Desde que a editora Morro Branco
apareceu eu espio seus lançamentos, e a lista de desejados da editora sempre
cresce, alias se tem uma coisa que cresce em escala desproporcional é minha lista
de leitura!. O escolhido da Morro Branco desta vez foi A Inesperada Herança do
Inspetor Chopra, do autor Vaseem Khan.
Depois de muitos anos de serviço
dedicado e integro o inspetor Chopra se vê obrigado a se aposentar
precocemente, e em seu último dia de trabalho ele recebe duas heranças
inesperadas, primeiro um caso de um jovem pobre que aparentemente morreu
afogado e que ninguém tem interesse em investigar, e depois nada menos do que
um filhote elefante. Através das populosas ruas de Mumbai, Chopra vai
investigar os lugares que este jovem esteve e descobrir que este é um caso
muito mais perigoso do que imaginava, ao mesmo tempo que em que aprender a
lidar com um elefantinho que parece ser qualquer coisa menos comum!
Antes de dizer algo sobre a
narrativa em si devo começar elogiando o trabalho da editora Morro Branco, que
livro mais fofo, que trabalho gráfico delicado e bem executado! Desde a capa
que reflete bem o clima do livro, a sua capa interna e marcador de páginas,
tudo muito lindo com este pequeno elefantinho em tudo! Fiquei apaixonada por
este livro fisicamente.
A narrativa de Khan foi feita em
terceira pessoa em sua maior parte do tempo sob o ângulo do inspetor Chopra, os
que não eram sobre seu ângulo eram sob o de sua esposa Poppy. A maior
característica de sua escrita é a cultura indiana que aparece em cada página
narrada desde seus costumes passados até como a Índia moderna se encontra. Khan
consegue com suas palavras simples nos transportar para este país tão diferente
do Brasil. Senti também que a medida que ele conta sua estória ele também trás
um crítica a sociedade moderna, aos jovens que moram na Índia e que aderiram a
modernidade deixando para trás os valores da cultura indiana, ao mesmo tempo
que ele também questiona o status das castas e classes sociais.
Chopra é um homem certinho,
daqueles que de tão certos geram piadas ao seu redor. A aposentadoria forçada
não fez com que ele parasse, logo ele não hesita quando se depara com um caso
de injustiça. Para resolve-lo ele terá que quebrar as próprias regras, e enfiar
seus pés na lama em busca de pistas. Com a saúde frágil ele ousa mais do que
deve, e isso me soou um pouco forçado, já que até então ele não havia quebrado
regras para nada, e agora que não pode não só por princípios, mas por saúde ele
as quebra. Algo no desenvolvimento do personagem escapou, e terminou estranho.
Seu desfecho parece ter acontecido longe das páginas do livro, logo quando ele
explica algumas de suas atitudes você sente que perdeu alguma parte de sua
estória.
Poppy sua esposa embora siga os
costumes é ao mesmo tempo entusiasta da modernidade, do que a televisão e as
revistas ditam. É uma esposa dedicada, mas nunca pode dar filhos ao marido, o
que gera seu maior trauma, e ao mesmo tempo medo que seu problema acabe fazendo
com que o marido a abandone. Ela é um personagem leve, que vezes soava
ligeiramente engraçada com sua tendência ao exagero e escândalo, mas senti
falta de mais páginas com seu desenvolvimento, ela traria maior riqueza a
trama.
Ganesha é o bebê elefante que
Chopra herda do tio. Ao recebê-lo o tio envia uma carta dizendo que o bebê não
é comum, mas é só com o tempo que o investigador começa a tomar a dimensão que
este fato tem. O fato é que ter um elefantinho na estória deixa tudo mais doce
e criativo, e claro demarca também a cara indiana que a trama tem. Ganesha é
muito fofo, como um filhote deve ser!










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