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O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett

Mary Lennox é uma menina pequena, magrinha e com aparência maltratada, que vive na Índia com os pais, que não mantêm qualquer tipo de contato com ela, deixando-a sob a supervisão da aia. Por isso, a garota se tornou mimada e irritada com tudo.

Até que seu destino muda quando uma epidemia de cólera mata todos ao redor, e ela se torna a única sobrevivente da família. Assim, é enviada para morar com o tio no coração da Inglaterra rural, Yorkshire. Como o tio nunca superou a morte da esposa, sai em viagens constantes, raramente parando em casa. Então a pequena Mary precisa aprender a viver sozinha pelo quintal, descobrindo a vida e a si mesma, afinal as coisas são bem diferentes da Índia.

Em uma de suas explorações, conhece um Jardim Secreto que pertencia a tia e está trancado. Com vontade de fazer tudo reviver e prosperar, ela embarca numa jornada fazendo o que pode e conta com a ajuda de Dickon, um encantador menino que conversa com plantas e animais e é adorado por todos. Depois, acaba descobrindo que tem um primo, Colin, que vive como um inválido deitado na cama esperando pela morte. E decide fazer a diferença na vida dele para que conheça mais coisas e pare de pensar em besteiras. Então os três passam a construir uma bela amizade que muda a vida de todos e também o jardim, que se torna um objetivo em comum.

Acho que nada melhor do que começar essa resenha dizendo 2 coisas. Pensei que a trama era bem diferente, e por isso achei que nunca leria esse livro. Quem me conhece, sabe que eu não sou fã de histórias que só tem coisas tristes ou com doenças que levam à morte. Simplesmente porque absorvo tanto do que leio que me faz mal de um jeito pior do que deveria. Então evito ao máximo ler coisas que me deixam com esses sentimentos ruins.

E, não sei por qual razão, imaginava que esse livro era uma trama melancólica com final de desidratar. De onde tirei essa informação? Ainda não sei, mas embarquei na leitura e vi que não tem absolutamente NADA a ver com isso! Hahaha E FOI UMA DAS MELHORES DECISÕES que tomei esse ano! Sério, estou COMPLETAMENTE APAIXONADA.

Essa é uma história que toca nosso coração por vários motivos e é impossível não sentir bons sentimentos conforme a leitura vai avançando. Nos mostra como uma pessoa e/ou uma situação pode mudar a vida de alguém para melhor, como pensamentos positivos realmente podem fazer a diferença, como acreditar em algo que está além dos nossos olhos pode ser mágico, fala sobre empatia, sobre o poder da natureza, dos animais e do ar livre, crescimento pessoal, amizade e carinho. Sobre acreditar em alguém, sobre ser real e aprender a ouvir o próximo. Sobre cada um ser o que quer ser.

O melhor de tudo é que acompanhamos toda essa trama através de crianças. Então temos a chance de acompanhar toda a inocência e as descobertas que esses pequenos fazem. Foi tão lindo ver o desabrochar de Mary, ver como ela se transforma de uma menina sem amor, mimada e rabugenta em outra, divertida, alegre, que deseja e faz o bem ao próximo.

Mary é uma protagonista incrível! Amei acompanhá-la e ver todas as suas mudanças, quando começava a perceber a vida e suas atitudes de outra forma, passando também a enxergar o mundo e as outras pessoas de forma diferente. O coração dela é grande, mas também sabe ser firme e consegue transmitir coisas boas e inspira em Colin, por exemplo, a buscar algo distinto.

Dickon é um personagem completamente A-D-O-R-Á-V-E-L! Desejo que mais seres humanos possam ser como ele, de verdade. Ele fez toda a diferença na trama e traz cenas incríveis, assim como sua mãe e sua irmã, Martha, que foi uma das grandes responsáveis por todas as mudanças. Colin é outro personagem maravilhoso. Vê-lo sofrendo naquela cama, com depressão por conta de tudo que as pessoas já falaram sobre ele, o reflexo que ele era das opiniões alheias e como começou a lidar com tudo de outra forma, mudando os pensamentos sobre si mesmo e o quanto isso mudou literalmente a sua vida, foi espetacular acompanhar.



O Caçador – Joona Linna 06 – Lars Kepler


Adoro histórias de suspense com detetives, e por esse motivo sempre estou tentando ler algo desse estilo, onde fico viciada na narrativa e tentando desvendar os mistérios. Com essa obra não poderia ser diferente. Então venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
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Esse é o sexto volume da série de Joona Linna, que traz as investigações do detetive em seus casos, mas você pode ler todos os títulos fora da ordem como eu fiz (esse foi o primeiro que li). Nessa trama já começamos com um ritmo mais intenso e acompanhamos uma garota de programa indo para casa de Willie, um homem que prometeu pagar muito dinheiro para que ela satisfizesse todas as suas vontades, e vemos como ele a dopa para fazer o que bem entender com a menina. E é nesse momento que somos apresentados ao Caçador de Coelhos, já que ele invade a casa, nem nota a garota de programa e mata o Willie.
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Esse caso de homicídio vai parar nas mãos da policial Saga Bauer, que não entende como um assassino profissional foi capaz de deixar uma testemunha. E ao longo dos mistérios ela resolve que precisa da ajuda de nosso querido detetive Joona Linna.
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Jooana está na prisão de segurança máxima por dois anos, quando recebeu a inesperada visita da polícia, que precisa da sua ajuda para deter o assassino conhecido como Caçador de Coelhos. Jooana agora tem a chance de sair da prisão para, junto com a detetive, resolver esse grande mistério. Então vamos acompanhando o desenrolar dessa trama, que é muito mais complexa do que parecia.
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Com uma narrativa rápida e fluida, esse livro consegue prender a gente do início ao fim com uma história surpreendente. Cada pequeno detalhe que vai se encaixando e nos deixando vidrados no enredo foi maravilhoso.  Os personagens também são muito bem descritos, cada um com o seu jeito de ser, nos deixando encantadas com a escrita impecável do autor.
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Eleanor & Park – Rainbow Rowell


Há muito tempo eu queria ler esse volume, porém ainda não tinha tido a oportunidade de fazer essa leitura. Agora ele foi relançado pela Editora Seguinte e vi uma oportunidade de concluir essa vontade.

