Embaixada de Haia. Como não retornou, foi dado como morto por sua família e por nós leitores. Como o quarto livro era sobre sua irmã mais nova, não tivemos muitas explicações sobre o que aconteceu com ele de fato.
Já com esse novo exemplar, ficamos felizes em saber que ele não morreu, mas foi resgatado por Rachel York, uma jovem que estava à procura de arrumar dinheiro com joias, roupas, o que fosse, de pessoas mortas na guerra. Inclusive ela foi contra a vontade, mas precisava ajudar a juntar um dinheiro para ir atrás de um homem que a enganou e também as suas amigas do bordel no qual ela estava hospedada. Isso aconteceu porque as moças dessa casa de pecados entregaram seu dinheiro para um clérigo que dizia que ia administrá-lo para elas. Só que era tudo uma mentira, e elas acabaram sendo roubadas pelo falso clérigo. E Rachel se sente culpada por isso, mesmo sabendo que todas concordaram que ele levasse o dinheiro para depositar em Londres e guardá-lo.
Encontrando este jovem desmemoriado, ela resolve ajudá-lo, cuidando dele até que se recupere para seguir com um plano que considera ideal: ir para Londres, fazendo-o se passar por seu marido para conseguir o dinheiro da herança que sua mãe lhe deixou, que seu tio só lhe entregaria caso ela fosse casada com um homem honrado. 
Alleyne pode ter perdido a memória, mas não perdeu seu jeito sedutor. E, vendo tão bonita moça cuidando tão bem de si, resolve que quer conquistá-la. Para isso, embarca em seu plano. Então eles dois, juntamente com diversos outros membros do bordel, vão para Londres para enfim colocar tudo em prática.
Chegando lá, eles se metem em uma grande confusão devido ao plano armado e acabam se envolvendo muito mais do que deveriam. Então sentimentos passam a surgir entre os dois que agora não sabem onde a farsa termina e o amor começa.
Eu adorei esse livro! Como Alleyne foi dado como morto no volume anterior, não tivemos a chance de conhecê-lo tão intimamente (só o conhecemos anteriormente por suas pequenas participações nas obras antecessoras). Então foi realmente maravilhoso poder acompanhá-lo nesse novo cenário em que ele nem mesmo sabia quem era ou de onde vinha, procurando descobrir algo sobre seu passado ou pelo menos recuperar parte de sua memória para sanar tantas dúvidas que martelavam em sua mente.
Foi interessante vê-lo num novo ambiente, tendo que aprender certas coisas novamente e conhecer pessoas que ele provavelmente nunca teria conhecido verdadeiramente se não tivesse passado por essa situação, já que as moças da casa de pecado, por exemplo, não se misturavam com os membros da alta sociedade de forma mais amigável.
Diferente das demais protagonistas desta série, Rachel é uma moça mais tímida e ingênua, também é bondosa e extremamente altruísta, doce, dona de um ótimo coração e sempre só quer ajudar os próximos.
Outras personagens que merecem destaque foram as prostitutas que pudemos conhecer melhor, que são donas de bons corações e que sempre ajudaram o próximo. Primeiro com Rachel York, que foi morar no prostíbulo por uma situação bem difícil, já que seu pai perdeu tudo e depois morreu, deixando a filha sem nada. Ela era amiga de Bridget, uma prostituta, que tinha sido sua babá anteriormente quando seu pai ainda era vivo e com posses, e foi essa mulher que lhe acolheu e sempre lhe tratou muito bem. E depois com os Alleyne e o ex-sargento William, feridos do campo de batalha, que foram acolhidos e tratados por elas com muito carinho e consideração. Foi muito legal ver que Balogh deu o devido valor a essas mulheres, coisa que as pessoas (nem daquela época nem de hoje em dia) não faziam. Pois, mesmo com o coração de ouro, elas eram tratadas inferiormente.
A escrita de Mary continua deliciosa, leve e envolvente. A gente começa a ler e não tem mais vontade de parar até saber exatamente como tudo aconteceu e o que esses dois vão fazer para ficarem juntos. A narrativa é em terceira pessoa e acompanha os dois protagonistas, Alleyne Bedwyn e Rachel York, em capítulos alternados, possibilitando que o leitor possa conhecer toda a trama de forma mais ampla e ainda assim bem próxima dos personagens.


