Em “Sob o
Céu do Nunca”, primeiro livro da trilogia Never Sky, da autora brasileira (mas
que reside no exterior), Veronica Rossi, somos apresentados a um mundo bem diferente
do que vivemos atualmente, onde existe Éter no céu, com suas tempestades
elétricas e destruidoras, e onde há uma divisão de pessoas entre os que vivem
protegidos em cidades encapsuladas, e os que vivem fora de proteção, no mundo
externo, onde existem inúmeras formas de morrer facilmente.
As pessoas
que vivem fora desses núcleos são obrigadas a lutar por sobrevivência, vivendo
em lugares planejados e com muita falta de recursos, precisando sair de suas
terras vez ou outra e tendo que aprender a lutar e caçar para conseguir viver e
se alimentar. Alguns vivem em companhia de outros, em grupos pequenos ou
grandes, e há aqueles que vivem solitários.
Do outro
lado existem as pessoas protegidas dos males externos, onde não há doenças e
nem dor, onde tudo é facilmente controlado, um lugar repleto de tecnologias e
regras. Os habitantes podem frequentar os locais que desejarem graças a um dispositivo
tecnológico chamado de olho mágico, que os fazem ter a sensação de estarem onde
quiserem, além de poderem sentir todas as sensações de uma forma “melhor que
real”.
Nesse
contexto conhecemos os dois protagonistas dessa magnífica história. De um lado
temos Ária, uma jovem com uma voz linda, que vive em Quimera, longe de sua mãe,
que é uma cientista muito importante que está trabalhando em outro núcleo, e só
conhece a vida segura dentro desse local, controlada e cheia de tecnologias,
onde tudo é artificialmente real. Do outro lado há Peregrine, um jovem que vive
em uma das tribos do lado de fora, sob um perigoso céu de éter, é um excelente
caçador e pode matar humanos para sobreviver, e que ama incondicionalmente seu
sobrinho, uma criança de sete anos, Talon.
A história
já começa de uma forma eletrizante, com Ária e alguns outros jovens que vivem
próximos a ela em uma cúpula de serviço (local que abastece a cidade com
comida, água e oxigênio) proibida, que havia sido danificada recentemente.
Quando algumas coisas saem de controle e um dos jovens começa a ter ideias
insanas e as coloca em prática, algo muito ruim acontece e Ária, sozinha, acaba
sendo banida de Quimera.
Sem conhecer
nada do mundo exterior e certa de que vai morrer de alguma forma, Ária acaba
encontrando com Perry, que também vivenciou algo muito ruim há pouco tempo.
Opostos, mas com um objetivo em comum, eles resolvem criar uma aliança benéfica
para ambos e seguem, juntos, em uma nova jornada para buscar o que precisam. E
é nesse momento que, apesar dos preconceitos que sentem inicialmente pelo local
em que o outro foi criado, seus mundos começam a bater de frente e se fundir
gradativamente.
Que livro
fantástico! Particularmente, eu adorei tudo. Desde a criação e divisão desse
mundo desenvolvido pela autora, que mesmo não sendo real, transmite uma
sensação de realidade palpável, passando pelos acontecimentos e explicações que
iam sendo fornecidos ao leitor conforme o passar das páginas, até os
personagens. Todos eles são incríveis, muito bem construídos, cada um com suas
particularidades e também as semelhanças e diferenças com os próximos, seus
sentimentos bem definidos e transmitidos ao leitor de uma forma maravilhosa. Já
li algumas distopias, umas ótimas, outras nem tanto, inclusive porque é um
gênero que eu gosto muito, mas com certeza essa entrou para minha lista de preferidas.
Em nenhum
momento da leitura é dito quando a história é passada, mas parece que é em um
futuro nosso, algo que realmente poderia vir a acontecer um dia. E isso, ao
mesmo tempo em que é assustador, transmite consciência ao leitor, tornando-se
mais um ponto super positivo.
Achei
interessantíssimo o nome escolhido pela autora, inclusive porque há uma
passagem explicativa durante a história, que o faz ter todo o sentido. O céu na
capa, unido a esse título, combinou perfeitamente e tem tudo a ver com a obra.
A narrativa
é em terceira pessoa e intercalada entre os dois protagonistas, Ária e Perry, e
no início de cada capítulo há o nome de quem será o foco principal naquele
momento. Adorei os dois, Ária é uma garota incrível que conseguiu minha
admiração e Perry é totalmente apaixonante, e com todas as suas características
com certeza entrou para a minha lista de crush
literária.