Nesse volume conhecemos Eleanor, uma menina ruiva que é a filha mais velha de uma problemática família. Ela sempre veste roupas largas, masculinas e sofre com preconceito. Também conhecemos Park, um jovem descendente de coreanos, apaixonado por músicas e quadrinhos.

Eleanor é nova na escola e isso acaba sendo bem difícil para ela que passa a sofrer muito bullying. Além disso, sua situação em casa também não é das melhores. Seu padrasto maltrata a mãe, que vive uma vida submissa e transforma a vida de todos ao seu redor em um verdadeiro inferno. Ela é uma garota forte, que aprende da forma mais difícil ao lidar com as situações complicadas da vida.

Quando nossa protagonista entra no ônibus escolar, enfrenta a dificuldade de ninguém querer deixá-la se sentar. E é assim que conhece Parker, que, meio a contragosto, acaba deixando a menina nova sentar ao lado dele. Apesar da relutância no início, ambos acabam conversando enquanto dividem os quadrinhos. E é nesse cenário que os dois acabam se apaixonando.

Sendo assim, vamos acompanhando a história do primeiro amor dos nossos protagonistas, que é intenso, doce e cativante. Vários temas muito importantes são abordados no livro, como bullying, relacionamentos abusivos, gordofobia, racismo, etc. Porém, todos esses temas foram trabalhados de forma mais superficial.





A Letra Escarlate – Nathaniel Hawthorne


Desde que assisti ao filme “Easy A” que citava esse livro, fiquei bem interessada nessa história. Olha que isso já foi há bastante tempo, mas por algum motivo ainda não havia lido. Quem me conhece sabe que amo ler livros Clássicos e sempre escolho algum para incluir nas minhas leituras. Por esse motivo, resolvi começar a ler “A Letra Escarlate”, cuja protagonista é considerada a primeira autêntica heroína da literatura norte-americana.
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Nesse volume somos levados para Boston do século XVII, onde a comunidade era muito rígida e puritana. É nesse cenário que conhecemos Hester Prynne, uma jovem que cometeu adultério e terminou com o nascimento de uma criança ilegítima. Esse crime era muito grave, punido até mesmo com a morte.
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Porém, como o marido de Hester estava desaparecido e ninguém sabia se ele estava vivo ou não, ela teve uma pena mais leve, sendo obrigada a levar sempre a letra “A” de adúltera bordada em seu peito. Desonrada e renegada publicamente, nossa protagonista passa a viver isolada em uma cabana com a filha, sem revelar a identidade do pai da criança. Acompanhamos como ela é forte e como consegue seu sustento e de sua filha, mesmo com tudo o que estava passando, sendo uma mulher amável e guerreira.
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Esse título fala sobre uma sociedade hipócrita, que julga e guarda os seus segredos. É uma crítica a sociedade que serve até para os dias atuais. Vemos como a hipocrisia reina e como há personagens odiosos. Com muitos segredos e vingança, essa trama consegue nos prender do início ao fim com capítulos curtos além de uma protagonista maravilhosa, que me conquistou em cada linha. A narrativa é um pouco lenta, mas também muito interessante.
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A Imperatriz de Ferro: A Concubina que Criou a China Moderna – Jung Chang


Quem me conhece sabe que eu gosto muito da cultura asiática e também sou feminista. Esse livro mistura duas coisas que amo e ainda traz uma história verídica. Por esse motivo, resolvi que queria ler o quanto antes sobre essa imperatriz para descobrir um pouco mais sobre a história de um país que adoro e tenho muita vontade de visitar um dia. E escolhi essa resenha para postar hoje também em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, porque é sempre fascinante conhecer um pouco mais de mulheres fortes que mudaram o mundo da sua maneira.
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Nesse volume conhecemos um pouco mais sobre Cixi, uma mulher que aos 16 anos foi escolhida em uma seleção nacional para ser uma das concubinas do imperador. Quando ele morreu em 1861, foi seu filho de cinco anos que assumiu o trono, mas após organizar um golpe contra os regentes indicados pelo marido, ela passa a ser a verdadeira líder da China.
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O livro traz vários detalhes históricos que nos ajuda a entender todo o contexto da história de nossa protagonista e, com isso, vemos como foi difícil o seu caminho. E isso não diminuiu a sua força, pelo contrário. Cixi foi a responsável por implantar ferrovias, aberturas dos portos, eletricidade, a indústria e todos os atributos de um Estado moderno. Ela também reconheceu o direito das mulheres, aboliu as torturas milenares e estimulou mudanças na educação.


O livro é uma biografia minuciosa que conta a história dessa mulher tão importante, assim como um pouco da história da China. Facilmente conseguimos perceber que a autora teve muito cuidado para nos dar um entendimento sobre esse período, a sociedade e os costumes, sendo uma leitura extraordinária que nos mostra que a imperatriz-viúva foi uma mulher forte, determinada, corajosa e muito inteligente, tudo isso com uma narrativa rápida e que flui de maneira agradável, nos conquistando do início ao fim.





As Sombras de Longbourn - Jo Baker


Quando li a sinopse de As Sombras de Longbourn, da autora Jo Baker, publicado pela editora Companhia das Letras eu não hesitei em querer lê-lo, afinal a Inglaterra no século XIX tem grande fascinação em quem vos escreve!

