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De Lukov, Com Amor – Mariana Zapata


Jasmine Santos é uma patinadora artística que abdicou de tudo na vida com a intenção de seguir atrás de seu sonho, ganhar competições e ser reconhecida na área. Porém, a vida acabou sendo difícil em alguns momentos, afastando-a de seus objetivos, principalmente quando sua dupla a abandonou sem quaisquer explicações.

Sozinha, sem perspectivas e com a reputação manchada, ela continua treinando dia após dia, sem nunca desistir ou abaixar a cabeça. Já que sabe do seu talento e vocação. E não são os 17 anos tentando, além das promessas perdidas e dos ossos quebrados, que vão fazê-la mudar de ideia.

Até que surge a oportunidade de fazer dupla com o melhor patinador masculino que já conheceu, aquele que tem diversos prêmios e medalhas na carreira e é irmão da sua melhor amiga. O único problema? Ele é seu maior inimigo e um não consegue ficar perto do outro sem brigas – ou um desejo de matança. Agora, Jasmine precisa lidar com tudo que tem dentro de sua mente se realmente quiser ter uma chance de conquistar o que sempre almejou.

Vim indicar esse livro que terminei de ler ontem e gostei bastante. Já conhecia a autora de tanto ouvir críticas positivas sobre suas obras, mas ainda não tinha tido uma oportunidade de ler. E esse é seu primeiro trabalho publicado no Brasil. Adorei a experiência e quero ler mais livros escritos por ela.

Gostei muito da personalidade de Jasmine, que é o tipo de mulher que não abaixa a cabeça para nada, é forte, determinada e corre atrás dos seus sonhos, mesmo que o mundo esteja contra. Dá um quentinho no coração e ainda mais vontade de não deixar que outras pessoas nos digam que não podemos ou que não somos boas o suficiente, e não desistir de nada que desejamos. É inspirador.

Curti o pano de fundo de Patinação Artística, acompanhar a dificuldade, os treinos, etc. Como é ser um atleta com seus objetivos, abdicar de tantas coisas, inclusive da família, para poder alcançar o que almeja, ainda que pedras surjam no caminho e atrapalhem ou atrasem o processo.



Com Amor, Creekwood – Becky Albertalli

Depois de ler e me apaixonar por “Com Amor, Simon”, fiquei desejando que a autora escrevesse mais livros sobre o casal formado no livro. Então quando ela finalmente anunciou (depois de muitos fãs pedirem – ou seja, não fui a única que desejei hahaha) o lançamento deste pequeno exemplar, fiquei bem feliz.

Apesar de simples e curto (tem apenas 144 páginas), já deu para matar saudades dos personagens que tanto amamos. Através de e-mails vamos acompanhar o que aconteceu com Simon, Blue, Leah e Abby depois de sair de Creekwood para começar a vida universitária.

A minha parte preferida dessa leitura foi rever Simon e Blue e ver como o relacionamento deles está no momento. E é bem fofo, realmente do jeito que eles eram no 1º livro. É também aquele tipo de relacionamento bem meloso, que chega a escorrer mel pelas páginas. Como estão namorando à distância, já que começaram a estudar em faculdades em locais diferentes a 189,1 quilômetros, vamos ver como estão lidando com o fato de não poderem se ver todos os dias (apesar de se visitarem com certa frequência) e como é difícil a situação.

Além de rever esse casal incrível, também temos a oportunidade de acompanhar outro: Leah e Abby, que diferentemente dos primeiros, estão vivendo um ótimo momento juntas, já que dividem o quarto na faculdade e não se desgrudam mais. Até quando assistem suas aulas em locais diferentes, afinal são cursos distintos, elas conseguem uma forma de se comunicar. E estão chegando naquele momento precioso da primeira troca da palavra que começa com “a”.

Já li todos os livros de Becky que foram publicados no Brasil e o do Simon é meu preferido com muita distância, então esse daqui entrou logo atrás na lista de queridinhos dela. Confesso que apesar de não ter amado nenhum dos outros como eles, queria que a autora também tivesse trazido cenas deles para esse exemplar. Mas fico feliz por termos tido a oportunidade de saber um pouco mais sobre alguns outros personagens que passaram pela vida deles.



Sol da Meia-Noite – Crepúsculo #05 – Stephenie Meyer


Na época em que Crepúsculo saiu nas livrarias eu quis imediatamente ler, pelo simples fato que sou fã de vampiros e de Anne Rice. Confesso que na época o primeiro livro mexeu comigo, mas o segundo volume foi ódio mortal, mesmo assim segui até o fim meio de saco cheio de tanto drama e alguns absurdos hehehe. Não fazia ideia que Sol da Meia Noite iria sair até que me deparei com ele, e pense porque não? Afinal quem vai narrar é um vampiro, vai ser mais true não? É não exatamente não Sra. Stephenie Meyer?!
Em Sol da Meia Noite conhecemos a mesma estória de Crepúsculo, mas sob a ótica do vampiro Edward, desde o seu primeiro encontro, passando por momentos que sabemos que aconteceram, mas não como aconteceram. A narrativa é feita em primeira pessoa, e devo dizer que se achava que a Bella era lamúrias sem fim é porque não conhecia a mente do Edward! Simplesmente não comprei a ideia que Meyer vendeu de que uma vez vampiro e sua personalidade não evolue, visto que a mente e o corpo seguem percursos próprios. Depois de cem anos duvido que alguém continue nos mesmos erros e personalidade. Sim alguns vampiros se tornam mais letais e abandonam qualquer traço de humanidade, outros passam disso para quase humanos, entre tudo isso eles aprendem e mudam, mas o Sr. Cullen? É como um adolescente e desculpa isso não cola!
Outro aspecto que em Crepúsculo já me incomodava e nesse só piorou foi a perseguição de Edward a Bella, chega um determinado ponto da trama que ele ou está com ela, ou vigiando ela através da mente dos outros. Não é isso que chamam de relação tóxica? Ele não consegue respeitar as decisões dela porque ela é uma humana e é frágil, não aceita os sentimentos dela porque ele é um monstro indigno de amor e quer impor todo relacionamento em cima da ideia que ele não é capaz de ser homem ( isso porque me desculpe com Carlisle como exemplo ele devia ser muito diferente).
O livro têm 736 páginas que até caminham bem, mas que trazem páginas e mais páginas de "vou embora", "sou um monstro e vou matar ela" e "o cheiro dela é incrível", é repetição, atrás de repetição. Eu esperava por uma mente mais perturbada no sentido vampírico, como os vampiros mais tradicionais (oi Lestat?!), mas são breves as cenas que eu me via pensando "ah sim ele é um vampiro", a maior parte do tempo ele parece um ser humano imortal um bocado burro. Mesmo a mudança dele de parar de atacar ela e passar a namorar ela foi muito fraca.
Minha impressão sobre Meyer e os vampiros é que ela gosta deles, mas desde que eles não sejam maus, e eu aceito isso, o seriado True Blood, por exemplo, explorou isso muito bem. Me parece que a autora não conseguiu dimensionar a natureza real dessas criaturas, seus dilemas e experiências. Ela sempre fala do ponto de vista de uma humana e nunca senti ela vestido a camisa dos vampiros.


