Em “Asas”, conhecemos Laurel, uma menina de 15 anos que tem a pele perfeita, sem nenhuma espinha, um cabelo lindo e sedoso, o corpo magro e atlético, um rosto lindo e uma graciosidade admirável. Ela se muda para uma nova cidade, Crescent City, com seus pais adotivos e começa a frequentar um colégio – novidade para ela, que sempre havia estudado em casa.
Mas Laurel não consegue se adaptar tão bem assim à sua nova vida, já que os aposentos do colégio são fechados e ela começa a se sentir sufocada ali dentro. Além disso, é totalmente fã da natureza e uma vegetariana das mais radicais (qualquer outra coisa a fazem passar mal). Ela logo conhece David, de quem se torna amiga rapidamente.
Um belo dia, uma espinha surge em suas costas, que começam a crescer e se transforma em algo totalmente inusitado (não vou dizer o que é, para ficar na surpresa, como foi comigo), que Laurel não consegue entender. Então, com a ajuda de David, ela corre atrás de respostas e acaba descobrindo que é uma fada (bem diferente das que estamos acostumados a ver por aí, devo confessar).
Durante essa busca de identidade, Laurel conhece Tamani, um elfo que pertence ao seu mundo verdadeiro e quem vai ajudá-la em suas descobertas. Inclusive uma dúvida que logo surge em sua mente: de quem ela realmente gosta? David ou Tamani?
Gosto bastante de ler livros de fadas, apesar de não conhecer inteiramente a mitologia delas. Mas gostei muito da mitologia criada pela autora, porque é totalmente diferente de tudo o que já li, e gosto muito quando as histórias fogem do habitual. E achei interessante a abordagem utilizada por Pike, a qual, devo confessar, além de criativa foi surpreendente, já que eu não esperava por algo assim.
Nesse triângulo amoroso, Laurel fica inteiramente dividida entre seus dois pretendentes, David o amigo humano (para quem vai a minha torcida), carinhoso e que a entende melhor do que ninguém, além de aceitá-la exatamente do jeito que é, e Tamani, um elfo sentinela, com quem Lauren tem um passado do qual não se lembra totalmente, apesar de sentir algo forte por ele (achei Tamani bem possessivo, não curti isso). Gostei dos dois personagens masculinos, a construção deles, e como podem ser tão diferentes e mesmo assim bastante incríveis.
A leitura flui de uma maneira gostosa e as páginas acabam rapidamente. Esse volume – o primeiro de uma série de quatro – é mais uma introdução ao mundo das fadas criado por Aprilynne, já que começamos a conhecê-lo juntamente com a protagonista. Gostei disso, já que as dúvidas que Laurel apresentava, eram justamente as mesmas do leitor, então desvendá-las juntamente com ela foi uma ótima maneira de sermos introduzidos a seu mundo, de uma forma sutil e sem nos perdermos.
Algumas pessoas acabam se incomodando com isso, pois o começo do livro é um pouco lento, já que estamos começando a entender o que se passa com Laurel. Eu, particularmente gostei bastante do começo, mas o final realmente começa a ficar bem mais movimentado. Por isso, acredito que os próximos volumes da série possuam mais ação do que esse, que é mais introdutório.
A capa está incrível, e passa totalmente o sentido da história. O trabalho gráfico dela também está lindo, com textura soft touch (emborrachada), verniz localizado nas gotas de orvalho, e o título em alto relevo. A diagramação está simples, e a contra-capa é rosa.
Recomendo para quem gosta de histórias fofas, inusitadas e bem construídas, com o pano de fundo mágico que é o mundo das fadas (que deve começar a se desenvolver mais no próximo volume), e uma narrativa leve e contagiante. Principalmente para o público juvenil, e para os amantes do gênero.
Avaliação