No condado Hertfordshire, em Longbourn, Sarah é uma empregada da família Bennet desde que seus pais faleceram, embora seja dedicada ao seu trabalho que a toma o dia inteiro não deixa de sonhar em conhecer o mundo, especialmente Londres. Após a chegada de um novo empregado em uma casa vizinha, ela passa a nutrir mais do que sonhos, assim desejos e atitudes sobre o que ela deve fazer para ir além dos muros da casa começam a nascer dentro de sua alma.

Inspirado diretamente na obra Orgulho e Preconceito ocorre ao mesmo tempo que a mesma, entretanto acompanhamos os acontecimentos sob a perspectiva dos empregados da família Bennet. Este dado porém não chegou ao meu conhecimento antes que eu começasse o livro, logo eu acredito que não ter lido Orgulho e Preconceito faz com que eu perca uma parte da beleza da estória. Sim eu assisti ao filme, mas honestamente fazem muitos anos e me lembro pouco. Acredito que quem tenha lido o livro deva aproveitar o livro muito mais.

Sarah é uma jovem muito inocente que sonha com lugares melhores porque sofre na casa em que está, não por maus tratos como era comum na época, porque tanto a família Bennet como os demais empregados a tratam bem, mas pela dureza de seu trabalho que maltrata o corpo e cansa seu espírito. Logo ela sempre sonha em conhecer outras cidades, entretanto com o passar do tempo ela começa a questionar se seu sonho é algo belo apenas em sua mente.

O casal Hill são os empregados mais velhos, a Sra. Hill é a governanta, e tenta ter controle completo de tudo que acontece na casa, junto a Sarah e Polly. Ela as tem como filhas, e tenta sempre transmitir o melhor para ambas. O Sr. Hill já está velho e doente, por conta disto acaba sendo substituído em algumas funções por um novo funcionário, James, um jovem misterioso que se mostra muito prestativo, mas que desperta sentimentos estranhos em Sarah.

James têm segredos em seu passado, mas os guarda fundo, tentando ser o mais discreto e calado possível. Este comportamento desperta em Sarah desconfiança e ao mesmo tempo mais atenção do que o normal dela por ele. Este casal até desperta alguma torcida, mas em geral é um pouco passivo demais.


Repeteco – Bryan Lee O'Malley


Katie levava uma vida normal e tinha grandes planos para o futuro: abrir um novo restaurante. Por ser uma chef talentosa e muito elogiada e ter encontrado o local perfeito, ela já estava no caminho certo para realizar seu sonho. Porém algumas coisas começam a dar errado: as obras estão atrasadas, uma garçonete do seu restaurante atual se machuca, seu relacionamento com o chef jovem azeda e seu ex-namorado reaparece para bagunçar sua cabeça.
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Quando tudo parece desesperador, eis que surge uma nova chance. Na calada da noite, uma garota misteriosa aparece em seu quarto juntamente com a lembrança de um sonho, que a faz ter vontade de vasculhar a gaveta da cômoda que estava ali antes de se mudar. Lá dentro encontra uma caixinha contendo um cartão de instruções, uma caderneta intitulada “Meus Erros” e um misterioso cogumelo.
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Katie decide se arriscar e cumpre as regras. Quando acorda, nota que sua vida ganhou um repeteco e ela vai poder refazer o erro que tinha cometido anteriormente. E cada vez que uma nova coisa sai errado em sua vida, ela não consegue resistir à vontade de mudar tudo novamente. Porém, todos sabem que com o destino não se mexe. E Katie vai acabar descobrindo isso de uma forma nada agradável.
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Gosto bastante de Graphic Novels, então sempre incluo alguma nas minhas leituras. A da vez foi essa de Bryan Lee O'Malley. O autor/ilustrador é bastante conhecido por seu trabalho com a série de HQ Scott Pilgrim, que já foi adaptado para os cinemas. Nunca tinha lido nada dele e sempre escuto ótimas críticas, então queria conhecê-lo. Gostei bastante dessa primeira experiência.
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A gente consegue se identificar com Katie e seus problemas, que são bem reais. É uma leitura leve, rápida e também bastante reflexiva, que nos faz pensar na vida e inspira pensamentos mais profundos, como não podemos mudar algumas coisas, mas, sim, aceitá-las. E que conseguimos ser felizes com o que temos, mas precisamos ter coragem para modificar o que podemos.





Uma Canção de Natal – Charles Dickens


Amo ler Clássicos e sempre gostei de assistir aos filmes que abordavam os fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro. Por isso já queria ler “Uma Canção de Natal”, obra do incrível Charles Dickens, que criou esse mundo. Agora finalmente consegui ler esse exemplar e venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
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Nesse volume conhecemos Ebenezer Scrooge, um homem amargo, frio, pão duro, que não gosta do Natal e é uma pessoa bem desprezível. Até que ele recebe a visita do seu ex-sócio Jacob Marley, falecido há sete anos, lhe falando sobre como suas atitudes o levaram a ficar vagando acorrentado. E avisa que nosso protagonista receberia a visita dos três fantasmas do Natal para lhe darem a oportunidade de mudar sua vida e não ficar vagando como ele.
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Ao receber essas visitas, vemos como Scrooge era quando mais novo, quando ainda era um bom menino, e como foi se tornando uma pessoa amarga e que julga os outros, e quais consequências teria no futuro pelas suas atitudes. Conhecemos um pouco mais sobre a vida de seu assistente Bob Cratchit, o qual, mesmo sendo maltratado, sempre teve bons pensamentos sobre ele. E conhecemos também um pouco sobre seu sobrinho, um jovem de bom coração.
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Esse livro é bem rapidinho e traz uma mensagem bem importante sobre o espírito do Natal e essa época tão mágica, e como devemos sempre ajudar ao próximo. Na edição da Companhia das Letras pelo selo Penguin Companhia, encontramos uma introdução feita por Sandra Sirangelo, que explica que Dickens escreveu essa obra para tentar influenciar os indivíduos a não perderem a magia do espírito natalino e promover o sentimento de união entre as pessoas.
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Nossas Noites - Kent Haruf


Acabei de terminar a leitura do livro Nossas Noites do autor Kent Haruf, da editora Companhia das Letras, e estou me perguntando se um livro é bom porque nos gera prazer durante sua leitura, ou se ele é bom porque mesmo depois que terminamos ele fica dentro de nós revirando, trazendo questões que talvez nem estivessem no consciente. Faz apenas uma hora que terminei o livro, e me senti na necessidade de transmitir a sensação que ainda ecoa depois de seu término.