A Adorável Loja de Chocolates de Paris - Jenny Colgan

Conheci Jenny Colgan através de A Pequena Livraria dos Sonhos, livro que me apaixonei. Depois não pude resistir ler os demais livros da autora, embora nenhum tenha tido o mesmo efeito do primeiro. A Adorável Loja de Chocolates de Paris acabou de sair, e já corri ler sabendo que seria uma leitura reconfortante no meio da bagunça que estamos todos vivendo. Por aqui ele foi publicado pela editora Arqueiro que tem seguido firme com a série de livros Romances de Hoje.

Anna Trent tem um emprego que soa delicioso, ela é supervisora em uma famosa fábrica de chocolates em uma pequena cidade inglesa, mas depois de um acidente ela se vê sem emprego e com sequelas que não pode contornar. Após semanas internada com sua antiga professora de francês, Anna se vê onde menos esperava: em Paris trabalhando em uma pequena loja de chocolates. Seu paladar jamais será o mesmo, assim como sua vida!

Acho que a pior coisa que pode acontecer com um autor é você ler logo de cara seu melhor livro (na verdade eu não sei se é o caso, mas por enquanto é rs!) e depois ler seus demais livros e nenhum conseguir alcançar seu coração da mesma forma. No caso talvez o fato de o livro bom ser mais recente que os demais explique o fato, ou a temática, o fato é que a loja de chocolates não consegue competir com a van de livros!

Trent é uma mulher de 30 anos que vivia seus dias sem muita ambição ou perspectivas, ela já tinha aceitado que não podia esperar muito de sua vida na cidade que vivia que parecia parada e mofada no tempo. Quando ela inesperadamente aceita ir para Paris ela pressupõe que será expulsa logo, mas o que consegue é não só seu lugar ao sol como descobrir que é dona de talento e poder de fazer aquilo que desejar, desde que saiba o que queira. Assim a jornada da jovem é de auto descobrimento junto a aceitar sua nova condição física, que é provavelmente feia de ver, mas que não limita seus atos como ela acreditava.
Ao mesmo tempo em que acompanhamos a estória no presente de Anna também temos a linha do tempo no passado de Claire, sua professora de francês. Claire também acaba em Paris muito jovem, ela não sabia nada sobre a vida já que era reprimida pelo pai que era reverendo. Ao descobrir uma cidade completamente oposta a sua, ela também se vê como alguém desejável, e sai da cidade luz com uma grande paixão. Sua linha chega até o momento atual quando está enfrentando um câncer terminal.

Thierry é o dono da loja de chocolates, é um chocolatier talentoso, mas é alienado na vida. Perdeu seu grande amor, e se agarra ao chocolates e as comidas para passar seu tempo. Tem uma personalidade vibrante e interessante, mas que poderia ter sido mais explorada já que ele protagonizou cenas divertidas no livro.

Claire foi de garota inocente e ingênua para um mulher que luta pelas suas vontades. Ela se enxerga em Anna, por isso quer proporcionar a mesma oportunidade que teve ao ir para Paris. Seu maior desejo é rever seu grande amor, já que não houve um dia que não tenha se lembrado de Thierry. O amor deles se manteve mesmo diante da distância e do tempo.



Desgrávida – Jenni Hendriks & Ted Caplan


Veronica Clarke sempre foi a filha perfeita, a aluna exemplar e a pessoa que tem um futuro brilhante pela frente e sempre se orgulhou de tudo isso. Com um namorado desejado por muitas, planos para o final do Ensino Médio e uma vaga lhe esperando na faculdade dos sonhos, tudo está seguindo como planejado. Até que ela descobre que um resultado positivo no único teste que poderia arruinar todos os seus planos: o de gravidez.
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Com a certeza de que não quer ser mãe neste momento e não deseja mudar toda a sua vida, ela decide fazer um aborto. Porém, sem coragem para contar sobre sua decisão para as amigas ou sua família, ela encontra uma pessoa improvável para acompanhá-la numa jornada em direção à clínica em outra cidade, uma ex-melhor amiga de infância, de quem se afastou quando queria uma vida mais fácil e tranquila.
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Mesmo sem manter contato por vários anos, a rebelde Bailey Butler aceita acompanhá-la numa viagem de mais de 3 mil quilômetros. E em meio a muitas confusões, risadas e momentos inesperados, Veronica conhece mais a si mesma e revê suas atitudes.
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Esse é um livro Jovem Adulto que, mesmo trazendo um tema mais pesado, a narrativa é bem leve e divertida. Há cenas cômicas, trapalhadas, diversas reviravoltas, autoconhecimento pontos reflexivos, foco na amizade, aceitação, também trata de outros assuntos como homossexualidade, pais negligentes, religião, etc. Então muitas vezes o assunto aborto não ganha destaque, ainda que seja o ponto central da trama.
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É uma leitura interessante, mas também faltou alguma coisa para me conquistar. Achei a protagonista sem graça, inclusive não acho que mudou tanto suas atitudes. O que eu mais gostei foi conhecer Bailey e sua história. E desejo que os autores façam um livro protagonizado por ela para conhecermos sua vida mais profundamente. O final deixou um pouco a desejar porque teve as resoluções das questões adolescentes e de amizade, mas não desenvolveu mais.
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Todos os Pássaros no Céu- Charlie Jane Anders


