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A Menina que Navegou ao Reino Encantado (no barco que ela mesma fez) - Fairyland #01 - Catherynne M. Valente

"Quando você nasce- disse a golem com suavidade-, sua coragem é nova e limpa. Você tem valentia suficiente para fazer qualquer coisa: engatinha escada a baixo, dizer suas primeiras palavras sem medo de que achem que você é boba, colocar coisas estranhas na boca. Mas conforme você vai crescendo, sua coragem atrai coisas viscosas e casquentas, sujeira e medo, além da consciência do quanto as coisas podem dar errado e do que é sentir dor...quando tudo que é preciso é um pouco de saliva e polimento, para que elas voltem a ser paladinos, cavaleiros destemidos e leais" (Pág. 71)


Pegue um caldeirão coloque Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, misture bem e jogue grandes punhados de criatividade, o que você tem? A Menina que Navegou ao Reino Encantado (no barco que ela mesma fez) primeiro livro da série Fairyland, escrito pela autora Catherynne M. Valente lançado pela editora Leya.

Nessa aventura conhecemos Setembro, uma garotinha de doze anos que está entediada com sua vida solitária e sonha com aventuras, até que um dia o Vento Verde e o Leopardo das Pequenas Brisas a convida para ir ao Reino Encantado. Entretanto o Reino Encantado está com problemas, a Marquesa tomou o controle do reino e criou novas leis.
Setembro de repente se vê envolvida em diversas missões para ajudar os seres encantados que conhece e depois para salvar sua própria vida. Ao mesmo tempo em que busca entender sua nova condição de arrebatada.


Narrado em terceira pessoa de uma forma simples, mas que nem por isso não trabalha com conceitos profundos, Valente cria um mundo que é uma mistura de clichês e de novidades do mundo encantado. Você pode fazer uma leitura rápida e direta, ao mesmo tempo em que pode refletir praticamente em todo parágrafo a cerca do que é dito. Mesmo os mais simples temas são trabalhados. Cada início de capítulo traz uma ilustração linda e um resumo em poucas palavras do que esperar do mesmo.

Setembro é uma menina curiosa que entre a mesmice do dia a dia e uma aventura ao desconhecido não hesita em pular pela janela deixando até seu sapato. É uma criança pura, sincera e inocente. Demora a compreender que existe maldade no reino encantado e não aceita/ compreende quando os seres querem prejudicá-la.

Está em conflito com a situação da sua casa, já que seu pai está na guerra e sua mãe passa o dia trabalhando fora. É um trauma na sua personalidade que se nega reconhecer a falta que sua casa faz, assim como o que sente pela sua mãe. A bondade é guia de suas ações e a justiça sua arma.

A-até-L, um dragão que acompanha Setembro em boa parte da sua viagem é um personagem muito original, teoricamente ele tem como pai uma biblioteca e a mãe uma dragão (draladoteca), e o que soa como algo insano na verdade é terrivelmente gostoso. A fala do dragão é permeada pelos livros e conceitos que empreendem dentro das letras A até L.

Sábado é um Marid, outro personagem bastante peculiar. O que mais me chamou atenção foi o modo como os Marids se estruturam como família, antes mesmo de você se casar você já conhece seus filhos. É meio louco, mas totalmente lindo, pois é como se você conhecesse seu futuro antes de acontecer, ao mesmo tempo em que ele está acontecendo.

Lixívia, é uma golem feita de restos de sabonete, e eu me apaixonei por ela, imaginando suas cores e cheiros. Pela ideia dos banhos que ela dá na entrada da cidade de Pandemônio (que é uma cidade toda de tecidos costurados S2!), ela parece ser a coisa mais fofa!

Valente trabalhou com diversos conceitos clássicos do folclore como a alergia ao ferro dos seres encantados, os nomes e características dos diversos elementais, além do sentido de cada lugar da trama, como as províncias de Outuno com os spriggans.