Louis e Addie são dois viúvos que moram na mesma rua na pequena cidade de Holt, no Colorado. Suas noites são solitárias e muitas vezes eles não conseguem dormir. Addie decide superar seus receios, e em uma visita a casa de Louis propõe a ele que passe suas noites na casa dela, para que assim ambos tenham com quem conversar durante a noite. Surpreso Louis aceita, e passa a frequentar a casa desta doce senhora, mas o que eles não esperavam é que a felicidade alheia incomodaria tantos as pessoas.

Haruf criou sua narrativa em terceira pessoa, onde os diálogos não tem marcação como aspas e travessão, no início isso pode atrapalhar, mas a medida que esta leitura progredi isso acaba desaparecendo. A leitura flui muito suave e doce, como as palavras do autor que tem delicadeza de nos trazer fatos tristes e marcantes da vida destes dois idosos sem que isso soe pesado. Mesmo no desfecho da trama que é triste, e foi o que me fez tirar um ponto de sua nota não só pelo conteúdo, mas pela rapidez dos fatos, onde uma situação muda o rumo da estória ele consegue transmitir a tristeza sem drama ou peso.

Louis é um professor aposentado que tem consciência dos erros que cometeu em seu passado e que inclusive marcam sua reputação até seu momento atual, e embora mais velho acredite que tenha feito escolhas erradas não é uma pessoa amarga, ao contrário, desde o momento em que se decide por aceitar a proposta de Addie ele se dedica a ela em suas atitudes e no seu coração. Ao longo do tempo ele se torna uma pessoa melhor, o tipo de homem que soa como um ótimo avó, que tem o que transmitir e ensinar aos netos.

Addie perdeu não só o marido, como uma filha quando esta era ainda uma criança, mas o fato não a torna uma pessoa triste, mas sábia. Ao contrário do que é esperado ela não se fechou para vida, tem vida de sobra e vontade de ter seus dias de velhice bem aproveitados, por isso ela busca Louis sem medo do que qualquer um pense de sua atitude. Ela soa até engraçada as vezes de tão prática que ela é, sem meias palavras ou atitudes dúbias.

Louis e Addie como casal são a coisa mais fofa! Eles se conhecem a medida que o tempo passa e as noites de conversa evoluem, pois embora sejam vizinhos, e a esposa de Louis tenha sido amiga de Addie, eles não tinham uma amizade anterior. Foi lindo ver a evolução do sentimento, da confiança e da atitude destes dois. O amor que nasce da convivência e da rotina é mais maduro e profundo do que aquele que passa pela paixão, e que logo pode se apagar.

Embora tenha apenas 160 páginas o livro é repleto de mensagens, sendo a principal a esperança. Já que o casal não acreditava que poderia viver uma relação novamente na idade deles. Quando eles assumem a relação ouvem outras pessoas na cidade que gostariam de ter a mesma oportunidade. Infelizmente nem todos tem a mesma opinião, e a pior deles fica por conta de Gene, o filho de Addie, traumatizado na sua infância, tornou-se uma pessoa amarga que não consegue ver a beleza das pequenas coisas da vida. A aparência é o mais importante, e ele não consegue ter uma boa relação com a mãe, menos ainda com o filho e a esposa.


O Gigante Enterrado - Kazuo Ishiguro

Revendo mentalmente minhas leituras até hoje nunca havia lido um nobel de literatura (eu acho!), sabe-se lá porque mas isso era uma verdade até que O Gigante Enterrado, do autor Kazuo Ishiguro, publicado pela Companhia das Letras chegou até as minhas mãos.

Em um pequeno vilarejo bretão escavado entre as pedras vivia o casal Axl e Beatrice. Suas vidas seguiam sem rumo, com suas memórias perdidas entre as brumas. Depois de um lampejo de memória Axl resolve que chegou o momento de partirem para a vila que seu filho mora. Sem saber qual é o caminho, menos ainda qual é exatamente o local que o filho mora, eles partem apenas com a certeza que seu filho os aguarda a muito tempo. O que eles não esperavam é que mais do que encontrar o filho eles devem buscar dentro de si sua própria estória, além das lembranças do que viveram juntos.

Eu fui esmagadoramente afetada pela leitura deste livro, tive uma conexão inconsciente que fez com que a leitura me incomodasse muito, mas não por questões narrativas ou pela qualidade da estória, mas porque o tema central da trama teve ecos nos conteúdos do meu inconsciente. Ishiguro narra sua estória em sua grande parte em primeira pessoa através de um narrador que conhecemos a identidade apenas ao final do livro, e o faz de forma simples, mas bastante cadenciada, com isso a leitura não é rápida, e é as vezes um pouco arrastada.

O grande problema que eu identifiquei e que me incomodou foi o fato dos personagens sofrerem com essa névoa que faz com que eles se esqueçam de suas memórias, sejam as do passado, sejam até de atos recentes do mesmo dia. Logo foi angustiante não conhecer a estória deles, e acompanhar o esforço dos mesmos para se lembrarem. A trama se passa todo tempo nesse escuro, nessa busca pela vila do filho, pela identidade do casal, pelas memórias de vida deles que já não sabem se foram felizes, se fizeram mal um ao outro e etc. É como estar constantemente em um sonho, onde não sabemos o que é real, o que é imaginação, é tudo muito onírico.