Faz algum tempo que não leio um livro que me desperta tantos sentimentos ambíguos ao mesmo tempo, Todos os Pássaros no Céu, da autora Charlie Jane Anders publicado pela Morro Branco até agora não me fez um sentimento definitivo por ele.

Patrícia e Laurence são duas crianças que enxergavam o mundo de forma diferente, mas que mesmo assim tinham um lugar em comum para compartilhar, ela embora com poderes mágicos e ele com talento para ciência não eram bem aceitos pelos que os rodeavam. Ninguém os tolerava e a exclusão social os uniu. Mesmo depois de anos de separação a vida volta os unir, e cada um em seu lugar terão que unir forças para o bem comum.

A narrativa é dividida em quatro livros que são passagens no tempo, a primeira e a segunda parte foram partes muito incômodas para mim, foi terrível ver como os pais destas crianças eram egoístas e ruins para os dois, os pais de Patrícia são péssimos, boicotam a filha de todas as maneiras possíveis e despertam muita raiva (o que pensar de um casal que deixa a filha trancada no quarto uma semana passando comida por de baixo da porta?!!). Tinha vontade de parar a leitura e ir brigar com eles, e olha esse sentimento é raro. Os pais de Lau não ficam para trás, mas parecem mais perdidos do que de fato ruins como os de Patrícia.

Quanto ao estilo de escrita de Anders é fluído e ágil, o livro assim passa rápido e não demorou a correr, mesmo que eu me sentisse perdida em diversos momentos. Charlie tem um jeito próprio de criar sua sequência de fatos que não segue o comum. As passagens de tempo são quebradas e não avisadas, e as vezes o leitor pode se pegar perdido no pedaço que foi subtraído.

Patrícia é uma garota sensível e pura que desde muito pequena consegue falar com os animais e descobre através de um pássaro que era uma bruxa. Este fato a marcou profundamente e desde então tudo que ela quer é desenvolver a magia e encontrar seu lugar ao mundo, já que na escola sofre bullying, e quando digo isso é dos pesados que envolvem inclusive sua irmã. O modo como seus colegas a tratam cortou meu coração, e a passividade da mesma é de se admirar! Com a passagem do tempo, depois que ela vai estudar magia ela passa a ter mais segurança e certeza de seus talentos, mas mesmo assim vive no medo porque de alguma forma ela parece ter poderes que nem seus professores sabem bem como lidar. E sua vontade de salvar a todos é mal interpretada pelos demais bruxos.

Laurence é muito inteligente e não tem dificuldades em criar instrumentos tecnológicos, e isto é tão forte que chega a assustar seus pais. Como todo nerd de estória ele também sofre na mão dos colegas de escola, e assim como Patrícia também não os enfrenta. Essa passividade e conformidade acaba por unir os dois que ora se ajudam, ora se repelem, já que em certos momentos Laurence pensa que se afastar de Patrícia pode melhorar sua reputação.

Junto a esses problemas escolares surge um homem que faz parte de um grupo de assassinos e quer matá-los, ele é a pá de cal para acabar com a vida dos dois que tem suas vidas viradas de cabeça para baixo aos treze anos. Estes trechos da trama não me agradavam em nada, já que ele era um assassino frio e sem muita explicação.

Quando chegamos a fase adulta dos dois jovens fica mais clara a dualidade que a autora quer trabalhar, ciência versus magia. E essa mensagem parece ser uma das que mais marca toda a trama. Mas eu acho que o que mais me marcou é a tentativa desesperada destes seres humanos de encontrar um lugar para existir, para serem eles mesmos sem crítica e sem precisar da aprovação dos que o cercam. Ambos parecem viver todo o tempo no medo, sob pressão, e sem saber o que é ser feliz.


Vermelho, Branco e Sangue Azul – Casey McQuiston


Alex Claremont-Diaz é o filho da presidenta dos Estados Unidos e detesta Henry, o príncipe da Inglaterra, desde um episódio em que se encontraram no passado e ele foi bem arrogante. Então quando é convidado para o casamento real do irmão mais velho, o príncipe Philip, ele não fica muito contente. Tudo piora quando Alex e Henry se envolvem num escândalo durante a cerimônia, derrubando o bolo de milhares de euros no chão.
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Para evitar um desastre diplomático, eles precisam passar alguns dias juntos como se fossem melhores amigos e assim deixar todos acreditarem que nunca houve nenhum problema entre dois dos jovens mais influentes e bonitos do mundo. Quando passam a se conhecer melhor, percebem que há muito mais em comum entre eles do que o esperado. E parece que nem só amizade há por traz das intenções de nenhum deles.
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Como poderiam se relacionar no meio da campanha de reeleição da mãe de Alex e com tantos deveres e trabalhos que ambos precisam comparecer em seus respectivos países? E ainda sem causar uma comoção mundial? Será que quando há uma faísca inegável, algo pode ser capaz de superar a força do amor?
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De modo geral, gostei da obra, dos personagens e do pano de fundo, que traz assuntos importantes para a atualidade, como sexualidade, imagem pública, medo de julgamento, se encontrar e descobrir o que quer da vida, evolução, amadurecimento, política, fazer algo de positivo para mudar o mundo, etc.
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A escrita da autora é leve, gostosa e envolvente. A gente se diverte em vários momentos e sente tensão e apreensão em outros. Vê como o amor e o apoio podem ser lindos e fazer diferença, mas também como há pessoas desnecessárias com atitudes péssimas que só querem fazer o mal para conquistarem algo pessoal.
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Senti que a trama ficou meio maçante no meio e acredito que se a autora tivesse cortado algumas páginas poderia ter ficado mais dinâmico e ainda manter a mesma essência. E consequentemente eu teria gostado ainda mais da leitura. E achei desnecessária a forma como Katherine tratava sua mãe, a rainha, uma idosa.





