Estamos em
1943 e podemos acompanhar a trajetória do garoto de treze anos, Max Carver e de
sua família, seu pai, o relojoeiro Maximilian Carver, sua mãe, suas irmãs Alicia,
de quinze anos, e Irina de oito anos, que, juntos, saem de uma cidade em guerra
para uma cidadezinha perto da praia num vilarejo às margens do Atlântico.
Ao chegar à
cidade, muitos acontecimentos estranhos começam a surgir, inclusive a própria
casa onde eles vão morar é repleta de mistérios, e é lá que Max vai encontrar
várias estátuas cheias de símbolos intrigantes.
Max resolve
que quer conhecer melhor a cidade, então sai em uma jornada para explorá-la, e acaba
fazendo amizade com Roland, um jovem morador do local, que o leva para conhecer
os restos do navio, Orpheus, que
naufragou há mais de 20 anos. A curiosidade do protagonista não para por aí, ele
começa a querer desvendar vários mistérios que envolvem o farol, a casa em que
vive e o navio. Por também ser bastante inteligente, acaba decifrando algo que
só vamos descobrir bem para o final do livro.
Enquanto
vivem uma aventura, um personagem diabólico surge para atormentar os jovens, o Príncipe
da Névoa, que é tão misterioso quanto todo o resto das coisas incrivelmente
estranhas que rodeiam essa cidade.
O livro é
puro mistério e aventura como o próprio autor sugere. Nele, são passados
nuances da vida verdadeira, misturados com situações fantasiosas e doses de magia,
que se entrelaçam com porções de terror brando.
No começo, a
história não me parece tão assustadora, isso só acontece quando passamos a
descobrir quem era realmente o Príncipe da Névoa. A narrativa é envolta em incógnitas,
que não apenas os personagens querem decifrar, mas nós, leitores, ficamos
tomados por curiosidade para ver aonde chega o fim dessa aventura.
A narrativa
é em terceira pessoa e é bem fluida. Gostei muito da forma de escrita de Zafón,
que não conhecia ainda, mas já tinha escutado maravilhas sobre o autor, apesar
de alguns pontos terem me deixado confusa, fazendo com que eu demorasse um pouco
mais para terminar a leitura.
Gostei muito
dos personagens crianças, da procura por desvendar tudo que veem como novidade.
Devido a quantidade de acontecimentos, vários deles negativos, pudemos
acompanhar o amadurecimento precoce desses irmãos. O pouco romance que teve foi
bem curto e rápido, só deixando saudade e dor no semblante de uma jovem de
quinze anos, irmã de Max, Alicia.
A história
começou bem legal e até a página 89 se tem uma explicação da vida do ser humano
que o velho Víctor Kray (que tomara conta do Farol), diz que a vida tem três
períodos, e que se soubermos aproveitá-los de forma correta, será boa.
O segredo
dessa história de Zafón é que ele não foca apenas no mistério, o livro é
repleto de suspense, sobrenatural, e aventura, tem uma pitada de amizade, nos
conduzindo magnificamente até o final para descobrir realmente tudo o que se
passa nessa cabeça genial. Tenho interesse em ler todas as suas outras obras,
principalmente as voltadas para o público adulto, já que acho que irei me
identificar mais.
Este é o primeiro
livro escrito pelo autor e, de acordo com suas palavras é “um romance ‘juvenil’
que teria gostado de ler quando tinha 13, 14 anos, mas que continuasse a me
interessar aos 23, 43 ou 83 anos.”
Zafón
intitula o livro como sendo o primeiro de uma série de ficção de romances ‘juvenis’,
os outros são “O Palácio da meia-noite”, “As luzes de setembro” e “Marina”
(este último foi resenhado aqui no blog: Resenha 01 e Resenha 02), mas eles não
são sequenciais, ou seja, eles são independentes, e todos possuem final.
A fonte está
em um tamanho e espaçamento adequados para leitura, as páginas são amarelas, e
a cada início de capítulo há uma pequena ilustração de uma silhueta de um
farol. Gostei muito da capa, ela passa parte da ideia do livro, e tem um ar de
mistério envolto nela.
Para quem
gosta de histórias que são macabras ao mesmo tempo que apresentam uma certa
leveza, personagens bem construídos, e um enredo original, indico a leitura de “O
Príncipe da Névoa”.
Avaliação











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