Todos os personagens que surgem e interagem com o casal sofrem em graus diferentes dessa névoa, que tem uma explicação mais tarde. Isso só reforça a angústia porque acaba nos jogando em vidas sem propósito, sem rumo. Wistan é um guerreiro saxão que torna-se um companheiro de jornada, é o que mais tem conhecimento sobre tudo que se passa, e assim o que mais tem a esconder. Gawain é um cavaleiro do Rei Arthur que vive das memórias de um rei que já se foi (dois ou três capítulos são narrativas dele em primeira pessoa de seus delírios, me lembrei de Dom Quixote nestes trechos).

Axl é um velinho muito amoroso e dedicado a esposa, tem um carinho e cuidado que enche o coração de ternura. Ele acha que fez coisas reprováveis no passado, mas que se mesmo assim ainda ama sua esposa é tudo que interessa no momento. Beatrice é muito dependente do marido, precisa saber que ele está por perto para se fortalecer. É corajosa e determinada, mesmo quando a doença a consome, ela não se deixa abater quando tem um propósito a seguir. Axl e Beatrice formam um casal meigo que inspira.


Nova York: A Vida Na Grande Cidade – Will Eisner


Gosto bastante de HQs e Graphic Novels e ainda não tinha tido a oportunidade de ler um dos maiores nomes do gênero. Quando surgiu a oportunidade de ler esse exemplar de ninguém menos do que o genial Will Eisner, logo embarquei nessas páginas.
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Nessa obra de mais de 400 páginas estão reunidas 4 Graphic Novels, escritas nos anos 80 e 90, com uma série de vinhetas, variadas histórias curtas. Algumas são interligadas, mas a maioria é independente. Nelas acompanhamos a vida (e a morte muitas vezes) cotidiana de Nova York, mas, como o próprio autor comenta na introdução, são “o retrato de uma cidade grande... qualquer cidade”, trazendo elementos que nunca mudam, como grandes edifícios, grandes áreas e grandes populações.
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Há casos de amor, traição, esperança e desilusão. Pessoas felizes, outras miseráveis. Ricos e Pobres. Novos e Idosos. Comportamentos bons e outros brutais. Cenas cheias de possibilidade, outras bem trágicas. Etc. É a realidade que o autor via nas ruas e transferia para o papel de forma muito verdadeira.
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Além de Eisner ter sido um exímio ilustrador e um incrível escritor, era também um observador brilhante. Nessas tramas, ele mostra a realidade crua, a individualidade do ser humano, seu descaso e sua crueldade. Também há uma grande carga emocional presente em suas páginas e muitas dos momentos ali retratados nos fazem refletir e até trazem tristeza ao nosso coração.




Tudo é tão realista que o leitor se sente dentro da história, passando por Nova York e vendo todas aquelas cenas se desenrolando bem na sua frente. Talvez você conheça alguém que tenha feito algo semelhante ou tenha você mesmo vivenciado algo ali retratado.







Dom Quixote – Miguel de Cervantes


Sempre quis ler essa história escrita no Século XVII, já que é considerada o primeiro romance moderno, mas não tinha tido a oportunidade. Ano passado resolvi que não dava mais para postergar e embarquei na leitura pela edição da @companhiadasletras com os 2 volumes. E fico feliz por ter conseguido, pois valeu cada minuto.
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Nessa trama conhecemos Dom Quixote, um homem de meia idade que, após ler muitos romances de cavalaria, resolve que quer se tornar um cavaleiro. Por isso, arruma seu cavalo e uma armadura e decide sair de sua fazenda para encarrar o mundo com os seus ideais. E conta com a ajuda de Sancho Pança, um lavrador que se torna o seu fiel escudeiro, para que juntos possam ir em busca de aventuras e de ajudar os fracos e oprimidos, tudo com a benção de Dulcineia del Toboso, musa imaginária do protagonista, a quem ele quer provar seu verdadeiro amor.
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Narrado através de vários episódios vividos por Dom Quixote e seu fiel escudeiro e amigo Sancho Pança, acompanhamos suas aventuras e desventuras e os vemos retornarem com dentes quebrados, dores nas costas, etc., mas também com várias histórias. E nessa jornada eles conhecem vários tipos de pessoas, umas que os ajudam, algumas que tentam fazer com que voltem para casa, entre outras, mas todas com histórias bem interessantes.
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Em todos as pequenas aventuras que li, confesso que me encantei pelo personagem. E ri bastante no início. Porém, depois a história vai ficando um pouco mais reflexiva e acabamos nos incomodando com as atitudes de alguns indivíduos em relação ao nosso protagonista, o que nos desperta raiva e preocupação.
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Insano lúcido, aventureiro, amigo, inteligente e bondoso essas são algumas das características de Dom Quixote, que em busca de fazer algo diferente de sua vida, mergulhou em suas loucuras para seguir o caminho de seu coração, utilizando a justiça social como bússola e criando situações que só se passam na sua mente, como lutar com moinhos como se fossem gigantes, afrontar monges como se fossem feiticeiros, etc.





Era Uma vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha - Liudmila Petruchévskaia


Acredito que conhecer um pouco sobre a vida e a origem dos autores dos livros muitas vezes ajuda muito a compreender as narrativas e intuitos destes autores. Saber que a autora Liudmila Petruchévskaia é russa e passou pelo regime soviético fez toda diferença para compreender seus contos em Era Uma vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha, publicado pela Companhia das Letras.

O livro é composto por quatro partes, Canções dos Eslavos do Leste, Alegorias, Réquiens e Contos de Fadas, onde os vinte e um contos estão dispostos. Não fica muito claro porque dessa divisão, assim como muitas coisas na escrita de Liudmila que é crua, direta e que causa grande estranhamento na leitura.