Depois de Você - Como Eu Era Antes de Você #02 - Jojo Moyes


Como Eu Era Antes de Você acabou com meu coraçãozinho quando o li, jamais pensei que me sentiria assim na leitura, mas ele mexeu muito comigo! Ao saber que a continuação, Depois de Você, da autora Jojo Moyes tinha sido lançado pela editora Intrínseca eu me perguntei se teria a mesma reação. Atenção por tratar-se de um segundo volume contém spoilers do livro anterior.

Louisa voltou da Europa depois de tentar superar o luto pela perda de Will, e falhou severamente em apenas viver como tinha sido pedido a ela fazer. Tentando começar de novo ela mora sozinha em Londres e trabalha em um pub, mas sua vida não consegue andar, as memórias não a abandonam, e a tristeza ainda é muito grande. Depois de uma crise ela sofre um acidente ao se assustar no telhado de seu apartamento, um novo homem surge em sua vida, e uma visita inesperada junto com um grupo de ajuda ao luto farão com que ela comece a enxergar luz no fim do túnel.

A narrativa de Moyes continua como em seu livro anterior, realizada em primeira pessoa de forma descontraída e dinâmica, sempre com Lou na narrativa, salvo um único capítulo narrado em terceira pessoa sob o ângulo de Lily. E o único problema que este volume tem, e que seu anterior não tinha, é que em determinado ponto da estória a autora passou tempo demais em lugar nenhum. Muitas páginas poderiam ter sido subtraídas, já que não acrescentam nada a trama, ao contrário acabam cansando o leitor.

A estratégia usada pela autora para retomar a estória de Lou é muito boa, primeiro porque podemos acompanhar uma estória muito realista, onde o final não foi um felizes para sempre, embora Lou tenha acabado de voltar de Paris, tenha um apartamento seu em um dos melhores locais de Londres, ela não consegue superar a perda de Will e mais que isso carrega uma culpa por acreditar que poderia de alguma forma o ter convencido a ficar. Segundo porque a nova personagem Lily surge com um problema que é capaz de criar tensão e gerar movimento para transformação de Louisa, é uma reviravolta inesperada!

Sam, o paramédico, também foi marcado pelo luto e a perda, mas teve outro modo de encarar a vida a partir disto. Ele tenta transmitir isto a Lou, que embora saiba racionalmente não consegue sentir assim em seu coração. Infelizmente o pretendente de Lou embora seja um homem muito interessante não teve destaque suficiente, assim como Lou não conseguia se entregar a ele, a autora parece ter também tido dificuldades de desenvolver o romance dos dois que muito tinham a conversar mas que pouco de fato o fizeram. O desfecho dos dois também não me agradou muito.

Lily, é uma nova personagem que não posso revelar sua origem, é uma adolescente muito chata! Não só porque é revoltada com a vida que tem e pelo que não tem, mas porque é do tipo que gosta de atacar verbalmente as pessoas a troco de nada. Faz uma verdadeira bagunça na vida Lou, mesmo quando ela se dispõe a ajudar, e demora muito a entrar nos eixos. O capítulo que é narrado exclusivamente sobre ela explica um pouco de seu comportamento desviante, e deveria ter sido revelado antes para atenuar a chatice da mesma!

O livro é marcado fortemente pela mensagem de superação de luto, no sentido de que seguir a vida não significa esquecer, deixar de amar, ou ainda amar menos. Significa seguir, viver porque é para isso que nascemos, para viver intensamente cada dia. Neste aspecto o livro aborda de forma muito sincera e honesta, especialmente nos encontros na Igreja que Lou passa a frequentar. Os membros deste grupo são ótimos, e são muito importantes para Louisa rever seu papel diante da morte de Will.


As Sombras de Longbourn - Jo Baker


Quando li a sinopse de As Sombras de Longbourn, da autora Jo Baker, publicado pela editora Companhia das Letras eu não hesitei em querer lê-lo, afinal a Inglaterra no século XIX tem grande fascinação em quem vos escreve!

No condado Hertfordshire, em Longbourn, Sarah é uma empregada da família Bennet desde que seus pais faleceram, embora seja dedicada ao seu trabalho que a toma o dia inteiro não deixa de sonhar em conhecer o mundo, especialmente Londres. Após a chegada de um novo empregado em uma casa vizinha, ela passa a nutrir mais do que sonhos, assim desejos e atitudes sobre o que ela deve fazer para ir além dos muros da casa começam a nascer dentro de sua alma.

Inspirado diretamente na obra Orgulho e Preconceito ocorre ao mesmo tempo que a mesma, entretanto acompanhamos os acontecimentos sob a perspectiva dos empregados da família Bennet. Este dado porém não chegou ao meu conhecimento antes que eu começasse o livro, logo eu acredito que não ter lido Orgulho e Preconceito faz com que eu perca uma parte da beleza da estória. Sim eu assisti ao filme, mas honestamente fazem muitos anos e me lembro pouco. Acredito que quem tenha lido o livro deva aproveitar o livro muito mais.

