Eu nunca havia lido um livro de
zumbis antes de ler este livro em questão, meu conhecimento a respeito de zumbis vem de irmãos fãs de Resident
Evil, logo estou acostumada a zumbis burros e letais quando próximos. Mas em
Sangue Quente do autor Isaac Marion da editora Leya, isso tudo é bem diferente!
O mundo está destruído e os
zumbis invadiram a Terra. R. é um zumbi que mora em um aeroporto abandonado com
outros zumbis, seus dias são iguais: caçar os poucos humanos que sobreviveram
se deliciando com seus cérebros e se divertir com a escada rolante quando a
energia funciona. Ele não se lembra quem foi, seu nome ou qualquer coisa sobre
sua vida. Até que em uma caçada ele conhece Julie, depois de impedir que seus
colegas zumbis a matem.
R. leva Julie para o aeroporto e
passa a protegê-la, ao mesmo tempo em que percebe que ele está diferente, algo
está mudando, algo o impede de matá-la, porque? E para completar depois de se alimentar do
cérebro do namorado de Julie passa a ter
visões sobre a vida deste além do costume. (é normal para os zumbis ter flashs
da vida do dono do cérebro ao comer estes).
A trama é narrada em primeira
pessoa na visão de R., mas quando ele tem visões ele passa a narrar a história
sob o ponto de vista de Perry, já que as visões são sobre a vida de Perry até
sua morte (ponto positivo que faz com que a narração seja diferente). O livro é
dividido em três passos, o primeiro passo: querer, o segundo passo: atacar e
terceiro passo: viver. Ao início de cada capítulo há uma gravura de uma parte
do ser humano sob o ponto de vista interno.
Confesso que tive dificuldade em
aceitar que um ser zumbi que tem o cérebro em estado de decomposição tenha
narrado a trama com tamanho detalhes e raciocínio. Isso é um ponto negativo,
mesmo que o fim do livro tenha um atenuante. Mesmo se tratando de um romance
fantástico não me convenci da possibilidade que o final traz, ele vai contra a
natureza humana.
E como não se trata de nenhum
feitiço aceitar o fim com uma explicação natural não me desceu. Entretanto a
explicação dada pelo autor para a onda de zumbis é boa, na verdade o livro
possui uma veia crítica grande, questionando o modo de vida vigente e nos
fazendo pensar a respeito, e isso é que me prendeu ao livro. E é o que eu mais gostei
do livro.
R., o zumbi, é um ser que questiona
tudo que lhe é passado, desde o momento que tem uma luz de inteligência a
agarra. Ele procura não só defender Julie como curar o mundo. É encantador ver
como ele se apaixona pelas pequenas coisas do dia a dia, e como desenvolve o
amor por Julie.










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