Algumas características são comuns a quase todos os contos como começos impactantes que já revelam informações sem floreios do que veio tratar a estória, como, por exemplo, o conto O Milagre, que começa: " Uma Mulher tinha um filho que se enforcou", ou como em  A Casa da Fonte "Uma vez, uma menina foi morta, mas depois foi ressuscitada". Esse tipo de começo já causa grande desconforto e impacto na leitura onde você passa a esperar qualquer situação depois do início já azarado. E mesmo com uma revelação incomum logo na abertura muitas vezes a estória que se segue soa bastante comum, e o estranho sem mostra nos detalhes, ou até na última frase.

Outra característica bastante frequente foram as críticas ao regime soviético, explorado por diversos ângulos e através de diversas estórias diferentes, a  pobreza, as doenças e a fome estão praticamente em todos os relatos, como se fossem uma sina que ninguém e em parte alguma consegue escapar.

Por fim é preciso frisar que nenhum conto é de fácil assimilação, a dificuldade na compreensão do sentido dos contos é marca constante da narrativa de Petruchévskaia, e não foi uma, nem duas as vezes em que voltei a leitura para tentar compreender se não tinha perdido algum trecho que explicasse o que não compreendi. Talvez essa dificuldade venha pela tradução de uma língua tão diferente do português, talvez seja o modo que a autora escolheu escrever para dizer aquilo que não podia ser dito em seu país (o livro foi banido na União Soviética), ou talvez nenhuma das alternativas se mostrem válidas, e esse seja o estilo dela apenas.

Mas o fato é que eu compreendia as reflexões e críticas que a autora queria transmitir com sua estórias, mas não gostei da forma como ela escolheu realizar seu objetivo, afinal quando você cria uma comunicação é preciso que o receptor compreenda a mensagem, caso contrário ela fica perdida e sem sentido. Com isso não espero simplicidade ou pobreza na escrita, apenas mais acessibilidade, mesmo porque a autora é simples na escrita, não trabalha com metáforas ou frases de difícil compreensão, eu diria que seus contos até parecem escritos por adolescente, a dificuldade está no que não está explícito.


O Mundo da Escrita – Martin Puchner

Como uma leitora fanática, sempre me interessei bastante pelo mundo literário. Quando descobri essa obra, que traz informações sobre a história da literatura em um mundo moldado pela escrita, fiquei muito encantada.
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Martin Puchner, professor de literatura comparada na Universidade de Harvard, nos conduz, através de 16 textos, às histórias que relatam a evolução ao longo do tempo da literatura, e como ela foi importante para o mundo que conhecemos hoje, pois é a grande responsável por inspirar a ascensão e a queda do Império e nações, o nascimento de crenças religiosas e a formação de ideias políticas e filosóficas, etc.
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Com isso, conhecemos mais a evolução das tecnologias criativas (alfabeto, papel, códice e impressão), a importância da literatura para a cultura humana, e viajamos com o autor para diversas histórias de revoluções, batalhas, conquistas, etc.
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É um exemplar bem rico em informações e descritivo. Não considero que seja o tipo de leitura para ler de uma só vez porque pode se tornar cansativo e maçante. Mas vale a pena ser lido porque é MUITO interessante, fluindo melhor quando intercalamos com outras leituras.



Martin ainda analisa vários clássicos, como "Mil e Uma Noites", que traz vários contos populares, sendo narrado por Sherazade, que contava uma nova história todas as noites para continuar viva, Dom Quixote, de Cervantes, que foi o primeiro autor moderno, e até Harry Potter. Conhecemos a sra. Murasaki Shikibu, anônima dama de companhia da corte japonesa que criou um mundo literário e mais tarde ficou conhecida pelo nome de sua protagonista, sendo a autora do primeiro grande romance da literatura universal por volta do ano 1000.
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Aprendemos também que a escrita tem um papel muito importante e uma grande influência na política. Como exemplo podemos citar quando a União Soviética e a Alemanha nazista exerceram o controle sobre a impressão, e como autores perseguidos conseguiram divulgar os seus poemas, mesmo que de forma clandestina.



Com um conteúdo fantástico, ilustrações e fotos maravilhosas, essa obra conquista. Recomendo para todos que se interessam pelo mundo das palavras e queiram aprender e conhecer mais sua criação e desenvolvimento desde o princípio, mergulharem nesse título maravilhoso, que nos mostra como a literatura transformou a civilização.

Avaliação





Escrever Ficção – Luiz Antônio de Assis Brasil


Sempre tive vontade de participar de uma oficina de Escrita Criativa, porém por motivos como falta de tempo, dinheiro, disponibilidade, etc., nunca consegui ter essa oportunidade. Quando vi que esse título estava sendo lançado pela Companhia das Letras, percebi que era uma oportunidade de aprender mais sobre o assunto com um autor que tem 34 anos de experiência na área. Sendo assim, sabia que precisava lê-lo quanto antes.
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Luiz Antônio traz inúmeras dúvidas apresentadas por seus alunos e discute com a gente argumentos interessantes para explicar e sanar essas questões. Nos ajuda em vários conceitos, auxilia com conselhos e técnicas utilizadas por ele e sempre aborda que não existem regras na literatura.
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É um ótimo volume para autores iniciantes que querem começar na arte da escrita e precisam de ajuda para alcançar seus objetivos e para aqueles que querem se aprofundar no assunto. O autor traz trechos de livros como exemplo e em seguida os destrincha para entendermos melhor suas explicações.
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O exemplar é dividido em 9 capítulos e aborda temas como a concepção dos personagens, conflito da narrativa, enredo e estrutura, espaço e tempo, focalização e estilo da escrita. No último temos um reforço das ideias apresentadas durante a leitura, já que apresenta o roteiro para escrita de um romance linear, uma espécie de guia para criar uma obra de ficção.