Pode parecer que trata-se de mais um livro de fantasia, mas não é. O final é surpreendente, eu não sei se eu que estava absorta na história, ou ele realmente é inesperado, mas foi digno de uma sessão de terapia com a marquesa! É desnecessário dizer que estou babando pela segundo livro que ainda não foi lançado no Brasil: The Girl Who Fell Beneath Fairyland and Led the Revels There.

Está esperando o que para ler, corra, resgate sua criança interior e coloque seu adulto para sublimar, mas cuidado seu coração pode se perder por lá para sempre, não é Setembro?!

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A Menina que Navegou ao Reino Encantado - Catherynne M. Valente


Assim que vi pela primeira vez a capa de “A Menina que navegou ao Reino encantado” ela já me chamou muita atenção. Não sei dizer se é pelo desenho, ou pelo título, mas fiquei muito interessada em ler sobre a história. Então, quando li a sinopse, fiquei encantada, pois adoro livros com histórias de aventuras e quando vi que ele foi indicado por Neil Gaiman, eu definitivamente sabia que deveria ler ele bem rápido.
O livro nos conta a história de Setembro, uma menina de 12 anos que passa a tarde inteira cuidando da casa em companhia de seus livros, pois seu pai foi, recentemente, convocado para a guerra e a mãe teve que fazer mais horas em seu trabalho em uma fábrica de aviões. Sonhadora, ela conheceu, através de suas leituras, mundos mágicos repletos de aventuras. E é por isso que quando o Vento Verde a convida para ir ao Reino Encantado ela não precisou pensar muito para aceitar a oferta e pular na garupa do Leopardo das Pequenas Brisas.
Infelizmente, ela acaba se separando de Vento Verde e acaba ficando um pouco perdida, já que não sabe muito bem para onde deve ir e nem o que fazer, sendo ajudada por diversas criaturas em sua jornada. Quando nossa protagonista chega ao seu destino final, ela encontra o reino em um momento não muito agradável, já que a rainha Malva desapareceu e uma garota malvada chamada Marquesa estava governando o local.
A Marquesa governava de forma extremamente cruel, prendendo as asas de todos os seres voadores, aplicando impostos e praticando a escravidão, além de manter muitos seres encantados presos em celas de ferro.
Em sua trajetória, Setembro faz novos amigos, inclusive com um dragão muito fofo chamado Draladoteca (vocês vão entender melhor o motivo deste nome quando lerem a história), e um menino azul chamado Sábado. E é junto deles que a nossa protagonista vive uma aventura bem interessante que nos prende do início ao fim. Os personagens são encantadores e bem trabalhados, alguns são bem diferentes do que estamos acostumados a ver por aí, aguçando ainda mais a nossa imaginação.
Em cada começo de capítulo encontramos um desenho (lindo!!) e uma pequena introdução, uma frase. O final do livro acaba de uma forma incrível que nos deixa de boca aberta e implorando para que tenhamos um pouco mais de Setembro e suas aventuras. A narrativa é bem gostosa e a leitura flui bastante, de modo que a gente acaba o livro sem nem perceber que já estávamos perto do fim.
Apesar de ser considerado um livro infantil, acho que ele é do tipo que agrada a todas as idades, por isso recomendo ele a todos integrantes de uma mesma família. Desde os mais novos, até os mais velhos que gostem de uma boa história que relembre a infância, cheia de aventuras.
A capa do livro é maravilhosa, do tipo que chama atenção de longe, e o título é em alto-relevo com verniz localizado. E, mesmo sendo um título grande, ficou perfeito e representa bem tudo que é narrado. As cores são bem lindas e a diagramação está perfeita, cheia de desenhos maravilhosos. A Leya fez um excelente trabalho ao trazer a nós um livro tão lindo e encantador e com tantas qualidades que eu só posso parabenizá-la e recomendar muito a todos vocês. Espero que todos fiquem maravilhados com essa história, assim como eu.
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