Ligeiramente Seduzidos - Os Bedwyns #04 - Mary Balogh

Você já sentiu aquela sensação que viveu ou fez parte de outra época? Pois é assim que me sinto quando leio romances de época. Adoro! E a Editora Arqueiro não nos deixa por menos, só nos apresenta o que tem de melhor no mercado. “Ligeiramente Seduzidos” conta a história de lady Morgan Bedwyn, a irmã mais nova desta família. Sendo criada nos princípios da sociedade inglesa do século XIX, tem uma personalidade marcante, assim como seus irmãos e irmãs, e não é uma pessoa mimada, mas, sim, muito forte e determinada, além de conseguir ser gentil e solidária. Em plena guerra ela tenta fugir dos padrões os quais eu havia citado anteriormente.
Ela morava na Inglaterra, mas estava hospedada na casa de amigos em Bruxelas, pois foi lá à passeio. Havia uma guerra em andamento nas redondezas, e seus anfitriões planejavam ir embora antes que a guerra se aproximasse demais. Só que as tropas de Napoleão tentaram tomar a cidade, com isso, tiveram muitos feridos que voltavam do campo de batalha.
Como muitas famílias saíram do local, poucas ficaram. E a com quem ela estava não pôde seguir viagem, pois sua amiga, Rosamond, filha da dona da casa, passou muito mal com enxaqueca e não conseguiu ir. Além do mais, seu irmão, Alleyne Bedwyn, que havia estado há pouco no local, e tinha uma idade próxima a dela, tinha sido mandado para Antuérpia para resolver negócios da embaixada no campo de batalha, mas ainda não havia retornado.
Quando tentariam sair da cidade novamente, mesmo sem seu irmão e contra a sua vontade, suas carruagens foram solicitadas para levar suprimentos a quem necessitava, impedindo-os de sair. Depois, quando eles finalmente conseguiram ir embora, ela decidiu não ir com eles para esperar Alleyne. Com isso, Morgan se hospeda na residência da esposa de um oficial para continuar ajudando os feridos de guerra, como já tinha começado a fazer antes da família de sua amiga ir embora. Pois, como havia dito, as pessoas estavam escassas no local. E ela, sem um pingo de medo, foi ajudar. O que a torna, pelo menos aos meus olhos, uma moça muito especial.
De todos da série “Os Bedwyns” que li até agora (os demais foram “Ligeiramente Maliciosos” e “Ligeiramente Escandalosos” – clique nos títulos para conferir as respectivas resenhas), este foi o que menos gostei. Não que tenha sido ruim, pelo contrário, foi ótimo também, porém senti mais emoção e conexão com os anteriores do que com este. E o começo de “Ligeiramente Seduzidos” foi meio cansativo, com uma narrativa lenta. O que só melhorou mais ou menos no meio do exemplar, e aí só foi alegria, porque me senti mais interessada na trama e nos acontecimentos que a permeavam.
Esse volume contém um pouco de mistério, já que o mocinho, Gervase Ashford, não gosta do duque Wulfric, irmão da protagonista, Morgan, devido a um fato ocorrido nove anos atrás, que tinha uma ligação com ele, que fez com que Gervase passasse todos esses anos longe da Inglaterra. Claro que não vamos saber de cara o que aconteceu, o que nos deixa bem curiosos com o desenrolar da história. E nesse período ele acabou nutrindo um sentimento de vingança. Porém, foi justamente por conta deste caso que ele acabou se aproximando de Morgan, que era muito mais jovem do que ele, com seus apenas dezoito anos, enquanto Gervase gostava de mulheres com uma idade próxima da sua, trinta. Sua intenção era fazer com que ela se apaixonasse por ele, e, consequentemente, ele se vingaria de Wulfric.


