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A Ameaça Sombria - Trilogia Echo #02 - Melissa Grey

Eu continuo sempre me fazendo a mesma pergunta se determinados livros são insossos ou se eu que não estava no momento da leitura. Eu acredito que não saberei a resposta de alguns deles nunca, pois alguém com uma lista de leituras como eu não relê muitos livros. A Ameaça Sombria, segundo volume da trilogia Echo, publicado pelo selo Seguinte, da autora Melissa Grey é um destes livros que me gera dúvida. Ah esta resenha pode conter spoilers do volume anterior.

Neste volume, Echo depois de descobrir e libertar o pássaro de fogo e com isso se tornar dona de um poder que não sabe sequer a dimensão, vê seu mundo antes estável tomar rumos inesperados, já que torna-se a figura central entre o conflito entre os Avicens e Drakharin. Precisando descobrir o que fazer para que esta guerra termine, antes que mais mortes aconteçam, antes que uma sombra mais sombria domine a todos, ela parte em uma nova jornada. Só que linha entre a luz e as trevas não está bem definida, nem dentro de si mesma!

Grey segue sua narrativa em terceira pessoa com enfoque especial em Echo. Sem se prender em grandes detalhes ou densidade ela cria páginas e mais páginas que são lidas de forma rápida, mas que parecem não acrescentar muito a grosso da estória. Chegando ao fim do livro a sensação é que pouco foi dito e menos ainda explicado, como se nem a autora soubesse do que se trata afinal o conflito central do livro.  Se a vontade da mesma era explorar a luz e as trevas dentro da protagonista ela o fez de forma muito breve e superficial.

Echo acaba por contar mais sobre seu passado, antes de se envolver com os Avicen, sua infância foi marcada por violência, e este detalhe faz toda diferença em quem é, embora ela acredite que tudo ficou no passado. Este detalhe importante surge, mas poderia ter inclusive deixado uma mensagem além do os pais devem amar e não devem bater em seus filhos. Como protagonista Echo não tem muita maturidade e suas ações se desenrolam sem muito planejamento ou objetivo. É uma personagem muito solta que têm contornos porque sabemos de sua estória, mas não porque suas ações demonstram.

Caius, o drakharin é outro personagem que tem uma estória pregressa que deve ser rica, mas tudo fica no subentendido, e pouco de fato é falado. Um personagem com mais de cem anos não pode soar como um adolescente, não pode flertar com uma adolescente como se não soubesse como conquistá-la ou ser seguro, mesmo que seu coração já tenha estado em luto pela perda, o tempo gera maturidade.

Dorian, o amigo e fiel companheiro de Caius, é outra criatura antiga que parece um jovem de quinze anos. Em todos estes anos parece não ter assumido sua homossexualidade, e passa o livro inteiro em um flerte com Jasper, que esse sim é um adolescente. Já disse na resenha do livro anterior, mas este casalzinho tem muito o clima de Instrumentos Mortais entre Alec e Magnus.

Ivy, a avicen amiga de Echo tem bastante destaque neste livro, é uma jovem doce que aos poucos descobre que as vezes para curar é necessário agredir. É determinada e faz o necessário pelo bem maior. Quinn, um feiticeiro é um homem sedutor que busca apenas alimentar seu próprio ego e vontades.

Por fim um triângulo amoroso surge de Caius, Echo e Rowan, e não convence. Simplesmente porque parece que o único que banca seus sentimentos e escolhas é o avicen Rowan, e os demais passam mais tempo divagando do que sentindo, logo não dá nem para torcer por eles.


A Profecia do Pássaro de Fogo - Trilogia Echo #01 - Melissa Grey

Já perdi as contas de quantos livros me decido por ler, e quando finalmente os pego para ler me esqueço totalmente do que se trata. Normalmente tudo que sei é que é uma fantasia, mas não muito mais. Foi assim com A Profecia do Pássaro de Fogo (#01 Trilogia Echo), da autora Melissa Grey, publicado pelo selo Seguinte. Li a sinopse uma vez, armazenei a capa como quero ler e pronto, como é um livro pouco comentado fui lê-lo as cegas.

Echo é uma adolescente que fugiu de casa e foi criada entre os Avicen, e desde então os têm como sua única família. Ladra por natureza ela estava em mais um dia de roubou, e tudo corria bem até que sua guardiã descobre que o presente que ganhou da protegida não é apenas uma caixinha de música. A partir de uma migalha de pão pede para que Echo comece uma jornada em busca do pássaro de fogo, uma entidade capaz de trazer paz entre os Avicen e os Drakharin. Entretanto a corrida é contra o tempo já que os Drakharin também estão nesta busca, será que Echo, uma humana conseguirá realizar a profecia?

Grey criou uma estrutura de mundo pautada em uma realismo fantástico, ou seja, entre o mundo que conhecemos existem diversas criaturas fantásticas, no caso duas delas têm destaque os Avicen- mistura de humanos com pássaros, e os Drakharin- mistura de humanos com dragões. Isso é original em sua estória, visto que até então eu nunca tinha visto tais referências. A guerra entre elas talvez não seja um destaque, especialmente o fato de a guerra se perder no tempo e sentido. Como sempre que me apresentam novos universos eu tenho necessidade de saber sobre suas origens e costumes, neste sentido Grey não aprofundou, tudo que fez foram leves introduções, assim como quem talvez seriam outras criaturas deste universo (ela só comenta de feiticeiros).

A narrativa é rápida e desperta curiosidade, ainda mais por transitar em diversas partes do mundo, como New York, Kyoto, Estrasburgo e a Floresta Negra. E Echo por viver em uma biblioteca e ser leitora ávida tem a estranha mania de em seus pensamentos citar palavras de diversas línguas para definir seu momento, estranho mais interessante.

Echo deixou para trás um passado de maus tratos para viver sua vida sozinha. Quando esbarrou em Ala quando era ainda uma criança não fazia ideia do mundo subterrâneo que iria entrar. Crescida ela passa a praticar um pouco de magia para efetuar seus roubos, e se diverte fazendo isso. Como sempre é bem sucedida tem um confiança em si um pouco exagerada, e logo uma língua que chega antes dela. Agora quando se trata de relacionamentos ela é menos segura, especialmente com o namorado Rowan.

Ala é uma criatura que pouco fala, e quando fala é através de enigmas. Sabemos que ela é muito antiga, logo sábia. Ela parece saber com antecedência tudo o que vai acontecer, mesmo assim não percebeu o destino que estava diante de seus olhos. Criou Echo, e a tem como uma filha. Ivy, é a melhor amiga de Echo, uma aprendiz de curandeira divertida e simpática. Se envolve sem querer na aventura da amiga, e mostra-se uma pessoa capaz de perdoar o que poucos perdoariam.

Do lado dos Drakharin, temos o príncipe dragão, Caius, um individuo de índole duvidosa, já que seu passado é marcado pelas guerras e o sangue dos que matou. Parece estar cansado deste guerra que não levou seu povo a nada, por isso também parte em busca do pássaro. Quando cruza com Echo seu universo sofre um forte abalo. Seu guarda costas, Dorian deve sua vida ao príncipe, e é capaz de contrariar a si mesmo pelo que seu príncipe decidir. Sua fidelidade custa seu amor próprio.