Sarah é uma jovem muito inocente que sonha com lugares melhores porque sofre na casa em que está, não por maus tratos como era comum na época, porque tanto a família Bennet como os demais empregados a tratam bem, mas pela dureza de seu trabalho que maltrata o corpo e cansa seu espírito. Logo ela sempre sonha em conhecer outras cidades, entretanto com o passar do tempo ela começa a questionar se seu sonho é algo belo apenas em sua mente.

O casal Hill são os empregados mais velhos, a Sra. Hill é a governanta, e tenta ter controle completo de tudo que acontece na casa, junto a Sarah e Polly. Ela as tem como filhas, e tenta sempre transmitir o melhor para ambas. O Sr. Hill já está velho e doente, por conta disto acaba sendo substituído em algumas funções por um novo funcionário, James, um jovem misterioso que se mostra muito prestativo, mas que desperta sentimentos estranhos em Sarah.

James têm segredos em seu passado, mas os guarda fundo, tentando ser o mais discreto e calado possível. Este comportamento desperta em Sarah desconfiança e ao mesmo tempo mais atenção do que o normal dela por ele. Este casal até desperta alguma torcida, mas em geral é um pouco passivo demais.


A Inesperada Herança do Inspetor Chopra - Vaseem Khan


Desde que a editora Morro Branco apareceu eu espio seus lançamentos, e a lista de desejados da editora sempre cresce, alias se tem uma coisa que cresce em escala desproporcional é minha lista de leitura!. O escolhido da Morro Branco desta vez foi A Inesperada Herança do Inspetor Chopra, do autor Vaseem Khan.

Depois de muitos anos de serviço dedicado e integro o inspetor Chopra se vê obrigado a se aposentar precocemente, e em seu último dia de trabalho ele recebe duas heranças inesperadas, primeiro um caso de um jovem pobre que aparentemente morreu afogado e que ninguém tem interesse em investigar, e depois nada menos do que um filhote elefante. Através das populosas ruas de Mumbai, Chopra vai investigar os lugares que este jovem esteve e descobrir que este é um caso muito mais perigoso do que imaginava, ao mesmo tempo que em que aprender a lidar com um elefantinho que parece ser qualquer coisa menos comum!

Antes de dizer algo sobre a narrativa em si devo começar elogiando o trabalho da editora Morro Branco, que livro mais fofo, que trabalho gráfico delicado e bem executado! Desde a capa que reflete bem o clima do livro, a sua capa interna e marcador de páginas, tudo muito lindo com este pequeno elefantinho em tudo! Fiquei apaixonada por este livro fisicamente.

A narrativa de Khan foi feita em terceira pessoa em sua maior parte do tempo sob o ângulo do inspetor Chopra, os que não eram sobre seu ângulo eram sob o de sua esposa Poppy. A maior característica de sua escrita é a cultura indiana que aparece em cada página narrada desde seus costumes passados até como a Índia moderna se encontra. Khan consegue com suas palavras simples nos transportar para este país tão diferente do Brasil. Senti também que a medida que ele conta sua estória ele também trás um crítica a sociedade moderna, aos jovens que moram na Índia e que aderiram a modernidade deixando para trás os valores da cultura indiana, ao mesmo tempo que ele também questiona o status das castas e classes sociais.

Chopra é um homem certinho, daqueles que de tão certos geram piadas ao seu redor. A aposentadoria forçada não fez com que ele parasse, logo ele não hesita quando se depara com um caso de injustiça. Para resolve-lo ele terá que quebrar as próprias regras, e enfiar seus pés na lama em busca de pistas. Com a saúde frágil ele ousa mais do que deve, e isso me soou um pouco forçado, já que até então ele não havia quebrado regras para nada, e agora que não pode não só por princípios, mas por saúde ele as quebra. Algo no desenvolvimento do personagem escapou, e terminou estranho. Seu desfecho parece ter acontecido longe das páginas do livro, logo quando ele explica algumas de suas atitudes você sente que perdeu alguma parte de sua estória.

Poppy sua esposa embora siga os costumes é ao mesmo tempo entusiasta da modernidade, do que a televisão e as revistas ditam. É uma esposa dedicada, mas nunca pode dar filhos ao marido, o que gera seu maior trauma, e ao mesmo tempo medo que seu problema acabe fazendo com que o marido a abandone. Ela é um personagem leve, que vezes soava ligeiramente engraçada com sua tendência ao exagero e escândalo, mas senti falta de mais páginas com seu desenvolvimento, ela traria maior riqueza a trama.

Ganesha é o bebê elefante que Chopra herda do tio. Ao recebê-lo o tio envia uma carta dizendo que o bebê não é comum, mas é só com o tempo que o investigador começa a tomar a dimensão que este fato tem. O fato é que ter um elefantinho na estória deixa tudo mais doce e criativo, e claro demarca também a cara indiana que a trama tem. Ganesha é muito fofo, como um filhote deve ser!


A Espiã - Paulo Coelho


Quando comecei minha fase de leituras diárias e em sequência um dos autores que eu mais lia quando mais nova foi Paulo Coelho, por ser adepta de leituras espiritualistas ele me parecia adequado. O tempo passou e nunca mais li nada que saiu do autor até que surgiu a chance de ler seu último lançamento, A Espiã, publicado pelo selo Paralela da Companhia das Letras.

Mata Hari foi uma dançarina a frente do seu tempo, executando danças exóticas que terminavam com ela sem roupa. Com isso ela se tornou alvo da imprensa e de homens da alta sociedade com dinheiro e poder político. Com uma busca incessante por liberdade ela se envolveu em tramas da primeira guerra mundial, e pagou caro pela sua liberdade de moralismo e costumes.

Narrado em primeira pessoa na parte 1 pela própria Mata, e na segunda parte pelo seu advogado de defesa, a narrativa de Coelho não lembra as antigas leituras que fiz do mesmo, não sei se pela temática muito diferente ou por uma mudança de escrita, mas todos os fatos correram de forma rápida, objetiva, sem reflexões ou pensamentos além do raso. O objetivo do autor foi recontar a estória desta mulher que foi condenada a morte inocentemente por se envolver com as pessoas erradas no momento errado. Diversas fotos originais aparecem pelo livro, tanto de Mata como de jornais.

