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O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett

Mary Lennox é uma menina pequena, magrinha e com aparência maltratada, que vive na Índia com os pais, que não mantêm qualquer tipo de contato com ela, deixando-a sob a supervisão da aia. Por isso, a garota se tornou mimada e irritada com tudo.

Até que seu destino muda quando uma epidemia de cólera mata todos ao redor, e ela se torna a única sobrevivente da família. Assim, é enviada para morar com o tio no coração da Inglaterra rural, Yorkshire. Como o tio nunca superou a morte da esposa, sai em viagens constantes, raramente parando em casa. Então a pequena Mary precisa aprender a viver sozinha pelo quintal, descobrindo a vida e a si mesma, afinal as coisas são bem diferentes da Índia.

Em uma de suas explorações, conhece um Jardim Secreto que pertencia a tia e está trancado. Com vontade de fazer tudo reviver e prosperar, ela embarca numa jornada fazendo o que pode e conta com a ajuda de Dickon, um encantador menino que conversa com plantas e animais e é adorado por todos. Depois, acaba descobrindo que tem um primo, Colin, que vive como um inválido deitado na cama esperando pela morte. E decide fazer a diferença na vida dele para que conheça mais coisas e pare de pensar em besteiras. Então os três passam a construir uma bela amizade que muda a vida de todos e também o jardim, que se torna um objetivo em comum.

Acho que nada melhor do que começar essa resenha dizendo 2 coisas. Pensei que a trama era bem diferente, e por isso achei que nunca leria esse livro. Quem me conhece, sabe que eu não sou fã de histórias que só tem coisas tristes ou com doenças que levam à morte. Simplesmente porque absorvo tanto do que leio que me faz mal de um jeito pior do que deveria. Então evito ao máximo ler coisas que me deixam com esses sentimentos ruins.

E, não sei por qual razão, imaginava que esse livro era uma trama melancólica com final de desidratar. De onde tirei essa informação? Ainda não sei, mas embarquei na leitura e vi que não tem absolutamente NADA a ver com isso! Hahaha E FOI UMA DAS MELHORES DECISÕES que tomei esse ano! Sério, estou COMPLETAMENTE APAIXONADA.

Essa é uma história que toca nosso coração por vários motivos e é impossível não sentir bons sentimentos conforme a leitura vai avançando. Nos mostra como uma pessoa e/ou uma situação pode mudar a vida de alguém para melhor, como pensamentos positivos realmente podem fazer a diferença, como acreditar em algo que está além dos nossos olhos pode ser mágico, fala sobre empatia, sobre o poder da natureza, dos animais e do ar livre, crescimento pessoal, amizade e carinho. Sobre acreditar em alguém, sobre ser real e aprender a ouvir o próximo. Sobre cada um ser o que quer ser.

O melhor de tudo é que acompanhamos toda essa trama através de crianças. Então temos a chance de acompanhar toda a inocência e as descobertas que esses pequenos fazem. Foi tão lindo ver o desabrochar de Mary, ver como ela se transforma de uma menina sem amor, mimada e rabugenta em outra, divertida, alegre, que deseja e faz o bem ao próximo.

Mary é uma protagonista incrível! Amei acompanhá-la e ver todas as suas mudanças, quando começava a perceber a vida e suas atitudes de outra forma, passando também a enxergar o mundo e as outras pessoas de forma diferente. O coração dela é grande, mas também sabe ser firme e consegue transmitir coisas boas e inspira em Colin, por exemplo, a buscar algo distinto.

Dickon é um personagem completamente A-D-O-R-Á-V-E-L! Desejo que mais seres humanos possam ser como ele, de verdade. Ele fez toda a diferença na trama e traz cenas incríveis, assim como sua mãe e sua irmã, Martha, que foi uma das grandes responsáveis por todas as mudanças. Colin é outro personagem maravilhoso. Vê-lo sofrendo naquela cama, com depressão por conta de tudo que as pessoas já falaram sobre ele, o reflexo que ele era das opiniões alheias e como começou a lidar com tudo de outra forma, mudando os pensamentos sobre si mesmo e o quanto isso mudou literalmente a sua vida, foi espetacular acompanhar.



O Jardim Secreto - Frances Hodgson Burnett


O Jardim Secreto é meu filme favorito de infância, e não fazia ideia até algum tempo atrás que era baseado em um livro, mas uma vez que soube virou desejo de leitura. Ler essa história mágica escrita pela britânica Frances Hodgson Burnett, publicado pela Penguin Companhia foi uma volta no tempo!