Uma das
características da escrita da autora é que ela faz com que seus personagens
tenham e demonstrem sentimentos, e mesmo quando eles não querem fazer isso o
leitor consegue percebê-los, o que eu achei ótimo porque nos deixa ainda mais
próximos deles.
Conforme a
leitura vai avançando, podemos acompanhar a transformação de Ária, resultado do
seu crescimento conforme os acontecimentos vão surgindo e ela precisa se
adaptar a tudo, que é tão diferente de como foi criada. Ela começa uma
personagem mais passiva e termina outra, uma guerreira, e achei isso incrível,
adoro ver esse desenvolvimento nas protagonistas, principalmente quando ele é
bem feito, o que foi o caso.
Peregrine é
um personagem maravilhoso, ele tem aquele ar de selvagem, com cabelos
bagunçados, e é grande, forte e guerreiro, também é caladão, não gostar de se
expor e nem de revelar muito sobre si próprio, mas tem um coração enorme e se
importa com quem merece. No meio de diversos defeitos, as qualidades dele se
superam, o que me fez gostar ainda mais dele.
Gostei
demais do relacionamento entre Ária e Perry, ele não aconteceu do nada, muito
menos se olharam e já eram o amor da vida um do outro, pelo contrário, os
sentimentos foram surgindo conforme as páginas foram sendo avançadas de uma
maneira tão natural que parece que aconteceu de verdade e não apenas nas
páginas de um livro. Mas, ao mesmo tempo em que vemos o amor entre eles crescer
e se tornar enorme, vemos que eles sabem que só os sentimentos não bastam,
existem coisas mais importantes em suas vidas com as quais eles precisam lidar,
principalmente porque outras pessoas também precisam deles.
Curti muito
conhecer alguns dos personagens secundários da trama, entre eles Talon, o
menino que é sobrinho de Perry, que é uma criança maravilhosa, doce e desejei
que coisas boas acontecessem com ele logo, Paisley, uma amiga de Ária de
Quimera, que apesar de não ter aparecido muito, me encantou, Roar, um amigo de
muito tempo de Peregrine, e com quem ele e Ária encontram durante a jornada que
fazem juntos, Cinder, um adolescente sofrido que tem um segredo que pode
ajudá-los, Marron, um homem de muita importância e que os ajuda muito quando
eles precisam.
Durante a
leitura, há momentos tristes e outros bem revoltantes, o que mexeu bastante com
meus sentimentos, principalmente com as mortes que eu não gostaria que tivessem
acontecido, fiquei triste com essas perdas.
Quando
cheguei ao final da leitura fiquei bastante curiosa com o que está por vir,
algumas respostas já foram dadas, mas ficaram algumas pendências e novas
questões foram abertas para serem desvendadas nos próximos livros da trilogia.
O segundo volume, Through the Ever Night,
já foi lançado lá fora e parece que tem previsão de lançamento para o segundo
semestre desse ano aqui no Brasil, vamos torcer para que isso seja verdade.
Eu achei
essa capa linda e tem tudo a ver com o conteúdo do livro! Tem muito leitor no
Brasil que não curtiu muito a versão nacional, mas eu adorei, principalmente
vendo ela impressa em minhas mãos, já que tem um efeito metálico fosco
maravilhoso. A parte interna gráfica também está linda, cada início de capítulo
há uma silhueta de galhos secos de uma árvore, a diagramação está muito bem
feita, com uma fonte e espaçamento ótimos para leitura e as páginas são
amareladas e de um material leve, fazendo com que o livro não fique muito
pesado mesmo com suas 336 páginas.
Recomendo
bastante essa obra muito bem escrita, com personagens bem humanos, com suas
qualidades, falhas, defeitos e, principalmente, sentimentos. Também indico
muito para aqueles que gostam de uma deliciosa história de amor que cresce com
o tempo, e que nos faz torcer bastante. Se você gosta da junção jovem adulto
mais distopia, tem vontade de conhecer mais sobre os locais divididos e como
tudo funciona nessas sociedades, quer saber mais sobre o céu com Éter, e o que
aconteceu para Ária ser expulsa e se unir a Perry numa jornada com muitos
perigos, corra logo e comece a ler essa trilogia.
Avaliação