Mata, nascida Margaretha Zelle, nasceu na Holanda e escolheu casar para sair de seu país, mas com uma escolha feita pelas páginas do jornal não foi bem sucedida, o marido foi péssimo para ela. E como não conseguia se ver presa a infelicidade para sempre, ela abandona o marido e  a filha para ir para França e se tornar dançarina. Infelizmente o livro começa com sua execução, então não existe surpresa em momento algum de nada, apenas conhecemos como ela se tornou dançarina e se envolveu com espionagem.

Ela era uma mulher vanguarda, mas sem muita inteligência, já que acreditava que o sexo justificava para alcançar seus objetivos, sem se dar conta das consequências. Em meio ao estouro da primeira guerra ela não hesita em se meter na política, mesmo quando foi aconselhada a se afastar disto, tudo pelo capricho de voltar a Paris. Com isso ela não desperta empatia ou solidariedade, pois é teimosa e não resguarda a própria segurança. Não dá para torcer por alguém tão vaidosa como ela!

Nenhum personagem além de seu advogado passa tempo suficiente na trama para que conhecêssemos ou nos envolvêssemos. Tudo é muito focado na personagem, mesmo quando a mesma conhece ninguém menos que Picasso, tudo se passa de forma muito superficial. Porque não brincar um pouco com ícones tão interessantes?

O livro é interessante do ponto de vista histórico para conhecer os bastidores da época, como quando Mata chega a Paris e a Torre Eifel ainda não tinha seu nome, e ainda poderia ser desmontada. Mas do ponto de vista literário ou até biográfico (embora Coelho diga que esse não é seu objetivo) o livro é fraco. Mesmo que a estória já havia sido delineada pelos fatos reais, não é nada empolgante. Acredito que o autor poderia usar a estória para passar mensagens, seja quanto aos crimes comentidos na guerra, seja quando ao tratamento com as mulheres.


Glória e Ruína - Graça e Fúria #02 - Tracy Banghart


Serina e Nomi Tessaro nasceram em Viridia, reino onde as mulheres são reprimidas e não têm direitos. Enquanto Serina é tranquila, submissa e segue os padrões esperados, Nomi é seu oposto, rebelde e revoltada com a situação em que vivem. A 1ª sempre foi treinada para ser uma Graça e viver sob as ordens diretas dos Governantes e a 2ª seria sua criada. Mas uma reviravolta faz com que elas se separem e Serina seja levada para ilha-prisão, enquanto Nomi assume o seu lugar à disposição do Príncipe Herdeiro.
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Tentando sobreviver enquanto buscam uma forma de salvar a outra, cada uma cria suas próprias alianças e planejam como levar seus planos adiante. Quando finalmente se reencontram, elas se unem almejando algo ainda maior: mudar o destino de todas as mulheres e o funcionamento da sociedade. Mas é claro que nada sai como o planejado e fica cada vez mais difícil encontrar a liberdade desejada e ainda permanecer viva.
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Não há spoilers do livro anterior. Quando li o 1º volume, não amei a leitura. Porém, quando as coisas ficaram mais intensas e reviravoltas importantes aconteceram, minhas expectativas para a continuação aumentaram, pois precisava saber o desfecho da trama e entender como as irmãs iam conseguir escapar daquilo.
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Continuo gostando da narrativa de Tracy, e a trama é envolvente, bem movimentada, e trabalha com sororidade e questões feministas, assim como pontos reflexivos em diversos momentos. O ritmo foi semelhante ao do outro livro, começou lento e foi evoluindo conforme passamos do meio para o fim, que, inclusive, podia ter sido melhor. Mas queria mais desenvolvimento em algumas partes e relações.
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Há um clima tenso e muitas lutas, violência, mortes – afinal não tinha como fazer esse tipo de revolução contra a opressão que estavam vivendo sem isso. Mas também vemos mulheres fortes, guerreiras e tratando umas às outras com respeito, mesmo tendo opiniões e visões distintas. Foi lindo ver a união das mulheres, afinal a união faz a força.






Contato de Emergência – Mary H.K. Choi


Penny é introvertida e tem uma mãe que é seu total oposto, fazendo com que ela sinta muita vergonha e se irrite com tudo o que Celeste faz. Ela também namora um garoto bonito, mas sem graça. Então não vê a hora de deixar essa vida e começar a faculdade para se dedicar ao sonho de ser escritora.

Sam está vivendo um momento bem ruim. Depois de deixar para trás sua mãe alcoólatra e terminar um namoro abusivo com uma garota por quem ainda é muito apaixonado, ele passa a viver em cima do café onde trabalha, e lá se sente bem fazendo doces e é independente – mas sem dinheiro.

Quando uma notícia pode abalar ainda mais sua vida, Sam tenta não surtar. Mas tem um ataque de pânico e é Penny que o socorre. Então eles passam a trocar mensagens de texto que a princípio não parecem grande coisa até que começam a revelar segredos e os sentimentos nascem.

Essa capa chamou minha atenção pelas ilustrações, jogo de cores e título. Quando li a sinopse fiquei ainda mais empolgada pela leitura, porque curto bastante obras que trazem relacionamentos que começam no meio virtual e passam para o real, já que é algo bem comum nos dias atuais, pois a tecnologia permite que as pessoas se aproximem de uma forma que talvez o encontro cara a cara não conseguisse – como nesse caso.

