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Sonhos - The Soul Seekers #01 - Alyson Noël

Uma montanha russa desperta sentimentos diversos durante o seu percurso, existem momentos em que pensamos o porquê mesmo que estamos nela 'arriscando' nossas vidas alternados por momentos de plena satisfação que nos fazem pegar a fila novamente quando saímos desta. Assim com altos e baixos foi a leitura de Sonhos, da autora Alyson Noel, da editora Leya, livro 1 da série The Soul Seekers.

Neste livro conhecemos Daire Santos, filha de uma maquiadora de Hollywood, que passou sua vida como uma itinerante de set em set de filmagem ao lado da mãe. Até que em uma filmagem no Marrocos teve um surto 'psicótico' em meio a um encontro com uma estrela de cinema, corvos e cabeças espetadas em lanças que surgiram por toda parte. Além disso tornou-se frequente os sonhos com um estranho menino com os olhos azuis-gelo.

Os médicos acreditam que Daire precisa de remédios, mas eles não fazem efeito e ela continua tendo visões. Sua mãe Jennika já estava se conformando em interná-la em uma clínica quando recebe o telefonema da avó de Daire, que nunca mais foi vista desde a morte de Django - pai de Daire- dizendo que sabia pelo que a neta estava passando e que gostaria de ajudá-la. Sem outra saída Jennika permite que a filha vá para a pequena cidade de Encantamento, onde Paloma é uma curandeira respeitada, e onde Daire se depara com uma verdade: ela é uma Buscadora de Almas, que tem que manter o equilíbrio entre o bem e o mal entre as dimensões.

O começo do livro apresentar as falhas da trama, em meio a surtos recorrentes Daire é levada para Encantamento a contra gosto. Quando chega lá foge da casa de Paloma já que não aceita o que a avó lhe oferece, acaba por sofrer um acidente e eis a falha depois do acidente: ela milagrosamente começa a aceitar o que é na página seguinte. Na minha opinião existe uma falha de continuidade que seria facilmente resolvida com um capítulo entre estes acontecimentos. Depois a narrativa passa a seguir um ritmo ótimo, entre acontecimentos, visões e sonhos de Daire.

Sonhos é narrado em primeira pessoa sob a perspectiva de Daire. Conta com uma diagramação com letras bem pequenas que atrapalham um pouco a leitura. Cada início de capítulo tem ilustrações de penas que estão relacionadas ao Corvo da história. Também contam com o destaque do primeiro parágrafo em fonte diferente. A capa é linda, e está intrinsecamente ligada ao tema.

Noel trabalha muito bem com o xamanismo. Antes do livro iniciar dá detalhes dos significados dos animais de poder, que aparecem ao longo da história. Estudo o xamanismo, e posso dizer que ela coloca muito da sabedoria xamã na trama, especialmente nas falas da avó Paloma, que é um personagem doce que desperta uma vontade louca de conhecer. Para quem não conhece entretanto pode soar bobo, mas fica a dica: existe sabedoria antiga nas palavras da personagem!

Daire é uma personagem de dezesseis anos em todo o seu esplendor. Se transforma radicalmente quando vai morar com a avó, não só porque passa a controlar seus poderes, mas porque descobre o que é fazer parte de uma família, o que é ter um lar e amigos. Durante suas viagens o que tinha aprendido é o extremo oposto: não crie laços pois já vai partir, não sofra desnecessariamente.