Contos Clássicos de Terror

Eu sempre pensei que antologia de contos são ótimos meios para conhecer novos autores, mas em Contos Clássicos de Terror elevou essa opinião muito acima, já que nessa reunião de contos feita pelo Julio Jeha, e publicado pela Companhia das Letras o contato não é com novos autores, mas com autores velhos e consagrados!

A coletânea pretende reunir o que existe de melhor dentro dos gêneros gótico, terror e horror, o livro é composto por dezenove contos onde os sentimentos despertam os mais diferentes afetos nos protagonistas que se veem nas mais variadas situações as vezes cotidianas, as vezes nunca antes imaginadas. Medo, loucura, imaginação, terror, repulsa, anormalidade e paranormalidade são alguns dos itens abordados por autores tidos como clássicos.

E ao contrário do que costuma acontecer muito não trata-se de um livro com autores somente brasileiros, ou só estrangeiros, já que Jeha se valeu de muitos brasileiros em sua seleção. E é notável a diferença entres os nacionais, que pendem para um estilo facilmente reconhecível. E para os fãs da diversidades temos tanto homens como mulheres.

O primeiro autor, por exemplo, é George Sand que na verdade é pseudônimo da baronesa Amandine Aurore Lucile Dupin, seu conto Espiridião, no entanto não chamou minha atenção. Já Morte na Sala de Aula, do autor Walt Whitman é simples e macabro, conseguindo extrair em poucas folhas o que a maldade nas salas de aula de antigamente poderia gerar.

Edgar Allan Poe não poderia ficar de fora já que está entre um dos mestres do gênero, seu conto O Barril do Amontillado, no entanto foi uma releitura, visto que já li em uma reunião de contos do autor, mas o conto não deixa de ser um ótimo registro de uma vingança a sangue frio!

Muito conhecido por suas obras A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, R.L. Stevenson através do seu conto O Ladrão de Corpos narra exatamente o tipo de estória que esperamos para uma estória de terror, em um cotidiano de pessoas de índole duvidosa, mas onde a justiça busca através do sobrenatural ser realizada.  A Causa Secreta escrito por Machado de Assis, não aborda nenhum tema estranho, ao contrário é uma narrativa cotidiana sobre a natureza humana, natureza essa que Assis era intimo conhecedor!

Auguste Villiers de L'Isle-Adam com A Tortura pela Esperança não me agradou pela temática, a inquisição, não gosto de nada com esse tema de ignorância e intolerância. Já em Bárbara, da Casa de Grebe, com o autor Thomas Hardy, tudo soava como um romance de época até que um terrível acidente desperta a loucura! Está entre meus favoritos pelo modo sutil e pontual que abordou sua estória.

Dizer nessa altura que nunca tinha lido Bram Stoker é uma vergonha, então poder finalmente conhecer sua narrativa através de A Selvagem foi um prazer! Seu conto é muito simples, mas não sem certa complexidade nos detalhes que permite uma conexão tamanha que me fez pensar na estória muitas horas depois da leitura. Mesmo nesta pequena obra é possível perceber seu talento.

H.G. Wells é um dos meus autores do coração, Pollock e o Homem de Porroh foi uma releitura, e ela mostra como foi para os ocidentais difícil compreender e respeitar a cultura e a religião dos países africanos.  A Tapera segue com Henrique Coelho Neto, autor brasileiro fundador da cadeira número dois da Academia de Letras, e que eu nunca tinha ouvido falar. Em seu conto encontramos elementos da cultura da época da escravidão e do plantio de cana de açúcar, a sua narrativa é muito característica e consegue ter falas ora rebuscadas, ora simples e regionais.


O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão - Andrew Solomon

A Depressão com certeza é a doença do século, e com certeza você conhece alguém que tenha ou que teve algum período no mínimo depressivo. A faculdade me permitiu ter contato com esse modo de existência, mas fazia tempo que não lia a respeito. Com tantas pessoas ao meu redor com humores suspeitos eu resolvi que precisava ler mais, e O Demônio da Meia Noite- Uma Anatomia da Depressão, do autor Andrew Solomon, publicado pela Companhia das Letras, foi meu companheiro por diversos dias, e através dessa obra pude acompanhar um pouco dessas nuvens trevosas.
Solomon a partir de sua própria batalha contra a depressão traça um quadro da doença que assola o mundo inteiro, sem escolher raça ou nível social, idade ou sexo, todos estão propensos, mas poucos assumem essa luta diária que requer coragem e muita resistência.
Com os objetivos em mente de despertar a empatia, e depois criar uma ordem baseada no empirismo, ele parte de sua própria história, desde como era sua vida na juventude até como de repente sua depressão surgiu. Passando por suas inúmeras lutas para encontrar o remédio adequado, seus colapsos que geraram três grandes crises e que o paralisaram por longos períodos, culminando no seu momento atual de controle, mas não de cura.
Após relatar sua jornada, ele busca capítulo a capítulo por temas relacionados, como os tratamentos que são os antidepressivos ou algumas terapias de choque, sessões cognitivo-comportamentais ou psicodinâmicas, e até alguns remédios alternativos. Solomon faz uma análise muito interessante da população acometida, e conclui que as mulheres parecem mais vulneráveis a se deprimir, especialmente após o parto, e que filhos de mães deprimidas têm tendência a ter depressões mais severas. Afim de levantar possíveis grupos de risco alguns estudos segmentados são comentados por ele.
Um capítulo é dedicado ao suicídio, e alguns aspectos interessantes são levantados. Como, por exemplo, a alimentação que é tida como saudável para o corpo - baixo colesterol e carboidratos- é geradora de depressão, já que diminui os neurotransmissores. Como o cérebro é um enigma algumas atitudes tomadas afim de arrumar a saúde podem colaborar para que o mesmo entre em desequilíbrio, um corpo saudável sem uma mente saudável também não consegue funcionar, ele facilmente entra em curto.
A pobreza também ganha sua atenção, já que trata-se de uma camada da população com maior dificuldade de diagnóstico. Isso porque essas pessoas que vivem sempre em dificuldade já têm comportamentos retraídos e resignados que são associados a sua condição de vida, e não a depressão. Eles também têm mais dificuldade de conseguir e manter o tratamento, visto que têm jornadas de trabalho e serviços domésticos que demandam mais tempo.
Alguns aspectos políticos são abordados, mas são focados na política americana da época em que livro foi elaborado. Não creio que tenha mudado muito, já que os Estados Unidos são conhecidos por problemas com a saúde, apenas alguns estados contam com saúde gratuita, e mesmo a população que conta com planos de saúde não tem acesso ao tratamento de forma completa, muitas vezes com limitação de consultas ou remédios. Batalhar para conseguir tratamento não é algo que um deprimido seja capaz de fazer como um doente de outra doença, a força ação dessas pessoas é quase nula.
Embora de importância inquestionável com a onda de medicações houve uma grande desvalorização das terapias, que foram deixadas de lado pelos remédios. E após isso até mesmo os remédios têm ganhado adeptos da antimedicação, listando argumentos contra o uso contínuo de antidepressivos. A verdade é que ainda não existe uma cura, uma vez que você tenha essa condição você precisa de constante controle e alerta, por isso tanto as terapias quanto os remédios precisam caminhar juntos a outras atividades que despertem a vida no paciente. É provado que falta de neurotransmissores nestas pessoas, mas corrigi-los também não tem sido o suficiente para sanar o problema. Isso gera a pergunta o comportamento depressivo gera essas alterações cerebrais, ou as alterações geram o comportamento? Eu sou do time que pensa que nossos atos e pensamentos somatizam no corpo.