Considero que foi uma leitura interessante porque os personagens são originais, se mostrando gente como a gente, com pensamentos mais profundos (inclusive melancólicos e obscuros) e comportamentos reais. Porém, infelizmente não consegui me conectar muito com eles. Mesmo que saibamos sobre suas vidas, pensamentos e modos de agir, senti como se fossem fatos e informações, faltando um pouco de aprofundamento e emoção. Até as mensagens que trocavam pareciam meio desconexas as vezes. E não gostei de Penny. Suas atitudes, principalmente com relação à mãe e outras mulheres foram imaturas, desnecessárias e chatas. Me irritou em diversos momentos.

O que eu mais gostei foi que a autora abordou temas importantes, como alcoolismo, estupro, abuso, pobreza, identidade, crescimento, ataque de pânico, imigração, etc. Só acho que também faltou profundidade em alguns deles. Ah, e o título é incrível e combina muito com o enredo.

A trama nos prende de uma forma que queremos saber o que vai acontecer em seguida, desejando o crescimento de Penny e a melhora na vida de Sam, que é doce e sentimental. Queria descobrir mais sobre eles, entendê-los mais a fundo e me apegar. Mas ao mesmo tempo achei a narrativa lenta. Também torci bastante pelo casal, já que eles combinam perfeitamente.




Dublinenses - James Joyce


Eu sempre achei a Irlanda incrível, aquelas paisagens verdes e uma cultura rica em cultura celta e galesa que vai direto ao encontro do meu coração. No entanto com o passar dos anos acabei em um amor com a Inglaterra e um flerte com a Escócia, e com isso a Irlanda ficou para trás, para alimentar meu carinho pelo lugar e conhecer um novo autor clássico escolhi ler Dublinenses, do autor irlandês James Joyce, publicado pelo selo Penguin.

Joyce escreveu este volume antes de seu famoso livro Ulysses. Embora escritos no comecinho do século XX ele só conseguiu reuni-los e publicá-los em 1914. Através de quinze contos o autor descreve a Irlanda do início do século XX em toda a sua crueza, explorando personagens da classe média católica através de diversos conteúdos e questões importantes a época.

Os fatos mais marcantes e que surgem com frequência são os atritos do país com a Inglaterra, cujo qual viria a se tornar independente em 1922. Fica muito claro através dos diálogos dos personagens que a população estava dividida entre os conservadores que buscavam o nacionalismo e o resgate cultural, incluindo palavras em gaélico no meio do inglês, e os que estavam acostumados ao domínio inglês.

Mais acentuado ainda são os problemas religiosos entre Católicos X Protestantes, já que as pessoas eram medidas pela sua escolha religiosa. A religião era assunto de roda de amigos em pubs, e o comportamento de padres, por exemplo, aparecem como um destes assunto de 'bar'.

É assim no dia a dia que cada um dos contos se constrói, são recortes de vidas,  já que não tem um começo ou fim, é como se de repente você caísse na vida dos personagens, espiasse um pouco e depois se retirasse antes de alguma conclusão. Muitas vezes a trama estava interessante e envolvente, e a estória morria no nada, como se o autor não tivesse terminado o conto. Isso foi de longe o que mais me incomodou na narrativa de Joyce, que explorou pontos narrativos tanto de terceira como primeira pessoa. A linguagem é bastante coloquial e revela a classe social ou a posição social de cada um dos personagens, além de trazer informações sobre posicionamentos políticos e religiosos.

Os protagonistas são bastante variados, começam com crianças, passando por adolescentes até os mais velhos, e isso permite uma visão abrangente da sociedade irlandesa, e o lugar que cada um deles tinha, incluindo o de mulheres e homens. Alguns deles acabam por passar nos mesmos lugares, já que todos eles se passam na cidade de Dublin. A repetição acaba criando uma sensação de familiaridade, mesmo de longe.

O tradutor teve o cuidado de colocar diversas notas para explicar locais, termos e outros aspectos culturais que auxilia e muito na compreensão da escrita. A música é com frequência evocada, e o tradutor sempre trás referências das mesmas. Não li Ulysses, mas o tradutor coloca que diversos personagens irão surgir nesse livro posteriormente, então acredito que deva ser interessante ler os contos antes de Ulysses.

Os contos que mais me agradaram são "Dois Galantes", "A Casa de Pensão" e "Um Caso Doloroso". Por se tratar de contos não darei sinopses para não estragar as breves surpresas, porque sim, elas são raras, não trata-se desse tipo de escrita que trarão grandes sensações. O valor desse livro ao meu ver é conhecer a realidade cultura daquele país, o Zeitgeist peculiar e muito característico que com certeza moldou o que hoje esse povo é. Eu me senti entre as ruas de Dublin, entre as pessoas, não necessariamente as que eu escolheria para seguir, mas não por isso que não daria atenção.

Infelizmente o modo de trabalhar seus contos não me agradou, do ponto de vista literário são em sua maioria desinteressantes e parados. Como relatei anteriormente, o potencial estava lá, mas eles nunca finalizava, não tinha um fim, uma moral ou mistério, nada. Talvez não incomode outros leitores, mas eu não me adaptei ao seu estilo. E o que me prendeu ao livro todo tempo foi conhecer a Irlanda, e isso sem dúvidas é possível através de suas palavras.


A Casa dos Novos Começos - Lucy Diamond


Não sou o tipo de pessoa que gosta de chick-lit, já tentei alguns e em geral os acho superficiais demais para o meu gosto. E sempre que escolho alguns livro fora da minha zona de conforto da fantasia, eu me pergunto se não vou acabar me deparando com algum chick-lit. Essa pergunta me rondou durante a leitura de A Casa dos Novos Começos, da autora Lucy Diamond, publicado pela editora Arqueiro, na coleção Romances de Hoje.

Na cidade inglesa litorânea de Brighton três mulheres com diferentes estórias se mudaram para o mesmo apartamento elegante. Nenhuma delas se conhece, mas todas estão no mesmo processo de recomeçar, seja por relacionamentos perdidos, seja por um emprego do namorado ou por um luto. Todas elas estão perdidas quanto seus lugares no mundo, mas quando suas jornadas convergem seus lugares ao sol começam a ser trilhados.

