“Esqueceu-se de que estamos em plena ditadura? Eles controlam tudo,
inclusive todos os meios de comunicação. Só mesmo quem está envolvido é que
pode saber a verdade. A maioria dos brasileiros não tem noção do que ocorre.
[...]
Em Paralelo
a essa luta que poucos começaram a travar contra o regime, estamos vivendo a
era do milagre econômico. A classe média está podendo comprar seu carro, sua
casa, artigos que antes eram de poucos. Quando a família tem conforto e comida
na mesa, condições de viajar, de oferecer estudo aos filhos, não vai questionar
se o presidente é general ou civil, se há tortura ou não. Não sei o preço que
pagaremos amanhã por tudo isso, mas logo essa farsa também vai acabar. Espero
que possamos sobreviver a isso.”
Como vocês
podem notar no trecho acima, a história desse livro é passada em uma data muito
representativa para nós, brasileiros, a ditadura. Mesmo que muitos não tenhamos
vivido nessa época, nossos pais e avós, entre outros familiares, viveram nela,
que foi um período bem importante até para quem não era nascido, pois marcou a
sociedade brasileira e o mundo para sempre.
“O mundo
passava por uma das mais profundas transformações sociais, políticas e
culturais ocorridas no Século XX”.
Essa foi uma
época de inúmeras mudanças e é nesse cenário que encontramos os jovens
enamorados Rogério e Leonor, um casal do tipo perfeito, digo em todos os
sentidos, no visual e no intelectual também, sendo pessoas do bem. Até que um
grave acidente seiva esses jovens do convívio de suas famílias por amnésia ou
pela morte. Foram anos de escuridão perante a vida, pois esquecer-se de tudo é
muito complicado.
A sorte,
porém, sorri por outro lado. Algumas pessoas aparecem no caminho de Leonor, que,
como por magnetismo, se encantam pela moça que perdeu a memória. Uma delas, um
médico, fazendo de Leonor sua filha que nunca teve. Os
anos passam e esse sentimento fica cada vez mais forte, coisa que só podemos tentar
compreender, e imaginamos que essa ligação faz parte de outras encarnações, por
conta de coisas que haviam ficado inacabadas para nessa vida serem resolvidas.
O autor
Marcelo Cezar é um dos meus preferidos quando o assunto é romance mediúnico.
Gosto tanto dele que já li todos os seus livros lançados até hoje e tem resenha
de alguns deles no blog (para ler, clique nos títulos): A Última Chance, Um Sopro de Ternura, Ela só queria casar..., e O que Importa é o Amor.
Em se
tratando de uma obra escrita por Marcelo Cezar, é difícil eu não gostar, mesmo
ela sendo a segunda que ele escreveu que, por acaso, era a última que faltava
para eu ler (espero muito que ele publique novos livros em breve!). Conheci o
autor bem depois de ler todos os romances mediúnicos de Zibia Gasparetto, sua
colega de editora, mas seus livros não ficam atrás em termos de qualidade e
emoção. São sempre bons e de muito aprendizado para os mais leigos e até para
os que sabem mais do assunto espiritismo. São toques profundos que despertam
uma gama de sentimentos e descobertas.
Nesta
história, são apresentados momentos passados no Rio (antiga Guanabara), São
Paulo e no interior de SP, Guaratinguetá. O romance, mais uma vez, nos mostra
caminhos diversos, com várias pessoas que acabam se reencontrando e percebendo
que já faziam parte das suas vidas passadas por tudo o que está acontecendo.
Paralelamente,
em capítulos alternados, conhecemos duas vidas ao mesmo tempo, cada um vivendo
com sua família e enfrentando as dificuldades da vida. Até que, por conta do
destino, eles se encontram novamente, despertando o amor de um pelo outro.
Esse livro
envolve muitos personagens, com famílias que se entrelaçam futuramente,
transformando-se em uma só. Como destaque, posso citar Leonor, que é uma
protagonista carismática que gostei muito de conhecer, e Dr. Nelson, que se
tornou alguém muito importante para ela, ajudando-a quando ela mais precisou e
mudando sua vida para melhor naquele período.
A leitura é
bem fluida, tranquila, e muito envolvente. É impossível não ter simpatia por
algumas das pessoas que conhecemos ao longo da história, que têm muito amor no
coração, e também é muito difícil não se sentir conectado com tudo o que está
acontecendo com as vidas retratadas no livro.
Uma coisa
que muito me emociona, que é mostrada nesse livro, é quando a pessoa ao dormir,
ou aquela está em coma, consegue sair de seu corpo espiritualmente e vai ao
encontro de entes queridos, que já se foram, em outro plano. Saber que podemos
vivenciar essa experiência, mesmo que em sonho, e ir encontrar com essas
pessoas nos faz sentir alegria e percebemos que a vida continua, não para por
aqui, e somos espíritos eternos.
A primeira
edição desse exemplar foi de 2001, mas essa já é a sexta impressão, de maio de
2013, e eu acho que já poderiam ter feito um trabalho gráfico melhor para ela.
Para começar, acho essa capa muito feia, infelizmente, e estou torcendo para
que a editora possa fazer uma nova edição desse livro com alguma capa que chame
mais a atenção do leitor.
A
diagramação é boa, com um espaçamento agradável, mas a fonte não é muito
grande, o que pode dificultar um pouco a leitura, e o começo de cada capítulo é
bem sem graça, já que não há nada além do número correspondente e da palavra ‘capítulo’.
A obra possui 340 páginas, que são brancas, o que incomoda alguns leitores, mas
não eu. E não gostei muito que não teve nenhuma fotografia ou um detalhe
gráfico diferenciado, como os outros livros que a editora publica possuem.
No final da
obra há uma lista de autores e seus livros, que já foram publicados pela
Editora Vida & Consciência, o que é muito legal porque eu gosto de olhá-la
para pensar em qual será o próximo que lerei, pois são obras magníficas que
merecem nossa atenção.
“Só Deus
Sabe” é um lindo romance que mostra que a vida sempre prega peças nas pessoas,
e que mesmo que não estejamos totalmente bens e seguros para embarcarmos nessa
longa jornada, viver é a melhor experiência que qualquer ser humano pode ter.
Avaliação











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