Ligeiramente Escandalosos - Os Bedwyns #03 - Mary Balogh

Em “Ligeiramente Escandalosos”, nossa protagonista, Freyja Bedwyn, fora prometida em casamento desde cedo, como era comum da época as famílias fazerem arranjos. Eles eram muito amigos, só não tinham amor um pelo outro do tipo que une dois corações, mas iam se casar mesmo assim, porém, seu noivo acabou falecendo antes do casório. O próximo pretendente arranjado seria o irmão dele, Kit, por quem ela nutria um sentimento maior. Só que, como era prometida ao filho mais velho, Kit havia ficado com raiva porque ela não ficaria com ele – inclusive depois de um tempo que tinham passado juntos, ele a tinha pedido em casamento e ela recusou porque deveria se casar com o outro.
Kit, então, foi para o exército e ficou noivo de outra. E, enquanto Freyja e todo mundo achavam que ele voltaria solteiro para ficar com ela, chegou já com a outra moça a tiracolo, fazendo com que nossa protagonista acabasse perdendo seu chão naquele momento. Como ela é muito forte, guarda seus sentimentos e vai para Bath, uma cidade onde no verão as famílias nobres se encontram. Mas acha tudo muito entediante. No caminho, porém, Freyja, sua dama de companhia, e os acompanhantes das duas, ficam hospedados numa estalagem nada apropriada para uma dama da alta sociedade, pois não tinha outras opções. Só que Freyja não queria que a dama dormisse no quarto com ela, pois a mesma ronca muito, o que a incomoda, e também é uma moça independente, e, por isso, não queria a companhia de ninguém. Porém, as portas não possuem chaves, e é aí que mora o perigo.
Neste ínterim, entra no quarto um homem muito bonito que estava fugindo, e pede para se esconder, e ela acaba deixando muito a contragosto. Mas fica furiosa, é claro! E quando o dono da estalagem abre a porta com outro, nossa protagonista fica ainda mais irritada e diz que não tem ninguém lá, fazendo com que eles acabem indo embora. Então aquele homem que estava escondido pede para dormir no quarto já que está sendo perseguido, mas ela não deixa, mandando-o embora naquele mesmo momento, se não iria gritar. Ele duvidou que ela seguiria em frente com este plano, e é aí que ela realmente grita, e o homem pula pela janela fugindo novamente. A partir daí os destinos destes dois jovens começam a ser traçados e entrelaçados.
Freyja Bedwyn é uma jovem de vinte e cinco anos que, apesar dos padrões da época, gosta de ser independente e livre. Ela não é considerada um exemplar de beleza, mas seu carisma a torna bela, tanto exteriormente quanto interiormente. Age de nariz empinado, como lhe convém sua situação de nobreza (mesmo já tendo sido considerada rebelde), e possui um enorme coração, sempre enfrentando o perigo sem medo, até mesmo para ajudar alguém que esteja em alguma situação precisando de ajuda. Não posso deixar de ressaltar que ela não erra um soco direto no nariz de quem a incomoda. Adorei essa protagonista, fibra é o que não lhe falta, fazendo com que o enredo e o romance sejam bem agitados nesta obra.
Quanto ao protagonista masculino, Joshua Moore, o marquês de Hallmare, é um homem bonito, charmoso, que se passa muitas vezes por canalha, já que sua reputação não é nada boa. Mas a bem da verdade é que seus pais faleceram quando ele ainda era novo, e o mesmo foi morar com a família de seu tio. Como não sabia da morte dos seus pais, achava que iam buscá-lo mais cedo ou mais tarde. Quando finalmente descobriu a verdade, alguns anos já haviam se passado e Joshua decidiu ir embora viver num vilarejo e aprender a profissão de carpinteiro. Ele era muito querido por todos do local. Só que, mesmo sem querer, acaba se tornando o marquês de Hallmare por conta de uma desgraça, já que o sucessor de seu tio, o primo, veio a falecer, e depois seu próprio tio. E, como ele só tinha um filho homem e as outras eram mulheres, Joshua que iria assumir o título. Por isso sua tia má quer casá-lo com uma de suas primas. Só que nem ele e nem ela querem isso, já que se gostam apenas como irmãos.