Rosa já é bem sucedida em Londres e estava em um relacionamento que a satisfazia até esbarrar em um segredo que a faz mudar não só de cidade como de carreira. Seu segredo no entanto embora demore a ser dito com todas as letras logo fica claro para quem lê, e sua mudança de carreira foi o modo como ela conseguiu se sentir útil ao mundo e sublimar o que aconteceu. Seus trechos no restaurante são terríveis já que ela possui um péssimo chefe, e senti falta de maior descrição dos alimentos que rondam a personagem. Normalmente quando um protagonista se envolve com comida a fome é despertada, não foi esse o caso.

Georgie é uma jovem que mora com o namorado até que ele resolve passar seis meses no Sul para um projeto de arquitetura. Meio que sem convite ela segue junto com o namorado, e se vê sem emprego ou dinheiro em um lugar que não conhece ninguém. Um pouco impulsiva ela parte em busca de um trabalho que sonhava em ter, escrever para uma revista, e para tanto acaba sendo desleal com quem ama. Não me entrou na cabeça como ela teve tantas falhas com o namorado! Eu só pensava: "não fala com ele, isso vai terminar mal!".

Por fim conhecemos Charlotte que marcada por um tragédia tenta recomeçar. Seus capítulos são os mais tristes, mas ao mesmo tempo alguns dos trechos mais legais por conta de sua vizinha idosa Margoth que com um espírito aventureiro e despojado guia Charlotte para caminhos que jamais imaginou.

A narrativa em terceira pessoa alterna capítulos focados em cada uma das personagens, até o ponto em que elas se conhecem e passam a aparecer nos capítulos uma das outras. A estória se desenrola de forma rápida, mas muito previsível, não tem surpresa em momento algum. A autora não tem um jeito envolvente de escrever, embora até diga como um lugar é, não o faz de forma a envolver e nos fazer querer conhecer o lugar.

Quando um personagem surge fica logo evidente seu papel e como ele termina na trama. Isso foi um pouco frustrante, e acabou com qualquer possibilidade de densidade. Isso porque o livro tem uma atmosfera marcante de chick-lit mesmo com temas mais densos, e estes temas nunca se aprofundam o suficiente para serem dramas, ou ainda trazerem algum mistério para prender. Tudo é como esperado.


The Risk – Briar U #02 – Elle Kennedy


Brenna Jensen é destemida, tem forte opinião e sabe o que quer. Sendo filha do técnico de hóquei da Briar, entende que não pode ter relação com nenhum dos jogadores rivais, mas, como diversas outras meninas, não consegue resistir ao capitão do time de Harvard, o arrogante e lindo Jake Connelly.
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Para conseguir um estágio na HockeyNet, ela acaba mentindo para o entrevistador dizendo que Jake é seu namorado e, com isso, consegue chamar sua atenção. E Jake, que também não resiste a Brenna, acaba aceitando fingir que isso é verdade, contanto que ela aceite sair em encontros reais com ele. O fingimento talvez seja mais real do que ambos admitem. E esse amor proibido acaba se fortalecendo, mas eles ainda precisam lidar com distrações, confiança e aceitação.
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Gosto bastante da Elle Kennedy e estava empolgada para conhecer melhor esse casal desde sua participação em The Chase. Há uma química bem evidente e gostosa entre os dois, que combinam bastante, afinal ambos são bem resolvidos e com ótima autoestima. Gostei das personalidades, com destaque para Brenna, que é independente e forte.
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Achei o livro legal e a história interessante, porém esperava mais. Achei morno, sem grandes emoções e o que me incomodou bastante foram os detalhes. Não há realmente um grande problema na trama, mas pequenas situações ou comentários que me chateavam.
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E penso que a autora tinha muito assunto para explorar por conta das situações misóginas e machistas que a protagonista vivenciou devido ao seu sonho de se tornar uma jornalista esportiva – área infelizmente dominada por homens. Queria vê-la dando a volta por cima e lidando com tudo aquilo, mas na verdade ela só se deixou levar, aceitando as situações (até ficou chateada e com raiva, mas engoliu tudo).





Ele – Him #01 – Elle Kennedy e Sarina Bowen


Wes e Jamie se conhecem há anos num acampamento de hóquei e uma amizade logo surgiu entre os dois, que se fortaleceu porque todos os verões treinavam juntos. Wes notou que tinha sentimentos mais fortes por Jamie, mas não sabia como lidar com isso muito bem. Depois de uma aposta, algo acontece e ele se afasta, cortando o contato.
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4 anos se passam e eles se encontram porque podem se enfrentar no campeonato de hóquei em times opostos. Wes se surpreende quando vê que não consegue se afastar de novo e acaba confessando algumas coisas a Jamie. O que ele não esperava era a reação do rapaz. Será que Wes pode se permitir ter alguma esperança?
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Gosto bastante da escrita de Elle e já tinha lido 5 de seus livros publicados no Brasil, então estava com expectativas para essa duologia. Porém, fiquei um pouco decepcionada com a história. 1º porque na minha opinião teve cenas excessivas de sexo. Como já comentei em outras resenhas, prefiro quando o foco do livro é no desenvolvimento dos sentimentos e do relacionamento e as cenas de sexo sejam consequência disso, não ganhando mais destaque do que o resto.
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2º porque acho que as autoras tinham muito potencial para trabalhar com vários assuntos neste livro, como o fato de Jamie se “descobrir” bissexual, sendo que nunca antes tinha realmente parado para refletir sobre o assunto. Então queria ver esse tema melhor trabalhado. E 3º porque o enredo poderia ser mais desenvolvido.
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Por outro lado, a escrita das autoras é gostosa, leve, envolvente e flui muito bem. A gente logo se vê preso na trama querendo saber o que vai acontecer em seguida no relacionamento desse casal carismático.