O Método Bullet Journal - Ryder Carroll

Muito mais do que uma mera explicação de como fazer listas, anotações e tarefas, o método Bullet Journal tem como objetivo nos auxiliar a registrar o passado, organizar o presente e planejar o futuro. Sendo um guia para quem quer mudar de vida, ter maior controle, foco e organização do cotidiano e de sua vida pessoal e profissional, e ainda obter um aumento da produtividade, diminuindo a ansiedade, removendo as distrações e focando seu tempo e energia em atividades que realmente trazem resultado.
Foi no início de 2018 (ou talvez no final de 2017) que eu ouvi pela primeira vez sobre a existência do método Bullet Journal. Sempre quis manter agendas ou cadernos com planejamentos, mas nunca consegui fazer isso. Então, pela primeira vez na minha vida, acreditei que ia conseguir e realmente tenho feito desde que comecei. Ainda não sou completamente organizada ou faço tudo certinho, mas com meu BuJo (apelido carinhoso), consegui melhorar muito. E o mais bacana é que eu faço o meu num caderno comum e adoro preenchê-lo e enfeitá-lo do meu jeito.
Quando a Companhia das Letras, pelo selo Fontanar, anunciou a publicação do livro “O Método Bullet Journal”, que nada mais é do que um manual sobre o BuJo escrito por ninguém menos do que seu criador Ryder Carroll, eu sabia que precisava lê-lo. E foi o que fiz. E simplesmente adorei! Se você tem interesse no assunto, realmente recomendo essa leitura.
Logo na introdução, temos a chance de saber um pouco mais sobre o Ryder, que tem Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), e, por conta disso, não conseguia se concentrar nas coisas por muito tempo, sendo facilmente distraído por algo. Depois, ele começou a transferir diversos de seus pensamentos, agendas, ilustrações, listas, etc. para um caderno, que era como colocar sua mente num papel, mantendo-se assim um pouco mais organizado e concentrado.
Depois, ele acabou comentando sobre seu método para uma amiga, já que ela estava planejando seu casamento e estava toda atrapalhada, e ele queria retribuir sua bondade de tê-lo indicado para seu emprego. Ela simplesmente adorou a ideia e lhe encorajou a ensinar essa técnica para mais pessoas. Com isso, ele formalizou o sistema, encontrou uma forma mais fácil e prática de explicá-lo, lhe deu o nome de Bullet Journal (BuJo) e começou a compartilhá-lo, inicialmente num site com tutoriais interativos e vídeos, e assim conseguia ajudar várias pessoas. Seu site depois foi divulgado por outros sites, que trouxe diversas novas visitas, grupos foram surgindo, o projeto foi ganhando grande proporção, e, consequentemente, mais fama, chegando a grande notoriedade que tem hoje e inspirando milhares de pessoas.


O exemplar foi separado em Cinco Partes, facilitando tanto a explicação quanto o entendimento do leitor. Na Primeira delas, encontramos tópicos iniciais e muito importantes, como, por exemplo, informações sobre o BuJo, motivos para começá-lo, o porquê de escrever à mão, entre outros. Na Segunda Parte, temos a chance de aprender o Sistema, com ideias do que escrever, como fazer registros rápidos, notas, anotações, Símbolos e marcadores personalizados, Registro diários, mensais e futuros, etc.
Depois, na Terceira Parte, adentramos a Prática, com dicas e ideias de como realmente fazer acontecer, tirar tudo o que queremos da nossa mente e colocar no papel. Em seguida, há a Parte Quatro, que é sobre a Arte, e traz tópicos bem interessantes, como, dentre outros, Adaptação, Listas, Design, no qual ele fala que ainda que há muitos BuJos na internet com ilustrações e designs elaborados, letras maravilhosas, etc., mas você não precisa fazer/ter nada disso para fazer o seu próprio Bullet Journal, basta saber fazer linhas retas e ter vontade de organizar a sua vida de uma forma fácil e interessante. Essas partes lindas e muito bem produzidas poder ser apenas um extra e não o são o foco principal do projeto, que tem como objetivo ser funcional. Para finalizar o exemplar, há o capítulo Cinco, que traz a Conclusão com O jeito certo de usar o Bullet Journal, Considerações finais, Perguntas frequentes, entre outros.