Mary Lennox mora na Índia com seus pais, ela vive uma vida de rainha tendo tudo que deseja e quando deseja, não precisa nem sequer trocar suas próprias roupas sozinha. Mas depois de um surto de cólera ela perde seus pais, e é mandada para Inglaterra para viver com seu tio nas charnecas inglesas.

Em meio aos jardins  da propriedade ela descobre os segredos do lugar como um jardim guardado a sete chaves, um menino que nunca vê a luz do dia e um outro que sabe encantar os animais. Mas mais do que descobertas sobre o que a cerca ela vai descobrir como  ser uma criança!

Acho até que sou suspeita para falar desse livro, essa estória é tão marcante e fez parte da minha história de forma tão singular que lê-la foi como estar em casa. A narrativa de Burnett é feita em terceira pessoa, sob diversos pontos de vista, mas em boa parte das vezes da jovem Mary. Ela escreve como se a magia do dia a dia não fosse algo a se questionar ou descobrir, mas um fato que apenas não é dito por todos. Tudo é bucólico, fluido, lírico, e reconfortante.

Mary é uma personagem complexa, pois embora venha de uma família de muitas posses nunca teve o amor dos pais, e nem referências do que é ser uma criança, quanto mais uma que sente amor ou alegria. Ela chega a Inglaterra completamente crua, azeda e sem sal, e assim como na Índia desperta a antipatia de todos, que a veem como uma menina feia, mimada e amarelada. Entretanto quando ela começa a frequentar os jardins da propriedade e conhece um jardineiro e seu Pisco (passarinho) a chama da alegria se ascende.

Quando ela se depara então com o jardim secreto toda a sua engrenagem de vida se desencadeia. E ela passa a ter a capacidade de se ver de forma distante e corrigir os comportamentos estranhos e ruins que têm, e passa a gostar das pessoas e das coisas. A sua mudança é um processo lindo porque se dá através de seu contato com a natureza. Embora o livro seja considerado um infanto-juvenil a autora trabalha com um leque bastante denso de sentimentos e temas.

"Eu estou me sentindo sozinha", disse ela. Antes Mary não sabia que isso era uma das coisas que a faziam se sentir zangada e mal-humorada. Ao que parecia, ela descobriu isso quando o pisco olhou para ela e ela olhou para o pisco. (pg. 68)

Colin é seu primo doente que acredita que será corcunda e vai morrer. Mary não conseguiu concordar com ele, assim como despertou o jardim para vida fez o mesmo com o primo que descobre com ela seu amor próprio, suas capacidades e a força de viver que têm dentro de si. Os dois juntos são como espelhos e proporcionam mudanças significativas em si mesmos. Colin acredita na mágica do jardim de forma muito segura e essa crença lhe proporciona força para conquistar seus primeiros passos.

Dickon, é o irmão de Martha empregada da casa. Tem uma relação com a natureza tocante, consegue conversar com os animais e com as plantas, além de possuir uma calma interna e uma felicidade que contamina todos que o conhecem. É a parte encantada da trama, não fica claro se ele é  algo fora do comum ou um menino apenas mais sensível. O fato é que ele é um personagem muito bom, e que dá forças para transformar não só as roseiras mas os dois primos mimados.

Essa edição conta com uma introdução de Alison Lurie, que explora diversos aspectos do livro, acredito até que quem não conhece a estória deveria lê-la depois do livro, visto que é repleta de spoilers da trama. Ao final temos o posfácio de Marise Hansen que trabalha com os significados das palavras empreendidas no livro. Ambos os textos são ótimos para refletir a cerca do que Frances quis nos contar em sua estória.

A cada página, a cada palavra é possível sentir a brisa, o cheiro da grama e o suave pêlo dos filhotes tamanha é a capacidade narrativa da autora em nos contar uma história de transformação de duas crianças que se enrijeceram cedo e tinham perdido o gosto pela vida.

O jardim secreto é um convite para um encontro consigo mesmo e se fazer a pergunta: como vai você ai dentro? Você se permite correr, pular de corda e observar os pássaros voarem? Ou está preso dentro de quatro paredes alimentado uma criatura que já não mais reconhece dentro de si? Você permitiu sua criança interior crescer e permanecer? Fica aqui o convite para crescer junto a esse jardim que transforma tudo que toca!

P.s Fazendo uma paralelo do livro com filme (1993) fico em dúvida se gosto mais do filme ou do livro, o filme tem ligeiras mudanças, mas consegue colocar em imagens todo o encanto do livro. Ele respeita a história de forma muito rara, e diria que acaba tendo cenas até mais tocantes do que o livro. Meu conselho? Leia o livro, e veja o filme cada um vale cada segundo de tempo empreendido!



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