Ligeiramente Maliciosos - Os Bedwyns #02 - Mary Balogh

Empolgante, emocionante e... apaixonante. Não poderia descrever melhor o que estou sentindo neste exato momento que acabei de ler este romance de época de Mary Balogh, autora conceituada que, confesso, tinha vontade de ler suas histórias, mas ainda não tinha tido oportunidade. Agora que tive posso afirmar que adorei.
Em “Ligeiramente Maliciosos” conhecemos a protagonista, Judith Law, que é uma moça criada com muita ponderação, e é a segunda irmã de cinco filhos, com seus vinte e dois anos. Cassandra era a irmã mais velha, com vinte e três anos, a Pamela, mais nova que ela, era considerada a beldade da família, Hilary com seus dezessete anos era a caçula, e Branwell, o único homem da família, um bom vivant.
A maneira como Judith foi criada, fez com que acreditasse ser feia, principalmente por ter cabelos cor de fogo, ser esquisita e sonhadora. Porém, era sempre muito animada. Como a família dela estava passando por sérias dificuldades financeiras, seu pai resolveu escrever para a irmã dele pedindo ajuda, que aceitou receber uma de suas filhas com a condição de trabalhar no que fosse que ela solicitasse, como forma de agradecimento por morar com ela, pois casou-se com o viúvo Sir George Effingham, que tinha posses. E a moça que morasse lá também deveria cuidar da avó, que morava com a tia. Então Judith se ofereceu para ir no lugar das irmãs, sabendo que seria uma mudança radical em sua vida. Sendo assim, ela foi.
Só que, no caminho, aconteceram coisas inesperadas. A diligência que Judith estava, tombou, e ela começou a ajudar os companheiros de viagem que estavam machucados. Nisso, surgiu, no meio do nada, à cavalo, Lorde Rannulf Bedwyn, que estava a caminho de Grandmaison Park para encontrar com sua avó, pois ela o chamou, já que queria que ele cortejasse uma jovem, porque Rannulf já havia se tornado seu herdeiro e já estava na idade de se casar.
Ele parou para socorrer a diligência, e como não poderia levar todos consigo, escolheu nossa protagonista para acompanhá-lo à cavalo até a próxima cidade para buscar ajuda. Só que, na viagem, ela usou um nome falso e ele também. Pararam numa estalagem, e Judith decidiu aproveitar sua pequena liberdade, já que, em pouco tempo, estaria vivendo quase como uma empregada na casa de sua tia. Então, para ninguém saber que era ela, decidiu assumir outra personalidade e criou uma nova identidade, dizendo ser uma atriz famosa a caminho de York para interpretar um papel principal numa produção, inclusive porque seu pai nunca lhe permitiria fazer qualquer coisa do tipo, pois esta era uma profissão vulgar para as pessoas da época. Mas ela atuou muito bem, e ele acreditou, então passaram a noite juntos. Rannulf pensou que ela realmente fosse uma atriz famosa, amante de ricos e nobres, quando na verdade... bem, leiam e saberão o desenrolar desta história.
A narrativa é em terceira pessoa e acompanha ambos os protagonistas, Judith e Rannulf, e eu curti bastante essa forma de ler este livro, pois pude adentrar dois lados da trama e ainda tive a oportunidade de conhecer melhor cada um dos personagens, o que sentia, pensava, e como agia.
A escrita da autora flui muito bem e, assim que a gente começa a leitura, fica bastante difícil parar, já que ficamos cada vez mais interessados em tudo o que está acontecendo, querendo saber o que vai ocorrer em seguida, virando as páginas com pressa e desejando chegar logo ao final.
Adorei como Judith incorporou o alter ego de outra mulher tão bem, mesmo sem antes nunca ter vivenciado algo sequer parecido. Ela era uma jovem do bem, com uma personalidade correta e simples, mas com uma força muito grande em seu coração, que acreditava no amor, mas não fazia dele uma obsessão. Com muitas dúvidas por não se achar bonita, e que não teria um final feliz devido a suas condições, acreditou, naquele momento, que a felicidade seria só isso, já que sofria por ter que sair de sua casa para viver de favor.