Sonhos – The Soul Seekers #01 – Alyson Noël


Em “Sonhos”, primeiro volume da série The Soul Seekers, que terá quatro volumes, mas só há dois lançados lá fora e apenas esse primeiro no Brasil, conhecemos Daire Santos, uma adolescente de 16 anos que é filha de Jennika, uma maquiadora de Hollywood e que, por conta do trabalho da mãe, vive viajando pelo mundo e estudando em casa e, portanto, não cria vínculos com ninguém por muito tempo.
Em uma dessas viagens para acompanhar a mãe em uma gravação no Marrocos, ela tem algumas visões assustadoras com corvos e pessoas brilhantes e o tempo para por um momento, fazendo com que ela tenha um surto. Muitas pessoas viram o que aconteceu e os médicos chegam à conclusão de que ela precisa ser internada em um hospital psiquiátrico.
Até que sua avó Paloma, uma curandeira da cidade de Encantamento, Novo México, e quem ela nunca havia conhecido e nem sabia da existência, entra em contato com sua mãe e fala que pode curá-la com ervas e poções. Tendo que escolher entre enviar sua filha para esse local para viver com a sua avó paterna e ser internada em uma clínica para doentes mentais, ela escolhe a segunda opção e Daire, portanto, vai viver com a avó.
Daire acaba descobrindo que há muito mais por trás de suas visões e de seus sonhos com um certo garoto de olhos azuis-gelo, e precisa aprender a entender seu destino enquanto sua avó a ensina e a treina para cumprir seu papel antes que seja tarde demais.
Confesso que comecei a leitura gostando bastante de tudo o que estava lendo e curiosa para saber o que eram as visões de Daire e como lidar com aquilo, até que chega ao momento da verdade, e não curti a forma como as explicações foram dadas pela avó, depois comecei a gostar mais quando ela enfrenta uma aventura para ajudar Paloma e acho que o final ficou um pouco a desejar, portanto esse foi um livro de altos e baixos.
Acho que as atitudes da personagem a fizeram apresentar uma personalidade fraca, já que ela não era muito de questionar nada e aceitava tudo, mesmo o que tinha dúvidas, sem nenhuma hesitação. Também acho que mudou de ideia muito fácil algumas vezes, portanto não achei que ela tenha passado uma imagem de pessoa confiável.
Também não gostei tanto assim do Dace, o garoto que acaba mexendo com os sentimentos de Daire. Não é que ele seja ruim, ou não seja fofo nem nada do tipo, mas sinto como se não o tivesse conhecido tão bem assim. Uma hora ele era apenas um garoto que ela viu nos seus sonhos e na cidade, na outra ele já era o amor de sua vida, sem tempo para se apaixonar. E quem acompanha minhas resenhas já deve ter percebido que eu gosto quando a gente conhece a história do casal, de como o sentimento surgiu para, assim, se transformarem em um casal queridinho. Já Cade, o gêmeo mal, é um personagem intrigante, e mesmo não gostando dele, quero muito saber o que ele está aprontando e o que vem por aí.
A escrita de Alyson é gostosa de acompanhar, e achei a história toda bem original, nunca tinha lido nada parecido já que foge dos temas vampiro, anjos, fadas, etc., e gostei de como as coisas iam sendo apresentadas e íamos aprendendo devagarzinho sobre a verdadeira identidade de Daire. Mas algumas vezes eu acho que as explicações foram dadas devagar demais, prefiro coisas mais objetivas, e não tão subjetivas a ponto de nada ficar muito claro. Eu ainda não tinha lido nenhum livro da autora, somente um conto, mas gostei da sua narrativa e da história em si. E, apesar de não ter me conquistado totalmente, quero sim ler os outros livros dela e vou continuar acompanhando a série, até porque estou curiosa com o que vai acontecer.
Gostei bastante da movimentação da trama, não ficava muito tempo sem alguma coisa importante acontecer, e acho isso ótimo para não enjoar o leitor e o manter sempre curioso com o que está por vir.
Tem uma parte do livro que eu não sei se foi erro de impressão e ficou faltando uma parte da história, ou se foi uma falta de atenção da autora e da editora original, mas existe uma ponta sem explicações. Em um determinado momento Daire está decidida a ir embora de Encantamento, aí de repente acontece uma situação, o capítulo acaba e já se passaram alguns dias e não há explicações sobre o motivo que a fez mudar de ideia, nem o que a mãe achou de tudo aquilo, tendo em vista que quando ela estava fugindo não havia conseguido entrar em contato com ela.
Também acho que estava acreditando em um tipo diferente de relacionamento entre mãe e filha até certo momento do livro, e depois parece que a mãe é uma megera e que o motivo que a fez deixar a filha ir para Encantamento foi totalmente esquecido.
Um ponto muito positivo é que a história tem base na cultura indígena e dá para perceber que a autora fez bastante pesquisa antes de desenvolver o livro, tudo tem alguma base bem fundamentada e rica em detalhes e achei essa característica bem interessante. E a jornada de Daire para descobrir sobre seu passado e de seus ancestrais para entender e saber como agir, inclusive seu treinamento, tem uma base bem espiritual, ideal para quem gosta de histórias assim.
Outra parte interessante é que antes de começar a contar sobre a vida de Daire, há duas páginas contendo um tipo de guia com o significado dos animais retratados na história, que são guias espirituais.
A parte gráfica está incrível, a Leya manteve a capa original que é linda, há verniz localizado na Daire, nos corvos ao seu redor, e no título, que é em alto relevo. Internamente, o trabalho também está maravilhoso, no início da maioria dos capítulos há desenhos de penas e as páginas são amarelas. Já a fonte está em um tamanho pequeno e pode acabar incomodando algumas pessoas, comigo a leitura fluiu tranquilamente.
Se você curte histórias mais dinâmicas e objetivas, talvez esse não seja um livro que você vá gostar tanto, mas se gosta de narrativas mais lentas, com explicações mais subjetivas e com um toque de espiritualidade, com certeza esse é um título que vai te agradar bastante.
Avaliação



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